Estamos em vias de celebrar o nascimento do Menino e acabam de cair no sapatinho quatro anúncios que se querem de consciencialização:
Ameaçam-nos ambientes, presépios, de desorientação (Vodafone);
Os amigos imaginários existem e são, porventura, benéficos (Disney);
Mas a presença dos pais é insubstituível (Ikea);
E ter um irmão pode fazer a diferença (Waitrose).
Anunciante: Vodafone. Título: The Open Line. Agência: The Elephant Room. Direção: David Stoddart. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: Disney. Título. Best Christmas Ever. Agência: adam&eveDDB/London. Direção: Taika Waititi. Reino Unido, novembro 2025
Anunciante: IKEA. Título: Esta navidad, el mejor regalo es estar presente. Agência: McCann (Madrid). Direção: Alauda Ruiz de Azua. Espanha, novembro 2025
Anunciante: Waitrose. Título: The Perfect Gift. Agência: Wonderhood Studios/London. Direção: Molly Manners. Reino Unido, novembro 2025
O jornal galego Faro de Vigo publica hoje, 25 de outubro de 2025, a reportagem “«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal”, da autoria de Malena Álvarez. O artigo focaliza-se em particular no concelho de Melgaço. Contém testemunhos de várias mulheres que intervieram no contrabando. Tive o gosto de colaborar, tal como o Américo Rodrigues. Para aceder ao artigo, carregue na imagem seguinte ou no endereço: https://www.farodevigo.es/estela/2025/10/25/as-da-raia-contrabando-galicia-123019046.html
«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal. Por Malena Alvarez. Jornal Faro de Vigo, 25 OCT 2025 18:33
Em casa a ver mar, apetece sonhar. Ousar, como os antigos navegantes, ir além do Cabo da Boa Esperança rumo às longínquas terras do Extremo Oriente. Não por causa das especiarias, mas pelo pouco conhecido folk-rock chinês. Por exemplo, descobrir quatro canções da banda Wu Tiao Ren / 五条人.
Imagem: Xian’e Changchun Album. 1722-1735
Wu Tiao Ren é uma banda de Haifeng, Guangdong. Eles cantam no dialeto local de Haifeng desde 2003. As letras de suas músicas são principalmente sobre episódios de suas vidas nesta cidade, com os quais estão familiarizados, ou histórias ou sentimentos que gostariam de compartilhar. Eles retratam sua vida de forma surpreendente em melodias suaves e na língua nativa. Além do som, pode-se encontrar sua sátira aos tempos modernos (…) Ao ouvir o som de seus violões e acordeões (às vezes gaitas ou harpas), é possível sentir a brisa soprando desta pequena cidade litorânea, trazendo sussurros incompreensíveis do oceano. (…) A vida e a música de Wu Tiao Ren são sempre repletas de alegria. Eles são como dois pardais sempre prontos para bicar um pouco de arroz e depois voar de volta para o poste de arame. (https://www.last.fm/music/%E4%BA%94%E6%9D%A1%E4%BA%BA/+wiki)
Wu Tiao Ren – “Azhen se apaixonou por Aqiang”. Dreamy Lisa Salon, 2016. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Doshan Boy”. County Town Chronicle, 2009. Ao vivo na 2ª temporada do programa The Big Band 乐队的夏天2, 2020
Wu Tiao Ren – “Perseguir algo. Cinco Pessoas” / 有所追求. Dreamy Lisa Salon, 2016
Wu Tiao Ren – “Salão de Cabeleireiro Dream Lisa” / 梦幻丽莎发廊. Dreamy Lisa Salon, 2016
Desperdiço tanto tempo com as minhas páginas que pouco sobra para seguir as alheias. Habituei-me, todavia, a espreitar dois blogues: o Azorean Torpor e o Peixinho de Prata , ambos criativos, bem escritos e com bom gosto musical.
Peixinho de Prata apresenta no último artigo a canção “Papaoutai”, do belga Stromae. Espicaçõu-me a curiosidade. No que respeita às interpretações ao vivo, o YouTube avançou com o concerto filmado no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015. Espetacular! Lembrou-me o Jacques Brel, na dicção, na inteligência da letra e na força da energia, estática em Brel, dinâmica em Stromae.
