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SAD. Solidão Acompanhada à Distância.

A solidão é uma realidade em crescimento. Um inquérito realizado em França, no ano de 2014, revela o alcance e as formas da solidão no País (https://www.lemonde.fr/societe/article/2014/07/07/la-solitude-progresse-en-france_4452108_3224.html). A economia da solidão expande-se e diversifica-se, bem como as soluções propostas. O anúncio Be Together More, da Amazon, é um exemplo. Aposta na companhia à distância.

Marca: Amazon. Título: Be Together More. Internacional, 2018.

Fastio civilizacional

Arena de Verona. Itália

Os anfiteatros romanos preservam, passados dois milénios, a sua função: acolher espectáculos. Os músicos pop/rock têm uma predilecção por estes espaços históricos monumentais: os Pink Floyd tocaram, sem público, no anfiteatro de Pompeia em 1971; os Dire Straits no anfiteatro de Nîmes em 1992; Paul McCartney no Coliseu de Roma em 2003; Leonard Cohen no anfiteatro de Pula em 2013; os Deep Purple no anfiteatro de Verona em 2014…

Retenho três interpretações ao vivo em que predominam os instrumentos acústicos.

  • Private Investigations (Love over gold, 1982) pelos Dire Straits, no anfiteatro de Nîmes em 1992. Sobressaem os sopros e as cordas. Mark Knofler toca guitarra clássica. Private investigations adequa-se ao cantar falado de Mark Knofler.
  • So Long, Marianne (Songs of Leonard Cohen, 1967) por Leonard Cohen, com 79 anos de idade, no anfiteatro de Pula em 2013.
  • Walk This Way (Aerosmith, Toys in the Attic, 1975) por Steven Tyler, no Coliseu de Roma, num espectáculo de Andrea Bocelli em 2017. Destaque para os violoncelos.

Música em anfiteatros do Império Romano

Três canções é muita música. Hoje, sobra o gosto e falta o apetite. O século XX inventou uma máquina para preservar os alimentos e adiar o consumo: a arca congeladora. Revolucionou a pesca e a agricultura. Estas canções ouvem-se ou não. Mais uma ou menos uma múmia na Internet. Os arquivos cobrem-se com uma espécie de tédio electrónico.

Dire Straits. Private Investigations. Love over gold. 1982. Ao vivo no anfiteatro de Nîmes em 1992.
Leonard Cohen. So Long, Marianne. Songs of Leonard Cohen. 1967. Ao vivo no anfiteatro de Pula em 2013.
Steven Tyler. Walk This Way (Aerosmith, Toys in the Attic, 1975). Ao vivo no espectáculo de Andrea Micelli no Coliseu de Roma em 2017.

Qualidade e sucesso

Micah P. Hinson

Existe sucesso sem qualidade; e qualidade sem sucesso. Não é preciso ser belo para ser bom, mas ajuda. Uma vida atribulada não impede a criatividade, mas corrói a credibilidade. O norte-americano Micah P. Hinson não é um Senhor Milhões de visualizações. É original, com uma voz e um som próprios. Esteve no Theatro Circo, Em Braga, no dia 1 de Fevereiro de 2019.

Micah P. Hinsob. Beneath The Rose. Micah P. Hinson and the Gospel of Progress. 2004. Marc Riley BBC 6 Music Session 06/11/2012.

Saída de palco

Bink’s Sake. One Piece.

Alguém pediu uma homologia? Noção recomendável na sociologia dos anos sessenta. Lucien Goldman foi um praticante convicto, mormente nos livros Sociologie du roman (1964) e Dieu Caché (1955). Pierre Bourdieu acumula homologias, designadamente, na Distinção (1979), e na “semiótica” da casa cabila (“La maison ou le monde renversé”, in Esquisse d’une théorie de la pratique, 1972). Não esquecendo o contributo de autores clássicos como Max Weber e Georg Simmel. O afunilamento da investigação não ajuda ao estudo das homologias, cuja pesquisa pressupõe abrangência, comparação e sentido da diferença. A comparação não requer, antes pelo contrário, igualdade de origens, conteúdos ou funções entre realidades

Pode-se falar de homologia entre o vídeo da canção Bink’ Sake, do anime One Piece, e a Sinfonia do Adeus de Haydn. Os músicos retiram-se paulatinamente da orquestra. Trata-se de uma despedida colectiva e individual. Um corpo que se fragmenta. Os intérpretes retiram-se um a um, sem cronograma pré-definido. No palco, permanece, “abandonado”, o maestro.

