À medida do cliente


A Distinção – Uma Crítica Social da Faculdade do Juízo (em francês: La distinction. Critique sociale du jugement) é um estudo sociológico de Pierre Bourdieu publicado em 1979, sobre a cultura e os gostos em França, resultado de uma investigação empírica promovida entre 1963 e 1968. / Em 1998, a Associação Internacional de Sociologia nomeou-o como um dos dez livros de sociologia mais importantes do século vinte (https://en.wikipedia.org/wiki/Distinction_(book))
Bernard Chatelat “especializou-se a partir de 1972 no estudo das tendências das evoluções sociais dos estilos de vida privados e profissionais / Copromotor, com a equipa do CCa, de estudos de Prospetivas e Socio Estilos de Vida, cuja metodologia publicou. Este método apresenta a originalidade de reunir num mesmo inquérito quantitativo um conjunto de cerca de 3000 variáveis psicológicas e comportamentais sobre a vida privada, os valores e convicções, a sociedade e a política, os lazeres e os centros de interesse, a cultura e os médias, os consumos; um processamento estatístico de estruturação dos dados permite revelar uma tipologia de Socio-Estilos de Vida. A repetição destes inquéritos, de 1972 a 2010, tornou possível identificar e ponderar “Socio-Trends” (https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cathelat)
Uma borboleta no nariz

No homem, é a borboleta que se transforma em verme (Henry de Montherlant)
Folhas perpétuas

Continuo empenhado na recuperação de artigos remotos. Hoje, a seleção impôs-se sem grandes hesitações. Seguem os dois artigos que se destacam claramente: Portinari e o burro montado às avessas, colocado em 8 de julho de 2017, e As Folhas Mortas, em 8 de julho de 2013. O primeiro remete para arte, o segundo, para a música, domínios privilegiados do Tendências do Imaginário.
Não resisto a citar um comentário ao artigo sobre o Portinari. O blogue suscita raramente interação. Quero, contudo, crer que este testemunho dá voz ao silêncio de muitos seguidores. Seria, de outro modo, difícil compreender as cerca de 400 visualizações diárias alcançadas em média pelo Tendências do Imaginário, a maioria proveniente de 4 países: 41% do Brasil, 32% de Portugal, 8% dos Estados Unidos e 8% da China e Hong Kong (dados respeitantes ao mês de junho de 2026).
Encontrei teu blog por acaso, estava pesquisando de quem era o trípidito O juízo final, e o Google images me trouxe até aqui. Estou absorta em teus escritos. Obrigada por compartilhar teus pensamentos. (Nicole Munhoz, 24-07.2017).
Colar sem pérolas

Este blogue está cheio de retângulos negros correspondentes a vídeos que se tornaram inacessíveis. Autênticas pérolas desaparecidas de um colar. Costumo recuperar essas falhas, procurando endereços alternativos. Mas, às vezes, a missão resulta impossível. Aconteceu, ontem, com o vídeo “La terre se rechauffe”, imputado à General Electrics em 1936 (ver O aquecimento global em 1936, 05.07.2012).
Após horas de pesquisa, com a ajuda da IA, não o desencantei. Trata-se, contudo, de uma peça de arquivo de enorme valor. Parece asseverar-se mais fácil encontrar vestígios de uma gravura do século XVII do que a fonte de uma obra digital do século XXI.
Aprende-se com a experiência. Doravante, não me contentarei em atualizar o acesso online dos vídeos cujo rasto não quero perder; passo a descarregá-los e a gravá-los num disco duro “frio”. O mundo da Internet é demasiado efémero!
Encontrei nos “artigos do dia” dois vídeos desativados: os anúncios “Le Secret”, da L’Oréal, no artigo Emancipação, de 2016, e “The Look”, da P&G (Procter & Gamble), no artigo Não é por mal! A discriminação natural, de 2019. Como não arrisco perder o segundo, gravei-o!
Escrevi este artigo à pressa. Quero acabar um prefácio. Regressarei mais tarde para o aprimorar.
Merdificação
Vivemos tempos de incerteza em que as oportunidades mais promissoras são também as ameaças mais sérias.
Em francês, resulta difícil distinguir Ça sent la mer d’ici (Daqui, cheira-se o mar) e Ça sent la merde ici (Aqui cheira a merda).
O Fernando deu-me a conhecer uma palavra nova, “merdificação”, ilustrando-a com o anúncio de consciencialização “A Day in the Life of an Ensh*ttificator”, do Norwegian Consumer Council.
Enshitification é um neologismo criado em 2022 por Cory Doctorow para aludir ao ciclo de perversão das plataformas digitais: “Primeiro, as plataformas são boas com seus usuários; depois, elas abusam dos usuários para tornar as coisas melhores para seus parceiros de negócios; por fim, elas abusam desses parceiros para reaver todo o valor para si mesmas. Então, elas morrem.” Aplicada inicialmente às plataformas digitais, a noção acaba por ser alargada pelo próprio Cory Doctorow à generalidade dos “bens” de consumo (Doctorow, “‘Enshittification’ is coming for absolutely everything”. Financial Times, 2024, January).