Stromae – Papaooutai. Racine Carrée. 2013. Via Peixinho de Prata
Para aceder à canção “Papaoutai“, carregar na imagem precedente. Acrescento o vídeo oficial de “L’Enfer” e dois excertos do concerto de Montreal: “Alors on danse” e “Ave cesaria” [homenagem a Cesária Évora].
Stromae – L’enfer. Multitude, 2022
Stromae – Alors on danse. Cheese, 2010. Ao vivo no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015
Stromae – Ave cesaria. Racine Carré, 2013. Ao vivo no Bell Center de Montreal, em setembro de 2015
O triunfo da Internet comporta alguma desilusão e inquietação. Se o anúncio El Camino , da Fundación Contradicción chilena, alerta para a propagação dos jogos online e consequente ludomania, o anúncio “Social Off Socials”, da Heineken, prime uma tecla demasiado batida: os riscos de isolamento e solidão associados ao (sobre)envolvimento nas redes sociais, aproveitando para realçar a importância dos redutos de socialização presencial, tais como os bares.
A Internet não tem só inconvenientes. Graças a ela, saltamos, num ápice, do Chile para a Índia, e da Índia para a Itália. Mas sem bilhete da sorte para uma viagem afortunada (Lucky Yatra). Quem saltita e se dispersa multiplica e diversifica pontes e fontes.
Marca: Heineken. Título: Social Off Socials. Agência: LePub Milan. Direção: Bradley & Pablo. Itália, abril 2025
Algumas fealdades são mais atraentes do que a beleza comum (Juliette Benzoni).
Testar um sentimento não é namoro que se evapore num ápice. Arrisca agudizar-se ou alastrar-se. A disforia das fragâncias do inferno de Sharon Kovacs pode ressoar, por exemplo, no videojogo Death Stranding, uma deambulação entre a vida e a morte num mundo catastrófico, com forças ocultas, ameaças assombrosas e seres disformes, embalado numa estética épica do feio e do mal, apostada em ambientes deslumbrantes e músicas envolventes.
A estreia do videojogo Death Stranding 2: On the Beach está anunciada para o próximo mês de junho. Segue um trailer.
Death Stranding 2: On the Beach – Pre-Order Trailer | PS5 Games. Colocado em 9 de março de 2025.
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Sim, há seres disformes, ameaças assombrosas, mas estas novas gerações o que esperam do mundo afinal? Creio serem metáforas de tudo o que vivemos e do que receamos. É recriado um mundo apocalíptico, mas onde ainda peŕsiste o bem e o mal. Nem as asas são dispensadas, as brancas e as negras. E sobretudo, o amor tem o seu lugar incondicional, com novos heróis e heroínas a combater o mal. Ou o combatem ou são aniquilados. Tudo, pareceu-me, para salvar uma inocência renascida, o bebé protegido a todo o custo, ou seja, o fruto do amor e da vida. Um recomeço. Não sou fã deste tipo de alegorias mas entendo a necessidade destes novos jovens que, na sua maioria, só vêem desalento, incertezas, guerras e genocídios aceites tacitamente, solidão e não pertença, o horizonte não é mais o mesmo. Necessitam cruzar portas imaginárias onde conseguem ver beleza, amor e uma verdadeira luta, não com o invisível das suas vidas, mas monstros e morte personificadas. Porque a vida só tem sentido encarando toda a obscuridade dos demónios, os de dentro e os de fora, e a morte só é vencida quando a vida faz sentido. Faz sentido? (Almerinda Van Der Giezen, 22.03.2025)
Nas pinturas que Jacopo [Pontormo] tinha até então executado na capela, quase parecia ter regressado ao seu estilo inicial, mas não o fez na pintura do retábulo, que, a pensar em novas ideias, concluiu sem sombras e com uma coloração tão clara e harmoniosa que dificilmente se consegue distinguir a luz do que está parcialmente sombreado e o que está parcialmente sombreado das sombras. Esta pintura em painel contém um Cristo Morto deposto da cruz para ser conduzido para o túmulo; no quadro, Nossa Senhora desfalece, na presença das duas Marias, que são concebidas de uma forma tão diferente das primeiras que pintou que se vê claramente como este génio sempre investigou novos conceitos e formas extravagantes de trabalhar, nunca ficando satisfeito com nenhum. Em suma, a composição deste painel é completamente diferente das figuras da abóbada, e também a coloração (…) Na parede com a janela, estão duas figuras em afresco, ou seja, de um lado a Virgem e do outro o anjo que faz a anunciação, mas ambas estão torcidas ao jeito (…) da fantasia bizarra deste génio que nunca se contentava com nada suscetível de ser reconhecido. E para conseguir fazer as coisas à sua maneira, sem ser incomodado, nunca aceitou que ninguém, nem o próprio patrono, visse a obra enquanto a estava a pintar. E tendo-a, assim, pintado à sua maneira, sem que nenhum dos seus amigos lhe pudesse apontar nada, foi finalmente exposta e vista com espanto por toda Florença (Giorgio Vasari. “Jacopo da Pontormo”, The Lives of the Artists (1ª ed. 1550). New York. Oxford University Press. 1991. pp. 408-409).
