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Pós-modernidade avançada

Meow Wolf. 2021.

Tudo no anúncio Get Out And See The Worlds, da Meow Wolf (https://meowwolf.com/), é grande. Grande a Meow Wolf, “uma empresa americana de artes e entretenimento que cria instalações de arte imersivas em grande escala, bem como produz conteúdo de streaming, vídeos musicais e festivais de arte e música” (https://en.wikipedia.org/wiki/Meow_Wolf); grande a agência de publicidade, a Wieden+Kennedy, uma das melhores do planeta; a produtora Biscuit Filmworks; e o próprio anúncio, dois minutos e meio de imaginação e efeitos especiais. Anuncia-se a inauguração de um gigantesco “parque temático” em Denver, a Convergence Station, com resmas de km2, cenários, artistas, performances, mundos paralelos, alta tecnologia, imersão e emoção. Lembra-me o comboio fantasma da minha infância. Estimo o anúncio e o projeto tão interessantes que, caso regresse às aulas, que penso passa-lo aos alunos como exemplo de recurso à tecnologia, ao fantástico e ao grotesco na era da pós-modernidade avançada.

Marca: Meow Wolf. Título: Get Out And See The Worlds. Agência: W+K PortlandECD. Estados-Unidos, setembro 2021.

Alívio

Prunelax. Buried. 2021.

Os anúncios Casket (caixão) e Buried (sepultado), para o laxativo Prunelax, aproximam-se do cúmulo do grotesco. Um disgusto, duas piadas curtas a tresandar mau gosto. O tema, a disenteria, propicia-se. Num escasso minuto (2X30s), convocam os principais tópicos do rebaixamento, do “baixo material e corporal”:

Lugares rasteiros e de absorção – a terra, o túmulo, o caixão, o corpo, o nariz, o ventre e os pés;

Protagonistas – o cadáver, a velha, a coveira, o cego (defeituoso) e o animal (cão);

Fenómenos e práticas – diarreia, flatulência, pestilência, lambidela, exumação, queda, susto, pavor, alívio e riso.

Um dos traços mais caraterísticos do grotesco consiste no cotejo dos opostos. Neste caso, o enquadramento funciona como contraste: remete para símbolos valorizados pelo imaginário coletivo: a igreja, o sagrado religioso; a floresta, o santuário natural. Como diz o provérbio: “No melhor pano cai a nódoa”.

Obscuros, macabros e quase demoníacos, estes dois anúncios da Prunelax sugerem uma mudança na estratégia de marketing e publicidade. Uma inversão na imagem da marca. “Prunelax relaunches using ‘dark humour’ in disruptive new campaign” (Campaign Brief: https://campaignbrief.com/prunelax-relaunches-using-dark-humour-in-disruptive-new-campaign-via-five-by-five-global/ ). Meses antes, os anúncios evidenciavam-se leves, luminosos e quase angélicos (ver vídeos 3 e 4). Casket e Buried foram publicados nos meses de agosto e setembro; Say Goodnight To Constipation e Overnight Relief , em março e junho. A alusão a uma viragem estratégica resume-se a uma hipótese relativamente fundada. Carece, contudo, de mais informação. Existem leituras alternativas plausíveis. Por exemplo, os primeiros anúncios são de origem australiana, os segundos norte-americana, o que não é inócuo. As marcas podem adotar políticas de publicidade distintas consoante os momentos mas também as filiais e as agências. Convém desconfiar das causalidades únicas e lineares.

Marca: Prunelax. Título: Casket. Agência: Five by Five Global. Direção: Armand de Saint-Salvy. Austrália, agosto 2021.
Marca: Prunelax. Título: Buried. Agência: Five by Five Global. Direção: Armand de Saint-Salvy. Austrália, setembro 2021.
Marca: Prunelax. Título: Say Goodnight To Constipation (?). Estados-Unidos, junho 2021.
Título: Overnight Relief. Estados-Unidos, agosto 2021.

Blake & Blake. A fatalidade do nome

Melancolia agastada. Próximo do termo da atividade como professor universitário.
Melancolia esperançada. Há quarenta anos, no início da atividade como professor universitário. Fotógrafo: Álvaro Domingues.

Adotando a linguagem da sociometria de Jacob Levy Moreno, és uma “estrela” ou um “periférico”? Cativas ou repeles? Repara na atenção e no tempo que te dedicam.

