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Violência lúdica

Clash Royale

Construa o seu Baralho de Batalha e supere o inimigo em batalhas rápidas em tempo real. Produzido pelos criadores de CLASH OF CLANS,estreia um jogo de batalha multijogador em tempo real (…) Comece a lutar contra jogadores do mundo todo!

Estas palavras anunciam uma atualização recente do videojogo de origem finlandesa Clash Royale. No anúncio, milhares de balões explodem. Convenha-se que no que respeita a a rebentar coisas e pessoas não faltam fontes de inspiração.

O game mobile Clash Royale arrecadou US$ 2,5 bilhões em receita durante os três anos de existência, de acordo com dados da consultoria Sensor Tower. O valor arrecadado nos Estados Unidos representa 30%, com US$ 750 milhões desde o lançamento. O segundo colocado na lista é a Alemanha, com US$ 225 milhões (9%). (…) Clash Royale continua sendo um dos games mobile mais lucrativos do mundo. Em fevereiro, o título ficou em 18ª posição, com mais de US$ 33 milhões gastos por jogadores em todo o mundo em todas as plataformas. Estima-se que jogadores invistam US$ 2,3 milhões por dia no jogo.” (Clash Royale passou de US$ 2,5 bilhões em receita em três anos, segundo pesquisa).

Clash Royale – Hero Balloon. Agência: Uncommon Stockholm. Direção: Sam Gainsborough. Suécia, abril 2026

Vida desconectada / Questões

The best thing you can find online is a reason to go offline (A melhor coisa que você pode encontrar online é um motivo para se desconectar da internet).

Eis o mote do anúncio da Pinterest [por quem Deus nos manda avisar] que se ganha em recordar todas as manhãs. Sou, por sinal, utilizador desta rede social que recomendo.

Pinterest – How did they do it? UK, abril 2026
Manfred Mann’s Earth Band – Questions. The Roaring Silence, 1976

Ratoeira

reMarkable – Get Your Brain Back. 2018

Somos ratos? Deixaremos de o ser?

reMarkable – Get Your Brain Back. Agência: & Co. / NoA. Direção: Simon Ladefoged. Dinamarca, novembro 2018

Música para mortos

Na hipermodernidade avançada, desaparafusados, era bastante desaparafusada, sobrevêm excentricidades delirantes que, confesso, conseguem ultrapassar a minha, apesar de tudo, fértil imaginação.

Os egípcios do tempo dos faraós costumavam colocar nos túmulos dos defuntos tudo o que estimavam necessário para a outra vida após a morte:

Objetos pessoais: roupas, joias, cosméticos, jogos e utensílios do dia a dia
Comida e bebida: pão, cerveja, vinho, carnes secas — para sustento no além
Estatuetas shabti (ou ushabti): pequenos servos mágicos que trabalhariam para o morto na outra vida
Objetos religiosos e amuletos: para proteção espiritual
Textos funerários, como o Livro dos Mortos, com feitiços e instruções para atravessar o além
Vasos canópicos: onde eram guardados órgãos mumificados (fígado, pulmões, estômago e intestinos)
No caso dos faraós e nobres, o luxo subia de nível:
Ouro, móveis, carros, armas — e em épocas mais antigas até servos e animais sacrificados, para continuarem a servi-los depois da morte. (ChatGPT, 26.02.2026).

Até ao momento, não deparei com nenhuma menção a vasos musicais para júbilo, entretimento e apaziguamento dos mortos.

Pois, nunca é tarde para reparar!

A Spotify e a empresa norte-americana de água enlatada Liquid Death, que mata a sede, acabam de criar “a primeira urna do mundo capaz de reproduzir música em streaming”, graças à qual “a morte passa a ser, finalmente, muito menos entediante. Com a Urna da Playlist Eterna, agora os mortos podem ouvir suas músicas favoritas para toda a eternidade”.

Liquid Death & Spotify – Eternal Playlist Urn. USA, fevereiro 2026

Uma formiga com uma dúzia de ovos numa ponte silenciosa

No dia 15 de dezembro, entre as 21 e as 23 horas, o Tendências do Imaginário “bateu um recorde”: o artigo Análise pela IA do texto “O enterro da cabeça na areia obteve 1 033 visualizações (correspondentes a mais de 500 visitantes) provenientes dos Estados Unidos, mormente nas cidades de Portland (931 visualizações) e Ashburn (45). Precise-se que, de um modo geral, dois terços (67,4%) das visualizações do blogue têm origem fora de Portugal. Algo como vibrações cosmopolitas pelas tímidas antenas de uma formiguinha eremita perdida na imensa selva digital.

Para assinalar o momento, um anúncio com “doze ovos”, realizado pelo criativo Michel Gondry para o iPhone 13 Pro, da Apple, e um vídeo musical com “o som do silêncio” e uma “ponte sobre água turbulenta” dos inesquecíveis Simon & Garfunkel (ao vivo, naturalmente).

iPhone 17 Pro – Apple. Título: A Dozen Eggs | Shot on iPhone 13 Pro by Michel Gondry | Apple. Partizan Studio. Novembro 2021

Por quem Deus nos manda avisar!

Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:

  • Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
  • Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
  • Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
  • E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Anunciante: Vodafone. Título: The Open Line. Agência: The Elephant Room. Direção: David Stoddart. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: Disney. Título. Best Christmas Ever. Agência: adam&eveDDB/London. Direção: Taika Waititi. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: IKEA. Título: Esta navidad, el mejor regalo es estar presente. Agência: McCann (Madrid). Direção: Alauda Ruiz de Azua. Espanha, novembro 2025
Anunciante: Waitrose. Título: The Perfect Gift. Agência: Wonderhood Studios/London. Direção: Molly Manners. Reino Unido, novembro 2025

“As da raia”, contrabando entre Galiza e Portugal

O jornal galego Faro de Vigo publica hoje, 25 de outubro de 2025, a reportagem “«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal”, da autoria de Malena Álvarez. O artigo focaliza-se em particular no concelho de Melgaço. Contém testemunhos de várias mulheres que intervieram no contrabando. Tive o gosto de colaborar, tal como o Américo Rodrigues. Para aceder ao artigo, carregue na imagem seguinte ou no endereço: https://www.farodevigo.es/estela/2025/10/25/as-da-raia-contrabando-galicia-123019046.html

«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal. Por Malena Alvarez. Jornal Faro de Vigo, 25 OCT 2025 18:33

Folk-Rock Chinês

Em casa a ver mar, apetece sonhar. Ousar, como os antigos navegantes, ir além do Cabo da Boa Esperança rumo às longínquas terras do Extremo Oriente. Não por causa das especiarias, mas pelo pouco conhecido folk-rock chinês. Por exemplo, descobrir quatro canções da banda Wu Tiao Ren / 五条人.

Imagem: Xian’e Changchun Album. 1722-1735

Wu Tiao Ren é uma banda de Haifeng, Guangdong. Eles cantam no dialeto local de Haifeng desde 2003. As letras de suas músicas são principalmente sobre episódios de suas vidas nesta cidade, com os quais estão familiarizados, ou histórias ou sentimentos que gostariam de compartilhar. Eles retratam sua vida de forma surpreendente em melodias suaves e na língua nativa. Além do som, pode-se encontrar sua sátira aos tempos modernos (…) Ao ouvir o som de seus violões e acordeões (às vezes gaitas ou harpas), é possível sentir a brisa soprando desta pequena cidade litorânea, trazendo sussurros incompreensíveis do oceano. (…) A vida e a música de Wu Tiao Ren são sempre repletas de alegria. Eles são como dois pardais sempre prontos para bicar um pouco de arroz e depois voar de volta para o poste de arame. (https://www.last.fm/music/%E4%BA%94%E6%9D%A1%E4%BA%BA/+wiki)

Wu Tiao Ren – “Azhen se apaixonou por Aqiang”.  Dreamy Lisa Salon, 2016. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Doshan Boy”. County Town Chronicle, 2009. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Perseguir algo. Cinco Pessoas” / 有所追求. Dreamy Lisa Salon, 2016
 Wu Tiao Ren – “Salão de Cabeleireiro Dream Lisa” / 梦幻丽莎发廊. Dreamy Lisa Salon, 2016

Dançar no inferno

Desperdiço tanto tempo com as minhas páginas que pouco sobra para seguir as alheias. Habituei-me, todavia, a espreitar dois blogues: o Azorean Torpor e o Peixinho de Prata , ambos criativos, bem escritos e com bom gosto musical.

Peixinho de Prata apresenta no último artigo a canção “Papaoutai”, do belga Stromae. Espicaçõu-me a curiosidade. No que respeita às interpretações ao vivo, o YouTube avançou com o concerto filmado no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015. Espetacular! Lembrou-me o Jacques Brel, na dicção, na inteligência da letra e na força da energia, estática em Brel, dinâmica em Stromae.

Stromae – Papaooutai. Racine Carrée. 2013. Via Peixinho de Prata

Para aceder à canção “Papaoutai“, carregar na imagem precedente. Acrescento o vídeo oficial de “L’Enfer” e dois excertos do concerto de Montreal: “Alors on danse” e “Ave cesaria” [homenagem a Cesária Évora].

Stromae – L’enfer. Multitude, 2022
Stromae – Alors on danse. Cheese, 2010. Ao vivo no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015
Stromae – Ave cesaria. Racine Carré, 2013. Ao vivo no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015

Frustrações e alívios

O triunfo da Internet comporta alguma desilusão e inquietação. Se o anúncio El Camino , da Fundación Contradicción chilena, alerta para a propagação dos jogos online e consequente ludomania, o anúncio “Social Off Socials”, da Heineken, prime uma tecla demasiado batida: os riscos de isolamento e solidão associados ao (sobre)envolvimento nas redes sociais, aproveitando para realçar a importância dos redutos de socialização presencial, tais como os bares.

A Internet não tem só inconvenientes. Graças a ela, saltamos, num ápice, do Chile para a Índia, e da Índia para a Itália. Mas sem bilhete da sorte para uma viagem afortunada (Lucky Yatra). Quem saltita e se dispersa multiplica e diversifica pontes e fontes.

Marca: Heineken. Título: Social Off Socials. Agência: LePub Milan. Direção: Bradley & Pablo. Itália, abril 2025