Porcos, Famintos e Promíscuos. Memórias de Vilar de Mouros 1971

Proporciona-se juntar os artigos A decomposição da realidade e a recomposição da ilusão, de 24.09.2015, e Porcos, Famintos e Promíscuos, de 25.09.2013. Em agosto de 1971, estreou o álbum Who’s next, dos The Who, e realizou-se o Festival de Vilar de Mouros.
Dia após dia, durante mais de 15 anos, o Tendências do Imaginário foi compondo um arquivo que contribui, ao seu jeito, para a memória coletiva. Porcos, Famintos e Promíscuo consta entre os artigos que considero relevantes.
Trata-se de um arquivo que importa preservar. Seria lamentável perdê-lo na sequência de um sempre possível “acidente digital”. Dediquei os últimos quatro meses à sua restauração. Penso continuar. Mas é uma tarefa que consome demasiado tempo e que colide com outras atividades, porventura mais empolgantes.
Chamar a música
A par da imagem e do pensamento, a música constitui, desde o início, uma das apostas do blogue Tendências do Imaginário. Embora crucial, o principal critério de seleção não é nem o meu gosto nem o dos seguidores. O intuito decisivo consiste em mostrar a imensa diversidade de músicas notáveis (não necessariamente notórias) independentemente do género ou da proveniência. Espelha a insatisfação com as paradas, os intérpretes e os críticos que nos são servidos pela comunicação social predominante.
As músicas dos artigos The earth is my grave (de 17 de julho de 2014) e Vozes (de 17 de julho de 2019) são bastante diferentes. Identifico-me com o cantor norte-americano Don McLean e aprecio o compositor belga Nicholas Lens.
Com as mãos vazias e o coração cheio

Lhasa de Sela oferece-se como um dos meus encantos. Deixou-nos sem uma voz e uma presença insubstituíveis faz 15 anos, com 37 anos de idade. A Almerinda Van Der Giezen acaba de me enviar esta interpretação da canção “J’arrive à la ville”, na sua cidade de adoção, Montréal, em 2005. Uma bênção!
Moi aussi
Moi aussi
J′arrive les mains vides
Au sud du nord
Au nord du sud
J′ai un passé
Mais j’m′en sers pas
(Llasa de Sela)
Um (v)eu entre vazios

Nous ne croyons plus que la vérité demeure vérité si on lui enlève son voile ; nous avons assez vécu pour écrire cela [Já não acreditamos que a verdade permaneça verdade se lhe retiramos o seu véu; temos vivido o suficiente para escrever isso] (Friedrich Nietzsche, Le Gai Savoir, 1882)
Com 91 anos, Charles Aznavour canta “Hier Encore” em Yerevan, capital do seu país natal, a Arménia. Nunca é tarde para demandar o ninho, com ou sem penas.
Inicia no dia 28 de julho, até 3 de agosto, a 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, uma iniciativa a vários títulos única e notável. Acerca do programa deste ano, João Martinho publicou no jornal Voz de Melgaço uma apresentação ao mesmo tempo atenta e concisa: “MDOC 2025: Novos olhares e reflexões sobre o território regressam de 28 de julho a 3 de agosto”.

Campanha portuguesa distinguida no Festival de Cannes
Fazer das fraquezas força

A campanha IKEA Hidden Tags da agência Uzina para a IKEA, lançado em maio de 2024, acaba de conquistar cinco Leões no Festival de Cannes 2025: dois de Ouro, dois de Prata e um de Bronze. Poucas semanas antes, em 23 de maio, a campanha foi a “grande vencedora” do 27.º Festival do Clube da Criatividade de Portugal (CCP), arrecadando os dois maiores troféus: o Grande Prémio CCP e o Grande Prémio Jornalistas. A agência Uzina foi então eleita “agência do ano”.
O trabalho “Etiquetas Escondidas”, da Uzina para a Ikea, vai receber mais uma prata, esta vez na categoria de Brand Experience. Ao prémio que será anunciado esta quinta-feira, recorde-se, somam-se já dois ouros, nas categorias de Direct e de Creative Media. EAestes, juntam-se ainda uma prata em Direct e um bronze em Creative Data. / A campanha foi lançada pela Ikea para celebrar os seus 20 anos em Portugal, tendo a marca desafiado os clientes a procurarem as etiquetas dos seus produtos, com o objetivo de encontrar o móvel mais antigo da marca sueca em Portugal. Quem tivesse a peça de imobiliário com maior idade ganhava um voucher de 2.000 euros. / Para comunicar a ação, a marca apostou na altura numa campanha presente com um filme em televisão e digital, mas também com imagens em mupis, redes sociais e site. Contou ainda com conteúdo de uma influenciadora para mostrar aos consumidores como ler as etiquetas. / A campanha gerou um aumento de 14% nas vendas (em relação ao ano passado), com 31% das vendas registadas provenientes de novos membros Ikea Family e 42% de crescimento de novos membros no programa de fidelização (+95,5 mil novos membros). (Idias +M 19.06.2025 – Uzina e Ikea somam mais uma prata em Cannes).
Tempos de Amor e Ódio
A uma refugiada em Paris durante a Guerra
Civil Libanesa iniciada em 1975