Na canção Bink’ Sake relevo duas correspondências: uma relativa à dança macabra, a outra à Sinfonia do Adeus.

O protagonista de Bink’ Sake é um mortal que se tornou imortal. Imortal como a morte. Apesar de ser imortal, não escapa à corrosão do tempo: decompõe-se como um transi. Conforme antes ou após a imortalidade, ora aparece como humano, ora como esqueleto. O que não o impede de comandar a música e a dança. Na parte final, os músicos e os cantores formam um círculo, à semelhança da maioria das danças macabras, e (des)falecem desamparados. A letra da canção confirma o destino: “We all end up as skeletons”.

A canção Bink’ Sake e a Sinfonia do Adeus são de géneros distintos. Concentram-se nos intérpretes: instrumentistas, cantores e maestros. A saída da vida, num caso, e do palco, no outro, são quase desenhadas a papel químico. Uma a uma, as pessoas retiram-se do grupo, da vida ou do palco. O último conta os estragos: “What’s wrong… We’re just a quartet… Trio…Duet… Solo.”

Fernando Gonçalves e Albertino Gonçalves

Bink’ Sake. One Piece. Vídeo.

Magic. Jogar aos monstros

Magic. The gathering.

“Il est bien peu de monstres qui méritent la peur que nous en avons.” (André Gide, Les Nouvelles Nourritures, 1935).

Vampiros, lobisomens, serpes, ogres, dragões, harpias, minotauros, demónios, bruxas, papões, cabeçudos, zombies, são figuras recorrentes do imaginário fantástico da humanidade. Afirmam-se como entidades monstruosas e grotescas. A relação com os monstros desafia o nosso entendimento. Wolfgang Kayser (O Grotesco, 1957) define o grotesco, inspirando-se em Sigmund Freud, como estranhamento. O mundo que nos é familiar torna-se estranho, eventualmente ameaçador. “Foge debaixo dos pés”. Com o grotesco ocorre uma desfamiliarização do familiar. Há algo de estranho neste estranhamento. Como conceber as situações em que o estranho se torna familiar? Quem passou anos a fio a ler mangas ou a imergir em videojogos pode avançar-se que as respetivas imagens lhe permanecem estranhas? O Shrek e o Smeagol são estranhos? São uma ternura de brinquedos. Esboça-se uma certa cumplicidade na experiência do estranhamento, na própria configuração do estranho. Um dos principais contributos de Wolfgang Kayser consistiu na concepção do grotesco e do estranhamento como uma relação dinâmica e não como um confronto de essências desencontradas.

Serpe na festa de São João, em Braga.

O Shrek assevera-se mais familiar, menos grotesco, do que o mais mediático dos presidentes da república. Nesta espécie de interacção dialógica acontece um efeito de Coco. Como sublinha Omar Calabrese, a propósito do filme A Coisa (2011), de John Carpenter, há monstros que são vazios e, mais do que disformes, mostram-se informes. Carecem do envolvimento, do “sacrifício”, das vítimas para assumir a missão e ser o que são. Coco, à semelhança do Papão, é um monstro originário de Portugal e da Galiza. “Não é o aspecto do coco mas o que ele faz que assusta a maioria das crianças. O coco é um comedor de criança (um papa-meninos) e um sequestrador. Ele imediatamente devora a criança e não deixa rastro dela ou leva a criança para um lugar sem volta. Mas ele só faz isso às crianças desobedientes (…) O coco toma a forma de qualquer sombra escura e fica (…) de guarda” (https://pt.wikipedia.org/wiki/Coca_(folclore). Apetece relembrar que “os monstros somos nós”. O fantástico conhece, nos nossos dias, uma exuberância inédita. O jogo Magic, antes com cartas materiais, agora também online, é um caso de sucesso global. Emerge, submerge e reemerge mais forte. Ao ritmo da adesão lúdica e emocional dos jogadores.

