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A democracia avançada

Jan_Miense_Molenaer. Family making music. 1630.

“Dois estilos que correspondem a duas concepções da vida claramente opostas: o estilo clássico, todo economia e razão, estilo das “formas que pesam”, e o barroco, todo música e paixão, grande agitador das formas “que voam” (Eugene d’Ors, Du Baroque, 1935).

Cumpre-me preencher formulário após formulário em plataformas electrónicas como se essa fosse a minha razão de existir. Costumo acompanhar esta penitência com música barroca. Espiraliza a quadratura.

A par do plástico, vigora a epidemia das regras e dos formulários. Mesquinha, quando não estúpida. Campos, campos e mais campos, para o rebanho apascentar. Neste mundo pós-novo, não há vontade, nem iniciativa, que não careça autorização. Autorização, autorização e mais autorização. Obrigados a preencher cinco vezes o mesmo formulário para a mesma entidade, que razão nos assiste? A razão reiterativa, com a repetição do ruído a proporcionar uma erosão do eu. Sinais de uma democracia avançada.

Garantem os sábios que os laços estão a afrouxar. Eu vejo-os a tolher os impulsos e a depenar as asas. Cada época tem as suas palavras mestras; “autorização” é palavra emblemática do nosso tempo. Existem, evidentemente, plataformas que permitem a criatividade, que não resumem as pessoas a coisas timbradas. A técnica sempre foi ambivalente. Há técnicas que nos disciplinam e técnicas que nos libertam. Mas essa é outra história.

A música barroca é um antídoto do classicismo digital, das “formas que pesam”. Além de Bach, Vivaldi ou Haendel, existem compositores barrocos que não desmerecem. Por exemplo, Giuseppi Torelli (1658-1709). Vale a pena ouvir até ao fim.

Giuseppe Torelli. Concerti grossi con una pastorale per il Santissimo Natale, Concerto A Quattro Op. 8, Nº 6 (1709).Performed by Il Giardino Armonico.

A era dos videojogos

The Elder Scrolls V. Skyrim. The Dragonborne Comes. 2011.

Não posso afirmar que nada do que é imaginário me é estranho. Por exemplo, o mundo fantástico dos videojogos. O último videojogo que joguei foi o Descent (1996). Há mais de vinte anos. Esfrangalhava-me os nervos. Os videojogos constituem um mundo em franca expansão. O rendimento da indústria dos videojogos ultrapassa o rendimento conjunto das indústrias do cinema e da música (ver gráfico: consultar, também, https://metro.co.uk/2019/01/03/video-games-now-popular-music-movies-combined-8304980/?fbclid=IwAR3g-FMe4tOEZBpZQZAS_7ljb0-0IDUDBNVBHQstg3dxTeI-db6fo_8fzWE).

Gráfico: Volume de negócios das indústrias de música, cinema e videojogos.

Os videojogos configuram um “fenómeno total”. Para Marcel Mauss, um fenónemo social total é aquele que convoca toda a sociedade. Os videojogos convocam todas as artes: música, dança, cinema, pintura, escultura, literatura, coreografia, teatro, desporto, concursos, eventos… Existe, por exemplo, música nos videojogos, para os videojogos, inspirada nos videojogos e no palco dos eventos de videojogos. Tudo inspira e tudo integra o mundo dos videojogos. Muitas pessoas passam mais tempo a fantasiar no mundo virtual do que despertas no mundo real.

Confesso que, como sociólogo, me acontece estudar mais a sociologia do que a sociedade: autores, obras, técnicas, redes, correntes, polémicas, conceitos, congressos, referências, estado da arte… Uma espécie de autofagia, de “pecado infantil” (Lenine). Em criança, inventava “provérbios”: Um belo lagarto encarou com a cauda; começou a andar à roda; andou, andou, andou, até que abocanhou a cauda; mordeu, mordeu, mordeu; ficaram-lhe os dentes. A sociologia não corre este risco: tem um património tão vasto que, a meio, perdia os dentes. A propósito dos videojogos, vale-me o meu rapaz mais novo. Mostrou-me duas interpretações de Sabina Zweiacker respeitantes a músicas dos videojogos The Elder Scrolls V (2011) e Bloodborne (2015). Memorável.

