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Chuva de notas, pingos de música

Ontem, tivemos direito a breves interlúdios de chuva. Recordaram-me Schubert, um dos compositores que mais se inspira na água. Uma amiga de uma amiga costuma dizer que Schubert lhe lembra a chuva. Já coloquei algumas obras de Schubert: Ave Maria, Impromptu In G-Flat Major, D899, Op. 90 No. 3; e Serenata D. 954. Venham mais quatro! A chuva acabou por trazer, finalmente, um artigo de raiz, apesar de parco em palavras.

Imagem: Gustave Caillebotte – L’Yerres, pluie, 1875.

Franz Schubert – Piano Quintet in A Major, Op. 114, D 667 – “The Trout”: II. Andante. Intérpretes: Anne-Sophie Mutter, Daniil Trifonov, … 2017
Franz Schubert- Impromptu Op. 142 No. 2 in A-Flat Major. Piano: Eric Lu, 2025
Franz Schubert – Piano Sonata in A Major D. 664, II. Andante. Piano: Paul Lewis, 2022
Franz Schubert – Mass No. 6 in E flat major. Soprano: Bertrand de Billy. Salle Pleyel (Paris), 2013

Despir ou agasalhar, eis a questão

São Martinho e Deposição de Cristo. Séc. XVI. Basílica de san Lorenzo Maggiore. Milão.

Despir ou agasalhar? Coloco a questão a propósito da produção atual nas ciências sociais e humanas. Pouca criação e muita tradução; muita parra e pouca uva. Torna-se necessário remover tanta ganga para vislumbrar uma eventual pepitazinha. Talvez despir acessórios de moda e agasalhar com roupa interior. Menos ornamentação e mais substância…

No dia 24 de junho, de 2017 e 2020, publiquei os artigos Despir e Agasalho. Tenho o prazer de os recordar, restaurados.

Senxualidades ou A Sereia Láctea

Nathalie Cardone – Baila si, 1999

Não fosse o nível de insinuação do neologismo fonético Senxualidades e o título deste artigo dedicado à Nathalie Cardone poderia ter sido Anjo de Perdição, Batismo Lácteo ou Sereia na Brasa.

Reconhecimento

Neste resgate de um artigo de 2020 e da memória de Odetta, muda-se de país e de música, mas sem perda: passamos do meraviglioso para o wonderful. Há seis anos, perdera o andar mas não o discernimento nem a busca de prazer. Hoje, estimo-os ainda mais importantes.

É possível

Recordar apenas uma canção (La Luna) de Angelo Branduardi sabe a pouco. Compositor e intérprete de eleição, tenho publicado muitas canções suas. Por exemplo, Ballo in Fa diesis Minore (Sono Io la Morte) e Nelle Palludi di Venezia (com Teresa Salgueiro), ambas no artigo A passo de caranguejo. Canção da morte (24.04.2015), que recoloco. Acrescento quatro canções: Confessioni di un malandrino (1975); Alla Fiera Dell’Est (1976); La pulce d’acqua (1977); e Si può fare (1992). Um consolo…

Angelo Branduardi – Confessioni di un malandrino. La luna, 1975. Premio Città di Recanati IX, anno 1999
Angelo Branduardi – Alla fiera dell’ Est. Alla Fiera Dell’ Est. 1976. Ao vivo em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006
Angelo Branduardi – La Pulce D’Acqua. La Pulce D’Acqua. 1977. Ao vivo em 1983. Roma, Teatro Sistina.Tour “Cercando l’oro”
Angelo Banduardi. Si può fare. Si può fare. 1992. Ao vivo, em 1996. DVD “Camminando Camminando”, 2006

As andorinhas. Lucio Dalla

Andorinhas. Fotografia de Almerinda Van Der Giezen. Junho 2026

Mas eu quero conversar,
Ouvir,
continuar agindo como um idiota,
me comportar mal
e depois não fazer isso de novo.
(Lucio Dalla – Felicità)

Lucio Dalla (Bolonia; 4 de marzo de 1943 – Montreux; 1 de marzo de 2012) fue un cantautor italiano. Músico de formación jazzística, está considerado uno de los más grandes cantautores de su país. Inicialmente sólo compositor de música, descubrió en su fase madura que también era autor de sus propias letras, convirtiéndose, con el paso de los años, en uno de los artistas musicales más influyentes e innovadores del siglo XX italiano. A lo largo de su carrera, que duró cincuenta años, siempre tocó el piano, el saxofón y el clarinete. (…) También conocido en el extranjero, algunas de sus canciones han sido traducidas y llevadas al éxito en numerosos idiomas. Entre ellos, «Caruso», ha vendido más de 40 millones de copias, convirtiéndose en una de las canciones italianas más famosas del mundo. (Wikipedia,16.06.2026)

Continuo sintonizado com a música italiana. Seguem cinco canções de Lucio Dalla.

Lucio Dalla – Caruso. Single, 1986. Dvd live: 12000 Lune Classica & Jazz, 2006
Lucio Dalla – Canzone. Canzoni, 1996
Lucio Dalla – Le rondini. Cambio, 1990
Lucio Dalla – L’anno che verrà (Official Video). Lucio Dalla, 1979
Felicità – Lucio Dalla. Dalla/Morandi, 1988

