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O amor é a melhor cura

The Last Judgement, fresco, detail, Giorgio Vasari (1511-1574) Cupola di Santa Maria del Fiore, Il Giudizio Universale

The Last Judgement, fresco, detail, Giorgio Vasari (1511-1574) Cupola di Santa Maria del Fiore, Il Giudizio Universale

A queda é um dos movimentos mais temíveis do imaginário humano. No anúncio brasileiro Fall, do Hospital do Amor, a queda é mais demorada, dramática e pungente do que a turbulenta descida aos infernos nas pinturas e nas esculturas do Juízo Final. Mas, neste anúncio, a queda revela-se reversível: a vítima é resgatada pelo amor.

Marca: Hospital de Amor. Título: Fall. Agência: WMcCann. Direcção: Paulo Garcia. Brasil, Maio 2018.

O superpoder do homem banal

 

Gigliola

Gigliola Cinquetti

Os artigos anteriores pecam por excesso de pretensão intelectualóide. Costuma curar-se com uma pitada de humor, se possível, brejeiro, acompanhada por um dedo de música ligeira. É um excelente oxigenante cerebral.

O anúncio Power of the Crunch, da Doritos, convoca a magia e o superpoder. Como a poção mágica do Asterix ou os espinafres do Popeye. Uma dentada num dorito e o maravilhoso acontece. Uma “mulher objeto” fica toda despida, excepto a lingerie; a caixa do multibanco tem uma disenteria de dinheiro; o polícia fica reduzido a um macaco. O que passa pela cabeça de um homem quando come um dorito? O mesmo de sempre: sexo, dinheiro e poder! Apenas falta a desmancha-prazeres do costume: a morte num autocarro. Mas, para uma vida de prazer, a morte é pequeno estorvo.

Marca: Doritos. Título: Power of the crunch. Direcção: Eric Heimbold. Estados Unidos, Janeiro 2009.

“Sexo, dinheiro e poder”. Não resisto a recordar a canção espanhola “Salud, dinero y amor”. A saúde, a padroeira do século, no lugar do poder! A versão original data de 1967 e é interpretada por Cristina y los Stop (https://www.youtube.com/watch?v=q6VapvI_uv0). Opto pela interpretação de Gigliola Cinquetti (1968), tão fresca e tão bonita! Não é a primeira vez que coloco uma canção de Gigliola Cinquetti; aproveito para acrescentar a canção Dio come ti amo, de 1966.

Gigliola Cinquetti y El Trío Los Panchos. Salud, Dinero y Amor. 1968.

Gigliola Cinquetti. Dio, Come Ti Amo. Filme Dio, Come Ti Amo. 1966.

Portugal entornado

Dedico este artigo, exceptuando os cemitérios, aos habitantes de Antuérpia.

Cemitério Monumental de Staglieno, em Génova. 1851

1. Cemitério Monumental de Staglieno, em Génova. 1851.

O vídeo musical Les Oxalis (vídeo 1), de Charlotte Gainsbourg, filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin, teve a virtude de me despertar. Tanta sepultura e tanta escultura mortuária lembram-me o livro sobre a arte na morte, a minha obra de Santa Engrácia. Falta um artigo dedicado às esculturas veladas. Artigo prescindível mas que elegi para fecho do livro. Intitulado Velai por Nós, despede-se com imagens de esculturas veladas patentes em vários cemitérios europeus: Montjuic, em Barcelona; Père Lachaise e Monmartre, em Paris; Monumental, em Milão; Monumental de Staglieno, em Génova; ou o Central de Viena. Só em alguns deste cemitérios me foi dado ver esculturas, extremamente raras, com a imagem da própria morte velada (ver imagens 1 e 2). Tenho tido muito que fazer. E quando tenho muito que fazer, não faço nada! Vou começando aos poucos como se quase nada tivesse para fazer. Cada um tem a sua pancada.

Escultura da famiíia Nicolau-Juncosa no cemitério de Montjuic, em Barcelona.

