É possível
Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…
Distração Fatal e Smartphone

A WordPress passou a facultar-me a lista dos artigos publicados na mesma data nos anos anteriores. Alguns pedem restauro (e.g. completar o que desapareceu), outros revisão (e.g. aprimorar ou corrigir). Quase todos testemunham que, com o tempo, o blogue foi perdendo qualidade ou, pelo menos, abrangência. Agora limito-me quase a publicar conteúdos (sobretudo, músicas, anúncios, imagens) que me chamam a atenção; outrora, partilhava também pensamentos e sentimentos (pessoais). O que mudou? O auge do blogue coincidiu com os anos de isolamento: o blogue mantinha-me à tona e permitia-me alcançar as pessoas; hoje, regressei ao convívio com os outros. A vida e o papel do blogue mudaram.
Desde 2016, coloquei cinco artigos no dia 6 de junho. Retomo, restaurado e revisto, “Distracção fatal”. Complemento-o, acrescentado o artigo “Smartphone” do mesmo mês, mas do ano seguinte, 2017.
Armadilha para ratos
Fake or not fake, that is the fuck (Falso ou não falso, eis o que importa).
Fogo, Fumo e Cinzas

Fumar é atividade que ganha cada vez mais em ser relegada para a intimidade. Em público, acenam com a morte. O cigarro tornou-se o memento mori do século XXI: “mais um prego no caixão”; “fumar mata!”. Trata-se de uma sentença ritual bem-intencionada. Aliás, penso que se acredita que com boas intenções não se enche o inferno, mas se sobe a escada de Jacob. Apetece pedir também com amizade: “Já que vou morrer, deixem o prazer”. Mas contenho-me e agradeço com um sorriso penitente. Não me tenta incomodar os outros.
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Número e proporção de óbitos por algumas causas de morte, Portugal, 2023 e 2024 (Fonte INE)




Vítimas da Verdade

Existem jornalistas de todos os tipos, feitios, interesses e ideologias. Esta diversidade representa um dos pilares das democracias e expõe-os como alvo a controlar ou a abater nos regimes autoritários e pelo crime organizado. O anúncio mexicano “Bullet Machine” ilustra-o de um modo original, veemente e impactante.
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Literatura deitada

Desliga o telemóvel e vai para a cama com Shakespeare, Cervantes, Camões ou, eventualmente, Dante, Poe, Tolstói, Rilke…
Acompanha ou intervala com boa música. Por exemplo, a Dança Macabra (1874) de Camille Saint-Saëns bem interpretada pela Kamerton Orchestra from Koszalin Music School, da Polónia.
Eros ou Thanatos sobre ou sob os lençóis.
Imagem: Edvard Munch. Dança da Morte (Autorretrato). 1915
Telemóvel e acidentes nas passadeiras
Entre 2018 e 2022, cerca de 25 000 peões foram atropelados em Portugal nesse período; dos quais aproximadamente 43 % aconteceram em passadeiras. Nesse mesmo período registaram-se 527 mortes de peões em atropelamentos (…) 3 578 atropelamentos de peões foram registados em 2025, um número 258 superior ao de 2024. Apesar desse aumento de atropelamentos totais, o número de feridos graves e de mortes diminuíram em comparação com 2024 (…) Estudos e reportagens baseados em dados da ANSR indicam que Portugal tem uma das mais altas taxas de atropelamentos de peões na Europa Ocidental, muitas vezes em passadeiras. (ChatGPT, 01.04.2026).
Mundos malucos

Estou a alinhavar uma conferência sobre Christine de Pisan, uma figura medieval extraordinária. Nascida em Itália em 1463, viveu desde criança em França, onde faleceu em 1530. Considerada a primeira mulher escritora profissional no Ocidente, é autora de uma das primeiras utopias, a Cidade das Damas (1405), um século antes da Utopia, de Thomas More, e pioneira da defesa das mulheres. Ocorrerá na próxima sexta, na biblioteca da Academia Sénior de Braga.
Enquanto me entrego a esta tarefa, tenho estado a ouvir música clássica, designadamente interpretada ao violoncelo por Julian Lloyd Webber, irmão de Andrew Lloyd Webber. Mas apetece-me mudar. Até porque a maior parte das músicas interpretadas remete para os tempos áureos da cultura europeia, o que acaba por ter um sabor agridoce.
Procurei nos meus arquivos um cd porventura mais ligeiro e menos saudoso. Escolhi o Trading Snakeoil for Wolftickets, do norte-americano Gary Jules. Da América não vêm só bombas, também boa música rock, folk e alternativa.

Já coloquei, no artigo O mundo maluco e algo mais (31.05.2023), três canções do Gary Jules: “Mad World”, “Broken Window” e “Something Else”. Relevo, especialmente, a primeira. Não é só o mundo que está a ficar maluco; todos os mundos estão a ficar malucos. Não há ilha ou recanto que se aproveite, que sirva de refúgio. Parece não subsistir escapatória.
Mais ou menos a propósito, uma dúvida ou mero exercício de retórica: segundo o direito, internacional ou não, Khameini foi acidentado, executado ou assassinado? E quem o matou ou mandou matar: herói, justiceiro ou criminoso? Estar-se-á a assumir como normal raptar e matar chefes de estado? Uma nova forma de fazer política, entre a paz e a guerra? Não interessa, pois não? Em mundos malucos, vale tudo! Para maior confusão e insegurança…

Lembrei-me do filme “O Mundo Maluco” (It’s a mad, mad, mad, mad world, 1963). Vagamente, porque o vi faz mais de meio século. Creio, porém, que, esse sim, levezinho, dá mesmo vontade de rir.
Segue o vídeo oficial, realizado por Michel Gondry, da canção “Mad World”, interpretada por Gary Jules, uma versão do original dos Tears For Fears (1982).


