Probabilidades – Micro cena de um teatro pseudo-absurdo
“Senhor Teste”: – IF é a pessoa mais inteligente que conheço! Mas desperdiça tanto as capacidades que Deus lhe deu…
Senhor Estocástico: – Segue a sua vontade…
“Senhor Teste”: – Vontade é o que mais lhe falta! Vontade de agarrar oportunidades, vontade de sucesso, vontade de brilhar…
Senhor Estocástico: – Sobra-lhe vontade: vontade para resistir a tamanhas vontades.
Menina Combinação: – Em Portugal, para se ter sucesso é preciso ter muita vontade. Muita vontade alheia, naturalmente!
Pink Floyd. If. Atom Heart Mother. 1970.
Criaturas pantagruélicas 1
François Rabelais (1494-1553) é um dos grandes nomes da literatura universal. Pantagruel e Gargantua, seguidos pelo Tiers Livre e pelo Quart Livre, são obras-primas originais, escritas num estilo livre, criativo e ousado. Mikhail Bakhtin fala, a seu propósito, em realismo grotesco, eivado por um humor desenfreado, fantástico e exorbitante, francamente inspirado na cultura cómica popular da época. Apesar de sucessivas proibições, os romances de Rabelais foram um caso sério de popularidade.
Em 1979, devorei A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o Contexto de François Rabelais, de Mikhail Bakhtin, e decifrei toda a obra de François Rabelais na versão original. Há coincidências prodigiosas. François Rabelais é, para mim, um dos melhores escritores de todos os tempos e Bakhtin, um dos maiores pensadores do século XX. A influência de Rabelais venceu os séculos. Concebeu situações e seres fantásticos. Artistas, como Salvador Dali, não resistiram à tentação de os desenhar.
O álbum Les Songes drolatiques de Pantagruel, ou sont contenues plusieurs figures de l’invention de maistre François Rabelais, da autoria de François Desprez, é uma das primeiras obras gráficas dedicadas às personagens rocambolescas do livro Pantagruel. Foi editado em 1565, doze anos após a morte de Rabelais. Les songes drolatiques é composto apenas por 120 gravuras legendadas. Segue uma galeria com algumas dessas “criaturas”. Fala-se muito, na atualidade, em ciborgues, homens-máquina e biomecanóides. Mas já em 1565, há mais de quatro séculos, a questão da ligação entre o corpo e a técnica era sistemática e explicitamente abordada. O nosso tempo, dito pós-moderno, compraz-se em barrigadas sociocêntricas. Somos diferentes, claro! Mas muito menos do que se nos afigura.
Recorri a estas imagens numa comunicação intitulada “O tecnohumano na era dos descobrimentos: a pretexto do livro Tecnologia e Configurações do Humano na Era Digital”, no âmbito do encontro Ecosofia na Era Digital, 1º Simpósio Internacional, Universidade do Minho, 28 de Junho de 2011.
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“O pecado mora ao lado”
Um prelúdio de suspeita sexual e um desenlace inesperado. Com o devido tato, é uma fórmula que funciona. Pelos vistos, a gente já não tem maus pensamentos mas bons reflexos. De qualquer modo, o pecado também mora aqui.
Marca: Nintendo. Título: Le petit branleur. Espanha, 1997.
Ventos ecológicos
Os anúncios de animação da Vigorsol apostam em animais prodigiosos: pinguins anti-degelo e esquilos que congelam o fogo, graças a uma pastilha elástica e bons ventos de retaguarda.
Produto: Vigorsol Air Action Chewing Gum. Título: Global Freezing. Agência: BBH, London. Direção: Lobo. UK, Abril 2008.
Produto: Vigorsol Air Action Chewing Gum. Título: The legend. Agência: BBH, London. Direção: Ben Dawkins. UK, Março 2007.
Descolagens
Este anúncio da Asics (Levitation Test) é um bom exemplo de minimalismo repetitivo em câmara lenta. A assunção da levitação como objetivo encontra eco nesta minha obsessão, temporária, pelo tema da suspensão gravidade.
Marca: Asics. Título: Levitation Test. Agência: Vitro. EUA, Abril 2012.
O desporto e a dança constam entre as atividades humanas mais propícias à ilusão de levitação. Filmados em câmara lenta, alguns gestos frisam o encantamento. E quando o desporto parece um bailado, o resultado é o seguinte:
Marca: Nfl. Título: Ballet. Agência: Grey New York. Direção: Hank McElwee. EUA, Outubro 2009.