Fernando Gonçalves e Albertino Gonçalves

Sabina Zweiacker. The Elder Scrolls V: Skyrim – The Dragonborn Comes. Game music with the Swedish Radio Symphony Orchestra. 2016.
Sabina Zweiacker. Bloodborne – Suite. Game music with the Swedish Radio Symphony Orchestra. 2016.

Amor à distância

John Lewis. The man on the moon. 2015.

“A solidão desola-me; a companhia oprime-me” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

Inserido no artigo O Homem na Lua (https://tendimag.com/2015/11/07/o-homem-na-lua/), o anúncio Man on the Moon, da John Lewis, foi varrido por ventos adversos. Nada como recolocar o anúncio.

Marca: John Lewis. Título: Man on the Moon. Agência: Adam & Eve DDB (London). Reino Unido, Novembro 2015.

The Economist/KFF findings add to a wave of recent research showing high levels of loneliness. A recent Cigna survey revealed that nearly half of Americans always or sometimes feel alone (46%) or left out (47%). Fully 54% said they always or sometimes feel that no one knows them well. Loneliness isn’t just a U.S. phenomenon. In a nationwide survey released in October from the BBC, a third of Britons said that they often or very often feel lonely. Nearly half of Britons over 65 consider the television or a pet their main source of company. In Japan, there are more than half a million people under 40 who haven’t left their house or interacted with anyone for at least six months. In Canada, the share of solo households is now 28%. Across the European Union, it’s 34% (Millenials And The Loneliness Epidemic, Forbes: https://www.forbes.com/sites/neilhowe/2019/05/03/millennials-and-the-loneliness-epidemic/#77e649ac7676

A solidão remete para a ausência de laços sociais. Émile Durkheim assume-o no ensaio sobre o suicídio (1897). Dizer ausência é pouco. Para haver solidão, não é necessário que os laços se quebrem, basta que afrouxem. Como sublinha Zygmunt Bauman (Liquid Love, 2003), a modernidade é caracterizada pelo afrouxamento dos laços sociais. Para além de laços sociais frouxos, existem laços sociais incómodos ou deteriorados, que convém controlar. A arte social é fértil neste tipo de comportamento: por exemplo, convidar sem nunca concretizar. Vivemos rodeados por dispositivos contra a intrusão, que lembram escudos sociais.

A profusão de laços sociais não obsta à solidão. Num lar de idosos, a exposição ao outro é máxima, mas a solidão predomina. Que os laços sociais se quebrem é natural. Que os laços sociais se afrouxem faz parte da nossa modernidade líquida. Que os laços sociais sejam indesejados é um novo problema, um problema que envolve a confiança.

A nossa veia estruturalista induz-nos a focar as redes e os laços. Mas as redes e os laços não são a única realidade que comove o homem. Subsistem minudências, porventura, fortuitas, que fazem dançar a vida. Aquém e além, ocorrem pequenos milagres e pequenas epifanias que nos despertam e nos abraçam. O anúncio opera uma dupla magia: a relação à distância entre a menina e o homem na lua e a relação empática com o público. Uma centelha de amor que passa pelo ecrã. Uma palpitação electrónica.

Telemóvel: O mundo na mão

World of Distraction Nissan Rogue. 2019

Os meus artigos mais lidos não são nem os mais bem escritos nem aqueles que têm conteúdo mais interessante; os meus artigos mais lidos são aqueles que têm um título mais apelativo e são publicados à hora, no dia e no canal certos.

