Abraço digital

Não esqueças que o teu filho não é teu filho, mas o filho do seu tempo. (Confúcio)

Na tarde de sexta, 28, a família dividiu-se. O filho defendeu provas de doutoramento em Engenharia Mecânica, em Guimarães e o pai teve a conferência “Com o Filho no Colo: as esculturas da humildade e da piedade” em Braga. O abraço acabou por resultar extemporâneo. Compenso com este digital. Como não me sobra frescura, recorro a memórias musicais de estimação. [Não vai ter tempo para escutar]
Azul desbotado
Je lui dirai les mots bleus
Les mots qu’on dit avec les yeux
Parler me semble ridicule
Je m’élance et puis je recule
Devant une phrase inutile
Briserait l’instant fragile
D’une rencontre
D’une rencontreJe lui dirai les mots bleus
Tous ceux qui rendent les gens heureux
Je l’appellerai sans la nommer
Je suis peut-être démodé
Le vent d’hiver souffle en avril
J’aime le silence immobile
D’une rencontre
D’une rencontre
Que faço nesta paróquia urbana quando me aguardam duas aldeias cosmopolitas? Crescer e acelerar não basta. Convém voar. O avestruz é a maior das aves e a mais rápida em terra, mas não voa. Só em sonhos.
A Mãe da Humanidade

Ao entardecer, vou falar no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. Gostaria de encontrar as palavras azúis, aquelas que apaziguam os corações.
Não vou ter tempo para introduzir a figura do Michelangelo, nem de fazer uma digressão sobre a noção da idade no imaginário medieval. Tão pouco será possível culminar com um vídeo musical de um excerto da Sinfonia No. 3 do Gorecki.
Para compensar, será distribuido à entrada um pequeno texto sobre o Michelangelo. A digressão fica para mais tarde. Quanto ao vídeo, coloco-o aqui e agora.
Por outro lado

Que me lembre, estou pela primeira vez a escrever uma conversa. O motivo é simples: não pode durar mais de 90 minutos e quero saber onde tenho que cortar. Não sobra tempo para outros prazeres. Nada de explorações, limito-me a bater às portas da memória. Revisito. Por exemplo, os Doors. Remasterizados e algo mais. Proporcionam energia insubmissa.
Música para o Paraíso

Os anjos tocam e cantam no Paraíso. Nos momentos felizes, ouvem-se na Terra. Nos momentos abençoados, a voz e a música humanas também poderão alcançar o Céu.
Cruzeiro em águas remotas
Existe música clássica, jazz, pop, rock, country… ou simplesmente boa música, à espera de resgate e, eventualmente, reinterpretação. Na música, como na sociologia. Muitos mestres, nenhum ídolo, nem escola, corrente ou rede especial. Um passaporte para o isolamento e a autodeterminação.
Com uma carreira notável, colecionadora de êxitos (originais) e amores (célebres), Carly Simon regressa em 2005 com um o álbum “Moonlight Serenade” e dois concertos num cruzeiro a bordo do Queen Mary 2 (DVD “A Moonlight Serenade on the Queen Mary 2”). Seguem três canções da sua autoria e outras tantas versões de músicas dos anos 30′.
Mal fadado
Não possuo um coeficiente de portugalidade elevado. Com alguma frequência, estou em Braga como se estivesse noutro sítio qualquer, porventura Paris ou Veneza. Ter a cabeça fora do lugar contribui para que esteja sobremaneira exposto a determinados estímulos em vez de outros. Por exemplo, no que respeita ao reportório de Dulce Pontes, à canção “Nada Te Turbe”.
Por quem Deus nos manda avisar!
Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:
- Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
- Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
- Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
- E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Com o coração leve como uma borboleta numa folha de outono
Acabei de dar uma aula de Sociologia da Arte e do Imaginário centrada em pormenores minúsculos da Pietà Vaticana do Michelangelo. Propus uma análise pessoal. Gosto de ensinar, da relação com os alunos, sobretudo quando a comunhão se insinua. Senti o coração, cheio e leve, a dançar como a chama de uma vela acesa numa carvalheira. Apeteceu-me ouvir música, desta vez, clássica, de preferência barroca: Johann Pachelbel, Johann Sebastian Bach e Tomaso Giovanni Albinoni. Bem interpretada pela Academy of St Martin in the Fields, sob a condução de Sir Neville Marriner.
Abanar o esqueleto

Na semana passada, proporcionou-se mostrar The Skeleton Frolic aos alunos de Sociologia da Arte e do Imaginário. Trata-se de uma animação, desenhada por Ub Iwerks em 1937, que integra a série Color Rhapsodies da Columbia Pictures. Entretanto, o Fernando lembrou-se de The Skeleton Dance, o “original inspirador”. Desenhado também por Ub Iwerks, inaugurou, há quase um século, em 1929, a série Silly Symphonies criada por Walt Disney.
