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Vítimas da Verdade

Fotografia – Reprodução de La Jornada. México

Existem jornalistas de todos os tipos, feitios, interesses e ideologias. Esta diversidade representa um dos pilares das democracias e expõe-os como alvo a controlar ou a abater nos regimes autoritários e pelo crime organizado. O anúncio mexicano “Bullet Machine” ilustra-o de um modo original, veemente e impactante.

Article 19 Office for Mexico and Central America – Bullet Machine. Agência: Grey Mexico. Direção: Andrea Pelegrin & Francisco Paparella. México, abril 2026

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Rage Against The Machine – Killing In the Name. Rage Against the Machine, 1992
Muse – Uprising. The Resistance, 2009

Sociedade hipócrita. O rei vai nu!

Chamo-me Amarna Miller, sou atriz porno e nasci num país hipócrita onde a mesma gente que me chama puta desfruta dos meus vídeos; um país que ama a vida mas permite que se mate em nome da arte; um país indignado com a corrupção mas que continua a votar em vigaristas, onde se salvam os bancos que expulsam milhares de famílias; um país que se diz laico mas que oferece medalhas às virgens, que trata os emigrantes como heróis e os imigrantes como lixo; um país onde os supostos guardiões da moral podem revelar-se os mais perigosos, onde a prostituição ainda não é legal embora o número de clientes aumente todos os anos; um país que se pretende aberto e tolerante mas onde um árbitro recebe ameaças de morte por ser gay; sim, vivemos num país asquerosamente hipócrita; somos, contudo, alguns ainda a resistir. (Tradução livre).

Verifiquei que já tinha partilhado este anúncio do Salón Erótico de Barcelona quando saiu em outubro de 2016 (Erótica política), mas não resisto a recolocá-lo.

Salón Erótico de Barcelona Apricots 2016 – PATRIA. Ideia original e produção: VIMEMA.com. Direção: Carles Valdés. Espanha, setembro 2016
Sinead O’Connor – The Emperor’s New Clothes. I Do Not Want What I Haven’t Got, 1990

Impossíveis conseguidos ou oportunidades desperdiçadas?

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Para Ernst Bloch, a utopia remete para um futuro exequível com raízes no presente que justifica uma esperança mobilizadora. Algures, creio que no livro dedicado a Thomas Münzer, sustenta a seguinte convicção: se a história está repleta de impossíveis realizados, também o está de possíveis não concretizados. Volvidas algumas décadas, os 17 objetivos adotados em 2015 pelos Estados-Membros das Nações Unidas farão parte dos impossíveis conseguidos ou dos possíveis desperdiçados?

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015, define as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e procura mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns.

The Global Goals – The World’s To Do List. Agência: Accenture Song. Direção: Nuno Fealy. UK, 2022
The Global Goals – We The People. 2015

Cultivar o futuro

Existem várias formas de cultivar, ou conquistar, mundos, sem que as sementes sejam fatalmente armas. A campanha equatoriana “Almax Mandarín” avança o seguinte provérbio: “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora”. Falta acrescentar que para que as árvores cresçam não basta terra, luz e água; são cada vez mais imprescindíveis bombeiros.

Garnier Ecuador creó para Minutocorp, en el marco del Año Nuevo Chino, la campaña ‘Almax Mandarín’, una propuesta artística que conecta con el sector de empresarios chinos que hoy representan el 77% de las importaciones en Ecuador.

Minutcorp & Almax – Almax Mandarín. Agência Garnier BBDO Ecuador. Equador, 2026

Mundos malucos

Estou a alinhavar uma conferência sobre Christine de Pisan, uma figura medieval extraordinária. Nascida em Itália em 1463, viveu desde criança em França, onde faleceu em 1530. Considerada a primeira mulher escritora profissional no Ocidente, é autora de uma das primeiras utopias, a Cidade das Damas (1405), um século antes da Utopia, de Thomas More, e pioneira da defesa das mulheres. Ocorrerá na próxima sexta, na biblioteca da Academia Sénior de Braga.

Enquanto me entrego a esta tarefa, tenho estado a ouvir música clássica, designadamente interpretada ao violoncelo por Julian Lloyd Webber, irmão de Andrew Lloyd Webber. Mas apetece-me mudar. Até porque a maior parte das músicas interpretadas remete para os tempos áureos da cultura europeia, o que acaba por ter um sabor agridoce.

Procurei nos meus arquivos um cd porventura mais ligeiro e menos saudoso. Escolhi o Trading Snakeoil for Wolftickets, do norte-americano Gary Jules. Da América não vêm só bombas, também boa música rock, folk e alternativa.

Já coloquei, no artigo O mundo maluco e algo mais (31.05.2023), três canções do Gary Jules: “Mad World”, “Broken Window” e “Something Else”. Relevo, especialmente, a primeira. Não é só o mundo que está a ficar maluco; todos os mundos estão a ficar malucos. Não há ilha ou recanto que se aproveite, que sirva de refúgio. Parece não subsistir escapatória.