A havaiana: um passo para a humanidade
A paródia é uma tentação para a publicidade. E Gulliver oferece-se como um petisco que combina vários traços do imaginário. Mas, neste anúncio, o que mais sobressai é a sequência final: um homem contempla uma havaiana gigante enterrada na areia. Lembram-se do momento final do primeiro O Planeta dos Macacos? A gente lembra-se de cada uma! Dá para espreitar?
Marca: Honda Acura.Título: Gulliver, Chariot. Agência: Rp & Station Films. Direção: Dom & Nic. EUA, Abril 2012.
O Planeta dos Macacos, 1968, sequência final
Corta!
Corta! Corta! Corta! Estas cenas de filmagem comportam tantos cortes que sobram apenas as cabeças. Humor brasileiro desinibido e macabro. Trata-se, no entanto, de ficção: o vídeo é brasileiro e retalha corpos; não é português, nem adapta salários.
Marca: São Paulo Creative Club. Título: Gold Magic. Agência: Borghierh/Lowe Prodigo. Direção: Vellas & Laga. Brasil. Abril 2012.
Publicidade, Arte e Jornalismo
Os laços entre a publicidade, a arte e o jornalismo são mais apertados do que imaginamos. De tudo se pode servir um pouco: publicidade com arte; publicidade com jornalismo; arte com publicidade; jornalismo com publicidade… Seguem alguns exemplos.
PUBLICIDADE COM JORNALISMO E ARTE:
Marca: Pepsi. Título: The Slavic Epopee. Agência: Mark/BBDO. Direção: Daniel Bird. República Checa, Abril 2012.
PUBLICIDADE COM JORNALISMO:
Marca: TuB. Título: Prohibition. Agência: Red Tettemer + Partners, USA. USA, Abril 2012.
ARTE COM PUBLICIDADE:
- Andy Warhol. Chanel nº5. 1985
- Andy Warhol. Campbell’s Soup Cans. 1962
- Andy Warhol. Perrier.1983
JORNALISMO COM PUBLICIDADE:
Óscar Mascarenhas, A publicidade tem artes e manhas para se vestir com roupas de notícia, Diário de Notícias, 18 de Fevereiro de 2012.
Cavalos empinados
Vai por aí um acusatório “público” por causa do novo anúncio da PT (http://tendimag.com/2012/04/04/fibra/). A música, os efeitos de contraluz, a câmara lenta e o cavalo empinado teriam inspiração noutros anúncios. Que saiba a câmara lenta já tem barba de todos os tamanhos feitios. Mas não discuto. Intriga-me o pormenor do cavalo empinado. Porquê ir repescá-lo a um vídeo musical francês? Há tantas hipóteses de intertextualidade, uma forma de citar mais positiva, por esse mundo fora. Porque não a banda desenhada? Quem não se lembra do Tornado do Zorro, do Silver do Lone Ranger ou do Trigger de Roy Rodgers? Tudo empinanços da nossa meninice que tão bem casam com as sequências do arco e da flecha e da dança final….
- Zorro
- Roy Rodgers
- JacquesLouis David. Napoleon crossing the Alps.1801
- Retrato equestre de Felipe III. Diego Velázquez.1628-34
- Arte equestre. Príncipe D. João (VI). Desenho de Joaquim Carneiro da Silva.j Séc. XIX
Porque não recorrer ao mundo das artes circenses e equestres tão pródigas em cavalos em posição bípede? Ou, simplesmente, ao mundo da arte? “Napoleão a atravessar os Alpes”, de Jacques-Louis David (1801), “Filipe III a cavalo”, de Diego Velásquez (1634-35), ou o Príncipe João VI de cavalo empinado, desenhado por Joaquim Carneiro da Silva (séc. XIX).
Por este andar, até parece que não há sede em Portugal que não beba no estrangeiro! Há dias em que o que apetece é dar uma volta de Ferrari sem olhar para o símbolo. Em suma, o cavalo empinado é uma figura vulgaríssima. Fazer desta figura uma obra de arte, eis a questão. Todo este acusatório teve uma virtude: dar a conhecer o excelente vídeo musical dos WoodKid, bem como os belos anúncios da Red Bull e da Nokia Lumia.
Grupo: WoodKid. Título: Iron. Direção: Yoann Lemoine. 2011.
Marca: Red Bull. Título: Signature Series. Agência: Other Films. Direção: Scott Duncan. EUA, Janeiro 2012.
Marca: Nokia Lumia. Título: The amazing calls. Agência: Buzzman. Direção: Swiss Kiss/Julien Rocher. França, 2011.





















