Albertino Gonçalves & Fernando Gonçalves.

War of the Spark Official Trailer – Magic: The Gathering.
Magic: The Gathering – Guilds of Ravnica: Official Trailer. 2018.

Pauzinhos

Descarga de uma carraca portuguesa. Pannels attributed to Kano Naizen, 1570-1616 (detail)

Descarga de uma embarcação portuguesa. Biombos atribuídos a Kano Naizen, 1570-1616 (detail). Museu Nacional de Arte Antiga.

Na semana passada eclodiu um imbróglio internáutico. Um anúncio e um desfile da Dolce & Gabbana foram boicotados. Um excerto de uma notícia do Público Online narra os acontecimentos. Cinjo-me a acrescentar alguns apontamentos.

  • O sentido de humor parece não ser universal. Se quiser fazer humor, assegure-se que domina a arte. Existem cordas muito sensíveis em que convém não tocar, a não ser com luvas de seda estilizadas. Na actualidade, duas dessas cordas são o sexismo e o racismo.
  • A Internet é um espaço de poder, um lugar onde pontificam vontades hierarquizadas. Apesar de a Internet ser imaterial, há pessoas que pesam mais do que outras. Por exemplo, a indignação das celebridades Zhang Ziyi, Li Bingbing e Wang junkai surte tanto efeito que até é notícia mundial. A universalidade e a igualdade da Internet são um logro.
  • É possível retirar, de um momento para o outro e à escala global, conteúdos da Internet. Revela-se, deste modo, difícil aceder aos anúncios boicotados. Precise-se que o cidadão comum não tem quase nada de seu na Internet. Num ápice, podem desaparecer-lhe conteúdos, por exemplo, do seu blogue ou das suas páginas nas redes sociais.
  • Os responsáveis pela marca italiana pediram desculpa à China. Intrometeu-se uma mensagem polémica de Stefano Gabbana que este garante ser falsa. Alguém teria pirateado a sua conta de Instagram. Verdade ou mentira, que alguém aceda a uma conta e fale em nosso nome é um risco real. Esta situação é mais complexa do que o boato tradicional. Os procedimentos de partilha e adulteração do boato são conhecidos (ver Edgar Morin, La rumeur de Orléans, 1969). Contudo, neles não consta esta usurpação ou este aluguer da identidade alheia. Daqui se depreende que a Internet pode ser uma árvore de enganos e um jogo de máscaras.
  • As proibições e os boicotes a anúncios podem resultar numa espécie de maná para as marcas. No caso do anúncio da Dolce & Gabbana, duvido. Notoriedade, já a conquistou. Falta saber o que acontece à imagem.

Os anúncios boicotados da Dolce & Gabbana, com uma chinesa a comer comida italiana com pauzinhos, são difíceis de encontrar. Foram sistematicamente “apagados”. Encontrei uma cópia que passo a colocar. Não sei por quanto tempo.

Dolce & Gabbana. Anúncios a um desfile em Shangai. Novembro 2018.

Notícia no Público Online:

“Dolce & Gabbana cancela desfile em Shanghai por causa de um anúncio que envolve pauzinhos

A Dolce & Gabbana cancelou nesta quarta-feira um desfile de moda nem Shanghai, depois de uma polémica online em torno de um dos seus anúncios. Em causa está um anúncio onde uma mulher chinesa luta para conseguir comer pizza ou esparguete com pauzinhos. Os chineses não gostaram.

A controvérsia foi o tópico número um na plataforma Weibo, com mais de 120 milhões de leituras, já que celebridades, incluindo Zhang Ziyi, estrela de cinema de Memórias de uma Geisha, publicaram comentários críticos à marca. Celebridades, como a actriz Li Bingbing e a cantora Wang Junkai, disseram que boicotariam o desfile da marca italiana.

