Sonhemos!

Sonhar ainda não é pecado, pois não? Creio que, por enquanto, não colide com as bem-aventuranças do homo Hygienicus. Sonhemos, pois, enquanto podemos!
Impuro



Não sou religioso, pelo menos na aceção corrente da palavra. Não significa que não seja crente. Acredito em tanta coisa tão pouco óbvia. Prezo, aliás, a fé e quem a possui, em particular aqueles que, perante um deus que não se manifesta nem é demonstrável pela razão (o “Deus Oculto” de Blaise Pascal), apostam e vivem apostados na sua verdade e existência..
Imagens: Capela Imaculada. Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Braga
Sinto a falta desse sentimento inspirador de obras cuja aura demando e deixo ressoar dentro de mim. Estou convencido que não há vocação mais honesta do que abrir-se ao outro e relativizar-se a si mesmo.
A magia dos legos
Após um dia cheio de dissabores e angústias, uma jovem recompõe-se e desforra-se em casa graças à magia dos legos. Um anúncio dinamarquês que é uma “história sem palavras”.
A resistência da imagem

O aumento da oralidade na publicidade não impede a persistência da imagem. Nem que os anúncios tenham que provir do outro lado do mundo. Por exemplo, da Tailândia ou da Austrália. A Sunday Insurance combina palavras e imagens insólitas num mundo surreal. A organização para a saúde masculina Movember transforma uma campanha de angariação de fundos num imenso chamamento traduzido por imagens excessivas.
Natureza
A natureza só é comandada se for obedecida (BACON, F., Novo Órgão ou elementos de interpretação da natureza, 1620)
Músicas de morrer e gritar por mais
Depois do Serão dos Medos (dia 20) e antes da Noite dos Medos (dia 28), em Melgaço, junto quatro músicas alusivas à morte interpretadas por Klaus Nomi (duas compostas por Henry Purcell). Músicas de morrer e gritar por mais. Desta feita, o Tendências do Imaginário passa a contemplar quase todas as canções editadas do Klaus Nomi.
Sobrevivências de outros tempos
Reconheço-me no estilo e no conteúdo deste artigo do Luís Bastos no blog Azorean Torpor: poliédrico, denso, claro e brilhante, como um cristal de quartzo. Confesso que não me importava nada de ter sido eu a escrevê-lo.

Apego à loucura
Gosto da Katie Melua. Estas duas interpretações ao vivo, recentes, de “The Closest Thing to Crazy” e ” Nine Million Bicycles “, respetivamente em Esslingen e em Paris, foram uma surpresa agradável que me apresso a partilhar.
Serão dos Medos (Fotografias)
À Júlia que ousou abrir a porta para um mundo assombroso
Já aludi ao ambiente, ao público e à dinâmica da última edição dos Serões dos Medos. Falta relevar a caraterística mais notável: a originalidade da quinzena de testemunhos partilhados. Nenhum foi estereotipado ou obedeceu a padrões rebatidos. Todas as intervenções foram pessoais e com narrativas únicas. O meu repositório do imaginário sobrenatural resultou substantivamente enriquecido. Acontece-me numa suposta prestação receber mais do que dou. Promovi e participei em muitos tipos de encontros. O Serão dos Medos afirma-se diferente. Pela vocação, pelo público, pelo envolvimento e pelo alcance. Sensibiliza-me, em particular, o sentimento de proximidade. Não estou perante uma massa indistinta mas com pessoas conhecidas, que dizem muito. Nunca é tarde para regressar e refrescar!




Desfazer-se em palavras

A falar é que a gente entende. Assiste-se a uma viragem na publicidade, menos apostada em imagens do nunca antes visto e mais em conversas triviais do quotidiano. Privilegia-se a interação vulgar e a tagarelice, nomeadamente a chamada “conversa da treta”. O que se passa? Redescobre-se a importância da convivialidade? Ou, confrontados com tamanha erupção de imprevistos indesejados, ficámos subitamente alérgicos a surpresas, preferindo a ba(da)lada do banal eventualmente insignificante?
