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O Cruzeiro e a Lenda do Galo

Galo em Barcelos

O seguinte artigo corresponde a uma revisão aprofundada e aumentada do artigo O Cruzeiro do Galo em Barcelos, colocado em 7 de outubro de 2014. O original soma 538 visualizações; o revisto, 2 915; ambos, 3 453. Valores apreciáveis, embora muito aquém dos alcançados pelo artigo complementar O Galo e a Morte, de 19 de outubro de 2016, que já ultrapassou 124 440 visualizações.

Hoje, apressei o resgate dos “artigos do dia” (20 de agosto) para terminar a tarefa antes da sesta. Tenho que começar a rever as provas de mais um prefácio, este com 18 páginas.

O Cruzeiro do Senhor do Galo em Barcelos (revisão). Tendências do Imaginário, 20.08.2017

Dar à luz na “idade das trevas”

Iluminura do século XV com o nascimento de São Edmundo (rei da Ânglia Oriental). Contempla a preparação do parto e o período pós-parto

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.

O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.

O parto na Idade Média (revisto). Tendências do Imaginário, 16.08.2017

Parto pela boca

Gárgula do Mosteiro de San Martín Pinario de Santiago de Compostela. Fonte: Dolores Herrero Ferrio, Gargoyles of the Monastery of San Martín Pinario of Santiago de Compostela (Spain): Part Two

Não é raro deixar-me tentar por temas estranhos que não lembram ao diabo. Cuido, contudo, de os abordar com um mínimo de sobriedade.

Gárgula do Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Batalha. Fonte – Jornal de Leiria

Grotescas, as gárgulas incarnam o pecado, em acto ou em expiação. Constituem exemplos a evitar. Muitas gárgulas com figuras humanas são frades ou freiras que caíram na tentação da carne, da luxúria e da gula. Várias freiras têm manto, mas subido ou aberto, exibindo os peitos e as partes genitais. Umas estão com as mãos juntas, em sinal de arrependimento, outras com as mãos em partes impróprias. Por vezes, aparece uma criança, de corpo inteiro ou só a cabeça (no peito, no ventre…). Há quem associe estas figuras de mulheres devassas com criança a freiras que tiveram filhos, nomeadamente com autoridades da comunidade eclesiástica. (Paródia disparatada, Tendências do Imaginário, 13.08.2014).

O beijo da lua ao sol

Fase inicial de um eclipse solar

Nos artigos O Beijo e Voz extrema, ambos de 12 de agosto de 2013, encontra uma imagem do “Beijo” (1888-89) de Rodin e o anúncio “Kiss” (2009) da Topline, que pode acompanhar com as canções “Sanvean” (1994) de Lisa Gerrard e “Der Nussbaum” (1983) de Klaus Nomi.

O Beijo. Tendências do Imaginário, 12.08.2013
Voz extrema. Tendências do Imaginário, 12.8.2013

Gárgulas obscenas

Parador de Santiago de Compostela, Hostal dos Reis Católicos. Edifício construído em 1509

Acontece investir mais num artigo. É o caso de Gárgulas Impúdicas, de 10 de agosto de 2014, revisto posteriormente em 23 de novembro de 2021.

Em 2017, decidi elaborar uma antologia, intitulada A Morte na Arte, com uma trintena de artigos do Tendências do Imaginário. Embora tenha revisto uma boa parte, com as vicissitudes da vida, acabei por suspender o projeto. Sinto, contudo, o dever de o reassumir.

O artigo que recoloco é o revisto: Gárgulas Impúdicas (para o livro A Morte na Arte. O link para o artigo de 2014 é https://tendimag.com/2014/08/10/gargulas-impudicas/

Gárgulas Impúdicas (para o livro A Morte na Arte), 23.11.2021

Com sombra de pecado. Sexo angelical (20.03.2016)

Confesso a Deus todo poderoso
E a vós irmãos e irmãs
Que pequei muitas vezes por pensamentos
Palavras, atos e omissões…

Andrea del Verocchio – Tobias e o Anjo, ca. 1470 a 1475. National Gallery

Os anúncios “Little angel” e “The Nuns”, no artigo Sexo angelical (20.03. 2016), são uma delícia: duas maçãzinhas, senhor, [da porta] do paraíso.

Ternura

Das esculturas da Virgem com o Menino, com mais de quinhentos anos, às recentes gravuras de namorados de Raymond Peynet, a ternura e o humor juntos são uma delícia.

