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Memória, para que te quero?

Salvador Dali – The Disintegration of the Persistence of Memory, 1954

“Não fosse a Dra. Aida Mata convidar-me para uma comunicação sobre a memória num encontro no Mosteiro de Tibães, este texto nunca teria sido escrito. Pouco se perdia!”. Quando nos convidam para falar sobre um determinado tema, convém partilhar algo diferente, com marca própria, mas, de preferência, despretensioso. Não é nada fácil. A inspiração na experiência pessoal, quando existe, pode proporcionar uma chave… para uma ilusão de sabedoria.

O nariz de Cleópatra: o presente no passado. Tendências do Imaginário, 06.09.2018

Barbárie

Make love not scars. Beauty tips by Reshma – How to get perfect red lips. Ogilvy & Matter. Índia, Agosto 2015
Desfiguração. Tendências do Imaginário, 05.09.2015

Com a desigualdade na lapela

William Hogarth – Captain Lord George Graham in his Cabin, ca. 1745

Um artigo para pensar um pouco no muito que já se sabe.

Riqueza vaidosa. Tendências do Imaginário, 29.08.2020

A vez e a voz das crianças

Henri Rousseau – Pour fêter le bébé! 1903
Dar a mão a uma criança. Tendências do Imaginário, 26.08.2014
Ninguenização. Tendências do Imaginário, 17.12.2012
Alimentação e diálogo cultural. Tendências do Imaginário, 26.08.2018

Pedidos de casamento

Isla de Aruba. Destino de lua de mel
Inversão de papéis. Tendências do Imaginário, 20.08.2018

Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.

Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.

A juventude não tem idade. Tendências do Imaginário, 19.08.2016
A segunda juventude: os super avós. Tendências do Imaginário, 13.05.2018
A Super Avó. Tendências do Imaginário, 12.06.2017

Por uma Sociologia da Beleza

William Blake – A Noite da Alegria de Enitharmon, 1795. Tate Britain, London

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.

Um toque de beleza. Tendências do Imaginário, 16.08.2019

O Rei dos Parvos

Nunca subestimem o poder da estupidez humana (Robert Heilein).
São inúmeros os nomes atribuídos à sociedade contemporânea. Sociedade parva também cabe na lista. Somos uma SARL: Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. O anúncio brasileiro Be an asshole, da Sociedade dos amigos da Amazónia, é uma boa introdução à estupidez, à inércia e à dissipação humanas. (Estúpidos, 21.08.2017).

imagem: George Grosz – The Grey Man Dances, 1949

Estupidez global. Tendências do Imaginário, 14.08.2019
Georges Brassens – Le Roi (des Cons). Fernande, 1972

Desilusão a conta gotas / Carta de Pierre Bourdieu

Abóboras. Por altura do regresso a Braga em 1982. Fotógrafo: Álvaro Domingues

Há dias, submetive-me a uma plataforma “administrativa”. Foi complicado provar quem era e de onde vinha. Não o fazia há décadas. Não encontrei nem diploma de doutoramento nem certidão de agregação. A maior parte dos papéis dormiam em caixotes por motivo de obras em casa e não me dispus a acordá-os.  Encontrei um certificado do doutoramento e desisti de ser agregado.

Há males que vêm por bem! Tive a fortuna de deparar com uma carta tresmalhada do Pierre Bourdieu, que anexo. Compensou, mas também ensimesmou. Não consegui evitar uma pergunta recorrente:

O que me motivou, em 1982, a regressar a Braga para marinar profissionalmente durante 39 anos numa desilusão a conta gotas?

Calhaus e areia. Aposentado. Fotógrafo: Miguel Bandeira

Convidado em 1981, resisti. Em Paris, tinha emprego, estava a fazer doutoramento e acalentava boas perspetivas.

Em 1982, acabei por seguir as pegadas de centenas de milhares de compatriotas. Mas esta resposta genérica não me satisfaz. Cada um é um caso e existem nadas que fazem grandes diferenças: os tais “efeitos borboleta”. Por exemplo, desamores lá e amizades cá.

Carta de Pierre Bourdieu a Albertino Gonçalves. 27.02.1986

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Manuel Freire – Pedro Só. Da banda sonora da longa-metragem de Alfredo Tropa, “Pedro Só, de 1972. Poema de Fernando Assis Pacheco e música de Manuel Jorge Veloso

Pai afasta de mim esse cálice

À Eliane

Chique Buarque

Creio que estou prestes a terminar um malogrado procedimento burocrático. “Pai afasta de mim esse cálice”! Por algum tempo, porque desta merdificação pátria ninguém se pode estimar definitivamente livre.

Chico Buarque e Milton Nascimento – Cálice. Original: 1973. “Chico Buarque Especial”, pela Rede Bandeirantes, em 25 de dezembro de 1978
Chico Buarque – Construção. Construção, 1971. Vídeo oficial
Milton Nascimento e Chico Buarque – O que será. Meus caros amigos, 1976. Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo exibido em 14/03/87