Archive | Abril 2012

Perguntar não ofende

De que século são estas gravuras?

A comunicação e a cidadania moram ao lado

Quino 1

Lembram-se do Quino? E da Mafalda? Houve mais Quino para além da Mafalda…

O cheiro do absurdo

Assim vai o mundo da publicidade: uns apostam em estetizar os perfumes, outros em perfumar o absurdo.

Marca: Old Spice. Título: Jungle Wilderness. Agência: Biscuit Filmworks advertising agency. Direção: Tim Godsall. EUA, Abril 2011.

Cinzento escuro

Os anúncios da Amnistia Internacional são, habitualmente, eloquentes. Têm impacto. Nos últimos dias, saíram dois, ambos centrados em África. O primeiro, alusivo às crianças vítimas da guerra, tem a particularidade de recorrer a imagens de um videojogo. Parece ser uma opção votada a franca expansão. Como ambiente nos anúncios, os videojogos vão rivalizar cada vez mais com o desporto, o corpo humano, a rua, o espaço comercial, a paisagem… O segundo anúncio é cinzento, escuro como o petróleo bruto. Ainda não é o negro da morte, mas resta-lhe muito pouca vida. As imagens são de crime e agonia.

Anunciante: Amnesty International. Título: The bigger game. Agência: Miami Ad School Europe. Alemanha, Abril 2012.

Anunciante: Amnesty International. Título: Shell. 2012.

Os quatro elementos

Este anúncio da Lamborghini causa admiração mas não espanto. Lembra muitas imagens e passagens do cinema, da banda desenhada, da pintura e, até, da publicidade. Lembra, antes de mais, Os Quatro Elementos de Arcimboldo. A própria ideia de fusão de elementos não é nova. O que não obsta a que seja um anúncio de grande qualidade com imagens soberbas.

Marca: Lamborghini. Título: The channelling of the Four Elements. Abril 2012.

Fotografia e Investigação

É com grande prazer que o convidamos para o encontro Fotografia e Investigação, que terá lugar no dia 2 de Maio, pelas 18 horas, no Auditório do Instituto da Educação, da Universidade do Minho. Esta sessão do Ciclo Percursos Profissionais na Área da Cultura conta com a participação de Álvaro Domingues, Professor da Faculdade de Arquitetura, da Universidade do Porto, e de Isabel Alves, Responsável pelo Museu das Migrações e das Comunidades, de Fafe.

A fotografia é um recurso apreciável na investigação social, como fonte direta ou como fonte secundária de informação. Não se confina, portanto, ao mero uso ilustrativo. Álvaro Domingues é um exemplo de quanto a máquina fotográfica pode ser um auxiliar do olhar e a fotografia um suporte para a análise e a ilustração. A sua arte peculiar de aproximação à realidade não é alheia ao sucesso alcançado pelos livros Rua da Estrada, publicado em 2010, e Vida no Campo, recém-publicado em Março de 2012, ambos pela Dafne Editora, do Porto.

Gérald Bloncourt é um reputado fotógrafo francês que, nos anos sessenta, direcionou a sua objetiva para os emigrantes portugueses residentes em bairros de lata da região parisiense. Resultou um espólio apreciado por muitos investigadores. As fotografias de Gérald Bloncourt já foram expostas em Fafe, em Lisboa, em Braga e, no final de 2011, em Viana do Castelo. Gérald Bloncourt doou mais de uma centena de fotografias originais ao Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe. Isabel Alves, guardiã atenta deste valioso espólio, falará da obra de Gérald Bloncourt.

O Director do Curso de Mestrado em Comunicação , Arte e Cultura

Criaturas pantagruélicas 3

Tal como aconteceu com os Caprichos de Francisco Goya, Salvador Dali retocou 25 dos 120 desenhos de François Desprez. Se estes já eram bizarros e oníricos, Salvador Dali surrealizou-os à moda do séc. XX. E se já eram ousados do ponto de vista sexual, mais ousados ficaram. Os Songes Drolatiques de Desprez e os Caprichos de Goya são extraordinários. Pois Dali passou por ali. E deixou a sua marca inconfundível.

Criaturas pantagruélicas 2

O interesse pelas personagens grotescas criadas por François Rabelais atravessou fronteiras. Atente-se nestas  gravuras alemãs do século XIX. Contanto coloridas, não se afastam do registo das gravuras de François Desprez (ver: https://tendimag.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=2722&action=edit).

Fig 1. Atribuído a Rabelais. Denkmäler des Theatres VIII. Mappe Groteskkomödie und Stegreifstück. München R. Piper & Co., 0, Plate 15.Séc. XIX

Fig 2. Atribuído a Rabelais. Denkmäler des Theatres VIII. Mappe Groteskkomödie und Stegreifstück. München R. Piper & Co., 0, Plate 15.Séc. XIX

Arte infantil na ARCO: Fantasias do juízo estético

Uma colega enviou-me este link (http://www.youtube.com/watch?v=Pj4MVtoNWZc), e não resisto a partilhá-lo. Acerca da subjetividade e, sobretudo, da arbitrariedade da arte e do juízo estético muito se tem opinado. Aliás, quanto maior a distância ao mundo da arte, mais este ceticismo tende a exacerbar-se. Este vídeo apresenta um teste. Um borrão de tinta feito por crianças de dois e três anos é exposto na ARCO de Madrid, dando azo a divagações e projeções de vária ordem por parte dos visitantes. A experiência está bem concebida e beneficia de excelentes condições. Mesmo assim, gostaria de mais testes: por exemplo, um leilão na Sotheby’s ou uma oferta para a coleção da Tate Modern.

A fada da leitura

Os contos de fadas e os desenhos animados constituem deltas que irrigam a nossa “bacia semântica” (Gilbert Durand) e embalam as ondas do nosso imaginário. Os publicitários não o ignoram. Alguns até exageram. É engraçado como as personagens dos contos de fadas têm, frequentemente, o condão de nos lembrar pessoas. Já tem menos piada as pessoas, por vezes, não nos lembrarem nada.

Anunciante: Reading is Fundamental. Título: Book People Unite. Agência: Mother, New York. EUA, Abril 2012.