Ninguém morreu; apenas poesia
Pouco ou nada parece passar-se. Entretanto, o YouTube entende sugerir, de St. Vincent a Saint Saviour, músicas menos estreladas.
Vamo-nos deixando

Marianne Faithfull, nascida em dezembro de 1946, faleceu faz um ano, em janeiro de 2025. Continua a agradar-me, sem qualquer sombra de pecado.
Estranhamente, o Tendências do Imaginário contempla apenas duas canções dela: “As tears go by”, de 1964, e “This littel bird”, de 1965 (Marianne Faithfull). Acrescento “It’s All Over Now Baby Blue”, “Scarborough Fair”, “The Ballad Of Lucy Jordan”, “Guilt” e “She Moved Thru’ The Fair”.
Sereia das dunas
A Almerinda Van Der Giezen sugeriu-me o “Hymn to the Sea” interpretado pela londrina Andrea Krux. Em boa hora o fez porque estou possuído de preguiça e falho de inspiração. Seguem cinco canções, todas de curta duração.
Literatura deitada

Desliga o telemóvel e vai para a cama com Shakespeare, Cervantes, Camões ou, eventualmente, Dante, Poe, Tolstói, Rilke…
Acompanha ou intervala com boa música. Por exemplo, a Dança Macabra (1874) de Camille Saint-Saëns bem interpretada pela Kamerton Orchestra from Koszalin Music School, da Polónia.
Eros ou Thanatos sobre ou sob os lençóis.
Imagem: Edvard Munch. Dança da Morte (Autorretrato). 1915
Invasões, revoluções e involuções
Invasões. Disse invasões? Bizarro, como é bizarro! Revoluções ou involuções. Disse revoluções ou involuções? Confuso, muito confuso, senão trágico! Coisas próprias de novos Tyrannosaurus Rex.
Trágico foi o fim de Marc Bolan. Fundador da banda T. Rex e pioneiro do glam rock, morreu em setembro de 1977 num acidente de automóvel um dia antes de fazer 30 anos. Mais um caso da extensa lista de artistas precocemente falecidos nos anos setenta. Compôs a canção “Children of Revolution” adotada no anúncio “Italian Invasion” da Fiat. Será que a escutamos hoje como filhos “deslizantes” da involução?
Em memória de Marc Bolan, acrescem três música ainda não colocadas no Tendências do Imaginário: “Hot Love”; “The Slider” e “Buick Mackane”.
Entre Babel e Toronto

Desde que não se castre a curiosidade, uma diferença costuma entreabrir outra. Os franceses Orange Blossom conduzem aos Light in Babylon de origem turca. Nesta perdição, reencontramo-nos, algures, sem surpresas absolutas nem estranhamentos excessivos. Raízes, vísceras ou outra coisa qualquer… Um namoro do mesmo com o outro numa folia sem princípio nem fim. A Terra é redonda, mas imensa. Com ou sem nomes em inglês, não existe mainstream que a resuma.
À semelhança dos Orange Blossom, os membros dos Light in Babylon, fundados em Istambul em 2010, têm nacionalidades diversas: Michal Elia Kamal (voz e djembe) é israelita de pais iranianos; Julien Demarque (guitarra), francês; Metehan Çiftçi (santur), turco; Jack Butler (baixo), britânico; e Stuart Dikson (percussão), escocês. “Além do árabe, turco e farsi (persa), Michal canta também em hebraico antigo (…) As composições são originais e misturam estilos balcânicos e flamencos. A sua música étnica está catalogada como World Fusion, entrelaçando as culturas do Médio Oriente com a música europeia” (Wikipedia, 18.04.2026).
Ouvidos vadios

Continuemos a (a)variar. A banda francesa Orange Blossom presta-se. Fundada em Nantes em 1993, combina trip hop e rock, progressivo e eletrónico, com música oriental. Os membros principais são o francês PJ Chabot, violino, o mexicano Carlos Robles Arenas, percussão, e a egípcia Hend Ahmed, voz. Os demais têm origem argelina, marfinense e turca. “Multiculturais”, cantam em árabe, francês, inglês, turco, espanhol e português (Meu amor se foi).
Anónimo, ca. 1500. Univ. de Liège
A Bomba e a Cruz


Aproxima-se o dia da Crucificação. Vivemos tempos de muita religião e pouca religiosidade em que a espada [ou a bomba] ameaça obliterar a cruz rumo a uma nova idade da pedra. Oremos cantando!
I am the day, soon to be born
I am the light before the morning
I am the night that will be dawn
I am the end and the beginning
I am the Alpha and Omega
The night and day, the first and last
Uma Flor num Inferno

“Chanson pour Anna”, do Daniel Guichard, é flor que, como a camélia, teima em reaparecer no inverno, estação que não nos larga. É dedicada a Anne Frank, uma flor num inferno. Acrescente-se “Reste”, uma canção de despedida, seguida por “Prends-moi dans tes bras”, um pedido de refúgio, e teremos três belos poemas que se encadeiam. Recoloco “Mon Vieux” e “La Tendresse”. Fazem também parte do meu jardim de inverno.
Imagem: Frank, dezembro de 1941
Quando era jovem

Para ver o que não se vê, é preciso ser um pouco cego; para o mostrar a quem não quer, um solitário obtusamente solidário; para não se ofuscar, semicerrar os olhos e para comunicar, congeminar interlocutores.
Quem recuperaria o Neil Diamond ainda jovem? Pois, ei-lo a interpretar ao vivo “Holy Holly”, no The Ed Sullivan Show, da CBS, em 1969, e “I Am… I Said” e “Solitary Man”, na BBC, em 1971.