Todas as sociedades cultivam as suas ameaças. Receios reais ou imaginários. Os judeus, no reinado de Don Manuel e no triunfo totalitário de Hitler. Os revisionistas, na era Estaline, e os comunistas, durante o Macarthismo. Hoje, as ameaças tendem a associar-se mais a objectos, eventualmente, técnicos. No pós-guerra, a bomba atómica era o quinto cavaleiro de Apocalipse. Nos anos sessenta, os cabos de mar perseguiam os biquínis nas praias. A televisão era a mãe de todas as alienações; o maço do tabaco, um caixão funesto em vala comum; a Internet, uma aranha pérfida à escala global; e, agora, os telemóveis, um malefício portátil generalizado.

Quino. Ni arte ni parte. Lumen.1982.

Face aos riscos dos telemóveis, existe a convicção de que urge fazer tudo e a sensação de que nada há a fazer. Situação propícia à inutilidade histérica do Estado. Por generalização abusiva, todo cidadão é um caso particular do geral. Esboce-se um “exemplo teórico”: Fulano faleceu ao engolir um telemóvel (notícia de primeira página); conclusão: todos somos passíveis de engolir um telemóvel (prognóstico); contra-ordenação preventiva: falar com o telemóvel a menos de um metro da boca é passível de multa; campanha: o telemóvel é um comestível fatal, mantenha-o longe do tubo digestivo.

Na época balnear, pior do que o telemóvel, só o peixe-aranha. Se for ao mar, vá e volte, mas sem telemóvel: pode electrocutar os caranguejos. Estou a brincar, mas a coisa manifesta-se séria; é, literalmente, a primeira vez que “temos o mundo na mão”!

“Canta, canta, amigo canta
Vem cantar a nossa canção
Tu sozinho não és nada
Juntos temos o mundo na mão!!!”
(António Macedo. Canta, amigo canta. 1974)

Em suma, se quer sobreviver à décima primeira praga, a praga dos teleles, conduza um Nissan Rogue, com música de Conan Osíris (Telemóveis, 2019). Afigura-se-me, contudo, que a praga dos telemóveis se pauta por um medo irónico. Menos drama, menos tragédia, menos profecia; mais humor, ambivalência, reflexividade e abertura dialógica.

Marca: Nissan Rogue. Título: World of Distraction. TBWAChiatDay (New York). Direcção: Tom Kuntz. Estados Unidos, Julho 2019.
Conan Osíris. Telemóveis (Lyric Video). Festival da Canção 2019.

SAD. Solidão Acompanhada à Distância.

A solidão é uma realidade em crescimento. Um inquérito realizado em França, no ano de 2014, revela o alcance e as formas da solidão no País (https://www.lemonde.fr/societe/article/2014/07/07/la-solitude-progresse-en-france_4452108_3224.html). A economia da solidão expande-se e diversifica-se, bem como as soluções propostas. O anúncio Be Together More, da Amazon, é um exemplo. Aposta na companhia à distância.

Marca: Amazon. Título: Be Together More. Internacional, 2018.

O insulto nas caixas de comentários dos jornais

Público. Bartoon. 04 de Junho de 2019

No Público de ontem, 03/06/2019, vem uma entrevista, de duas páginas inteiras, com o meu rapaz mais velho acerca das caixas de comentários dos jornais. A entrevista inspira o bartoon da edição do Público de hoje (ver imagem). Há um tempo, o meu rapaz mais velho tinha uma iniciativa e eu pensava com os meus botões: tal e qual o pai. Hoje, o meu rapaz mais velho continua a tomar iniciativas e eu penso com os meus botões: nunca serei como ele. Com o mesmo orgulho.

A passo de caracol: 800 000 visualizações.

Herri (met de) Bles (atribuído a). Detalhe do Inferno. 1595. Palácio Ducal. Veneza.

O blogue Tendências do Imaginário é um caracol sem asas. Sem institucionalização, publicidade, tribalismo ou alavanca, avança devagar colado ao chão. Acaba de ultrapassar as 800 000 visualizações. Com 302 artigos publicados e 141 243 visualizações no ano 2018. Sobressaem três países: Brasil, Portugal e Estados Unidos (ver gráfico 1). O gráfico 2 apresenta os dez artigos mais consultados em 2018. Obrigado, pela visita!

