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Canções frias

Klaus Nomi (1944-1983)

Gosto do Klaus Nomi, um cometa extraordinário que teve uma breve passagem pela música antes de ser vítima da sida em 1983. Quase todas as suas canções estão contempladas no Tendências do Imaginário. O que não me impede de continuar a procurar versões com melhor qualidade. Encontrei três respeitantes a outros tantos covers: The Cold Song, da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell (1691); Can’t Help Falling in Love, de Elvis Priesley; e Death, da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell (1689). Com votos de frescos sentimentos!

Klaus Nomi. The Cold Song. 1981. Cover da ária What Power Art Thou?, da ópera King Arthur, de Henry Purcell, 1691.
Klaus Nomi. Can’t Hel Falling in Love. Cover de Elvis Priesley, Can’t Help Falling in Love, 1961.
Klaus Nomi. Death. Cover da ária Dido’s Lament, da ópera Dido and Aeneas, de Henry Purcell, 1689.

Jovialidade, elegância e leveza

Jean-Honoré Fragonard. L’Escarpolette, 1766, Detalhe.

Como diria a Rita, apetece dar música neste início de ano novo. Haydn e Vivaldi, com direção de Lazar Gosman.

Joseph Haydn. String Quartet in F Major, Op. 3 No. 5, Hob. III:17: II. Serenade. Andante cantabile. Tchaikovsky Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1989.
Antonio Vivaldi. Vivaldi Concerto for Mandolin, Strings and Basso Continuo in C major. Leningrad Chamber Orchestra. Direção: Lazar Gosman. 1967

Mãos exiladas

Auguste Rodin. A Catedral. 1908.

Há mais de um ano que não dava um passeio. Hoje, visitei o Museu D. Diogo de Sousa, atraído pela valiosa Coleção Bühler-Brockhaus. Vale a pena! Creio que também vale a pena espreitar, pelo prazer visual, o vídeo Mãos Exiladas e a respetiva galeria de imagens, com desenhos de Albrecht Dürer e esculturas de Auguste Rodin.

Albertino Gonçalves. Mãos Exiladas: Dürer & Rodin. Dezembro 2021.

Galeria de imagens: Mãos Exiladas – Dürer & Rodin

Oportunismo simbólico

Se existem Big Ads, o anúncio Sustainability da Mercedes-Benz é candidato. Vento, quase só vento, visível pelos seus efeitos, sob múltiplas formas. O vento permanece um tópico forte do nosso imaginário. Existem três tendências que se afirmam na publicidade atual: a energia, a ecologia e a música “eletronizada”. Destacam-se as três no anúncio. Mas a marca principal reside no sentido de oportunidade: a sobreposição da estrela da Mercedes e da ventoinha da eólica. Ao anúncio, acrescento a interpretação da canção Come Together, dos Beatles, por Lauren O’Connell.

Marca: Mercedes-Benz. Título: Sustainability Initiatives from Mercedes-Benz. Agência: Publicis Emil, Berlin. Direção: Nicolai Fuglsig. Alemanha, março 2021.
Lauren O’Connell. Come Together. Come Together. 2021

Memórias

Bach. A paixão segundo São João.

Quarenta e cinco anos depois, voltei a ver o filme Mirror (O Espelho) de Andrei Tarkovski, estreado em 1975. Vi-o, então, em Paris, na companhia de um amigo, o jesuíta colombiano Marino Troncoso, que estava a fazer a tese de doutoramento com Claude Bremond sobre o escritor Mejía Vallejo. Na REDIB, Red Iberoamericana de innovación y Conocimiento Científico, pode ler-se este apontamento:

Enseñar literatura para Marino Troncoso fue siempre un compromiso con la vida, con el arte y con la expresión de lo “radicalmente humano”; compromiso de enseñar y/o afirmar una mirada sobre el hombre, sobre el mundo, sobre nosotros mismos, sobre nuestras oscuridades y sobre nuestras regiones luminosas (https://redib.org/Record/oai_articulo721388?lng=pt).

Faleceu, entretanto. Um dos principais auditórios da Pontificia Universidad Javeriana, em Bogotá, tem o seu nome. O filme Mirror termina com o coro de abertura Herr, unser Herrscher (Senhor, Senhor nosso), de A Paixão Segundo São João, de Bach. Segue a mesma interpretação do filme, dirigida por Karl Richter. Em memória do Marino Troncoso.

Coro de abertura: Herr, unser Herrscher (Senhor, Senhor nosso), de A Paixão Segundo São João, de Bach (1724). Direção de Karl Richter, com a Orquestra Bach de Munique, em 1971.

