A Bomba e a Cruz


Aproxima-se o dia da Crucificação. Vivemos tempos de muita religião e pouca religiosidade em que a espada [ou a bomba] ameaça obliterar a cruz rumo a uma nova idade da pedra. Oremos cantando!
I am the day, soon to be born
I am the light before the morning
I am the night that will be dawn
I am the end and the beginning
I am the Alpha and Omega
The night and day, the first and last
“Com o Filho no Colo” em Guimarães

No próximo sábado, dia 28, às 15h00, vou dar na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, a conferência “Com o Filho no Colo”, dedicada às esculturas da Pietà e da Virgem da Humildade, dos séculos XIV e XV. Integra o programa Da Quaresma à Páscoa 2026 do Município de Guimarães, a que pode aceder carregando na imagem seguinte ou no link https://em.guimaraes.pt/cultura/geo_evento/da-quaresma-a-pascoa-2026

Jornada. Por e contra D. Quixote

Há mais de meia dúzia de anos que não falava duas horas em pé e com expressão gestual desenvolta. O Alfredo Machado captou o momento. Este reparo peca provavelmente por vaidade, mas vaidade humilde e, pesem as voltas da vida, agradecida.
Um pouco de quixotismo pode ajudar a sonhar, tentar e perseverar (desde que com a companhia do Sancho Pança). Jacques Brel sublinha-o na canção “La Quête”. Já Manuel Freire grita, a contramão da “Pedra Filosofal, “Abaixo D. Quixote”.
[Carregar nas imagens para as aumentar e aceder às respetivas legendas].








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A Busca
La quête
(Jacques Brel)
Sonhar um sonho impossível
Rêver un impossible rêveCarregar a tristeza das partidas
Porter le chagrin des départsQueimar com uma febre possível
Brûler d’une possible fièvreIr aonde ninguém vai
Partir où personne ne partAmar até o dilaceramento
Aimer jusqu’à la déchirureAmar, até demais, até mal
Aimer, même trop, même malTentar, sem força e sem armadura
Tenter, sans force et sans armureAlcançar a inacessível estrela
D’atteindre l’inaccessible étoileEsta é a minha busca
Telle est ma quêteSeguir a estrela
Suivre l’étoilePouco me importa a minha sorte
Peu m’importent ma chancePouco me importa o tempo
Peu m’importe le tempsOu minha desesperança
Ou ma désespéranceE, depois, lutar sempre
Et puis lutter toujoursSem perguntas, nem descanso
Sans questions ni reposDanar-se
Se damnerPelo ouro de uma palavra de amor
Pour l’or d’un mot d’amourNão sei se serei esse herói
Je ne sais si je serai ce hérosMas, meu coração estaria tranquilo
Mais mon coeur serait tranquilleE as cidades se salpicariam de azul
Et les villes s’éclabousseraient de bleuPorque um infeliz
Parce qu’un malheureuxAinda arde, apesar de ter queimado tudo
Brûle encore, bien qu’ayant tout brûléAinda arde, até demais, até mal
Brûle encore, même trop, même malPara alcançar até se esquartejar
Pour atteindre à s’en écartelerPara alcançar a inacessível estrela
Pour atteindre l’inaccessible étoile
A Mãe da Humanidade

Ao entardecer, vou falar no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. Gostaria de encontrar as palavras azúis, aquelas que apaziguam os corações.
Não vou ter tempo para introduzir a figura do Michelangelo, nem de fazer uma digressão sobre a noção da idade no imaginário medieval. Tão pouco será possível culminar com um vídeo musical de um excerto da Sinfonia No. 3 do Gorecki.
Para compensar, será distribuido à entrada um pequeno texto sobre o Michelangelo. A digressão fica para mais tarde. Quanto ao vídeo, coloco-o aqui e agora.
Com o Filho no Colo. Evento no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa

Há três anos na forja (desde a conferência “O Olhar de Deus na Cruz: O Cristo Estrábico”, em novembro de 2022), a conversa “Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade” aproxima-se. Ocorrerá no dia 28 de novembro, às 16 hora. O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, que a acolhe no respetivo auditório, é uma das instituições organizadoras. Destaca-a no programa de eventos mensal. Para aceder à notícia detalhada, carregar numa das imagens ou no link: https://www.museuddiogodesousa.gov.pt/event-item/com-o-filho-no-colo-as-esculturas-da-humildade-e-da-piedade/

Com o Filho no Colo – Convite

O Luís Pinto, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), acaba de produzir o convite para a conversa Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade, que preparo há quase três anos, desde a conferência dedicada ao “Cristo Estrábico” (29/11/2022), no mesmo local, o auditório do Museu de Arqueologia Dom Diogo de Sousa. Está previsto abrir com um momento musical pela Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica – São Frutuoso; no fim, em jeito de compensação, um Alvarinho de Honra (da adega Quintas de Melgaço).
O Pecado. Michelangelo

Estou a abordar a vida e a obra de Michelangelo na Universidade Sénior de Braga e a concluir uma conversa sobre as imagens da Virgem da Piedade e da Humildade nos séculos XIV e XV.
Uma hora é um colete muito apertado. Não dá para quase nada. Informações relevantes não podem ser contempladas. Passo a colocar artigos com conteúdos que compensem essa falha. Uma espécie de complementos.
Começo com o filme russo-italiano “Il peccato – Il furore di Michelangelo”, realizado por Andrei Konchalovsky e estreado em outubro de 2019. Não se demora nas obras, concentrando-se na personalidade do artista e no ambiente da época. Tem a particularidade de relevar a importância da escolha do bloco de mármore a esculpir. Boa parte do filme passa-se nas carreiras de Carrara e acompanha o transporte do “monstro”. Segue o filme falado em italiano e legendado em espanhol.
Más Notícias: Boas Notícias

Quero cada vez mais a aprender a ver como belo tudo aquilo que é necessário nas coisas: – Assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas: Amor fati [amor ao destino] (Nietzsche, A Gaia Ciência, Companhia das Letras, 2009, p. 187)
A minha fórmula para a grandeza do homem é amor fati: nada pretender ter de diferente, nada para a frente, nada para trás, nada por toda a eternidade. O necessário não é apenas para se suportar, menos ainda para se ocultar (…) mas para o amar (Nietzsche, Ecce Homo, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2008, p. 42).
Existem momentos em que me acode Nietzche. O 2º movimento, largo, da Sinfonia do Novo Mundo, do Dvorak, recordou-me o seu princípio de afirmação da existência, que consiste em abraçar o destino, dizer sim à vida, mesmo na doença, no sofrimento e na solidão. Fazer da própria fragilidade e dos obstáculos força e vontade, parte desafiante do caminho. Destarte, a dor e o lamento tornam-se serenidade e entrega.
Pietà colorida

Hoje, adquiri uma Pietà. Andava à procura de uma boa versão colorida há muito tempo.
Aliás, também estou a preparar há anos uma “aula poética” sobre as esculturas da Pietà desde inícios do século XIV até finais do seculo XV. O título principal será “Com o Filho no Colo”.
Acontecerá lá para outubro ou novembro, se entretanto não me estimar demasiado ignorante.
Os leilões online são um dos meus passatempos preferidos. Normalmente, sei o que pretendo e não descanso até encontrar a bom preço.

A proprietária teve a gentileza de me trazer a escultura a casa.
De pedra, com 40 cm de altura, é deveras pesada.
Conduzi a senhora, sempre com a escultura no seu colo, até à sala onde já estava um lugar vago reservado na lareira, um dos santuários domésticos.
Pedi-lhe para ser ela a colocá-la. Apaguei-me enquanto permaneceu um bom momento a contemplá-la como quem se despede:
“Sabe, já a tenho comigo há mais de 20 anos. Mas fica bem entregue!”













