Monet e Manet; Perry Blake e James Blake; Claude Monet e Claude Manet. Os primeiros impressionistas, os segundos eletrónicos.  A diferença que pode fazer uma simples letra. E um nome. Um nome presta-se a confusão). Baralha, mistifica e desorienta. Nos meus passeios pelo YouTube a partir da entrada Blake, troquei várias vezes o Perry pelo James., surpreendendo-me: “como é estranho, a voz e o estilo do Perry Blake mudaram expressivamente”. Até dar com o engano. A semelhança dos nomes de Monet e Manet provocou um desenlace inesperado, desmedido e trágico, memorável. O excerto “Mulher com vestido verde” do docudrama The Impressionists da BBC revela a série de equívocos desencadeados desde a  desilusão de Manet com a receção do quadro Olympia atá ao início da sua amizade com Monet, passando pelo duelo com o crítico de arte Dorante, um dos últimos e mais célebres duelos da história de França (ver vídeo 1. Existe uma versão, com menos resolução, com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=yeWmTiN4C3o; minutos 23:55 a 35:20). Luta-se e dá-se a vida por um nome. É escudo, estandarte e lança. Identitário e distintivo, o nome interpõe-se como uma marca e um sinal, um projeto, um caldo de expetativas e um mundo de possibilidades.

1. A mulher num vestido verde. Excerto do docudrama The Impressionists. BBC. 2006.

Blake não é Blake. A nacionalidade, a idade, a carreira, a popularidade e muitos outros traços pessoais separam Perry e James. Contudo, o que escrevi sobre a a música de Perry no artigo Melancolia Aveludada transparece como um letreiro que assenta a ambos: “Uma voz e uma orquestração singulares, suaves, compassadas, melódicas e melancólicas”. Convoco duas canções de James Blake: The Wilhelm Scream e I Never Learnt to Share. Recordam o Antony, dos Antony and the Johnsons.

2. James Blake. The Wilhelm Scream. James Blake. 2011.
3. James Blake. I Never Learnt To Share. James Blake. 2011. Ao vivo em Heaven, Londres.

A Roda do Tempo

The Wheel of Time ( A Roda do tempo). Prime. Amazon. 2021.

“O espaço é a forma da potência dos homens, o tempo a forma da sua impotência” (Jean D’Ormesson, Histoire du juif errant, Paris, Gallimard folio. p. 212).

A Roda do Tempo (The Wheel of Time) é uma série de catorze livros de fantasia iniciada por Robert Jordan. Após o seu falecimento, em 2007, com 58 anos, vítima de amiloidose cardíaca, a série foi concluída por Brandon Sanderson, a pedido da família, com base nos apontamentos remanescentes.

Trata-se de um best-seller mundial, que, curiosamente, repartido por três editoras, teve alguma dificuldade em vingar em França. Por sinal, o Fernando, meu rapaz mais novo, acaba de redigir um volumoso livro de fantasia, A Aposta do Velho Mago, em vias de edição, com a aura de Brandon Anderson.

Robert Jordan

A versão audiovisual da série A Roda do Tempo vai estrear no dia 19 de novembro no Prime, serviço de vídeo sob demanda, da Amazon. Segue o trailer oficial, publicado no dia 2 de setembro. Uma obra-prima. Recomendo vivamente a visualização.

Amazon Prime Video. Trailer. The Wheel of Time arrives on Prime Video November 19, 2021. 02/09/2021.

Albertino Gonçalves e Fernando Gonçalves – 04/09/2021

Super-homens paralímpicos

Manuel Mendes conquista a medalha de bronze na maratona, para deficientes motores, dos Jogos Paralímpicos Rio2016.

Na véspera da abertura dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 (de 24 de agosto a 5 de setembro de 2021), estreou o anúncio We the 15, promovido pela International Paralympic Committee (IPC) e pela International Disability Alliance (IDA).

WeThe15 is sport’s biggest ever human rights movement to end discrimination. We aim to transform the lives of the world’s 1.2 billion persons with disabilities who represent 15% of the global population. Launching at the Tokyo 2020 Paralympic Games, We The15 plans to initiate change over the next decade by bringing together the biggest coalition ever of international organisations from the world of sport, human rights, policy, communications, business, arts and entertainment (We the 15: https://www.wethe15.org/).

O anúncio consiste numa série de sequências com performances de desportistas com deficiência. Acrescento os trailers Super. Human, divulgado um mês antes, e We’re The Superhumans, destinado aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiros de 2016, ambos publicados pelo Channel 4, no mês de julho de 2021 e 2016, respetivamente. Partilhando, aproximadamente, o mesmo formato, os três vídeos são impressionantes. Relevo, em particular, o último, do Rio de Janeiro, pela aceleração vertiginosa das imagens.