Flor de Carvalho

A conversa “Com o Filho no Colo” em Prado foi uma iniciativa que não logrou envolver os melgacenses. Afortunadamente, sem repercussão no défice do Município.

Proporcionou-se, assim, um ambiente de intimidade. Valeu o interesse dos presentes e sobrou a vontade de continuar. Agradeço o acolhimento generoso da Junta de Freguesia.

Apetece ouvir música para flautim composta pelo Vivaldi.

Antonio Vivaldi – Concerto No. 3 in D Major, RV 428 “Il gardellino”: II. Cantabile · Michala Petri. Vladimir Spivakov · Moskow Virtuosi. 1996
Antonio Vivaldi – “La Notte”, Flute Concerto in G minor, RV 439, I. Largo. Dorothee Oberlinger.  Bremer Barockorchester. 2020
Antonio Vivaldi – Concerto in C Major, RV 444: II. Largo. Dan Laurin · Drottningholm Baroque Ensemble. 1993

Com o Filho no Colo em Melgaço

Tenho colaborado em muitos eventos e projetos no município de Melgaço. Que me lembre, nenhum da minha iniciativa pessoal. Atividades paralelas ou circunstanciais.

“É preciso a chuva para florir”. Esperei pelos 66 anos de idade para apresentar em Prado, freguesia onde nasci, obra da minha lavra e interesse, resultado da minha própria investigação.

Vou retomar, adaptada, uma conferência, bem acolhida, em Braga, em novembro de 2025, e em Guimarães, em março de 2026. Abordarei, com alguma originalidade, as imagens, prodigiosas, da Virgem Maria com o filho no colo, ainda menino ou já morto: o princípio e o fim de Cristo feito homem, da Encarnação. Concentrar-me-ei nos séculos XIV e XV, recuando mais de quinhentos anos. O tema não é caseiro. Abriga-se na alma e ultrapassa a cristandade. A escala é a humanidade e a mensagem sempre atual.

Esperar tem custos. O mundo e a vida não param. Muitos que desejava que assistissem e que penso que gostariam de o fazer já não podem. Vou falar para os conterrâneos contemporâneos. Se conseguir, ao seu jeito.

Deixo o convite para a próxima sexta-feira, 29 de maio, com início às 21 horas, no salão da junta de freguesia de Prado. Mais do que uma conferência, poderá proporcionar-se, também, um reencontro. A promoção de mais iniciativas do género depende do modo como esta semente ou enxerto pegar.

Almir Sater – Tocando em Frente. Compositores: Almir Sater e Renato Teixeira. 1ª interpretação: Maria Bethânia, 1990. Ao vivo no programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, em 2012

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente (…)
(Almir Sater e Renato Teixeira, Tocando em Frente)

O Fio de Ariadne e o Portal de Perséfone

Ariadne Adormecida. Cópia romana da obra criada no período helenístico médio (III e II século a.C.)

“Este impactante filme da MullenLowe London ilustra (…)como, desde cedo em sua educação, as crianças já definem as oportunidades de carreira como masculinas e femininas. Quando solicitadas a desenhar um bombeiro, um cirurgião e um piloto de caça, 61 desenhos retratam homens e apenas 5 mulheres.”

“Os estereótipos de géneros são definidos entre os 5 e os 7 anos de idade”. Muitos outros, também!

Imagem: Estátua Perséfone. Mármore. Séc. II

Existirá um fio de Ariadne ou um portal de Perséfone que permita aceder a uma nova visão?

Inspiring the Futur – Redraw the Balance. Agência: MullenLowe London. UK, junho 2016

Ariadne e Perséfone recordam-me Lisa Gerrard, em particular as canções “Ariadne” e “Persephone (The Gathering of Flowers). O Tendências do Imaginário já contempla 13 canções de Lisa Gerrard. Segue mais meia dúzia.

Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Ariadne. Into The Labyrinth, 1993.
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Indus. Spiritchaser, 1996
Lisa Gerrard – Now We Are Free. Hans Zimmer & Lisa Gerrard. From the 2000 Ridley Scott film “Gladiator”
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – Persephone (The Gathering of Flowers). Within the Realm of a Dying Sun, 1987
Dead Can Dance / Lisa Gerrard – The Host of Seraphim. The Serpent’s Egg, 1988. Live in Bulgaria, Sofia, National Palace of Culture, 14.03.2018
 Gavin Greenaway · The Lyndhurst Orchestra · Lisa Gerrard – The Wheat (From “Gladiator” Soundtrack), 2000