Alguns dos que viram os anúncios, ao todo são três, ficaram incomodados com o que consideram o tom paternalista do narrador, oferecendo lições sobre como comer com pauzinhos. Além disso, uma alegada troca de mensagens de Stefano Gabbana surgiu nas redes sociais que viriam a confirmar que o designer é racista. Este veio desmentir na sua conta de Instagram.

“Lamentamos o impacto e o prejuízo que essas observações falsas tiveram sobre a China e o povo chinês”, disse a marca de moda de luxo italiana, num pedido de desculpas online em chinês no Weibo, acrescentando que a conta do Instagram de Gabbana foi pirateada”.

(Público Online. https://www.publico.pt/2018/11/21/culto/noticia/dolce-gabbana-cancela-desfile-shanghai-criticas-anuncio-envolve-pauzinhos-1851859 (Reuters  21/11/2018). Acedido02/12/2018)

O tempo que resta

Philippe de Champaigne. Still-Life with a Skull. 1671.

Philippe de Champaigne. Still-Life with a Skull. 1671.

O desencanto com as novas tecnologias está a ganhar expressão. Muitos anúncios recorrem a encenações que, paradoxalmente, geram um efeito acrescido de realidade. São mais reais do que o real. O anúncio El Tiempo Que Nos Queda, da Ruavieja, dá-nos a ver um filme sob forma de reportagem. O desencanto com as novas tecnologias está a aumentar. Está em jogo a amizade e o amor. As novas tecnologias podem sobreaquecer-nos, mas é um sobreaquecimento que arrefece. Ao abraço virtual falta-lhe o corpo a corpo: o calor humano. O tempo não é infinito, não temos todo o tempo do mundo. O tempo que dedicamos a uma actividade falta a outras actividades.

“É uma contradição, não há lugar para dúvida. A gente afirma que os seus seres mais queridos são o mais importante. Mas a distribuição do seu tempo não mostra isso. Isto tem a ver com o modo como funciona o nosso cérebro. Estamos programados para evitar pensar no tempo que nos resta para viver. Temos, assim, a sensação de que sempre teremos a oportunidade de fazer as coisas que nos fazem felizes” (anúncio El Tiempo Que Nos Queda).

Marca: Ruavieja. Título: El Tiempo Que Nos Queda. Agência: Leo Burnett España. Direcção: Feliz Fernandez de Castro. Espanha, Novembro 2018.

Assenta bem uma dose de contradição. “As novas tecnologias podem sobreaquecer-nos, mas é um sobreaquecimento que arrefece. Ao abraço virtual falta-lhe o corpo a corpo: o calor humano”. Quem conheceu o desenraizamento sabe que o ser humano é um devorador de símbolos. Uma lembrança, um objecto, uma voz, uma fotografia, não é preciso muito para nos sobreaquecer. A imagem propicia calor humano. Os abraços virtuais multiplicam e aceleram o contacto entre pessoas distantes. É uma das vantagens da emigração actual. O corpo não é apenas carne.

Tese e antítese dá Um Dia de Domingo, de Gal Costa.

Music video by Gal Costa performing Um Dia De Domingo. (C) 2013 Universal Music Ltda.

Trelas Electrónicas

Tomar uma torre de controlo de um aeroporto por um videojogo pode ser perigoso. O trabalhador e o posto de trabalho devem estar em harmonia. Esta é a preocupação da agência de emprego Keljob: a cada um o emprego para que está vocacionado.

Não há registo na história da humanidade de sociedades com tantos meios de vigilância e controlo como a actual. Os poderes (governo, justiça, finanças, empresas, redes) transbordam de recursos de vigilância e controlo. O mundo alberga paradoxos: A vigilância e o controlo nunca foram tão intrusivos e nós nunca nos sentimos tão livres! Há trelas e trelas! Algumas devem ser confortáveis.

A canção Space Oddity, de David Bowie, vem a preceito. Não é animadora, mas a vida não é um eterno magusto.