Escrever torto em linhas direitas

Acabei um artigo de circunstância. Intitulei-o “A Torto e a Direito”. Andava-me há bastante tempo atravessado na vontade. Tropeçava nele todos os dias sem avançar uma única linha. Motiva-me pouco escrever sem ser por iniciativa própria. Textos telegráficos. Apetece aliviar com música, que admiro e não oiço há décadas. O último intérprete que coloquei, no dia 4 de junho, era italiano: Maria Carta. Continuo na Península, juntando duas figuras icónicas: o compositor e cantor Fabrizio de André e os PFM (Premiata Forneria Marconi), uma das bandas mais célebres do rock progressivo dos anos setenta. Este blogue parece cada vez mais um programa da rádio. Sem mainstream, patrocínios, limites e audiência. Esta emissão dura perto de 42 minutos. No Dia das Comunidades, talvez devesse colocar música portuguesa. Fica para o próximo ano. Se Deus quiser…

Fabrizio Cristiano De André (Génova, 18 de Fevereiro de 1940 – Milão, 11 de Janeiro de 1999) foi um cantor e compositor italiano entre os mais conhecidos e importantes da história. Anarquista, libertário e pacifista, em sua obra, cantou sobretudo histórias de revolucionários. Muitas de suas letras são inclusivamente estudadas como expressão importante da poesia do século XX na Itália. (Wikipedia, 10.06.2026)

Premiata Forneria Marconi, conhecido também como PFM, é um grupo musical de rock progressivo italiano, muito popular desde os anos 1970, dentro e fora da Itália, notadamente no Reino Unido, Estados Unidos, Japão e Brasil, entre outros países (…) Musicalmente, PFM é aparentado com grupos como Genesis, com a linha progressiva do Pink Floyd e com os primeiros trabalhos do King Crimson. Mas a banda soube desenvolver um estilo próprio, ao longo de décadas, graças aos notáveis dotes técnicos e artísticos dos seus componentes. (Wikipedia, 10.06.2026)

Fabrizio De André – La batalla dell’eroe. Single, 1961. Remastered.
Fabrizio De André – La guerra di Piero. Single, 1966, Ao vivo com PFM, Il Concerto ritrovato, Génova, janeiro 1979
Fabrizio De André – Bocca di rosa. Single, 1967. Live dal Teatro Brancaccio 1998
Fabrizio De André – Il Pescatore. Single, 1970. Ao vivo com PFM, Il concerto ritrovatto, Génova, janeiro 1979
Fabrizio De André – Il sogno di Maria. La buona novella, 1970. Ao vivo, Teatro Brancaccio, 1998
Fabrizio De André -L’infanzia di Maria. La buona novella, 1970. Ao vivo, Teatro Brancaccio, 1998
Fabrizio De André – Amico fragile. Volume 8, 1975. Ao vivo, Teatro Brancaccio, 1998
Fabrizio De André – Anime salve. Anime salve, 1996. Ao vivo, Teatro Brancaccio, 1998
Fabrizio De André – Ho visto nina volare. Anime Salve, 1996. Ao vivo, Teatro Brancaccio, 1998

De Maria em Maria

Da Virgem Maria, com o filho no colo, à Maria Carta, com a Sardenha na voz, insinua-se um pequeno atalho irresistível.

Maria Carta (Sardenha, 1934; Roma, 1994), foi uma cantora, atriz e poetisa italiana que explorou as múltiplas facetas da música tradicional da Sardenha, em especial o cantu a chiterra (um tipo de canção folclórica). Soube atualizar a tradição, acrescentando um toque pessoal.

Seu belo rosto, o orgulho e a graça de sua postura, mais do que um símbolo, são a personificação da Sardenha intangível e selvagem que sempre amei. Quando a sua voz calorosa e poderosa se eleva e preenche o espaço, horizontes infinitos se abrem, mergulhando na história. Tendo conhecido Maria Carta, afirmo mais uma vez que os únicos grandes homens da Sardenha foram mulheres” (Giuseppe Dessi, Apresentação do LP Delirio, 1974).

Maria Carta – Ave Maria. Ave Maria, 1974. Com Angelo Branduardi, em Paris, 1982
Maria Carta – Diglielo al tuo Dio. Música de Ennio Morricone. Tema do Filme Moisés, de 1975
Maria Carta – A fitzu meu / Fizu, su coro. Sonos de memoria, 1981
Maria Carta – Non potho reposare. Umbras, 1978. Teatro G. Verdi Sassari 30/04/1983
Maria Carta – Attitu. Paradiso in Re, 1971

Pulsações

Quem escuta os Dire Straits, Mark Knopfler ou John Illsley lembra-se de J.J. Cale, uma idiossincrasia dos anos setenta. As minhas pulsações andavam então nos noventa; desceram, entretanto, para os sessenta.

J. J. Cale – After Midnight. Single de 1966. Naturally, 1971. Paradise Studio Session, 1979
J. J. Cale – I’d Like To Love You Baby. Okie, 1974
J. J. Cale – Sensitive Kind. Live at Cain’s Ballroom, Tulsa, 1975 (FM Radio Broadcast). Retomado em 5, 1979
J. J. Cale – Cocaine. Troubadour, 1976

Nave perto da fronteira

Saudades dos britânicos Dire Straits? John Illsley foi fundador e baixista da banda. Além dos 6 álbuns com o grupo, publicou 10 álbuns a solo. Começou como pintor aos 15 anos, mas acabou por optar pela música. Desfeita a banda, retoma a pintura. Junto 4 quadros e 5 canções, cujas letras merecem atenção.

Imagem: John Illsley. Steph. Belgaravia Gallery

John Illsley – It’s A Long Way Back. VIII, 2022
John Illsley – In The Darkness. Long Shadows, 2016
John Illsley – Ship Of Fools. Long Shadows, 2016
John Illsley – When God Made Time. Testing the Water, 2014
John Illsley – Close to the Edge. Long Shadows, 2016
Broken stones and broken bones
Broken hearts and broken homes
Nothing left except your pride
When all this energy collides
Pedras partidas e ossos partidos
Corações e lares partidos
Nada resta senão o teu orgulho
Quando toda esta energia colide