2. Escultura da famiíia Nicolau-Juncosa no cemitério de Montjuic, em Barcelona. Detalhe.

Regressemos à Charlotte. Actriz e cantora célebre, trabalhou com o realizador Lars von Trier e com o grupo Air. O vídeo musical Rest (vídeo 2) corresponde a um single produzido e co-escrito por Guy-Manuel de Homem-Christo, do duo francês de música electrónica Daft Punk. Pressente-se pelo nome que o Guy Manuel é de origem portuguesa (prefiro a lusodescendente, que me lembra água). O bisavô, Homem Cristo Filho (1892-1928), foi um intelectual, jornalista e escritor português que se exilou em Itália, onde foi partidário de Mussolini.  Estranhamente, há países que deixam sair os jovens talentos e amesquinham aqueles que ficam.

  1. Charlotte Gainsbourg. Les Oxalis. Rest. 2017.

2. Charlotte Gainsbourg. Rest. Rest. 2017.

 

Tantas maneiras de dizer que te amo

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Comunicar o amor não é uma arte, é a arte. O anúncio Label of Love, da marca Monoprix, é de uma simplicidade e de uma eloquência raras.

Marca: Monoprix. Título: Label of Love. Agência: Rosapark Paris. França, Maio 2017.

Querendo a memória, o mundo é grande. Há muitas canções que dizem o amor. Entre as mais célebres constam I Just Called To Say I Love You, do Stevie Wonder, ou Hello, de Lionel Richie. Sou latino. Gosto de ser latino. Tenho ouvidos para outras músicas. Por exemplo, Te Voglio Bene Assai, uma canção de 1839, atribuída a Raffaele Sacco, na interpretação de Lucio Dalla.

Lucio Dalla. Te Voglio bene assai. Canção original: 1839.

Ou Aranjuez, Mon Amour, com música de Rodrigo, escrita por Richard Anthony e interpretada por Amália Rodrigues.

Amália Rodrigues. Aranjuez, mon amour. 1968.

Ou Te Quiero, Te Quiero, de Nino Bravo, um famoso cantor espanhol vítima de um acidente de viação em 1973, com 28 anos.

Nino Bravo. Te Quiero, Te Quiero, álbum Te Quiero Te Quiero, 1970.

A pedreira das luzes

Carrières de Lumières. Baux de Provence

Carrières de Lumières. Baux de Provence

Em Baux de Provence, em França, uma pedreira de calcário branco foi transformada num espaço museológico imersivo que acolhe exposições de obras de arte: a Carrière de Lumières. Com técnicas avançadas de projecção, as paredes, num total de 4 000 m2, animam-se com imagens gigantescas, algumas em movimento. Pela Carrières de Lumières, já passaram Paul Cézanne, em 2006, Vincent Van Gogh, em 2008, Pablo Picasso, 2009… Uma exposição com Hieronymus Bosch, Pieter Bruegel e Giuseppe Arcimboldo está patente até 07 de Janeiro de 2018. Um ramalhete fantástico, acompanhado pela música de Vivaldi e dos Led Zeppelin. Um espectáculo empolgante. “Os franceses não têm petróleo, mas têm ideias”. Obrigado, Adélia!

Bosch, Bruegel e Arcimboldo. Carrières de Lumières. 2017

Domus Aurea: o sonho enterrado (revisto)

O artigo Domus Aurea: o sonho enterrado vai integrar o livro A morte na arte, numa secção intitulada A morte das coisas. Vai ser o artigo mais antigo do livro (Abril 2012), bem como o mais visitado do blogue, graças, em boa parte, ao facto de ter sido recomendo pelo jornal El País.

As figuras grotescas remontam, pelo menos, ao primeiro século da era cristã. Os frescos fabulosos descobertos nas “grutas” subterrâneas das “termas de Tito” pertenciam, de facto, à Domus Aurea, o palácio edificado por Nero, após o incêndio de Roma, entre 64 d.C. e 68 d.C. Era, anacronismo à parte, o palácio de Versalhes da antiguidade romana.

O Templo de Vénus e Roma visto do Coliseu.

