Música para a Arte

A arte e a música dão-se bem juntas, mas não é muito corrente música composta para obras de arte. É todavia o caso, na Rússia do século XIX, da suite Quadros de uma exposição (1874), do Modest Mussorgsky (1839-1881), inspirada numa mostra póstuma de pinturas do amigo arquiteto e pintor Viktor Hartmann (1834-1873).
Gostos bárbaros

“Considero o gosto, o bom e o mau, o maior inimigo da arte”. (Marcel Duchamp)
É difícil evitar comentários humorísticos próprios do gosto dito bárbaro perante a criatividade pura de obras de arte contemporânea.
Segue o artigo Públicos da arte, colocado em 19 de julho de 2016.
Imagem: Marcel Duchamp e a sua Roda de Bicicleta (1913)
“Medos” voltam a “assombrar” Melgaço
Sexta, 24 de outubro, pelas 21 horas, haverá mais uma edição dos Serões dos Medos, dedicada ao “sexto sentido”, na Casa da Cultura, em Melgaço. Na semana seguinte, 31 de outubro, será a vez da Noite dos Medos. Entretanto, pode visitar, até ao dia 16 de novembro, na Casa da Cultura, a Exposição Entre Mundos e Segredos.
Para aceder ao respetivo programa, bem como a quatro galerias com imagens e fotografias, carregar aqui ou na imagem seguinte.

A Semente e o Caroço

Sexta 18, desloquei-me a Melgaço para os Serões dos Medos. Parti de Braga com o receio de um decréscimo da afluência e da participação do público. O tema, possessões e bruxarias, parecia apontar nesse sentido.
Os acompanhamentos noturnos, em 2022, e os prenúncios de morte, em 2023, remetiam para fenómenos e protagonistas do Além, sobretudo do mundo dos mortos. Os vivos eram meras testemunhas, quando muito vítimas, nos casos raros de acompanhamentos mais “agressivos”. As possessões e as bruxarias podem comportar uma marca surreal, mas pertencem a este mundo, o dos vivos. São agenciadas e experienciadas “aquém” por “nós”. Acontece com os exorcismos, os esconjuros, as bruxarias e os feitiços. Mobilizamo-nos para combater o mal presente, os espíritos e os sortilégios. Acredita-se, recorre-se e (per)segue-se. Benzemos, salgamos e queimamos. Experiências pessoais dramáticas e íntimas, que exigem reserva e segredo. A própria palavra faz parte do fenómeno. Não admira que se observe uma propensão para o silêncio, para ocultar estes fenómenos e experiências.
Serões dos Medos 2024. Exposição de cartazes e imagens de filmes




O receio da falta de público depressa se dissipou. O número de pré-inscrições depressa superou as expectativas mais optimistas. Voltou a ser necessário alterar os planos. Tínhamos previsto um espaço a condizer com a afluência do ano anterior. Decorado a preceito, incluía uma “instalação” e uma exposição de cartazes e imagens de filmes emblemáticos provenientes do Museu do Cinema. Tivemos, porém, que prescindir dessa solução. Impunha-se o recurso ao auditório.
Mal acabou a intervenção introdutória do Luís Cunha, o público não se fez rogado; a eventualidade de uma retração suplementar desvaneceu-se. O ambiente de confiança e partilha, com empatia e respeito, depressa se aproximou do nível dos encontros precedentes. Interessadas e envolvidas, as pessoas sentiram-se suficientemente à vontade para intervir e se abrir. E, embora o tema fosse mais delicado, não faltaram testemunhos na primeira pessoa. Sucederam-se momentos mental e emocionalmente únicos e densos cuja dinâmica rondou, por vezes, a terapia social.
A conversa terminou perto da meia noite. Duas horas e meia bem passadas que não esgotaram a matéria, nem o interesse ou a disponibilidade para continuar o diálogo. Os derradeiros momentos não representaram um fecho ou uma conclusão, mas antes abertura e, de algum modo, antecipação. Surpreenderam-se casos suscetíveis de inspirar e animar a próxima edição, esboçando novos mapas, caminhos e companhias. Ficou a porta aberta!
Serões dos Medos 2024. Auditório




