Música para a Arte

A arte e a música dão-se bem juntas, mas não é muito corrente música composta para obras de arte. É todavia o caso, na Rússia do século XIX, da suite Quadros de uma exposição (1874), do Modest Mussorgsky (1839-1881), inspirada numa mostra póstuma de pinturas do amigo arquiteto e pintor Viktor Hartmann (1834-1873).
Originalidade indigesta

“Lembram-se das capas dos álbuns dos Penguin Cafe Orchestra? Humanóides com cabeça de pinguim em movimentos parados. Os Penguin Café Orchestra são um testemunho de que, muitas vezes, a originalidade é um opção para o esquecimento. Preferimos adubar a inteligência com mais do mesmo, de preferência, com certificação ISO. A originalidade é indigesta” (https://tendimag.com/2020/10/09/pinguins-2/).
O avô do surrealismo

Jean I. I. Gérard (1803 – 1847) foi um ilustrador e caricaturista francês que publicou sob o pseudônimo de Grandville (…) Historiadores e críticos da arte chamaram-no de “a primeira estrela da grande era da caricatura francesa” e descreveram suas ilustrações como apresentando “elementos do simbólico, onírico e incongruente”, mantendo um senso de comentário social e “a transfiguração mais estranha e perniciosa da forma humana já produzida pela imaginação romântica” (Wikipedia, 11.08.2026)
Anúncio português vintage 2. Lápis
Nos anos noventa, multiplicam-se os anúncios alegóricos minimalistas. “Lápis”, da Campanha de Segurança Rodoviária, ilustra, de forma paciente e didática, os riscos irrefletidos da condução sob efeito de álcool.
Anúncio português vintage 1: Crânio / capacete
“Crânio”, da Segurança Rodoviária, estreou há mais de 30 anos. Pretende sensibilizar, de um modo impactante, os motoristas para o uso [obrigatório] do capacete de proteção. [carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo]

A Harpa, o Rouxinol e a Rosa
Para alguns, a vocação do ser humano é trabalhar; para outros, explorar ou dominar. No que me respeita, partilhar. De preferência, dar. Antes de mais, prazer. Mas para dar, não basta querer. É preciso alguém para receber. Acontece não conseguir… (AG).

O Tendências do Imaginário já dedicou um artigo a Deborah Henson-Conant, versátil e surpreendente harpista e compositora norte americana, célebre pela autoria da música “The Nightingale” (O Rouxinol). Segue o original instrumental, bem como a versão, com violoncelo, interpretada pelo duo romeno Cell’Arpa (Roxana Moisanu e Mladen Spasinovici, da orquestra da Ópera Nacional de Bucareste.

Para complementar a música, talvez se proporcione a leitura do conto, com subtis ressonâncias eróticas, “O Rouxinol e a Rosa”, do Oscar Wilde, que uma amiga virtuosa e oportunamente me sugeriu.
Pode também acompanhar a leitura com outras músicas. Por exemplo, as canções “The Nightingale” (1989), da série Twin Peaks, com interpretação de Julee Cruise, ou a “Cantilena” (1969), do Padre Francisco Fanhais.
Ilustração de P. J. Lynch, 1990
Campanhas de m*rda

Ça sent la mer d’ici (trocadilho francês)
Acontece as novidades chegarem aos molhos. Com os anúncios “La campagne de merde”, “Conquer the First School Poo” e “Le Studio”, temos elementos para iniciar um tratado de coprologia. Abordam temas fecais, desde a prevenção até à libertação, passando pela depuração.
Imagem: Ilustração do livro Gargantua

O texto mais estapafúrdio que conheço nesta matéria é da autoria do François Rabelais: o capítulo XIII da obra Gargântua (1534), intitulado “Como Grandgousier reconheceu a maravilhosa inteligência de Gargântua graças à invenção de um limpa cu”. Cinco páginas de delírio grotesco, cuja leitura pode ser escutada nos dois vídeos que seguem aos anúncios.
Imagem: O pequeno Gargântua segurando com as mãos um limpa cu. Gravura de Gustave Doré
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