01. O Templo de Vénus e Roma visto do Coliseu.

Ocupava entre 40 e 80 hectares, consoante as estimativas, junto ao futuro Coliseu. Ostentava uma cúpula dourada e comportava 300 aposentos. Entre os acabamentos extravagantes, contavam-se frescos com grotescos que cobriam paredes e tectos.

Domus Transitoria. Frescos.

02. Domus Transitoria. Fresco.

O estilo grotesco já era patente na Domus Transitoria, anterior palácio imperial de Nero (figuras 2). Um século antes, os “grotescos” eram “moda” em Pompeia (figuras 3), cuja escavação arqueológica só começou no século XVIII (a partir de 1749). A maior parte das casas de Pompeia adornavam-se com frescos ao jeito grotesco, com efeitos de ilusão a que se associava uma profusão de figuras fantásticas. Um estilo de decoração retomado na Domus Transitoria e na Domus Aurea.

Pompeia. Frescos

03. Pompeia. Fresco

O sucesso da descoberta dos frescos da Domus Aurea, por finais do século XV, acabou por lhes ser fatal. A curiosidade imprudente dos visitantes, o vandalismo, a rapinagem e a exposição aos elementos naturais contribuíram para que poucos fragmentos tenham sobrevivido. Há vestígios de buracos abertos nos tectos para acesso. A humidade, a chuva e a oxidação foram inclementes. A pilhagem dos monumentos e das ruínas em Roma era, na época, de tal ordem que o Papa Benedicto XIV ( 1675-1740) classificou o Coliseu como lugar sagrado para obstar à sua degradação.

Domus Aurea. Frescos do quarto estilo na sala 78. 64-68 d.C.

04. Domus Aurea. Frescos do quarto estilo na sala 78. 64-68 d.C.

Existem gravuras antigas elucidativas de como era a Domus Aurea aquando da sua descoberta. Nos séculos XVI a XVIII, a pintura e o desenho de monumentos eram apreciados. Graças a essas obras, é possível conceber o aspecto exterior ( (Figuras 5 a 7) e interior das ruínas (Figuras 8 a 15).

Francisco de Holanda esteve em Roma entre 1537 e 1540,  no rescaldo da descoberta das “grutas das Termas de Tito”. Teve o ensejo de produzir 29 desenhos sobre a decoração da Domus Aurea, com um rigor que reivindica, em 1540, para uma das suas cópias: “tal como eu mesmo vi e tal como me coloquei”. Infelizmente, destas 29 gravuras, apenas restam três aguarelas reproduzidas no Álbum dos Desenhos das Antigualhas (Livros Horizonte, 1989): o tecto da Sala Dourada, a divisão principal da Domus Aurea (figura 08), e dois  frescos parietais entretanto destruídos (figuras 9 e 10).

Volvidos dois séculos, em 1774, Ludovica Mirri, um mecenas da arte, contratou Vicenzo Brenna, Francesco Smuglewiz e Marco Carloni para copiar as decorações interiores da Domus Aurea. Resultaram mais de sessenta gravuras. As figuras 11 a 15 constituem uma pequena amostra dos resultados da missão. A figura 07, da autoria da mesma equipa, é sugestiva da popularidade das ruínas. Convém ressaltar que estas gravuras foram concebidas em finais do século XVIII, em pleno período neoclássico. É possível que, dois séculos após a descoberta da Domus Aura, alguns frescos já não apresentassem contornos tão precisos.

Os artistas não se limitaram a retratar as ruínas e os frescos sobreviventes. Giacomo Lauro, em 1612, e Fischer von Erlach , em 1721, arriscam reconstruir a Domus Aurea original (Figuras 16 e 17). Os seus desenhos não se afastam muito da reconstituição avançada, em 2014, pela Altair4 Multimedia (Figura 18; ver documentário Domus Aurea outside: https://www.youtube.com/watch?time_continue=102&v=5b1xKrVEM0c). Coincidem quanto à envergadura gigantesca, nomeadamente da fachada, e na existência de um lago. O colosso de Nero, uma estátua com 30.3 metros (segundo Plínio, História Natural, xxxiv, 39) não consta das gravuras dos séculos XVII e XVIII.

