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Estou a escrever um texto que me está atravessado. Não me está a dar gozo. O mais avisado seria amarrotá-lo, enviá-lo para o caixote do lixo e recomeçar outro. Mas estou convencido que não sairia diferente. Mais esforço e tempo perdido. Está cheio de farpas e não gosto de alvejar nem agredir ninguém. A crítica deixou de ser o meu forte. Contento-me com provocar. Não me apetece contradizer os outros, quando muito desorientar ou, no máximo, desarmar, se possível com uma pitada de humor e um “sorriso nos lábios”. O texto é sobre o mundo académico e pressinto que as letras vão arrastar-se. A dificuldade em encontrar o registo desejado só demonstra que ainda não consegui desprender-me o suficiente.

Para compensar, nada como ver e ouvir a Dido, com humildade para, contra a corrente, agradecer e coragem para, contra os ventos, levantar a bandeira branca. Esta é a primeira vez que coloco música da Dido no Tendências. O que é surpreendente. Tenho um fraquinho por ela!
