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Retomemos a música proveniente da Alemanha. Anna Loos é uma cantora e atriz alemã. Apareceu, desde 1996, em mais de 50 filmes e é vocalista, desde os anos 2010, do grupo rock Silly, fundado em 1977. Digna de registo a diferença de visual entre os vídeos.
Eunucos e vampiros

Se descrês da bondade humana, pouco te pode chocar. Talvez, ver quem tem o poder abusar dele e as vítimas a pedir mais. Ninguém como o José Afonso para o traduzir em poema e cantar.
Ruínas de estimação
Sarah Connor, batizada Sarah Terenzi, é uma compositora e cantora nascida em 1980 na Alemanha. Considerada uma das melhores vocalistas germânicas, acumulou prémios, publicou uma dezena de álbuns e vendeu mais de 15 milhões de cópias. Canta em inglês e em alemão. Embora os 15 primeiros vídeos a aparecer no YouTube sejam de canções em inglês, selecionei 4 canções em alemão. O terceiro vídeo, da canção Bedingugslo, é uma delícia. Uma amiga francesa sustentava que a língua alemã proporcionava uma sonoridade muito própria à poesia e à música. Dá para perceber?
A Inteligência Artificial pode fazer desaparecer o encanto

Coloco este artigo da revista EM (Erasmus Magazine), de 20 de fevereiro, não porque está dedicado ao João, mas pelo seu teor e estilo. Trata-se de um texto da academia que tem a arte de abordar um dos seus membros não como um exemplar mas como uma pessoa. Privilegia a subjetividade, a singularidade e a idiossincrasia. Quem é o João, que episódios tem para contar, com quem se relaciona, quais são os seus gostos?
A escrita é simples e empática. Não cede ao protocolar e ao universal. Não normaliza. O investigador da Inteligência Artificial surge, antes de mais, como um ser humano.
O artigo interessa também pelo modo como contrasta com o retrato do mundo académico que esboço em A melancolia académica na viragem do milénio. Ilustra como este se circunscreve apenas a um recanto, a uma versão. A melancolia do mundo académico está acessível no seguinte endereço: https://margens.blog/2024/02/23/a-melancolia-academica-na-viragem-do-milenio/
Tradução (quase automática)
IA PODE FAZER DESAPARECER O ENCANTO, PENSA JOÃO GONÇALVES
Quando estudante em Portugal, João Gonçalves jogou Go – “uma espécie de xadrez da Ásia, mas mais complicado”. Até que os computadores derrotaram os grandes mestres. O livro The Master of Go, do autor japonês Yasunari Kawabata, fez Gonçalves perceber que o jogo, no que lhe tocava, havia perdido o mistério com o advento da IA. Em sua pesquisa, ele agora espera tornar a IA mais humana.
João Gonçalves tropeçou no jogo Go quando pesquisou jogos de tabuleiro complexos no Google. Ele gostava de xadrez, mas a forma como os profissionais o jogavam – “competitivos e rápidos” – tirou-lhe o encanto do jogo. Ele queria algo novo e encontrou online: Go –– ‘uma espécie de xadrez da Ásia, mas mais complicado’. Gonçalves mergulhou e se aprimorou no jogo junto com o irmão.
Go é um jogo de tabuleiro para dois jogadores com pedras brancas e pretas. O tabuleiro consiste em 19 por 19 linhas. Um jogador pode colocar uma pedra em cada interseção do tabuleiro. O objetivo é delimitar um território circundando áreas no tabuleiro com pedras da sua cor. O jogo termina quando nenhum dos jogadores quer fazer outra jogada.
Amadores magistrais
Não muito tempo depois, a Coreia do Sul quis tornar o jogo mais conhecido em todo o mundo. E aconteceu que, ainda estudante de 20 anos, Gonçalves voou para Seul com o irmão, quatro anos mais novo, para representar Portugal num campeonato de Go pago e organizado pela Coreia do Sul. “Depois de chegar à capital, seguimos para uma pequena vila que abrigou um dos grandes nomes do desporto. Foi a nossa primeira ida a Ásia e ficámos totalmente impressionados com a cultura tão diferente de Portugal.”
Numa aldeia rodeada de campos de arroz, os melhores amadores do mundo reuniram-se para jogar contra os grandes profissionais. As pranchas foram montadas lado a lado e Gonçalves enfrentou cinco vezes um grande mestre. Durante os jogos, ele bebia chá com arroz e – como é habitual em Go – cada jogador tinha uma hora para pensar. “Eu andava entre os campos de arroz pensando no meu próximo passo. Foi uma cultura totalmente nova para mim, mas assim que o jogo começou fiquei totalmente focado nisso.”
