Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
Dar à luz na “idade das trevas”

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.
O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.
A Mãe, o Sol e a Lua



A Virgem Maria costuma ser associada ao sol, à lua e às estrelas, nomeadamente nas imagens como Virgem do Apocalipse e Virgem da Lua Crescente. Na imagem da Virgem da Humildade de Fra Paolo Serafini da Modena, o redondo no canto inferior esquerdo parece representar um eclipse.
Há dias, no 9 de agosto, foi o dia dos pais no Brasil. “Só não são todos dias da mãe porque alguém se lembrou de decretar um dia especial. A relação com a mãe desdobra-se numa tensão entre união e separação, em que vibram as cordas tangíveis do coração: sensação, sentimento e emoção. Com a emigração e com a guerra colonial, exacerbou-se esta tensão. Multiplicaram-se os poemas e as canções. Poemas e canções que faziam chorar, perto e longe. Há pessoas que ainda agora se comovem ao ouvir estas músicas.”
Pró criativo. Futebol e natalidade

Ao basculhar o passado do blogue, constato, pela presença do tema do futebol, que julho costuma ser o mês do mundial. Não tenho relevado os artigos correspondentes, mas Futebol e natalidade merece distinção. Pela ponta de humor prazenteiro com que aflora um dos principais problemas do mundo ocidental: a baixa natalidade.
Herança cultural e identidade de proximidade

O oráculo das boas causas (09.07.2016; restaurado)

Bater-se por uma causa justa é já uma vitória (Anónimo).
Identidade e convívio (09.07.2026)
O anúncio “Inzalo Yelanga” mantém uma linha de comunicação que a Castle Milk Stout tem vindo a desenvolver há vários anos: usar a publicidade não apenas para promover a cerveja, mas também para refletir sobre identidade, herança cultural e relações familiares. A própria marca descreve o filme como um convite a “passar tempo com aqueles que amamos, fazendo aquilo que realmente importa, valorizando o tempo que temos e estando verdadeiramente presentes no momento”…
Ao longo da vida, as pessoas passam grande parte dos seus dias preocupadas com trabalho, obrigações e distrações, acreditando que haverá sempre outra oportunidade para estar com a família ou para dizer aquilo que realmente importa (…) O verdadeiro legado de uma pessoa não é aquilo que possui, mas sim o tempo que dedica aos outros e as memórias que ajuda a construir…
O filme mostra momentos aparentemente simples — encontros familiares, conversas entre gerações, crianças e adultos a partilhar o quotidiano — sugerindo que são precisamente esses instantes que acabam por definir uma vida (…) A cerveja surge apenas no final, integrada como símbolo de convivência e celebração, e não como protagonista da história…. (ChatGPT, 08/07/2026)
A expressão “Inzalo Yelanga” vem das línguas nguni e evoca ideias como: os filhos da luz; aqueles que pertencem a uma mesma linhagem ancestral; a continuidade da vida através das gerações; e o legado transmitido entre avós, pais e filhos (…) O título “Inzalo Yelanga” funciona em dois níveis ao mesmo tempo:
Pessoal, porque fala da família, dos filhos e do legado que deixamos às pessoas mais próximas.
Civilizacional, porque sugere que todos fazemos parte de uma corrente muito maior, recebendo um património cultural dos nossos antepassados e tendo a responsabilidade de o transmitir às gerações seguintes.É precisamente essa dupla leitura que torna o título tão poderoso: o anúncio parece falar apenas de momentos familiares, mas, no fundo, está a refletir sobre o que significa pertencer a uma linhagem e sobre a forma como o tempo transforma presença em herança (ChatGPT, 08.07.2026).
Amor de filha

Às vezes, felizmente cada vez menos, ainda me dá para escrever artigos com trejeitos académicos. Estou convencido que a ideia e o sentimento passariam melhor com meia dúzia de versos bem cantados. A transbordar inspiração e ternura, o anúncio polaco “Masquerade”, colocado em julho de 2017, merecia outra abordagem, mas nem sempre o violino está à mão ou, então, anestesiado, desafina.
Paula Rego – Happy Family – Mother, Red Riding Hood and Grandmother, 2003




![[DisfarçARte] Fotografia por Liu Bolin](https://i0.wp.com/tendimag.com/wp-content/uploads/2026/07/Fotografia-por-Liu-Bolin.jpg?resize=479%2C401&ssl=1)