International Paralympic Committee (IPC) & International Disability Alliance (IDA). We the 15. Agosto de 2021.
Anunciante: Channel 4. Super. Título;: Super. Human. Agência: 4Creative/London. Direção: Bradford Young. Reino Unido, Julho 2021.
Marca: Channel 4. Título: We’re The Superhumans. Agência: 4Creative/London. Direção: Dougal Wilson. Reino Unido. 2016.

Transcrevo, e recomendo, um excerto do livro Estigma, de Erving Goffman, editado em 1963, que propõe uma tipologia das estratégias, atitudes e comportamentos sociológicos e psicológicos dos estigmatizados, entre os quais os deficientes, face aos outros e a si próprios, que distingue este género de iniciativas, incluindo os presentes trailers. Erving Goffman consta entre os meus dez sociólogos preferidos.

Erving Goffman. Estigma, 1963; excerto do capítulo 1. Estigma e Identidade Social.

“A característica central da situação de vida, do indivíduo estigmatizado pode, agora, ser explicada. É uma questão do que é com freqüência, embora vagamente, chamado de “aceitação”. Aqueles que têm relações com ele não conseguem lhe dar o respeito e a consideração que os aspectos não contaminados de sua identidade social os haviam levado a prever e que ele havia previsto receber; ele faz eco a essa negativa descobrindo que alguns de seus atributos a garantem. Como a pessoa estigmatizada responde a tal situação? Em alguns casos lhe seria possível tentar corrigir diretamente o que considera a base objetiva de seu defeito, tal como quando uma pessoa fisicamente deformada se submete a uma cirurgia plástica, uma pessoa cega a um tratamento ocular, um analfabeto corrige sua educação e um homossexual faz psicoterapia. (Onde tal conserto é possível, o que freqüentemente ocorre não é a aquisição de um- status completamente normal, mas uma transformação do ego: alguém que tinha um defeito particular se transforma em alguém que tem provas de tê-lo corrigido.) Aqui, deve-se mencionar a predisposição à “vitimização” como um resultado da exposição da pessoa estigmatizada a servidores que vendem meios para corrigir a fala, para clarear a cor da pele, para esticar o corpo, para restaurar a juventude (como no rejuvenescimento através do tratamento com gema de ovo fertilizada), curas pela fé e meios para se obter fluência na conversação. Quer se trate de uma técnica prática ou de fraude, a pesquisa, freqüentemente secreta, dela resultante, revela, de maneira específica, os extremos a que os estigmatizados estão dispostos a chegar e, portanto, a angústia da situação que os leva a tais extremos. Pode-se citar um exemplo: “Mias Peck (uma assistente social de Nova York, pioneira de trabalhos em beneficio de pessoas com dificuldades auditivas) disse que outrora eram muitos os curandeiros e charlatães que, desejosos de enriquecer rapidamente, viam na Liga (para os que tinham dificuldades de audição) um frutífero campo de caça, ideal para promoção de gorros magnéticos, vibradores miraculosos, tímpanos artificiais, sopradores, inaladores, massageadores, óleos mágicos, 11 bálsamos e outros remédios que curam tudo, garantidos, positivos, à prova. de incêndio, e permanentes para a surdez incurável. Anúncios de tais artifícios (até a década de 20, quando a Associação Médica Americana decidiu promover uma campanha de investigação) atacavam os que tinham dificuldades de audição, pelas páginas da imprensa diária, inclusive revistas bem conceituadas.” O indivíduo estigmatizado pode, também, tentar corrigir a sua condição de maneira indireta, dedicando um grande esforço individual ao domínio de áreas de atividade consideradas, geralmente, como fechadas, por motivos físicos e circunstanciais, a pessoas com o seu defeito. Isso é ilustrado pelo aleijado que aprende ou reaprende a nadar, montar, jogar tênis ou pilotar aviões, ou pelo cego que se torna perito em esquiar ou em escalar montanhas. O aprendizado torturado pode estar associado, é claro, com o mau desempenho do que se aprendeu, como quando um indivíduo, confinado a uma cadeira de