É a estrada que conta, não o destino
Gonçalves não venceu uma única partida. “Claro que não”, como ele disse, mas de qualquer maneira não é isso que o Go significa para ele. O objetivo é demarcar um território maior que o adversário. Se nenhum dos jogadores quiser fazer outra jogada, o jogo termina. Para Gonçalves, o que torna o Go tão fascinante é a forma como você joga. “É uma questão de refletir. Se eu quiser muito de uma vez, perderei, mas se for muito cauteloso, também não terei sucesso.”
Segundo Gonçalves, o Go perdeu a glória em 2016, quando os computadores venceram o melhor jogador do mundo da época. Inicialmente, Gonçalves não percebeu que este encontro tinha mudado a sua perspetiva do jogo. Foi apenas quando leu o livro O Mestre do Go, de Yasunari Kawabata, que recebeu como presente de sua esposa, que percebeu que ele descrevia o que estava vivenciando. “A mística esfumou-se. Um computador agora pode dizer qual movimento é bom e qual não é. Não se trata mais de uma bela jogada ou de como a sua forma de jogar é determinada por quem você é.”
The Master of Go é uma história fictícia baseada em um jogo real de Go em 1938, em que um antigo mestre do jogo competiu contra um talento emergente. O mestre representou a tradição e a antiga conceção do Go como processo criativo, enquanto a nova geração abordou o jogo de tabuleiro de forma competitiva e racional. Gonçalves dobrou a folha para marcar a página onde o autor descreve como as diferentes perspetivas se chocaram: “A batalha só era travada para vencer, e não havia margem para lembrar a dignidade e o perfume do Go como arte”.
Os professores são velhos mestres
Gonçalves também encontra paralelismos no livro com o advento do ChatGPT na educação. “Talvez eu seja o velho mestre que ensina da forma tradicional, enquanto o ChatGPT representa a nova geração, a geração do pragmatismo e da eficiência.” Ele vê claramente como a IA pode ajudar a educação: “Se um aluno tímido tem medo de discutir a sua proposta de pesquisa com um colega de classe, ele pode conversar com o ChatGPT”. Mas ele diz que algo também se perde: a interação e o processo. “Podemos focar no resultado final, mas é no caminho que você aprende a entender a si mesmo e ao assunto. Isso é essencial.”
Gonçalves recebeu uma bolsa Veni pela sua investigação para tornar a IA mais humana. Ele combina as competências de um cientista da computação e de um cientista de media: ele percebe a tecnologia por trás da IA e fala a linguagem das ciências sociais. “Quero trabalhar com a Meta e o Google para desenvolver um algoritmo que modere o ódio online de uma forma mais humana. Sim, sou um idealista. Através da pesquisa, quero mudar o mundo.”
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Número de livros por ano: 4
Gênero favorito: ficção científica, fantasia, detetives
Motivação principal: escapismo
Último livro lido: “O livro de fantasia do meu irmão, The Old Mage’s Gamble. Fui um dos seus primeiros leitores. Foi um prazer ler o livro, mas faltava alguma coisa. De repente, percebi que só havia pessoas e nenhum animal na história. Não estava certo. Meu irmão então mudou a história. Agora existem animais em seu mundo de fantasia.”
João Gonçalves é professor auxiliar na Escola Erasmus de História, Cultura e Comunicação. Depois de estudar Estudos de Comunicação em Portugal, trabalhou durante dois anos como jornalista num jornal. Para seu doutorado, ele pesquisou discurso de ódio online e desenvolveu pessoalmente um algoritmo para analisar seus próprios dados com mais rapidez.
“Nada a temer” a “caminho do inferno”. Chris Rea

Pavimentado com tanto post o Tendências do Imaginário não deixa de estar cheio de buracos. Nenhuma menção, por exemplo, ao inglês Chris Rea [cerca de 25 álbuns publicados, desde 1978, sem contar as coletâneas]! Para o bom, nunca é tarde. Seguem as canções Nothing to Fear (1992), E (1999), E (1999) e The Road To Hell (1989).