Thanatos, a pulsão de morte e a violência, aqui tão perto e Eros, a partilha e o Live Aid, já tão longe…
Seguem dois excertos da histórica prestação dos Queen no Live Aid 85 com as canções: Bohemian Rhapsody; We Will Rock You; e We Are The Champions.
Noturnos com lua cheia
Pelos cinco continentes: depois da Oceânia, da Europa, da América Latina, da Ásia e da África, chega a vez da América do Norte. Admito que nestas travessias o meu radar não privilegia os Estados Unidos. Na minha opinião, exorbitam em recursos de divulgação e agentes de promoção. O que não obsta à profusão de autores e obras com qualidade, diversidade e originalidade notáveis. Como diz uma amiga, transbordam de surpresas e idiossincrasias.

Resulta estranho, mas o Tendências não contempla uma única canção dos The National, banda de indie rock fundada em 1999 no Ohio. Para compensar, segue meia dúzia de canções por data de estreia, excetuando a mais antiga que surge em último lugar. Por vício, relega-se para o fim aquilo que se pretende relevar.
E Madrid aqui tão perto!
El que quiere interesar a los demás tiene que provocarlos (Salvador Dali)
De Espanha não vêm só apagões e maus casamentos. No domínio da música, é um país notável, pela história, diversidade e qualidade. No entanto, por estas bandas, os ventos insistem em soprar predominantemente de Oeste e de Norte.