rodas, consegue levar uma jovem ao salão, numa espécie de arremedo de dança. Finalmente, a pessoa com um atributo diferencial vergonhoso pode romper com aquilo que é chamado de realidade, e tentar obstinadamente empregar uma interpretação não convencional do caráter de sua identidade social. A criatura estigmatizada usará, provavelmente, o seu estigma para “ganhos secundários”, como desculpa pelo fracasso a que chegou por outras razões: “Durante anos, a cicatriz, o lábio leporino ou o nariz disforme foram considerados como uma desvantagem, e sua importância nos ajustamentos social e emocional inconscientemente abarcava tudo. Essa desvantagem era o “cabide” no qual o paciente pendurava todas as insuficiências, todas as insatisfações, todas as protelações e todas as obrigações desagradáveis da vida social, e do qual veio a depender não somente como forma de libertação racional da competição mas ainda como forma de proteção contra a responsabilidade social. “Quando esse fator é removido por cirurgia, o paciente perde a proteção emocional mais ou menos aceitável que ele oferecia e logo descobre, para sua surpresa e inquietação, que a vida não é fácil de ser levada, mesmo pelas pessoas que têm rostos “comuns”, sem máculas. Ele está despreparado para lidar com essa situação sem o apoio de uma “desvantagem”, e pode-se voltar para a proteção menos simples, mas semelhante, de padrões de comportamento de neurastenia, conversão histérica, hipocondria ou estados de ansiedade 12 aguda.” O estigmatizado pode, também, ver as privações que sofreu como uma bênção secreta, especialmente devido à crença de que o sofrimento muito pode ensinar a uma pessoa sobre a vida e sobre as outras pessoas: “Mas agora, distante da experiência do hospital, posso avaliar o que aprendi. (Escreve uma mãe permanentemente inválida devido à poliomielite.) Porque aquilo não foi somente sofrimento: foi também um aprendizado através dele. Sei que a minha consciência das pessoas aumentou e se aprofundou, que todos os que estão perto de mim podem contar com minha mente, meu coração e minha atenção para os seus problemas. Eu não poderia ter descoberto isso correndo numa quadra de tênis.” De maneira semelhante, ele pode vir a reafirmar as limitações dos normais, como sugere um esclerático múltiplo: “Tanto as mentes quanto os corpos saudáveis podem estar aleijados. O fato de que pessoas “normais” possam andar, ver e ouvir não significa que elas estejam realmente vendo ou ouvindo. Elas podem estar completamente cegas para as coisas que estragam sua felicidade, totalmente surdas aos apelos de bondade de outras pessoas; quando penso nelas não me sinto mais aleijado ou incapacitado do que elas. Talvez, num certo sentido, eu possa ser um meio de abrir os seus olhos para as belezas que estão à nossa volta: coisas como um aperto de mão afetuoso, uma voz que está ansiosa por conforto, uma brisa de primavera, certa música, uma saudação amistosa. Essas pessoas são importantes para mim e eu gosto de sentir que posso ajudá-las.” E um cego escreve: “Isso levaria imediatamente a se pensar que há muitos acontecimentos que podem diminuir a satisfação de viver de maneira muito mais efetiva do que a cegueira. Esse pensamento é inteiramente saudável. Desse ponto de vista, podemos perceber, por exemplo, que um defeito como a incapacidade de aceitar amor humano, que pode diminuir o prazer de viver até quase esgotá-lo, é muito mais trágico do que a cegueira. Mas é pouco comum que o homem com tal doença chegue a aperceber[1]se dela e, portanto, a ter pena de si mesmo.” Escreve um aleijado: “À proporção que a vida continuava, eu soube de muitos, muitos tipos diferentes de desvantagens, não apenas físicas, e comecei a perceber que as palavras da garota aleijada no 13 excerto acima (palavras de amargura) bem poderiam ter sido pronunciadas por jovens mulheres que se sentiam inferiores e diferentes por sua feiúra, incapacidade de ter filhos, impossibilidade de relacionamento com outras pessoas, ou muitas outras razões.”