Aproveito para convidar a ler o artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, que publiquei ontem, 20.03.2024, no jornal Diário do Minho. Está acessível no blogue Margens (https://margens.blog/2024/02/21/quando-a-esmola-e-grande-a-industrializacao-do-interior/).
Brisa de liberdade

Gosto de sentir abril em fevereiro. A liberdade respira-se. Se é difícil de conquistar, não é menos de preservar. Memórias tangíveis ajudam. Algumas canções reavivam-na. Retenho uma mão cheia. Entre estas, composta por Georges Moustaki para Serge Reggiani, Ma Liberté sobressai. Pelos vistos, a acreditar no poema, a liberdade só tem um rival à altura: o amor.
Ma liberté
(Serge Reggiani. Ma Liberté)
Longtemps je t’ai gardée
Comme une perle rare
Ma liberté
C’est toi qui m’as aidé
A larguer les amarres
Pour aller n’importe où
Pour aller jusqu’au bout
Des chemins de fortune
Pour cueillir en rêvant
Une rose des vents
Sur un rayon de lune
Ma liberté
Devant tes volontés
Mon âme était soumise
Ma liberté
Je t’avais tout donné
Ma dernière chemise
Et combien j’ai souffert
Pour pouvoir satisfaire
Tes moindres exigences
J’ai changé de pays
J’ai perdu mes amis
Pour gagner ta confiance
Ma liberté
Tu as su désarmer
Mes moindres habitudes
Ma liberté
Toi qui m’as fait aimer
Même la solitude
Toi qui m’as fait sourire
Quand je voyais finir
Une belle aventure
Toi qui m’as protégé
Quand j’allais me cacher
Pour soigner mes blessures
Ma liberté
Pourtant je t’ai quittée
Une nuit de décembre
J’ai déserté
Les chemins écartés
Que nous suivions ensemble
Lorsque sans me méfier
Les pieds et poings liés
Je me suis laissé faire
Et je t’ai trahie pour
Une prison d’amour
Et sa belle geôlière
Et je t’ai trahie pour
Une prison d’amour
Et sa belle geôlière.
Comunicação e alienação
A crescente autonomia deste receptor lembra-nos que o mais difícil na comunicação não é a mensagem nem a técnica, mas o outro . O desafio da comunicação continua sendo a apreensão – e a gestão – da alteridade. (…) Esta omnipresença da alteridade revela a importância da incomunicação que se torna, de certa forma, o horizonte da comunicação. (Dominique Wolton, “Conclusão. Da informação às ciências da comunicação”, in HERMÈS, LA REVUE, 2007/2 (n° 48) , pp. 189-202)

Martin Scorsese, além de filmes, também realiza anúncios publicitários. Hello Down There, para a empresa norte-americana de hospedagem e criação de sites Squarespace, foi lançado durante o Super Bowl, o principal momento da publicidade a nível mundial. Aborda a dificuldade de comunicação entre os alienígenas do espaço e os alienados da Terra.
Continuar a andar

Acabei um texto, “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, para um jornal e estou a acabar a revisão de outro, “A melancolia académica na viragem do milénio”, para o prefácio de um livro. Andavam atravessados a desviar-me. Para já, retomo o meu andar. Devagar, não obstante o futuro não esperar.
Marca: Johnnie Walker. Título: Human (The Android). Agência: BBH London. Direção: Dante Ariola. Reino Unido, 2006.
Vidas para alugar
Estou a escrever um texto que me está atravessado. Não me está a dar gozo. O mais avisado seria amarrotá-lo, enviá-lo para o caixote do lixo e recomeçar outro. Mas estou convencido que não sairia diferente. Mais esforço e tempo perdido. Está cheio de farpas e não gosto de alvejar nem agredir ninguém. A crítica deixou de ser o meu forte. Contento-me com provocar. Não me apetece contradizer os outros, quando muito desorientar ou, no máximo, desarmar, se possível com uma pitada de humor e um “sorriso nos lábios”. O texto é sobre o mundo académico e pressinto que as letras vão arrastar-se. A dificuldade em encontrar o registo desejado só demonstra que ainda não consegui desprender-me o suficiente.

Para compensar, nada como ver e ouvir a Dido, com humildade para, contra a corrente, agradecer e coragem para, contra os ventos, levantar a bandeira branca. Esta é a primeira vez que coloco música da Dido no Tendências. O que é surpreendente. Tenho um fraquinho por ela!