“A Domus Aurea abraçava toda a Roma” (Plínio, História Natural, XXXII, 54). Apesar da sua imponência, foi destroçada e enterrada em poucas décadas. Nero “suicidou-se” em 68 d.C. O seu sucessor, Galba, declara a herança de Nero não grata (damnatio memoriae). A Domus Aurea começa a ser, de imediato, despojada e entulhada.

Ruínas das termas de Trajano

19. Ruínas das termas de Trajano

A cisterna das sete salas. Termas de Trajano

20. A cisterna das sete salas. Termas de Trajano

Dois anos após a morte de Nero, em 70, Vespasiano inicia a construção do Coliseu, no espaço do lago da Domus Aurea. Em 81, as Termas de Tito são erguem-se sobre os escombros do palácio de Nero. Trajano acrescenta novas termas, também sobre a Domus Aurea (Figuras 19 e 20). Em 121, Adriano inicia a construção do Templo de Vénus e Roma (Figura 1), deslocando para o efeito o colosso de Nero, cuja cabeça tinha sido, entretanto, substituída. Em pouco mais de 50 anos, a Domus Aurea foi arrasada e esmagada por edifícios de grande dimensão. Foi enterrada à nascença.

Fotografias do interior da Domus Aurea

 

Vida de esqueleto II. O espelho

01. Despertador. Science Museum. Londres. 1840 – 1900.

01. Despertador. Science Museum. Londres. 1840 – 1900

O esqueleto acompanha-nos desde a expulsão de Adão e Eva do paraíso. A dança da morte da ponte Spreuer, em Lucerna, na Suíça (Figura 3), mostra Adão e Eva, mais o esqueleto, a sair, curvados, do paraíso:

“Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais” (Genesis 3:3).

Dança macabra da ponte Spreuer, em Lucerna

O esqueleto sempre assombrou a humanidade. Condenado, tal como o ser humano, ao trabalho, esmera-se. Toca os clientes, captura-os e transporta-os para o outro mundo. Assedia como um toureiro, ceifa como um camponês, pesca como um lobo-do-mar e caça como um nobre ou como um predador furtivo. Usa a gadanha, o arco e a flecha, o machado, a espada, a lança, a rede e a pá. Desloca-se a pé, montado num caixão (Figura 1), num cavalo, num burro ou numa vaca. Por finais do século XIX, também voa (Figuras 6 a 11).

O ofício de esqueleto

Às vezes, o esqueleto, enquanto trabalha, diverte-se com outros esqueletos. Nas danças macabras, toca música e baila de mãos dadas com os vivos mortos. O transporte para o outro mundo resulta festivo. O esqueleto investe na política. Faz a guerra e não desdenha o poder. Nos triunfos, a morte senta-se no trono, rodeada pelo seu séquito, com as autoridades mundanas a seus pés (Figura 2 e 12 a 15).

Triunfo da morte

12. Discípulo de Andrea Mantegna. Triunfo do Amor, da Castidade e da Morte. 1460s

12. Discípulo de Andrea Mantegna. Triunfo do Amor, da Castidade e da Morte. 1460s

13 a 15. Triunfos da morte do Palazzo Abbattelis, de Clusone e de Pieter Bruegel

O esqueleto também repousa. Cansa-se, como o esqueleto sentado na escada da figura 15. Aprecia o lazer e a actividade espiritual. Dormita aconchegado em prazeres, come, joga, espera, aborrece-se, vê-se ao espelho, lê, contempla uma caveira (uma dupla vanitas), ouve e toca música, parodia a arte e, sublinhe-se, reza (ver figuras 16 a 29).

Actividades de lazer

O espelho da morte mostra-nos a nossa finitude. Em vez da nossa imagem, vemos a morte. As actividades do esqueleto são semelhantes às nossas. Podiam ser as nossas. Com a ressalva da procriação. Ao olhar para o espelho, mais do que a morte, vemo-nos a nós próprios. O esqueleto é uma projecção. O esqueleto somos nós. Somos, pelo menos, o modelo (Figuras 30 a 33)

O espelho da morte

Tanto nos dá para temer o esqueleto como para o venerar. Dedicamos-lhe cultos, os cultos da morte e dos mortos. Nas igrejas, nos cemitérios, em casa, na rua e durante o Halloween. Às vezes, exorbitamos. É o caso dos santos descobertos no século XVII nas catacumbas romanas que o papa distribuiu por várias igrejas germânicas. Identificados como esqueletos dos primeiros mártires, beneficiaram do esmero póstumo de freiras, joalheiros e outros artífices dos séculos XVII e XVIII (Figuras 34 a 37).

