O cronómetro da morte

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Cronometrar o tempo que nos sobra de vida, prever tecnicamente o momento da morte, é assunto de ficção científica. Assunto contíguo da programação da vida, desde o primeiro grito até ao último suspiro. Há autómatos fabricados com morte marcada. Recorde-se o filme Blade Runner. Vem a propósito o controverso Céline: “A maior parte das pessoas morre apenas no último momento; outras começam a morrer e a ocupar-se da morte vinte anos antes e, às vezes, até mais. São os infelizes da terra” (Viagem ao fim da noite, 1932). Quem lê Céline até parece que, para afastar a morte, as pessoas amortalham a vida. Não é verdade! As pessoas são sensatas: não lutam contra a morte, mas contra o envelhecimento, esperando que depois de um dia venha outro (Séneca).

Este é um anúncio a uma agência funerária. Há “produtos” difíceis. Por exemplo, o papel higiénico, os slips, as sanitas, os preservativos… E, no entanto, têm dado azo a anúncios memoráveis. A adversidade pode espicaçar a criatividade.

Marca: Mount Pleasant Group. Título: Quitbit. Agência: Union Advertising Canada LP. Direcção: Matt Atkinson. Canadá, Setembro 2015.

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Sociólogo.

2 responses to “O cronómetro da morte”

  1. Beatriz Martins says :

    Tormento dos tormentos criativos!

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  1. Falos electrónicos | Tendências do imaginário - Outubro 3, 2016

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