A pesquisar sobre a folia, deparei com Ara Malikian, intérprete criativo da Foliajazz. Compositor e violinista virtuoso libanês-espanhol de origem arménia, reside em Madrid. [Acrescento no fim uma nota biográfica extraída da Wikipedia]. Da sua obra (mais de uma trintena de álbuns), retenho quatro prestações: Viejos Aires; Misirlou; Ay Pena, Penita, Pena; e Pisando Flores (2017).
Ara Malikian atuou várias vezes em Portugal: em maio de 2019 no Casino do Estoril; em novembro de 2023, no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e na Casa da Música no Porto; e em junho de 2024 no Centro Cultural de Viana do Castelo. Está programado um concerto para o dia 28 de novembro de 2025 no Centro Cultural de Belém em Lisboa.
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Sim, a magia existe! Por vezes, antes de abrir os vídeos de música, e especialmente quando pressinto que vai ser algo grande, preciso de esperar até encontrar uma espécie de puro silêncio dentro de mim que me permita acolher o mundo todo. Como uma meditação. Assim foi hoje e ainda bem que esperei. Associa-se muitas vezes o choro ao violino. E sim, ele chora, lamuria-se, despedaça-se em tristeza, como em Ay pena, penita, pena. Mas é muito mais, é tudo! Ou pode. É assombroso ver uma simbiose tão forte entre violino e violinista, o corpo a dançar e a mover-se em uníssono com o arco a tocar nas cordas…eu disse tocar? é impossível dar um nome a esta paixão que transparece no som, corpo e face de Ara Malikian. E a ligação criada com os outros músicos… a percepção de instantes de incredulidade no rosto dos outros músicos e o contágio, esse contágio que se entranha, vibra e estilhaça todas as convenções. A alma deve ser assim. (Almerinda Van Der Giezen, 04205.2025)
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Ara Malikian (nascido em Beirute, em 1968)
Biografia
“Ara Malikian começou a tocar violino muito cedo, tendo seu pai como professor. Ele deu seu primeiro concerto aos 12 anos. Aos 14 anos, foi notado pelo maestro Hans Herbert-Jöris, que lhe obteve uma bolsa para frequentar Hochschule für Musik, Theater und Medien Hannover em Hanover . Admitido aos 15 anos, tornou-se o aluno mais jovem a estudar nesta escola. Ele prosseguiu os seus estudos na Guildhall School of Music and Drama em Londres e ao mesmo tempo teve aulas particulares com os professores Franco Gulli, Ruggiero Ricci , Ivry Gitlis , Herman Krebbers e membros do Alban Berg Quartet .
Malikian assimilou a música de outras culturas como a do Oriente Médio, Europa Central (cigana e klezmer), Argentina (tango) e Espanha (flamenco), inspirado pelo músico espanhol Paco de Lucía.
Com um repertório variado, que inclui a maioria das peças escritas para violino (concertos com orquestras, sonatas e peças com piano e música de câmara), Malikian também interpreta peças de compositores modernos como Franco Donatoni , Malcolm Lipkin, Luciano Chailly , Ladislav Kupkovich, Loris Tjeknavorian, Lawrence Romany e Yervand Yernakian. Ele também toca recitais para violino solo, notadamente os Vinte e quatro Caprichos de Niccolò Paganini, as Seis Sonatas de Eugène Ysaÿe e as Sonatas e Partitas de Jean-Sébastien Bach.
Malikian foi aclamado em inúmeras competições, incluindo primeiros prémios em competições internacionais: “Felix Mendelssohn” em 1987 em Berlim e “Pablo Sarasate” em 1995 em Pamplona, bem como outros prémios nas competições “Niccolò Paganini” (Génova), “Zino Francescatti” (Marselha), “Rodolfo Lipizer” (Gorizia), “Jeunesses Musicales” (Belgrado), “Rameau” (Le Mans), “International Artists Guild” (Nova York) e “International Music Competition of Japan”. Em 1993, recebeu o “Prêmio por Dedicação e Realização” do Ministério da Cultura da Alemanha (…)
Ara Malikian mora em Madrid, onde foi solista da Orquestra Sinfónica de Madrid. Desde 1995 toca em duo com o pianista Serouj Kradjian, também de origem arm´rnia, com quem gravou o ciclo completo de Sonatas para piano e violino de Robert Schumann e o álbum Miniatures . Manikian também gravou vários álbuns com as empresas BMG, Auvidis, Trittico Classics e Elite Music .
Também trabalha em estreita colaboração com o guitarrista flamenco José Luis Montón, com quem lançou os álbuns Manantial e De la felicidad . Trabalhou com a cantora libanesa Fairuz, os dançarinos de flamenco Joaquín Cortés e Belén Maya e o pianista de jazz Horacio Icasto. Também trabalhou com compositores de cinema como Alberto Iglesias, com quem gravou a trilha sonora do filme Fala con Ela, dirigido por Pedro Almodóvar , e Pascal Gainge para a música do filme El otro barrio, do diretor Salvador García Ruiz.
Malikian foi nomeado duas vezes para Melhor Performance Clássica em 2007, um prémio concedido pela Academia Espanhola.
Participou também como artista convidado no filme Além do Flamenco, dirigido por Carlos Saura em 2016 .” (Wikipedia: Ara Milikian, excertos traduzidos da versão em língua francesa).
Discografia:
Le quattro stagioni (1995)
750 Jahre Wölpinghausen (1996)
Miniatures (1996)
Bow on the String (1997)
500 motivaciones (1999)
All Seasons for Different (2000)
Robert Schumann (2000)
24 Caprices for Solo Violin by Paganini (2003)
Sarasate (2003)
Six Sonatas for Solo Violin by Ysaÿe (2003)
Sonatas and Partitas for Solo Violin by Bach (2003)
El arte del violín (2004)
Manantial (2002/2004)
The Four Seasons by Vivaldi (2004)
De la felicidad (2005)
Tears of Beauty (2006)
Meeting with a friend (2007)
De los Cobos / Montsalvatge (2005)
Lejos (2007)
Conciertos románticos españoles de violín (Orquesta sinfónica de Castilla y León-Alejandro Posada y Ara Malikian-2010)
Con los ojos cerrados (Ara Malikian y Fernando Egozcue Quinteto- 2011)
Chirstmas mood (2011)
Pizzicato (2013)
15 (2015)
La Increíble Historia de Violín (2016)
Ara Malikian. Symphonic at Las Ventas (2017)
Royal Garage (2019)
Petit Garage (2021)
Ara (2022)