Carregar na imagem para aceder ao vídeo.

Packman

Marca: Keljob. Título: Tour de Contrôle. Produção: Byzance. Direcção: Gérôme Rivière. França, 2002.

 

David Bowie. Space Oddity. Ao vivo em 1969, ano de estreia da música.

 

A sombra das novas tecnologias

phone

Anúncios como o Get your brain back, da reMarkable, ou Relax we post, da Ibis, multiplicam-se. A extrema euforia é mãe do desencanto. Inovações com o impacto das novas tecnologias não podem dormir na sombra do entendimento. As novas tecnologias são aditivas. Afastam-nos do “mundo da vida”. Moldam-nos, menos com sobressaltos e mais com massagens infestantes. O anúncio Get your brain back enuncia os riscos do mundo electrónico e sugere, como alternativa, o “papel digital”, uma oportunidade de negócio; no anúncio Relax we post, uma rede de hotéis disponibiliza uma ama-seca para cuidar dos telemóveis. Somos netos de Metropolis (Fritz Lang, 1927) e do Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley, 1932). Combate-se o fogo com o fogo. E o digital com o digital? A alienação com a alienação? Um novo flautista de Hamelin conseguirá afastar os ratos electrónicos, o cortejo de “amigos” mortos vivos? Em Portugal, os telemóveis existem desde 1991. Sobre os seus efeitos, pessoais e sociais, pouco se sabe. A procissão ainda vai no adro.

Get your brain back e Relax we post são dois anúncios notáveis a transbordar de criatividade. Contribuem, ambos, para abrir caminho num terreno movediço que a experiência já banalizou.

Marca: Ibis Switzerland. Título: Relax we post. Agência: Jung von Matt/Limat. Direcção: Johannes Schroeder. Suíça, Outubro 2018.

Marca: reMarkable. Título: Get your brain back. Agência: & Co./NoA, Direcção: Simon Ladefoged. Dinamarca, Novembro 2018.

 

 

 

À maneira de Diógenes. Os sopradores de lâmpadas.

Estátua de Diogenes

Estátua de Diógenes.

O anúncio Indestructible, da Organisation Internationale de la Francophonie , é optimista. A ideia, por mais que a castiguem, nunca se apaga. Sou menos optimista. As ideias, as boas ideias, não têm a vida fácil. Como os cavalos, também se abatem. Inclino-me para um optimismo moderado: uma ideia bem pensada, embora abafada no presente, voltará a ser pensada no futuro.

A autoria e a propriedade intelectual fazem parte da retórica da Internet. No início de Outubro, milhares de artigos foram removidos da minha página do Facebook acusando-a de spam, a “coisa” (1982), de John Carpenter, na Internet. Assegurei que não havia spam; pediram-me para aguardar. Até agora, nenhuma mensagem. Será esta a versão digital do diálogo? Entretanto, a autoria e a propriedade intelectual dormem nas urtigas. Este processo é semelhante a um auto da fé.

Não consigo colocar links do Tendências do Imaginário na minha página do Facebook. Nem eu nem ninguém. Uma mensagem automática alerta que o site Tendências do Imaginário é perigoso. O Tendências do Imaginário não é nenhum Moriarty. Contém, é verdade, pensamentos críticos e, eventualmente, polémicos. É um blogue incómodo. É a sua vocação. Com os pés em Braga e a cabeça no mundo, não poupa nenhuma instituição, grande ou pequena, branca ou preta. O Tendências do Imaginário preza o comentário desinibido, apanágio de um pensador livre. O boicote à partilha configura uma censura.

À medida que o Tendências do Imaginário crescia, cresceu o meu receio por este tipo de percalços. Passo muitas horas no computador, mas não vejo o mundo pelo ecrã.

Termino com uma história de Diógenes. Quando alguém lhe lembrou que o povo de Sinopse o condenara ao exílio, ele retorquiu: “E eu condenei-os a permanecer em casa”.

Marca: Organisation Internationale de la Francophonie. Agência : TBWA Paris. Direcção : Vincent Gibaud. França, Outubro 2018.