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Com as mãos vazias e o coração cheio

Lhasa de Sela oferece-se como um dos meus encantos. Deixou-nos sem uma voz e uma presença insubstituíveis faz 15 anos, com 37 anos de idade. A Almerinda Van Der Giezen acaba de me enviar esta interpretação da canção “J’arrive à la ville”, na sua cidade de adoção, Montréal, em 2005. Uma bênção!

Moi aussi
Moi aussi
J′arrive les mains vides
Au sud du nord
Au nord du sud
J′ai un passé
Mais j’m′en sers pas
(Llasa de Sela)

Lhasa de Sela – J’arrive à la ville. The Living Road, 2003. Ao vivo no Quebec festival 2005

Um (v)eu entre vazios

Antonio Corradini. Busto de Mulher Velada (Puritas). 1717-1725. Museo del Settecento Veneziano, Ca’ Rezzonico, Veneza

Nous ne croyons plus que la vérité demeure vérité si on lui enlève son voile ; nous avons assez vécu pour écrire cela [Já não acreditamos que a verdade permaneça verdade se lhe retiramos o seu véu; temos vivido o suficiente para escrever isso] (Friedrich Nietzsche, Le Gai Savoir, 1882)

Com 91 anos, Charles Aznavour canta “Hier Encore” em Yerevan, capital do seu país natal, a Arménia. Nunca é tarde para demandar o ninho, com ou sem penas.

Charles Aznavour – Hier Encore. Hier Encore, 1964. Ao vivo em Yerevan, em 11.11.2025

Inicia no dia 28 de julho, até 3 de agosto, a 11ª edição do MDOC  – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, uma iniciativa a vários títulos única e notável. Acerca do programa deste ano, João Martinho publicou no jornal Voz de Melgaço uma apresentação ao mesmo tempo atenta e concisa: “MDOC 2025: Novos olhares e reflexões sobre o território regressam de 28 de julho a 3 de agosto”.

Campanha portuguesa distinguida no Festival de Cannes

Fazer das fraquezas força

A campanha IKEA Hidden Tags da agência Uzina para a IKEA, lançado em maio de 2024, acaba de conquistar cinco Leões no Festival de Cannes 2025: dois de Ouro, dois de Prata e um de Bronze. Poucas semanas antes, em 23 de maio, a campanha foi a “grande vencedora” do 27.º Festival do Clube da Criatividade de Portugal (CCP), arrecadando os dois maiores troféus: o Grande Prémio CCP e o Grande Prémio Jornalistas. A agência Uzina foi então eleita “agência do ano”.

O trabalho “Etiquetas Escondidas”, da Uzina para a Ikea, vai receber mais uma prata, esta vez na categoria de Brand Experience. Ao prémio que será anunciado esta quinta-feira, recorde-se, somam-se já dois ouros, nas categorias de Direct e de Creative Media. EAestes, juntam-se ainda uma prata em Direct e um bronze em Creative Data. / A campanha foi lançada pela Ikea para celebrar os seus 20 anos em Portugal, tendo a marca desafiado os clientes a procurarem as etiquetas dos seus produtos, com o objetivo de encontrar o móvel mais antigo da marca sueca em Portugal. Quem tivesse a peça de imobiliário com maior idade ganhava um voucher de 2.000 euros. / Para comunicar a ação, a marca apostou na altura numa campanha presente com um filme em televisão e digital, mas também com imagens em mupis, redes sociais e site. Contou ainda com conteúdo de uma influenciadora para mostrar aos consumidores como ler as etiquetas. / A campanha gerou um aumento de 14% nas vendas (em relação ao ano passado), com 31% das vendas registadas provenientes de novos membros Ikea Family e 42% de crescimento de novos membros no programa de fidelização (+95,5 mil novos membros). (Idias +M 19.06.2025 – Uzina e Ikea somam mais uma prata em Cannes).

Marca: IKEA. Título: IKEA Hidden Tags. Agência: Uzina. 2025. Inglês
Marca: IKEA. Título: Etiquetas Escondidas | 20 anos IKEA Portugal. Maio 2024. Português

Tempos de Amor e Ódio

A uma refugiada em Paris durante a Guerra
Civil Libanesa iniciada em 1975

Thanatos, a pulsão de morte e a violência, aqui tão perto e Eros, a partilha e o Live Aid, já tão longe…

Seguem dois excertos da histórica prestação dos Queen no Live Aid 85 com as canções: Bohemian Rhapsody; We Will Rock You; e We Are The Champions.

Queen – Bohemian Rhapsody. A Night at the Opera, 1976. Live Aid 1985, Wembley Stadium, London, 13th July, 1985
Queen – We Will Rock You & We Are The Champions. News of the World, 1977. Live Aid 1985, Wembley Stadium, London, 13th July, 1985

Noturnos com lua cheia

Pelos cinco continentes: depois da Oceânia, da Europa, da América Latina, da Ásia e da África, chega a vez da América do Norte. Admito que nestas travessias o meu radar não privilegia os Estados Unidos. Na minha opinião, exorbitam em recursos de divulgação e agentes de promoção. O que não obsta à profusão de autores e obras com qualidade, diversidade e originalidade notáveis. Como diz uma amiga, transbordam de surpresas e idiossincrasias.

Resulta estranho, mas o Tendências não contempla uma única canção dos The National, banda de indie rock fundada em 1999 no Ohio. Para compensar, segue meia dúzia de canções por data de estreia, excetuando a mais antiga que surge em último lugar. Por vício, relega-se para o fim aquilo que se pretende relevar.

The National – I Need My Girl. Trouble Will Find Me. 2013
The National – Peggy O. Day of the Dead. 2016. Cherry Tree Live Tour vol. 2. 2020
The National – Guilty Party. Sleep Well Beast. 2017. Live in the KEXP studio. Recorded November 29, 2017
The National – Space Invader. Laugh Track. 2023. With Jools Holland on BBC iPlayer, 2023
The National – Eucalyptus. First Two Pages of Frankenstein. 2023. Official Video
The National – About Today. Cherry Tree. 2004. Live. Germany 2008

E Madrid aqui tão perto!

El que quiere interesar a los demás tiene que provocarlos (Salvador Dali)

De Espanha não vêm só apagões e maus casamentos. No domínio da música, é um país notável, pela história, diversidade e qualidade. No entanto, por estas bandas, os ventos insistem em soprar predominantemente de Oeste e de Norte.

A pesquisar sobre a folia, deparei com Ara Malikian, intérprete criativo da Foliajazz. Compositor e violinista virtuoso libanês-espanhol de origem arménia, reside em Madrid. [Acrescento no fim uma nota biográfica extraída da Wikipedia]. Da sua obra (mais de uma trintena de álbuns), retenho quatro prestações: Viejos Aires; Misirlou; Ay Pena, Penita, Pena; e Pisando Flores (2017).

Ara Malikian atuou várias vezes em Portugal: em maio de 2019 no Casino do Estoril; em novembro de 2023, no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e na Casa da Música no Porto; e em junho de 2024 no Centro Cultural de Viana do Castelo. Está programado um concerto para o dia 28 de novembro de 2025 no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Ara Malikian / Fernando Egozcue Quinteto – Viejos Aires. Concierto Teatro Arteria Coliseum de Madrid 15 de febrero de 2011
Ara Malikian – Misirlou (Pulp Fiction Theme). Tour 15. Circo Price Madrid, 2015
Ara Malikian – Ay pena, penita, pena (Lola Flores cover). Ara Malikian Symphonic Tour on 2016
Ara Malikian – Pisando flores. Live at Las Ventas Madrid, 2017

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Sim, a magia existe! Por vezes, antes de abrir os vídeos de música, e especialmente quando pressinto que vai ser algo grande, preciso de esperar até encontrar uma espécie de puro silêncio dentro de mim que me permita acolher o mundo todo. Como uma meditação. Assim foi hoje e ainda bem que esperei. Associa-se muitas vezes o choro ao violino. E sim, ele chora, lamuria-se, despedaça-se em tristeza, como em Ay pena, penita, pena. Mas é muito mais, é tudo! Ou pode. É assombroso ver uma simbiose tão forte entre violino e violinista, o corpo a dançar e a mover-se em uníssono com o arco a tocar nas cordas…eu disse tocar? é impossível dar um nome a esta paixão que transparece no som, corpo e face de Ara Malikian. E a ligação criada com os outros músicos… a percepção de instantes de incredulidade no rosto dos outros músicos e o contágio, esse contágio que se entranha, vibra e estilhaça todas as convenções. A alma deve ser assim. (Almerinda Van Der Giezen, 04205.2025)

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Ara Malikian (nascido em Beirute, em 1968)
Biografia
“Ara Malikian começou a tocar violino muito cedo, tendo seu pai como professor. Ele deu seu primeiro concerto aos 12 anos. Aos 14 anos, foi notado pelo maestro Hans Herbert-Jöris, que lhe obteve uma bolsa para frequentar Hochschule für Musik, Theater und Medien Hannover em Hanover . Admitido aos 15 anos, tornou-se o aluno mais jovem a estudar nesta escola. Ele prosseguiu os seus estudos na Guildhall School of Music and Drama em Londres e ao mesmo tempo teve aulas particulares com os professores Franco Gulli, Ruggiero Ricci , Ivry Gitlis , Herman Krebbers e membros do Alban Berg Quartet .
Malikian assimilou a música de outras culturas como a do Oriente Médio, Europa Central (cigana e klezmer), Argentina (tango) e Espanha (flamenco), inspirado pelo músico espanhol Paco de Lucía.
Com um repertório variado, que inclui a maioria das peças escritas para violino (concertos com orquestras, sonatas e peças com piano e música de câmara), Malikian também interpreta peças de compositores modernos como Franco Donatoni , Malcolm Lipkin, Luciano Chailly , Ladislav Kupkovich, Loris Tjeknavorian, Lawrence Romany e Yervand Yernakian. Ele também toca recitais para violino solo, notadamente os Vinte e quatro Caprichos de Niccolò Paganini, as Seis Sonatas de Eugène Ysaÿe e as Sonatas e Partitas de Jean-Sébastien Bach.
Malikian foi aclamado em inúmeras competições, incluindo primeiros prémios em competições internacionais: “Felix Mendelssohn” em 1987 em Berlim e “Pablo Sarasate” em 1995 em Pamplona, bem como outros prémios nas competições “Niccolò Paganini” (Génova), “Zino Francescatti” (Marselha), “Rodolfo Lipizer” (Gorizia), “Jeunesses Musicales” (Belgrado), “Rameau” (Le Mans), “International Artists Guild” (Nova York) e “International Music Competition of Japan”. Em 1993, recebeu o “Prêmio por Dedicação e Realização” do Ministério da Cultura da Alemanha (…)
Ara Malikian mora em Madrid, onde foi solista da Orquestra Sinfónica de Madrid. Desde 1995 toca em duo com o pianista Serouj Kradjian, também de origem arm´rnia, com quem gravou o ciclo completo de Sonatas para piano e violino de Robert Schumann e o álbum Miniatures . Manikian também gravou vários álbuns com as empresas BMG, Auvidis, Trittico Classics e Elite Music .
Também trabalha em estreita colaboração com o guitarrista flamenco José Luis Montón, com quem lançou os álbuns Manantial e De la felicidad . Trabalhou com a cantora libanesa Fairuz, os dançarinos de flamenco Joaquín Cortés e Belén Maya e o pianista de jazz Horacio Icasto. Também trabalhou com compositores de cinema como Alberto Iglesias, com quem gravou a trilha sonora do filme Fala con Ela, dirigido por Pedro Almodóvar , e Pascal Gainge para a música do filme El otro barrio, do diretor Salvador García Ruiz.
Malikian foi nomeado duas vezes para Melhor Performance Clássica em 2007, um prémio concedido pela Academia Espanhola.
Participou também como artista convidado no filme Além do Flamenco, dirigido por Carlos Saura em 2016 .” (Wikipedia: Ara Milikian, excertos traduzidos da versão em língua francesa).

Discografia:
Le quattro stagioni (1995)
750 Jahre Wölpinghausen (1996)
Miniatures (1996)
Bow on the String (1997)
500 motivaciones (1999)
All Seasons for Different (2000)
Robert Schumann (2000)
24 Caprices for Solo Violin by Paganini (2003)
Sarasate (2003)
Six Sonatas for Solo Violin by Ysaÿe (2003)
Sonatas and Partitas for Solo Violin by Bach (2003)
El arte del violín (2004)
Manantial (2002/2004)
The Four Seasons by Vivaldi (2004)
De la felicidad (2005)
Tears of Beauty (2006)
Meeting with a friend (2007)
De los Cobos / Montsalvatge (2005)
Lejos (2007)
Conciertos románticos españoles de violín (Orquesta sinfónica de Castilla y León-Alejandro Posada y Ara Malikian-2010)
Con los ojos cerrados (Ara Malikian y Fernando Egozcue Quinteto- 2011)
Chirstmas mood (2011)
Pizzicato (2013)
15 (2015)
La Increíble Historia de Violín (2016)
Ara Malikian. Symphonic at Las Ventas (2017)
Royal Garage (2019)
Petit Garage (2021)
Ara (2022)

Prenda do Dia do Pai. Um anúncio japonês

No Dia do Pai, recibi uma prenda que não podia ser mais acertada: um anúncio japonês comentado.

“Numa ambiciosa campanha publicitária, o McDonald’s Japão uniu forças com três gigantes do J-Pop: as cantoras Ado e Hoshimachi Suisei e a dupla YOASOBI. O resultado é um videoclipe vibrante que combina as músicas Yoru No Pierrot, Into The Night e BIBBIDIBA, com uma animação original para criar uma harmonia explosiva.

O vídeo descreve a jornada de três personagens que, inspiradas por um concerto ao vivo, embarcam no mundo da música. Depois de vários altos e baixos, o clímax ocorre num palco vazio, o pesadelo de qualquer artista. No entanto, descobre-se que o McDonald’s, simbolizado pelas suas batatas fritas icônicas, acompanhou e partilhou os momentos da banda nas redes sociais. A genuinidade dessa jornada conquistou milhares de fãs. Embora não haja uma plateia física, todos estão unidos, assistindo à performance online.

Entre as reações do público, a animação inclui representações das próprias Hoshimachi Suisei, Ado e YOASOBI. A narrativa reflete a trajetória de Ado e Suisei, cujos rostos são desconhecidos pelo público e cujas carreiras foram exclusivamente impulsionadas por plataformas digitais, até atingirem o sucesso global. A campanha sublinha como a presença online se tornou um pilar essencial para o sucesso na indústria musical contemporânea, onde a conexão digital frequentemente substitui a interação física.” (Fernando Gonçalves).

Ado×YOASOBI×星街すいせい×ティロリ♪音/マクドナルド、青春を応援するMV Mcdonald 合作mv. Colocado em 18 de março de 2025
Hoshimachi Suisei
YOASOBI
ADO

Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo
Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

“Noite escura, densa, calada. Premonições. Memórias deste e de outro mundo. No Ribeiro de Baixo o nosso dia-a-dia cruza-se com histórias e sinais que vão além do Minho pitoresco. Olha-se atentamente o monte galego do outro lado do rio. Essa fronteira, através da qual todos observam por binóculos, é atravessada entre a vida e a morte. O que procuramos? O lobo que caça? O caminhante solitário? Luzes de estântegas? Que atenção damos a um futuro hesitante? Esperamos, desaparecemos” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

O lugar do Ribeiro de Baixo, com uma história e identidade próprias, situa-se nos confins de Castro Laboreiro. A uma dúzia de quilómetros da sede da freguesia, resultava, há pouco mais de cinquenta anos, deveras complicado lá chegar.

O documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, de 2024, com uma duração de 19 minutos, foi realizado por Nuno Mendonça, Rodrigo Queirós e Vitor Covelo e produzido pela associação AO NORTE, durante a residência cinematográfica Plano Frontal, no âmbito no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço.

“A residência cinematográfica Plano Frontal ocorre no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço em simultâneo com a residência de fotografia. O objetivo deste projeto é contribuir para um arquivo audiovisual sobre o património imaterial de Melgaço, dotar o Espaço Memória e Fronteira de obras audiovisuais  e fotográficas que retratem a história da região, promover o filme documentário e o aparecimento de novas equipas técnicas e artísticas.

Quatro equipas formadas por quatro jovens realizadores, quatro operadores de som e quatro operadores de câmara, realizarão, durante uma semana, quatro documentários sobre temas locais que lhes serão propostos. Cada equipa trabalha na montagem do seu filme após o fim da residência. Plano Frontal tem como destinatários os alunos em final de curso que frequentem Escolas do Ensino Superior de Cinema e de Audiovisuais, ou que tenham concluído recentemente a sua formação e é orientado pelo realizador Pedro Sena Nunes” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

Sobre a vocação, organização, enquadramento, história, relação com o território e atividades do MDOC- Festival Internacional de Documentário de Melgaço, anexo o pdf do artigo “MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço”, publicado no Boletim Cultural nº 11, de 2024, editado pela Câmara Municipal de Melgaço. A autora, Clara Vasconcelos, tem acompanhado, desde a criação, esta iniciativa, promovida, em boa hora, pelo Município de Melgaço e pela Associação AO NORTE.

Para aceder ao vídeo com o documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, carregar na imagem acima.

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Três fotografias de Castro Laboreiro.

Em Castro Laboreiro (Pântano da Ameijoeira). Foto de Nuno Vieira
Em Castro Laboreiro (Castelo). Foto de Pedro Cunha
Cascata do Rio Laboreiro. Fonte – Município de Melgaço

O humano nas alturas

Virgem com o Menino, Santa Clara, Santa Marta, Santa Lúcia e Santo António Abade. Oficina de Llorenç Saragossà. 1365. Detalhe. Museu Nacional de Arte de Catalunha.

Ontem, socializei! Visitas ao almoço e ao lanche. Ao entardecer, o magnífico concerto na Igreja dos Congregados dedicado às “Lamentações para a Semana Santa”, do compositor belga Joseph-Hector Fiocco, pelo Ensemble Bonne Corde, com Diana Vinagre, violoncelo barroco e direcção artística; Ana Quintans, soprano; Rebecca Rosen, violoncelo barroco; Marta Vicente, contrabaixo barroco; e Miguel Jalôto, órgão. Tantos talentos jovens!

À noite, explorei imagens da Virgem Maria para um texto que estou a escrevinhar intitulado “A Cruz e o Cálice” onde abordo as figuras de Cristo como proeminência e Maria como recetáculo. Bafejado pela sorte, descortinei um detalhe inesperado com o momento em que a pomba do Espírito Santo penetra na auréola/corpo da Virgem, num painel da Oficina de Llorenç Saragossà, datado por volta de 1365.

Por último, o habitual momento de recolhimento quotidiano. Coloquei um vídeo com a música My Heart’s in the Highlands, do Arvo Pärt (na imagem), e, reclinado, deixei-me planar pelas alturas, como quem se aproxima do divino neste mundo.

Arvo Pärt – My Heart’s in the Highlands. 2000. David James (countertenor), Christopher Bowers-Broadbent (organ).
Virgem com o Menino, Santa Clara, Santa Marta, Santa Lúcia e Santo António Abade. Oficina de Llorenç Saragossà. 1365. Museu Nacional de Arte de Catalunha