Erving Goffman, Estigma, 1963; excerto do capítulo 1. Estigma e Identidade Social. Tradução de Mathias Lambert. Versão brasileira. Sem espaços entre parágrafos).

O Berço dos mortais deuses

Regressemos a Dario I, o Arqueiro. Na rota da Babilónia, perto do Afeganistão, a Mesopotâmia, “berço da civilização”, da escrita cuneiforme, do código de Hamurabi, da ciência e da agricultura, de canais, palácios e monumentos gigantescos e jardins suspensos e esculturas, de epopeias, tragédias, cativeiros e heróis imortais. Da demanda de Gilgamesh e da torre de Babel.

Impressionou-me a leitura na infância do livro As Ruínas de Palmira (1791), escrito pelo Conte de Volney, protagonista da Revolução Francesa. Consiste numa espécie de julgamento dos grandes impérios e das grandes religiões. Para quem possa interessar, acrescento o link para a digitalização da publicação original.

A Mesopotâmia, designadamente a Babilónia, é tema recorrente na música.  Georg Friedrich Händel dedicou uma ópera a Xerxes (cujo nome significa “governante de heróis”), composta em 1738, que inclui a ária Ombra Mai Fú (trad. Nunca houve uma sombra), uma pérola rara da história da música (ver vídeo 1). A obra de Händel tende a abusar dos metais (ver o artigo Música e Espectáculo: https://wordpress.com/post/tendimag.com/40821); o rei Jorge I de Inglaterra, seu patrono, não apreciava as cordas! Um exemplo da dependência da arte em relação ao poder político. Acresce que na época as mulheres não podiam aparecer no palco, sendo representadas por homens travestidos. Brilha o “castrato, “desvirilizado” na infância para desenvolver voz feminina (soprano, mezzo-soprano, ou contralto). Diverti-me a procurar uma interpretação atual que se aproximasse deste fenómeno (ver vídeo 1 e artigo Castrati: https://wordpress.com/post/tendimag.com/43403).

G.-F. Händel. Aria “Ombra mai fù ” ( 1 Act ) from the Opera “Serse”. 1738. By Philippe Jaroussky,

A música pop também namora o tema da Babilónia. Retenho duas canções bem distintas: Waters of Babylon (vídeo 2), de Don McLean, e Rivers of Babylon. dos Boney M (vídeo 3).

Don McLean. By The Waters of Babylon. American Pie. 1971.
Boney M. Rivers of Babylon. Nightflight to Venus. 1978. Ao vivo: Sopot Festival 1979.

Não resisto a acrescentar Alexander The Great, dos Iron Maiden. Cerca de um século após a morte de Xerxes, Alexandre, homem imortal, conquistou o reino da Pérsia. Na canção dos Iron Maiden, multiplicam-se as referências à Babilónia.

Iron Maiden. Alexander the Great. Somewhere in time. 1986.

Artigos descentrados e desossados como este oferecem-se, porventura. como um modo de viajar confinado.

Um contra um, todos por todos

Keith Vaughan. Cain and Abel. Tate. 1946.

O videojogo afirma-se como vanguarda das indústrias do lúdico e do audiovisual. Potente, competitivo, flexível, acelerado, certeiro e ubíquo. Como o arco de Dario (sobre o arco de Dario, rei da Pérsia, recomendo o artigo: O Espetáculo do Poder).

Não é de admirar que os anúncios a videojogos constem entre os mais impactantes das últimas décadas. HUMANKIND (Amplitude Studios) frisa a perfeição apelativa, narrativa, técnica e estética. Nada é descurado: a luz, a cor, a fotografia, o desenho, os cortes, os contrastes, o enquadramento, a profundidade, os planos, os ritmos, as sequências, o som, as referências… Qualidade, critério e criatividade. HUMANKIND recupera uma opção cada vez mais frequente: a substituição da figura humana por objetos e símbolos. Ganha em projeção e sublimação. Os objetos e os símbolos tornam-se, porventura, mais humanos do que o humano.

HUMANKIND. Amplitude Studios. Official trailer. Agosto 2021.

Retenhamos a lição: agonístico e diabólico, o universo, assevera-se exíguo para dois protagonistas; o anúncio termina, porém, com uma avalanche de multidão. Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto: o anúncio não enjeita ressonâncias bíblicas e míticas: o crepúsculo, egoísta e homicida, de Caim, e a alvorada, coletiva e mobilizadora, de Moisés. Onde não cabem dois, cabem milhões.

Fernando Gonçalves e Albertino Gonçalves

O insólito normal

Fotografia de Álvaro Domingues

No anúncio City Bike, da Mate, os contextos e os movimentos territoriais inesperados cruzam-se num misto de estranheza e familiaridade. Lembram o livro Paisagens Transgénicas, de Álvaro Domingues (Museu da Imagem, 2021). O anormal é normal.

Mate. City Bike. Prudução: Quad Productions. Direção: Greg Ohrel. Canadá, Junho 2021.

Outros beijos

Mercado Livre. Novos beijos icônicos.

Outros beijos, outros géneros. Beijos com história, beijos com arte, numa chuva de beijos emblemáticos. Outros beijos, outros géneros, beijos humanos. Belas imagens, boa música.

Anunciante: Mercado Livre. Título: Novos beijos icônicos. Agência: GUT/São Paulo. Direção: VELLAS. Brasil, junho 2021.

O Método

Rodrigo Leão. O Malabarista.

Por um prazer simplificado.

Rodrigo Leão. O Método. O Método. Com Federico Albanese. 2020,