O maneirismo, menosprezado durante séculos, resulta pouco conhecido. Trata-se, porém, de um dos estilos mais inovadores e ousados da história da arte. Sendo raras as publicações que lhe são consagradas, o vídeo Maniera – A Arte do Artista, uma amostra anotada de obras, representa um contributo, contanto modesto. O fundo musical é composto por folias, tipo de dança de origem portuguesa em voga no século XVI).
Acompanham o vídeo um apontamento, para contextualização, e uma galeria com uma seleção de imagens, para melhor visualização e eventual descarga.
Maniera: A Arte do Artista, por Albertino Gonçalves, julho de 2023
Faltou à conversa “Os Antepassados do Surrealismo: o Maneirismo” (Braga, 27 de maio de 2023) uma apresentação genérica dedicada ao maneirismo, correspondente à que foi projetada para o surrealismo. Segue uma espécie de justificação autocrítica escrita no dia seguinte.
Ontem teve lugar a conversa “Antepassados do Surrealismo: o maneirismo”. Estavam previstos 60 minutos, durou 2 horas. Mais do que riqueza, este prolongamento revelou impreparação. Se tivesse ensaiado antes, teria cortado algumas partes e abreviado outras. A justeza, a fluidez e a naturalidade constroem-se, treinam-se e testam-se.
O que aconteceu? Uma notícia intempestiva corroeu a motivação: os jogos do F.C. Porto e do S.L. Benfica, em que se decidia o campeonato, foram remarcados coincidindo com a conversa. Manifesta-se difícil imaginar maior desvio de público. Este percalço irritou-me. É certo que a vida é feita de acidentes de percurso. Faltavam cinco dias e a divulgação já estava em curso. Sensível a contrariedades imponderadas, embirrei e bloqueei. Uma conversa não se justifica se não partilhar algo de original. Não é óbvio partilhar sem público. Acresce o combustível do prazer. Estavam em causa a partilha e o prazer.
Capaz de me entregar sem reservas a um desafio, também me desligo ao mínimo estorvo ou desagrado. A conversa ganhava naturalmente com uma seleção de imagens dedicada ao maneirismo em geral. Tarefa que pouco estimulante, releguei-a para o fim. Com o contratempo do futebol, se pouco me entusiasmava, deixou de o fazer. Amuei e passei a dispensar. Como pitada de indulgência, convenha-se que, atendendo à diversidade, complexidade e dificuldade de descodificação das obras maneiristas, uma mera projeção abreviada de uma dúzia de imagens arriscava revelar-se incipiente e, porventura, mais confusa do que esclarecedora. Quando o público acusou a falta dessa apresentação, a resposta foi imediata, desconcertante e honesta: talvez houvesse interesse, mas não vontade.
Em suma, procedi mal! Tanto a conversa como o público mereciam algumas horas de dedicação adicional. Nem sempre sou racional. Acontece-me ser improcedente, inconstante, caprichoso e casmurro. O público merecia, de facto, melhor. Apesar das circunstâncias adversas, marcou presença, resistindo à sereia da bola. Repito, merecia melhor, sobretudo menos quantidade e mais qualidade. Mas, pelos vistos, ainda queria mais!
Há males que vêm por bem! Atendendo à urgência, a apresentação a devido tempo sobre o maneirismo seria breve, pouco original e de pouco alcance, à semelhança, aliás, da dedicada ao surrealismo. Com um sentimento de culpa, acabei por encará-la como uma penitência; e o que era para despachar em cinco dias demorou quase quinze semanas. Creio que valeu a pena. Adiar pode compensar!
Pedro Costa, doutorado em Sociologia, investigador do CECS – Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, acaba de publicar o artigo A Inteligência Artificial e Seus Herdeiros no blogue Margens (https://tendimag.com/?p=55533). Um ensaio sobre a Inteligência Artificial, o Machine Learning e o futuro da criatividade, designadamente no que respeita à música. Pertinente, oportuno, bem escrito, fundamentado e criteriosamente ilustrado, trata-se de um texto raro, subtil e ousado. Aproveito para acrescentar quatro vídeos excelentes relativos a outras tantas músicas emblemáticas da relação entre o homem, a máquina e as emoções: The Robots (1978), dos Kraftwerk; Wellcome To The Machine (1975), dos Pink Floyd; All Is Full Of Love (1997), da Bjork; e How Does It Make You Feel (2001), dos Air.
Kraftwerk. The Robots. Die Mensch-Maschine. 1978. Ao vivo na Casa da Música (Porto), 20.04.2015
Pink Floyd. Wellcome To The Machine. Wish You Were Here. 1975 / Animação por Maxime Tiberghien, Sylvain Favre & Maxime Hacquard, 2019
Bjork. All Is Full Of Love. 1997. Vídeo musical realizado por Chris Cunningham, 1999
Air. How Does It Make You Feel. 10 000 Hz Legend. 2001
Em março de 2020, em plena pandemia e ensino à distância, sugeri alguns textos para iniciação à metodologia e aos métodos e técnicas de investigação em Sociologia (ver Aula imaterial 2. A arte da sociologia: https://tendimag.com/2020/03/19/aula-imaterial-2-a-arte-da-sociologia/). Entre estes, constava O método em Sociologia, de Jean-Claude Combessie, meu antigo professor na Sorbonne. Não indicava, porém, nenhum link para descarga. Nunca é tarde. Pode descarregar agora o original, La Méthode en Sociologie, no seguinte endereço: https://www.academia.edu/36245797/Jean_Claude_Combessie_La_methode_en_sociologie. Existe tradução em português pelas Edições Loyola.
As mulheres são discriminadas negativamente quando participam em videojogos partilhados? É provável. Assim o sugere o teste promovido pela associação Women in Games Argentina apresentado no anúncio Switch Voices.
“La acción constó de un experimento en el cual tres gamers profesionales jugaron con un modulador de voz femenino para vivir en primera persona lo que sienten las mujeres cada vez que intentan jugar. / En el mundo del gaming, las mujeres son víctimas de insultos, menosprecios y hasta complots para eliminarlas del juego. / Esto afecta a las jugadoras que quieren divertirse y principalmente a las que buscan profesionalizarse, porque en esas condiciones su rendimiento y sus posibilidades de ascender en los rankings se torna mucho más complicado. / Para generar conciencia sobre esto, BBDO Argentina y Women in Games Argentina realizaron un experimentó en el cual tres gamers profesionales jugaron con un modulador de voz femenino para vivir en primera persona lo que sienten las mujeres cada vez que intentan jugar. El resultado fue el esperado: los jugadores bajaron notablemente su promedio de victorias y declararon como “imposible” jugar bajo esas condiciones” (https://www.adlatina.com/publicidad/preestreno-switch-voices-bbdo-argentina-women-in-games-y-la-violencia-de-genero-en-el-gaming; consultado em 05.11.2022).
Anunciante: Women in Games Argentina. Título: Switch Voices. Agência: BBDO Argentina. Direção: Christian Rosli y Joaquín Campins. Argentina, novembro 2022