A caminho do céu

Apple. Flight. 2019

“Sim, se alguém procura o infinito, basta fechar os olhos!” (Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, 1983).

A liquidez, a fragmentação e a hibridez caracterizam, pelos vistos, o homem contemporâneo. E a leveza? O Tendências do Imaginário dedica-lhe acima de uma trintena de artigos (ver A Civilização da Leveza: https://tendimag.com/2015/05/02/a-civilizacao-da-leveza/). O anúncio Flight, bem concebido e bem realizado, tem a marca Apple. A dança da campeã mundial de Indoor Skydiving, Inka Tiitto, lembra as levitações turbulentas das figuras negras de Goya (Leveza e turbulência na pintura de Goya: https://tendimag.com/2017/07/25/leveza-e-turbulencia-na-pintura-de-goya-2/). Uma passagem pelo céu, com ascensão, pico e queda, de um anjo sem asas, mas com relógio. Recordo, sobretudo, o anúncio Marry Me, da Siemens (2006). Apesar da qualidade do vídeo, não resisto a republicá-lo. As associações de ideias têm os seus mistérios.

Marca: Apple. Título: Flight. Direcção: Jonathan Glazer. Estados Unidos, Fevereiro 2019.
Marca: Siemens. Título: Marry me. 2006.

Pauzinhos

Descarga de uma carraca portuguesa. Pannels attributed to Kano Naizen, 1570-1616 (detail)

Descarga de uma embarcação portuguesa. Biombos atribuídos a Kano Naizen, 1570-1616 (detail). Museu Nacional de Arte Antiga.

Na semana passada eclodiu um imbróglio internáutico. Um anúncio e um desfile da Dolce & Gabbana foram boicotados. Um excerto de uma notícia do Público Online narra os acontecimentos. Cinjo-me a acrescentar alguns apontamentos.

  • O sentido de humor parece não ser universal. Se quiser fazer humor, assegure-se que domina a arte. Existem cordas muito sensíveis em que convém não tocar, a não ser com luvas de seda estilizadas. Na actualidade, duas dessas cordas são o sexismo e o racismo.
  • A Internet é um espaço de poder, um lugar onde pontificam vontades hierarquizadas. Apesar de a Internet ser imaterial, há pessoas que pesam mais do que outras. Por exemplo, a indignação das celebridades Zhang Ziyi, Li Bingbing e Wang junkai surte tanto efeito que até é notícia mundial. A universalidade e a igualdade da Internet são um logro.
  • É possível retirar, de um momento para o outro e à escala global, conteúdos da Internet. Revela-se, deste modo, difícil aceder aos anúncios boicotados. Precise-se que o cidadão comum não tem quase nada de seu na Internet. Num ápice, podem desaparecer-lhe conteúdos, por exemplo, do seu blogue ou das suas páginas nas redes sociais.
  • Os responsáveis pela marca italiana pediram desculpa à China. Intrometeu-se uma mensagem polémica de Stefano Gabbana que este garante ser falsa. Alguém teria pirateado a sua conta de Instagram. Verdade ou mentira, que alguém aceda a uma conta e fale em nosso nome é um risco real. Esta situação é mais complexa do que o boato tradicional. Os procedimentos de partilha e adulteração do boato são conhecidos (ver Edgar Morin, La rumeur de Orléans, 1969). Contudo, neles não consta esta usurpação ou este aluguer da identidade alheia. Daqui se depreende que a Internet pode ser uma árvore de enganos e um jogo de máscaras.
  • As proibições e os boicotes a anúncios podem resultar numa espécie de maná para as marcas. No caso do anúncio da Dolce & Gabbana, duvido. Notoriedade, já a conquistou. Falta saber o que acontece à imagem.

Os anúncios boicotados da Dolce & Gabbana, com uma chinesa a comer comida italiana com pauzinhos, são difíceis de encontrar. Foram sistematicamente “apagados”. Encontrei uma cópia que passo a colocar. Não sei por quanto tempo.

Dolce & Gabbana. Anúncios a um desfile em Shangai. Novembro 2018.

Notícia no Público Online:

“Dolce & Gabbana cancela desfile em Shanghai por causa de um anúncio que envolve pauzinhos

A Dolce & Gabbana cancelou nesta quarta-feira um desfile de moda nem Shanghai, depois de uma polémica online em torno de um dos seus anúncios. Em causa está um anúncio onde uma mulher chinesa luta para conseguir comer pizza ou esparguete com pauzinhos. Os chineses não gostaram.

A controvérsia foi o tópico número um na plataforma Weibo, com mais de 120 milhões de leituras, já que celebridades, incluindo Zhang Ziyi, estrela de cinema de Memórias de uma Geisha, publicaram comentários críticos à marca. Celebridades, como a actriz Li Bingbing e a cantora Wang Junkai, disseram que boicotariam o desfile da marca italiana.

Alguns dos que viram os anúncios, ao todo são três, ficaram incomodados com o que consideram o tom paternalista do narrador, oferecendo lições sobre como comer com pauzinhos. Além disso, uma alegada troca de mensagens de Stefano Gabbana surgiu nas redes sociais que viriam a confirmar que o designer é racista. Este veio desmentir na sua conta de Instagram.

“Lamentamos o impacto e o prejuízo que essas observações falsas tiveram sobre a China e o povo chinês”, disse a marca de moda de luxo italiana, num pedido de desculpas online em chinês no Weibo, acrescentando que a conta do Instagram de Gabbana foi pirateada”.

(Público Online. https://www.publico.pt/2018/11/21/culto/noticia/dolce-gabbana-cancela-desfile-shanghai-criticas-anuncio-envolve-pauzinhos-1851859 (Reuters  21/11/2018). Acedido02/12/2018)

À maneira de Diógenes. Os sopradores de lâmpadas.

Estátua de Diogenes

Estátua de Diógenes.

O anúncio Indestructible, da Organisation Internationale de la Francophonie , é optimista. A ideia, por mais que a castiguem, nunca se apaga. Sou menos optimista. As ideias, as boas ideias, não têm a vida fácil. Como os cavalos, também se abatem. Inclino-me para um optimismo moderado: uma ideia bem pensada, embora abafada no presente, voltará a ser pensada no futuro.

A autoria e a propriedade intelectual fazem parte da retórica da Internet. No início de Outubro, milhares de artigos foram removidos da minha página do Facebook acusando-a de spam, a “coisa” (1982), de John Carpenter, na Internet. Assegurei que não havia spam; pediram-me para aguardar. Até agora, nenhuma mensagem. Será esta a versão digital do diálogo? Entretanto, a autoria e a propriedade intelectual dormem nas urtigas. Este processo é semelhante a um auto da fé.

Não consigo colocar links do Tendências do Imaginário na minha página do Facebook. Nem eu nem ninguém. Uma mensagem automática alerta que o site Tendências do Imaginário é perigoso. O Tendências do Imaginário não é nenhum Moriarty. Contém, é verdade, pensamentos críticos e, eventualmente, polémicos. É um blogue incómodo. É a sua vocação. Com os pés em Braga e a cabeça no mundo, não poupa nenhuma instituição, grande ou pequena, branca ou preta. O Tendências do Imaginário preza o comentário desinibido, apanágio de um pensador livre. O boicote à partilha configura uma censura.

À medida que o Tendências do Imaginário crescia, cresceu o meu receio por este tipo de percalços. Passo muitas horas no computador, mas não vejo o mundo pelo ecrã.

Termino com uma história de Diógenes. Quando alguém lhe lembrou que o povo de Sinopse o condenara ao exílio, ele retorquiu: “E eu condenei-os a permanecer em casa”.

Marca: Organisation Internationale de la Francophonie. Agência : TBWA Paris. Direcção : Vincent Gibaud. França, Outubro 2018.