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Os Indígenas do Paraíso Perdido

Mongólia

Uma bela natureza num belo filme. Todos ansiamos pelo paraíso perdido. Para os lados da Mongólia, existem dois indígenas munidos de instagram para salvaguarda ecológica. Lembram os “embaixadores” das colónias na Grande Exposição do Mundo Português, de 1940, o álbum Tintin no Gongo, o livro A Nação nas malhas da sua identidade, de Luís Cunha, e o filme Os Deuses Devem Estar Loucos. Águas passadas movem moinhos; a nossa atracção pelo genuíno, pelo outro idealizado, também. A figura do indígena guardião da natureza, que com ela quase se confunde, é recorrente na publicidade.

Marca: Crosscall. Título: Nature’s eyes. Agência: Leo Burnett. Direcção: Fabien Ecochard. França, Março 2017.

A Grande Exposição do Mundo Português (1940). Realizador: António Lopes Ribeiro.

Públicos da Arte

Art Gallery2

O anúncio Art Gallery, da Sportsbet Multi  Builder, é uma paródia da arte, designadamente da recepção e da avaliação das obras de arte pelos públicos. Trata-se de um tema recorrente. Recordo Mr. Bean às voltas com o quadro Whistler’s mother, o ministro russo que, após visitar o Ocidente, regressa encantado com a arte de fazer arte com lixo (Rafael Pividal, Pays Sages, 1977). Humor à parte, destaque-se, também, a investigação de Pierre Bourdieu sobre os públicos da arte: L’Amour de l’Art (1966) e Un Art Moyen (1965).

Marca: Sporsbet. Título: Art Gallery.  Agência: Sportsbet Creative Team supported by DPR&Co. Direcção: Dave Wood. Austrália, Julho 2016.

Vertigens do barroco

Com Aida Mata e Anabela Ramos, participei na organização da Exposição Vertigens do Barroco: em Jerónimo Baía e na actualidade, aberta ao público de 24 de Março até 2 de Setembro de 2007, na Sala do Recibo do Mosteiro de São Martinho de Tibães. A ideia era cotejar o barroco dos séculos XVII e XVIII com o neobarroco contemporâneo. Várias instituições cederam peças de época: Biblioteca Pública de Braga, Biblioteca Nacional, Museu Alberto Sampaio, Museu Nacional do Traje, Museu Nogueira da Silva, Museu Machado de Castro e Paço dos Duques de Bragança. Num recanto da exposição, chamado“emoções confortáveis”, ao lado de um baú barroco, um sofá e um ecrã exuberantes. Sentados, os visitantes podem acompanhar uma série de anúncios publicitários tão estimulantes quanto estranhos.

Escrevi um pequeno texto para o catálogo da exposição intitulado “Vertigens do presente: a dança do barroco na era do jazz” ( http://hdl.handle.net/1822/8695). Acrescento uma galeria de fotografias caseiras.

Vertigens do barroco. Capa do catálogo.

Vertigens do barroco. Capa do catálogo.

Saudades! Dos momentos de indecisão com a Aida Mata a propósito da exposição. Da construção urgente de redes sociais. Da criação de um museu atento às pessoas. Da capacitação de crianças junto das escolas e das bibliotecas. Do estudo das perspectivas de desenvolvimento de vários territórios. Hoje, se me perguntam: “Albertino, que tens feito?”, respondo: “Preenchi muitos formulários em muitas plataformas”. Assim se desenha o futuro! Na ponta de um rato…

Fotografias da exposição Vertigens do Barroco. Mosteiro de Tibães. 2007