Saio sempre destas moderações com a impressão desconfortável de que, por vezes, teria ganho em falar menos. Calado, os outros teriam desfrutado de mais tempo e oportunidade para intervir. Iludo-me, contudo, com algumas dúvidas acerca desta mecânica da comunicação. As ideias e a respetiva circulação não obedecem ao princípio dos vasos comunicantes nem relevam da geração espontânea. Carecem de motivação e orientação. Importa, por exemplo, complementar uma dada intervenção, para a reconhecer e valorizar; sugerir tópicos, para sondar e estimular novos contributos; matizar, para evitar desequilíbrios, por exemplo, nem só ciência, nem só crença. Pode ainda resultar útil introduzir quebras de pausa e descontração, para restauro e relançamento. Certo é que não ocorreram vazios a preencher ou disfarçar. A palavra nem sempre é excesso e ainda menos desperdício. Como diria John Langshaw Austin, as palavras ajudam a fazer, a acontecer.
De qualquer modo, o incómodo desta autocrítica acaba por ser um bom sinal. Sinal da qualidade e da potencialidade do protagonismo da assistência. O que é deveras importante. O sucesso dos Serões dos Medos deve-se principalmente à adesão e ao desempenho do público. Acresce um bom augúrio: a presença de jovens é cada vez mais expressiva.
É um desafio aliciante e um prazer imenso trabalhar com a equipa responsável pelos Serões dos Medos. Precisamente a mesma do Cortejo Histórico, de há dois meses, e do Boletim Cultural, que, já impresso, aguarda o lançamento.
Após quarenta anos de academismos, sabe bem trabalhar assim, a criar, plantar e regar sementes em vez de engolir caroços. A colaboração com o Município de Melgaço tem praticamente a mesma antiguidade. O que é obra, atendendo ao meu instinto de borboleta e à diversidade de jardins de tentação.
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Acontece não me inclinar para nenhum tipo de música em particular. Clássica, pop, rock, blues ou jazz, vocal ou instrumental, rimada ou melodiosa, tanto faz! Tiro à sorte das prateleiras dos CDs. Seja qual for o eleito, pelo menos gostei dele quando o adquiri. Calhou uma coletânea de baladas do duo sueco Roxette. À vocalista, Marie Fredriksson, foi-lhe diagnosticado um tumor cerebral em 2002. Faleceu em 2019 com 61 anos de idade. Seguem quatro hits: A Thing About You; It Must Have Been Love; Listen To Your Heart; e Queen Of Rain. Escrevi o presente texto a escutar estas canções. Não condiz a letra com a caneta. Ditosa incongruência!
Walking in the (b)rain

Volta e meia, a Apple promove anúncios que visam a prevenção contra ameaças totalitárias. Por exemplo, “Data Auction” (https://tendimag.com/2023/01/08/pela-translucidez/) ou “1984” (https://tendimag.com/2017/10/30/o-martelo-da-revolta/). A maçã da sapiência contra o Big Brother! Na verdade, somos observados, filtrados e manipulados a toda a hora em qualquer lugar. No anúncio “Flock”, câmeras de vigilância metálicas substituem os corvos do filme de Hitchcock. É motivo para acrescentar: They are walking in the (b)rain.
Liberdade à Deriva. Dia do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura

“Os alunos do 1° ano do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, da Universidade do Minho, promovem no dia 15 de maio, no Campus de Gualtar, a 3ª edição do Deriva, um dia dedicado à intervenção e à cooperação/colaboração cultural na Universidade.
A edição de 2024 alia-se, conceptualmente, à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, tendo sido batizada “Liberdade à Deriva”.
A organização do Deriva este ano pretende associar os conhecimentos apre(e)ndidos em contexto de aula a um projeto que quebra as fronteiras da sala, através da sua materialização, hasteando a bandeira da reciprocidade com a restante comunidade académica, que é convidada a ser parte integral do Deriva, assim como construir pontes entre o curso, profissionais no campo, instituições artísticas e culturais e a comunidade na qual se insere imersiva e participativa. Busca também tornar visível o curso de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura frente às entidades, organizações e empresas locais e ao nível dos protagonistas da Cultura em Portugal.
Do corte com o quotidiano, ou seja, da mudança/revolta, ao convite à cocriação e à participação, encontram-se os cravos plantados há meio século, que resistem à custa de quem cria e, mais importante, o partilha.”
Segue o link para acesso ao programa:



