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Com sombra de pecado. Sexo angelical (20.03.2016)

Confesso a Deus todo poderoso
E a vós irmãos e irmãs
Que pequei muitas vezes por pensamentos
Palavras, atos e omissões…

Andrea del Verocchio – Tobias e o Anjo, ca. 1470 a 1475. National Gallery

Os anúncios “Little angel” e “The Nuns”, no artigo Sexo angelical (20.03. 2016), são uma delícia: duas maçãzinhas, senhor, [da porta] do paraíso.

Ternura

Das esculturas da Virgem com o Menino, com mais de quinhentos anos, às recentes gravuras de namorados de Raymond Peynet, a ternura e o humor juntos são uma delícia.

Flor de Carvalho

A conversa “Com o Filho no Colo” em Prado foi uma iniciativa que não logrou envolver os melgacenses. Afortunadamente, sem repercussão no défice do Município.

Proporcionou-se, assim, um ambiente de intimidade. Valeu o interesse dos presentes e sobrou a vontade de continuar. Agradeço o acolhimento generoso da Junta de Freguesia.

Apetece ouvir música para flautim composta pelo Vivaldi.

Antonio Vivaldi – Concerto No. 3 in D Major, RV 428 “Il gardellino”: II. Cantabile · Michala Petri. Vladimir Spivakov · Moskow Virtuosi. 1996
Antonio Vivaldi – “La Notte”, Flute Concerto in G minor, RV 439, I. Largo. Dorothee Oberlinger.  Bremer Barockorchester. 2020
Antonio Vivaldi – Concerto in C Major, RV 444: II. Largo. Dan Laurin · Drottningholm Baroque Ensemble. 1993

Com o Filho no Colo em Melgaço

Tenho colaborado em muitos eventos e projetos no município de Melgaço. Que me lembre, nenhum da minha iniciativa pessoal. Atividades paralelas ou circunstanciais.

“É preciso a chuva para florir”. Esperei pelos 66 anos de idade para apresentar em Prado, freguesia onde nasci, obra da minha lavra e interesse, resultado da minha própria investigação.

Vou retomar, adaptada, uma conferência, bem acolhida, em Braga, em novembro de 2025, e em Guimarães, em março de 2026. Abordarei, com alguma originalidade, as imagens, prodigiosas, da Virgem Maria com o filho no colo, ainda menino ou já morto: o princípio e o fim de Cristo feito homem, da Encarnação. Concentrar-me-ei nos séculos XIV e XV, recuando mais de quinhentos anos. O tema não é caseiro. Abriga-se na alma e ultrapassa a cristandade. A escala é a humanidade e a mensagem sempre atual.

Esperar tem custos. O mundo e a vida não param. Muitos que desejava que assistissem e que penso que gostariam de o fazer já não podem. Vou falar para os conterrâneos contemporâneos. Se conseguir, ao seu jeito.

Deixo o convite para a próxima sexta-feira, 29 de maio, com início às 21 horas, no salão da junta de freguesia de Prado. Mais do que uma conferência, poderá proporcionar-se, também, um reencontro. A promoção de mais iniciativas do género depende do modo como esta semente ou enxerto pegar.

Almir Sater – Tocando em Frente. Compositores: Almir Sater e Renato Teixeira. 1ª interpretação: Maria Bethânia, 1990. Ao vivo no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, em 2012

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente (…)
(Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente)

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone

Ariadne Adormecida. Cópia romana da obra criada no período helenístico médio (III e II século a.C.)

“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”

“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!

Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II

Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?

Inspiring the Futur – Redraw the Balance. Agência: MullenLowe London. UK, junho 2016

Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.

Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Ariadne. Into The Labyrinth, 1993.
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Indus. Spiritchaser, 1996
Lisa Gerrard – Now We Are Free. Hans Zimmer & Lisa Gerrard. From the 2000 Ridley Scott film “Gladiator”
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Persephone (The Gathering of Flowers). Within the Realm of a Dying Sun, 1987
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – The Host of Seraphim. The Serpent’s Egg, 1988. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018
 Gavin Greenaway · The Lyndhurst Orchestra · Lisa Gerrard – The Wheat (From “Gladiator” Soundtrack), 2000

A Bomba e a Cruz

Aproxima-se o dia da Crucificação. Vivemos tempos de muita religião e pouca religiosidade em que a espada [ou a bomba] ameaça obliterar a cruz rumo a uma nova idade da pedra. Oremos cantando!