Os novos virtuosos, “merdeiros”, conseguem cativar o maior número de consumidores graças não a uma elevada mas a uma baixa relação benefício/custo. Transformam uma proposta promissora numa porcaria, eventualmente, aditiva.
Para uma síntese mais desenvolvida da noção de enshittification, sugiro, os artigos “A ‘Merdificação’ das redes sociais”, de Raul Oliveira Jung, e “The Age fo Enshittification”, de Philippe Buschini, ambos publicados em 2025.
Estamos confrontados com uma vaga de mudança não revolucionária: proliferam novidades que exacerbam a ordem existente sem a questionar. Por exemplo, o reforço e a expansão do capitalismo pelo hiperneoliberalismo.
O “hiperneoliberalismo” (ou hiper-neoliberalismo) é um conceito que descreve o aprofundamento radical das políticas neoliberais clássicas. Longe de defender um Estado mínimo tradicional, ele atua como um modelo onde o Estado é reconfigurado de forma autoritária para agir ativamente em prol dos interesses corporativos e do grande capital, impondo a lógica do mercado e da competição a todas as esferas da vida social e individual. As suas principais características incluem: Estado como Provedor do Mercado: Ao invés de simplesmente recuar, o poder público atua como um facilitador ativo de acumulação de riqueza, priorizando desregulamentações e benefícios fiscais para grandes corporações e super-ricos. Intensificação da Desigualdade: Promove a financeirização da economia e uma enorme concentração de renda, ignorando ou enfraquecendo redes de proteção social e direitos laborais. Governança Algorítmica e Individualismo: Transforma o indivíduo num “empresário de si mesmo” (capital humano), gerando uma cultura de hipercompetitividade e individualismo que enfraquece os laços sociais. Tendências Autoritárias: Requer a supressão de resistências sociais, movimentos de contestação e até de instâncias representativas e democráticas, impondo um consenso de mercado goela abaixo. O termo é frequentemente utilizado por sociólogos e analistas políticos (como o geógrafo David Harvey) para descrever as mutações do capitalismo na contemporaneidade. (IA, 21.06.2026)
Tendências do Imaginário. Avaliação pela IA

Há 7 anos, “quis saber a posição do Tendências do Imaginário no conjunto das páginas da Internet a nível mundial”. Reincido com a ajuda da Inteligência Artificial, que, embora saiba que dispenso adulações, não resiste, por vocação, a tentar-me com o pecado capital da soberba.
Junto com o artigo 1 696 382 páginas na Internet, de 2019, segue o balanço produzido, hoje, pela IA.
Distração Fatal e Smartphone

A WordPress passou a facultar-me a lista dos artigos publicados na mesma data nos anos anteriores. Alguns pedem restauro (e.g. completar o que desapareceu), outros revisão (e.g. aprimorar ou corrigir). Quase todos testemunham que, com o tempo, o blogue foi perdendo qualidade ou, pelo menos, abrangência. Agora limito-me quase a publicar conteúdos (sobretudo, músicas, anúncios, imagens) que me chamam a atenção; outrora, partilhava também pensamentos e sentimentos (pessoais). O que mudou? O auge do blogue coincidiu com os anos de isolamento: o blogue mantinha-me à tona e permitia-me alcançar as pessoas; hoje, regressei ao convívio com os outros. A vida e o papel do blogue mudaram.
Desde 2016, coloquei cinco artigos no dia 6 de junho. Retomo, restaurado e revisto, “Distracção fatal”. Complemento-o, acrescentado o artigo “Smartphone” do mesmo mês, mas do ano seguinte, 2017.