Santos das catacumbas romanas

Nas fotografias de Paul Koudounaris (2013, Heavenly Bodies, New York, Thames Hudson), contam-se mais jóias e ornamentos do que ossos. Ao bom jeito barroco, são esqueletos em majestade. Rivalizam com Nossa Senhora da Boa Morte ou com a Santa Morte, padroeira, entre outros, dos traficantes e dos bandidos (Figuras 38 a 41).

Morte santa

Se os esqueletos são ecos, por que os imaginamos? Para personalizar ou eufemizar a morte? Para acomodar o vazio? Ou será porque prestamos mais atenção ao eco do que à voz? A vida do esqueleto é o paroxismo da reflexividade e da catequese humanas.

Uma história batida

Wind bee

O anúncio The Bee, da Wind Mobile, conta uma história batida: uma criança socorre um animal, afeiçoam-se, mas o animal acaba por libertado para junto dos seus. Neste caso, a escolha do animal faz diferença. A abelha é caracterizada por um processo de comunicação particularmente desenvolvido: chegadas à colmeia são capazes de transmitir às outras, com exactidão, o local onde existe comida. Muito aquém, porém, da linguagem humana. Emil Benveniste (1952, “Communication animale et langage humain”, in Problèmes de linguistique générale T1, Paris, Gallimard) conclui que a comunicação das abelhas, embora notável, está longe das potencialidades da linguagem humana. Falta, por exemplo, a “dupla articulação” (Martinet, André, 1965. Linguistique synchronique, Paris, PUF). Moral da história: o discurso académico nem sempre ajuda a comunicação.

Marca: Wind Mobile. Título: The Bee. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Setembro 2017.

Entre gerações

Dad Wind

Às vezes, vale a pena apostar quatro minutos. Há jogos em que só perde quem não dá. Dar, pelo menos, quatro minutos. Aprecio tanto este anúncio que o republico. Pela narrativa, pela imagem, pelo realizador, Giuseppe Capotondi, pela música, To build an home, dos The Cinematic Orchestra, e pelo país, a Itália.

Marca: Wind Mobile. Título: Papà. Agência: Ogilvy & Mather Milan. Direcção: Giuseppe Capotondi. Itália, Setembro 2014.

Entre gerações

paolo-conteConheces Paolo Conte? Um cantor italiano. Deve rondar os oitenta anos. Tu e eu não somos da mesma geração. A diferença que a idade faz! Tenho os bolsos cheios de anos e tu, cheios de vida. Tu não conheces o que eu conheço e eu não conheço o que tu conheces. E a sociologia continua a subestimar o efeito das gerações.

Paolo Conte é um cantor jazz inconfundível. Não é o Seal, nem o Pedro Abrunhosa, creio, contudo, que és capaz de gostar. Mais ou menos folhas mortas, as gerações comunicam e aprendem umas com as outras.

Via Con Me é uma canção de Paolo Conte de 1981. O vídeo resulta de uma montagem de sequências de três filmes com Fred Astaire e Ginger Rogers. Sparring Partner é uma canção de 1993. Via Com Me é a canção mais célebre de Paolo Conte. Não obstante, prefiro a segunda, de que contemplo duas versões: uma interpretada ao vivo na Arena di Verona, em 2005, a outra, uma gravação de estúdio, de 1993. São diferentes. O piano não engana.

Paolo Conte. Via Con Me. Álbum Paris Milonga. 1981.

Paolo Conte: Sparring Partner. Álbum Tournée. 1993. Ao vivo na Arena di Verona. 2005.

Paolo Conte: Sparring Partner. Álbum Tournée. 1993.