Reincidência. O híbrido e o ciclista

Umberto Boccioni. Dinamismo de um ciclista. 1913.

Sem descurar a pedalada belga, holandesa e chinesa, a França é, em termos míticos, o país do ciclismo. Retenha-se, por exemplo, o filme As Bicicletas de Belleville (ver anexo 2) ou o álbum Tour de France, dos Kraftwerk (anexo 3). O protagonista do anúncio Unstoppable, da Renault, é um veterano ciclista que regressa à estrada. Barroco, o argumento não é original (anexo 1). Um sucedâneo da lenda da fonte da juventude, neste caso, a prenda.. Empolgante, o anúncio é extenso, sinuoso, invertido e retorcido. Ironicamente, vejo e revejo este anúncio sentado numa cadeira de rodas.

Marca: Renault Captur. Título: Unstoppable. Agência: Publicis Conseil. França, Maio 2021.

Anexo 1: Anúncio Dream Rangers.

Marca: TC Bank. Título: Dream Rangers. Agência: Ogilvy Taiwan. Direcção: Thanonchai. Taiwan, Março 2011.

Anexo 2: Trailer do filme Les Triplettes de Belleville.

Les triplettes de Belleville (trailer). Realizador: Sylvain Chomet. França, 2004.

Tour de France, dos Kraftwerk.

Kraftwerk. Tour de France. Tour de France Soundtracks. 2003. Ao vivo.

Ária

Existem músicas que resisto colocar no Tendências do Imaginário: as mais célebres. Mas nem sempre consigo. Segue a Ária de Bach.

Bach: Air on the G String. Royal Philharmonic Orchestra. Released on: 2013-11-26.

Pilhas de salvação

Álvaro Domingues. Gaio.

Vi um gaio a atacar um melro, junto à cerejeira. A sete metros. A lei da vida. Há quem diga que, com a pandemia, a natureza se aproximou.

Há anúncios felizes. Revived, da Duracell, cativa a atenção durante cerca de cinco minutos. Conta a história, inspirada, sensível e bizarra, de uma criança que nasceu com um cordão nas costas, ficando dependente do único e inseparável amigo que lhe dá corda. Um dia o cordão solta-se. As pilhas Duracell são a salvação. Não há falha humana que a tecnologia não resolva.

Marca: Duracell. Título: Revived. Agência: Filmakademie Baden-Württemberg (obra de estudantes). Direção: Christian Schilling. Alemanha, maio 2021.

Alegria dos sentidos

Jeep. Earth Odyssey. 2021.

Deixemos descansar a razão no colo dos sentidos. Georg Simmel aborda, no ensaio dedicado à sociologia dos sentidos (1981, Sociologie et épistémologie. Paris, PUF), a visão, o ouvido e o olfato. Para ele, “é muitas vezes o que ouvimos que nos permite saber o que vemos” (Paquot, Thierry, 2012, “En lisant Georg Simmel”, Hermès, La Revue 2012/2 (n° 63), pages 21 à 25). No anúncio 2021 Earth Odyssey, da marca Jeep, por extraordinárias que sejam as imagens, quem comanda a dança é o som. Um belíssimo anúncio. Não me importava ser o autor.

Marca: Jeep. Título: 2021 Earth Odyssey. Agência: Highdive. Direção: Lance Acord. Estados-Unidos, março 2021.
Richard Strauss: Also sprach Zarathustra / Gustavo Dudamel, conductor · Berliner Philharmoniker / Recorded at the Berlin Philharmonie, 28 April 2012.

Solidão e indiferença

Gloria Friedmann. Les Contemporains. 2007

O modo como as galinhas colocam a cabeça quando prestam atenção não engana. Revelam uma capacidade de concentração superior à de muitos humanos. Dedico-lhes este artigo.

Gloria Friedmann. Le compteur du Temps. Dijon. 2020.

Multiplicam-se os anúncios relativos à vacinação. Alguns são esdrúxulos, outros singelos. O anúncio Parce qu’on rêve tous de se retrouver, do Ministère des Solidarités et de la Santé, de França, é bem concebido. Dispõe-se em três tempos: visita – reencontro – sonho. Cumpre à vacina tornar o sonho realidade. A canção Je reviens te chercher (1967), de Gilbert Bécaud, acompanha o anúncio. Uma bela canção. Mas prefiro, do mesmo cantor, L’Indifférence (1977). As vacinas podem combater a solidão, mas de pouco servem face à indiferença.

Anunciante: Ministère des Solidarités et de la Santé. Título: Parce qu’on rêve tous de se retrouver. Agência: MullenLowe Paris. Direção: Olivier Desmettre. França, Março 2021.
Gilbert Bécauid. L’INdifférence. 1977.