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Transcendência do humano

Felix Nussbaum – Prisioneiro, 1940

Convém não esquecer.

Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

A nostalgia dá um passeio de bicicleta

Desde 2012, escrevi, no dia 25 de junho, vários artigos que estimo dignos de releitura. Relevo, especialmente, “A Nostalgia do Invisível”, de 2018, que se disingue, sobretudo, graças à inclusão do trabalho prático “A nostalgia do invisível – Memória e imaginário”, da autoria de Vanessa Caroline de Almeida e Alcântara, aluna do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Imagem: Corinna Luyken. O Livro dos Erros. Ed. original, 2017. Detalhe

Não sei se a aluna é uma extensão do professor ou o professor, da aluna. Salomonicamente, diria que ambos são, como resulta agora dizer-se, agência, logo extensões recíprocas.

O conceito de “extensão do homem” costuma ser atribuído a Marshall McLuhan, mas, na linguagem de Louis Althusser, não ele foi quem o “descobriu”, “inventou-o”; propôs a respetiva construção teórica. A realidade já era observada, pelo menos, desde Aristóteles: a roda em relação aos pés; a roupa, à pele… Em 1858, Maurice Leblanc, já escrevia, no livro Voici des Ailes (66 anos antes do understanding Media: The Extensions of Man, publicado em 1964), o seguinte a propósito da bicicleta:

Um aperfeiçoamento do próprio corpo, o seu acabamento. É um par de pernas mais rápidas que lhe é oferecido. O homem e a máquina são um só. Não são dois seres diferentes como o homem e o cavalo, dois instintos em oposição. Não, é um só ser, um autómato feito de uma só peça. Não há um homem e uma máquina. Há só um homem mais rápido (citado por Manuel Ferreira da Costa no livro A Póvoa de Varzim na Belle Époque: panorama da vida cultural e do turismo balnear, no prelo, pág. 231, que tenho a honra de prefaciar).

O 25 de junho parece ser um dia particularmente inspirador. Embora “A nostalgia do Invisível” seja o artigo que mais me sensibilizou, não resisto a acrescentar, como lembretes, mais três: “Miragem com falo à vista”, de 2012; “Epidemia de dança”, de 2013; e “Sombras”, de 2014.

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Do riso

O Tendências do Imaginário continua com um pendor ecologista: recicla. Retoma, desta vez, dois artigos dedicados ao riso: “Morrer de rir”, de 21 de agosto de 2014, e “Risoterapia. O consumo do riso” (restaurado), de 18 de junho de 2019.

Gustave Doré, Gargantua. Prologue, 1894

É possível

Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…

Angelo Branduardi – Confessioni di un malandrino. La luna, 1975. Premio Città di Recanati IX, anno 1999
Angelo Branduardi – Alla fiera dell’ Est. Alla Fiera Dell’ Est. 1976. Ao vivo em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006
Angelo Branduardi – La Pulce D’Acqua. La Pulce D’Acqua. 1977. Ao vivo em 1983. Roma, Teatro Sistina.Tour “Cercando l’oro”
Angelo Banduardi. Si può fare. Si può fare. 1992. Ao vivo, em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006

Distração Fatal e Smartphone

SMARTPHONE ADDICTION by Arend Van Dam

A WordPress passou a facultar-me a lista dos artigos publicados na mesma data nos anos anteriores. Alguns pedem restauro (e.g. completar o que desapareceu), outros revisão (e.g. aprimorar ou corrigir). Quase todos testemunham que, com o tempo, o blogue foi perdendo qualidade ou, pelo menos, abrangência. Agora limito-me quase a publicar conteúdos (sobretudo, músicas, anúncios, imagens) que me chamam a atenção; outrora, partilhava também pensamentos e sentimentos (pessoais). O que mudou? O auge do blogue coincidiu com os anos de isolamento: o blogue mantinha-me à tona e permitia-me alcançar as pessoas; hoje, regressei ao convívio com os outros. A vida e o papel do blogue mudaram.

Desde 2016, coloquei cinco artigos no dia 6 de junho. Retomo, restaurado e revisto, “Distracção fatal”. Complemento-o, acrescentado o artigo “Smartphone” do mesmo mês, mas do ano seguinte, 2017.

Armadilha para ratos

Fake or not fake, that is the fuck (Falso ou não falso, eis o que importa).

Steadfast Stationery – Don’t Look Up. Agência: Ducktape Studios. Índia, maio 2026

Fogo, Fumo e Cinzas

Vincent Van Gogh . Caveira com cigarro aceso, 1885-86. Van Gogh Musseum. Amsterdam

Fumar é atividade que ganha cada vez mais em ser relegada para a intimidade. Em público, acenam com a morte. O cigarro tornou-se o memento mori do século XXI: “mais um prego no caixão”; “fumar mata!”. Trata-se de uma sentença ritual bem-intencionada. Aliás, penso que se acredita que com boas intenções não se enche o inferno, mas se sobe a escada de Jacob. Apetece pedir também com amizade: “Já que vou morrer, deixem o prazer”. Mas contenho-me e agradeço com um sorriso penitente. Não me tenta incomodar os outros.

St. Vincent – Smoking Section. Masseduction, 2017
St. Vincent – Broken Man. All Born Screaming, 2024

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Número e proporção de óbitos por algumas causas de morte, Portugal, 2023 e 2024 (Fonte INE)

Vítimas da Verdade

Fotografia – Reprodução de La Jornada. México

Existem jornalistas de todos os tipos, feitios, interesses e ideologias. Esta diversidade representa um dos pilares das democracias e expõe-os como alvo a controlar ou a abater nos regimes autoritários e pelo crime organizado. O anúncio mexicano “Bullet Machine” ilustra-o de um modo original, veemente e impactante.

Article 19 Office for Mexico and Central America – Bullet Machine. Agência: Grey Mexico. Direção: Andrea Pelegrin & Francisco Paparella. México, abril 2026

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Rage Against The Machine – Killing In the Name. Rage Against the Machine, 1992
Muse – Uprising. The Resistance, 2009

Literatura deitada

Desliga o telemóvel e vai para a cama com Shakespeare, Cervantes, Camões ou, eventualmente, Dante, Poe, Tolstói, Rilke…

Acompanha ou intervala com boa música. Por exemplo, a Dança Macabra (1874) de Camille Saint-Saëns bem interpretada pela Kamerton Orchestra from Koszalin Music School, da Polónia.

Eros ou Thanatos sobre ou sob os lençóis.

Imagem: Edvard Munch. Dança da Morte (Autorretrato). 1915

Fnac Portugal – Vai para a cama com um livro. 2026
Camille Saint-Saëns – Danse Macabre (1874). Kamerton Orchestra from Koszalin Music School (Polish Nationwide Music Schools’ Symphonic Orchestras Competition 2014).