Mais ou menos a propósito, uma dúvida ou mero exercício de retórica: segundo o direito, internacional ou não, Khameini foi acidentado, executado ou assassinado? E quem o matou ou mandou matar: herói, justiceiro ou criminoso? Estar-se-á a assumir como normal raptar e matar chefes de estado? Uma nova forma de fazer política, entre a paz e a guerra? Não interessa, pois não? Em mundos malucos, vale tudo! Para maior confusão e insegurança…

Lembrei-me do filme “O Mundo Maluco” (It’s a mad, mad, mad, mad world, 1963). Vagamente, porque o vi faz mais de meio século. Creio, porém, que, esse sim, levezinho, dá mesmo vontade de rir.

Segue o vídeo oficial, realizado por Michel Gondry, da canção “Mad World”, interpretada por Gary Jules, uma versão do original dos Tears For Fears (1982).

Gary Jules – Mad World. Trading Snakeoil for Wolftickets, 2001. Vídeo oficial, por Michel Gondry, 2004

Alterações climáticas. Hipocrisia

Eis um anúncio da Greenpeace deveras oportuno. Em diversos tempos e escalas. Por cá e alhures.

A Eni, uma das maiores empresas de petróleo e gás do mundo, está a utilizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno para maquilhar a sua destruição provocada pelos combustíveis fósseis.
Não se pode proteger os desportos de Inverno enquanto um dos maiores patrocinadores dos Jogos estiver a alimentar a crise climática.
Os poluidores não devem subir ao pódio nos Jogos. É tempo de o Comité Olímpico Internacional abandonar o patrocínio do petróleo e do gás.

Greenpeace International – It’s the Olympics – not the OILympics. Produção: Studio Birthplace. Itália, fevereiro 2026

A Mãe Terra, o Pai Natal e o Consumismo

“Os Correios da Noruega (Posten), encontraram uma perspetiva muito interessante sobre o que significa celebrar o Natal em 2022. Com o combate às mudanças climáticas cada vez mais premente e central nas nossas sociedades, a curta-metragem de 4 minutos mostra a relação de amor e ódio entre o Pai Noel e a Mãe Terra.

Generoso, o Pai Natal está determinado a proporcionar o máximo de alegria às pessoas através da distribuição de presentes, enquanto a Mãe Terra encara o consumo excessivo como um problema.
O serviço postal também utilizou dados do “Índice Climático” da Noruega, que relevam que apenas 10 em cada 100 empresas reduziram as emissões de acordo com as metas estabelecidas no Acordo de Paris, convidando-nos a todos a dar um passo em frente” (LLLLITL).

Anunciante: Posten (The Norwegian Postal Service). Título: Father Christmas and Mother Earth. Agência: POL, Oslo. Noruega, novembro 2022

Passagem

A Deputación de Pontevedra solicitou à Diana Gonçalves a realização de um vídeo de um minuto (apropriado para divulgação online) para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher (25 de novembro). Resultou a curtíssima metragem “O machismo vese claro cando enfocas, e ti velo?”. Num dia de nevoeiro sebastiânico, a ponte adquire um protagonismo inspirador. Graças aos planos e ângulos de filmagem, significa, melhor, proporciona sentir o confronto entre a clausura envolvente e a passagem libertadora.

O machismo vese claro cando enfocas, e ti velo?. Guión y dirección: Diana Gonçalves. Producción: Raia Creativa. Deputación de Pontevedra, 25.11.2025

O enterro da cabeça na areia

Com a modernidade, a cultura descobre-se cada vez mais dependente da economia e da política. Como diria Pascal, “sabe-se isso em mil coisas”: nas teorias, nos usos e nos costumes. Se outrora a postura das elites culturais era o contraposto, agora é o disposto, a fatalidade e o desgosto convertendo-se em vontade e vaidade. E o catavento emerge como figura totémica. O cenário complica-se quando os agentes culturais permanecem provincianos (agacham-se em bicos de pés) e paroquiais (encolhem-se e enredam-se em casulos e teias intramuros).

“Pequenos deuses caseiros”, gravitam ao redor de olimpos terrenos. Cortesãos, apressam-se a beijar as mãos estendidas pelos senhores providenciais. Ser é (a)parecer e agradar. Agitam as asas como quem promete voo, mas não saem do chão. Nos momentos de verdade, enterram a cabeça na areia.

Não me tomem muito a sério. Escrevo para o lado que estou virado, consoante o estímulo que acaba de me impressionar. Por exemplo, a curta-metragem animada “The Ostrich politic”, de Mohamad Houhou. Para exacerbar, o tempo apresenta-se com ar seco e luz crua.

The Ostrich politic – Animation Short Film. Realizador: Mohamad Houhou.  GOBELINS, L’ecole de l’image. Paris, 2018. Tem legendas em português.

O futuro das cidades segundo a ONU e a IA

PERU Children from the Amazon river with SDGs

Enquanto existe gelo nos polos e os oceanos não cobrem as cidades, vamo-nos encharcando com a Inteligência Artificial num mundo cada vez mais maluco.

United Nations. 2030 SDG Mad World. AiCandy. Kent Boswell. Australia, out. 2025