O mensageiro da nova morte

Convém não esquecer. São tantas os episódios que importa não esquecer. A pandemia da Covid-19, destaca-se. O artigo Sem salvação, de 23 de setembro de 2020, constitui uma memória. Dediquei, então, à pandemia os textos “Nem a morte nos reúne” e “A morte infeciosa”, compilados no ensaio “Covid-19: o mensageiro da nova morte”. Embora não muito mal escritos, abusam do sociologuês, seguindo o meu ritmo de pensamento sem cuidar do leitor. Na verdade, já tinha perdido o treino do diálogo muito antes da pandemia. Anexo o texto.
Despir ou agasalhar, eis a questão

Despir ou agasalhar? Coloco a questão a propósito da produção atual nas ciências sociais e humanas. Pouca criação e muita tradução; muita parra e pouca uva. Torna-se necessário remover tanta ganga para vislumbrar uma eventual pepitazinha. Talvez despir acessórios de moda e agasalhar com roupa interior. Menos ornamentação e mais substância…
No dia 24 de junho, de 2017 e 2020, publiquei os artigos Despir e Agasalho. Tenho o prazer de os recordar, restaurados.
O exílio das palavras

Persiste um ar abafado, morno e enovoado. Não tarda alguém garantir que é efeito do fumo de tabaco, sugerir o aumento dissuasor do respetivo imposto e pedir a interdição de fumar nas varandas. Disfarce-se o mal com uma pitada de música um pouco original e digna de ser mais conhecida: a banda norte-americana My Morning Jacket.
O blog Tendências do Imaginário está a reduzir-se cada vez mais à música. Por que não? Se as palavras andam exiladas…
O mundo maluco e algo mais

Salto de assunto em assunto com a ligeireza de um comentador de caixinha mágica. Acabo uma conversa sobre surrealistas e maneiristas, logo inicio um capítulo, com prazo para o do Dia da Nação, sobre a implementação de zonas industriais no interior do País. Entretanto, relaxo: ontem, a Deriva, uma iniciativa do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura; hoje, passagem pelo blog e massagem musical. Procuro um CD adormecido há anos e encontro o Trading Snakeoil for Wolftickets, do Gary Jules, editado em 2001. Seguem “o mundo maluco”, “a janela quebrada” e “algo mais”.
Ousadia serena para almas céticas

O artigo anterior contemplou a cantora Angel Olsen. Quem escuta Angel Olsen arrisca ocorrer-lhe Sharon Van Etten. Partilharam, aliás uma música: “Like I Used To” (1991). Nascida em Belleville, New Jersey, em 1981, Sharon Van Etten editou o seu primeiro álbum, “Because I Was In Love”, em 2009. Desde então publicou cinco álbuns: Epic (2010), tramp (2012), Are We There (2014), Remind Me Tomorrow (2019) e We’ve Been Going About This All Wrong (2022).
Com uma voz ligeiramente rouca, as “suas músicas “Suas são sinceras sem serem excessivamente sérias; sua poesia é franca, mas não aberta e sua voz elegante é envolta em suficiente tristeza para não soar muito pura ou confiante”. A elegância de uma ousadia serena. E alguma intimidade sombria. Dedico estas quatro músicas, uma por álbum por data decrescente, às almas céticas que dobram os anos como quem muda de pântano.
Recomendo o artigo “Santuário da Boa Morte, Correlhã, Ponte de Lima”, um texto curioso com imagens magníficas, de Eduardo Pires de Oliveira, no blogue margens: https://margens.blog/2022/12/30/santuario-da-boa-morte-correlha-ponte-de-lima/
Magia: A Fisioterapia e a Vida

O anúncio “Caring Makes Magic”, do Centro Médico Montefiore, de Nova Iorque, sensibiliza. Convoca duas histórias, que acabam por se cruzar no final de uma forma desconcertante mas eloquente, com protagonistas que vivem em dois mundos, sem se saber qual o mais real e o mais fantástico.
Physical therapy is often a slow process, but the rewards are powerful. In this year’s holiday spot, Montefiore Einstein shows the recovery of a toy store owner, how it impacts his life and many others – real and imagined.
Dual plotlines depict the sleepless nights and pain that a store owner has to endure, juxtaposed against characters atrophying in a holiday display within the man’s toy shop window. One boy complains: “My skates don’t work.” A vendor says there are “No cookies. No nothing.” Without the store owner, they are lost.
After pushing himself to recover and bonding with his physical therapist, we see our hero running up the stairs and, soon, back at his store. There, he brings the village back to life. Soon skates and sleds work. The fire at the roasted chestnuts stand ignites. Even the chestnut vendor’s hair grows back (…)
We see the store owner happily driving the train through his toy village and find the boy who had lived in the display suddenly outside the store window. Sound confusing? It kind of is, but it certainly gives us something to think about and a reason to watch again.
In the end, the key message – that “caring makes magic” – is driven home quite poetically (Kenneth Hein. Nearly three minutes of holiday delight offer dual story lines and one important message. The Drum: https://www.thedrum.com/news/2022/12/05/us-ad-the-day-montefiore-einstein-shows-the-power-healing-and-the-holidays).
Nunca é tarde

“I’m always making a comeback but nobody ever tells me where I’ve been / Estou sempre a regressar mas nunca ninguém me diz onde estive (Billie Holiday. Lady Sings the Blues, 1956).
Tanta música no Tendências do Imaginário e nenhuma canção da Billie Holiday! Admito que o blogue acusa algum descuido em relação aos anos quarenta e cinquenta. E já começa a ser tarde para começar.