I am the day, soon to be born
I am the light before the morning
I am the night that will be dawn
I am the end and the beginning
I am the Alpha and Omega
The night and day, the first and last

Libera – I Am The Day. Angel Voices: Libera in Concert, 2007. Live in the St Pieterskerk, Leiden, The Netherlands
Libera – Sanctus. Libera, 1999. live in the St Pieterskerk, Leiden, The Netherlands
Libera – Walking in the air (from The Snowman). Angel Voices 3, 1997. Live at St Johns Smith Square on 6th December 2020
Libera – Prayer. Visions, 2005. Live at the Basilica of the National Shrine of the Immaculate Conception in Washington DC

“Com o Filho no Colo” em Guimarães

No próximo sábado, dia 28, às 15h00, vou dar na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, a conferência “Com o Filho no Colo”, dedicada às esculturas da Pietà e da Virgem da Humildade, dos séculos XIV e XV. Integra o programa Da Quaresma à Páscoa 2026 do Município de Guimarães, a que pode aceder carregando na imagem seguinte ou no link https://em.guimaraes.pt/cultura/geo_evento/da-quaresma-a-pascoa-2026

Jornada. Por e contra D. Quixote

Na conferência Com o Filho no Colo 1. 28.11.2025. Fotografia: Alfredo Machado

Há mais de meia dúzia de anos que não falava duas horas em pé e com expressão gestual desenvolta. O Alfredo Machado captou o momento. Este reparo peca provavelmente por vaidade, mas vaidade humilde e, pesem as voltas da vida, agradecida.
Um pouco de quixotismo pode ajudar a sonhar, tentar e perseverar (desde que com a companhia do Sancho Pança). Jacques Brel sublinha-o na canção “La Quête”. Já Manuel Freire grita, a contramão da “Pedra Filosofal, “Abaixo D. Quixote”.

[Carregar nas imagens para as aumentar e aceder às respetivas legendas].

*****

Jacques Brel – La Quête. 15 ans d’amour, 1968
Manuel Freire – Abaixo D. Quixote. Pedra Filosofal, 1993. Original: EP de 1973. Poema de José Gomes Ferreira
Manuel Freire – “Pedra Filosofal” (primeira versão) do disco single ZipZip. 1970. Poema de António Gedeão

A Busca
La quête

(Jacques Brel)

Sonhar um sonho impossível
Rêver un impossible rêve

Carregar a tristeza das partidas
Porter le chagrin des départs

Queimar com uma febre possível
Brûler d’une possible fièvre

Ir aonde ninguém vai
Partir où personne ne part

Amar até o dilaceramento
Aimer jusqu’à la déchirure

Amar, até demais, até mal
Aimer, même trop, même mal

Tentar, sem força e sem armadura
Tenter, sans force et sans armure

Alcançar a inacessível estrela
D’atteindre l’inaccessible étoile

Esta é a minha busca
Telle est ma quête

Seguir a estrela
Suivre l’étoile

Pouco me importa a minha sorte
Peu m’importent ma chance

Pouco me importa o tempo
Peu m’importe le temps

Ou minha desesperança
Ou ma désespérance

E, depois, lutar sempre
Et puis lutter toujours

Sem perguntas, nem descanso
Sans questions ni repos

Danar-se
Se damner

Pelo ouro de uma palavra de amor
Pour l’or d’un mot d’amour

Não sei se serei esse herói
Je ne sais si je serai ce héros

Mas, meu coração estaria tranquilo
Mais mon coeur serait tranquille

E as cidades se salpicariam de azul
Et les villes s’éclabousseraient de bleu

Porque um infeliz
Parce qu’un malheureux

Ainda arde, apesar de ter queimado tudo
Brûle encore, bien qu’ayant tout brûlé

Ainda arde, até demais, até mal
Brûle encore, même trop, même mal

Para alcançar até se esquartejar
Pour atteindre à s’en écarteler

Para alcançar a inacessível estrela
Pour atteindre l’inaccessible étoile

A Mãe da Humanidade

Ao entardecer, vou falar no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. Gostaria de encontrar as palavras azúis, aquelas que apaziguam os corações.

Não vou ter tempo para introduzir a figura do Michelangelo, nem de fazer uma digressão sobre a noção da idade no imaginário medieval. Tão pouco será possível culminar com um vídeo musical de um excerto da Sinfonia No. 3 do Gorecki.

Para compensar, será distribuido à entrada um pequeno texto sobre o Michelangelo. A digressão fica para mais tarde. Quanto ao vídeo, coloco-o aqui e agora.

Gorecki Symphony No. 3 “Sorrowful Songs” – Lento e Largo. Soprano: Isabel Bayrakdaraian, Sinfonietta Cracovia, conducted by John Axelrod

Com o Filho no Colo. Evento no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa

Há três anos na forja (desde a conferência “O Olhar de Deus na Cruz: O Cristo Estrábico”, em novembro de 2022), a conversa “Com o Filho no Colo: As Esculturas da Humildade e da Piedade” aproxima-se. Ocorrerá no dia 28 de novembro, às 16 hora. O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, que a acolhe no respetivo auditório, é uma das instituições organizadoras. Destaca-a no programa de eventos mensal. Para aceder à notícia detalhada, carregar numa das imagens ou no link: https://www.museuddiogodesousa.gov.pt/event-item/com-o-filho-no-colo-as-esculturas-da-humildade-e-da-piedade/

Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. Eventos de Novembro de 2025