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Até os esqueletos dançam

William Blake – Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing, ca.1786. Tate Britain
Tendências do Imagináio, 27 de julho de 2020
Tendências do Imaginário, 16 de junho de 2019

Negro escuro. Goya

Acontece-me, embora raramente, produzir um ou outro artigo mais sério e encorpado. Afundo-me. É o caso de A cor do abismo, colocado em 20 de julho de 2017, e Um silêncio de morte: Goya, ambos dedicados a Francisco de Goya, artista que muito aprecio. Convém digeri-los sentado, de preferência, com bom audiovisual. Não forçosamente hoje, mas quando se proporcionar.

Imagem: Cartaz de Os fantasmas de Goya. De Miloš Forman, 2006

Males do Mundo

Supertramp – Crisis? What Crisis? 1975

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).

Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).

Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.

Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).

O Cabelo e o Violino. Pantene e Pachelbel

“Crysalis” é um belíssimo anúncio, ao nível áudio e vídeo, da Pantene, de 2009, com uma história à tailandesa, que culmina com o cânone de Pachelbel. Colocado no Tendências do Imaginário no longínquo dia 14 de julho de 2012, oferece uma boa oportunidade para começar o dia com uma pequena centelha no coração.

Imagem: Johann Pachelbel (1653-1706)

Des-graças

Francisco de Goya – Duelo a garrotazos, 1820 – 1823. Museu do Prado

Continuo pouco criativo. Nem sequer adianto um prefácio urgente. Entretenho-me a repescar “artigos do dia”, com dificuldade de amostragem. As flores do mal, de 2019, encerra um isco que me assombra: a ambivalência do mal. Adiciono, a preceito, a curta-metragem disfórica The Gloaming (14 minutos), extraída do artigo Descontrolo, de 2012.

The Gloaming. Curta-metragem dirigida por Nobrain e produzida por Autour de Minuit. França, 2010

Internet fatal

Orange. Together We Are Not Defenseless. Abril 2026

Acontece um vídeo produzido para fins publicitários ter duas versões: a adotada pela marca para o respetivo anúncio e a proposta pelo realizador (director’s cut). Normalmente, a segunda resulta mais extensa e interessante. Creio ser o caso de “Together We Are Not Defenseless”, que, a pretexto do Dia Internacional da Internet Segura, aborda a relação entre conteúdos online e saúde mental.

Incorporo em primeiro lugar o vídeo proposto pelo realizador de modo a salvaguardar o suspense e a surpresa do desfecho final.

Together We Are Not Defenseless (Director’s cut). Realizador: Dominik Ströhle. Produção: Stink Prague. Eslováquia, 2026
Orange – Together We Are Not Defenseless. Agência: MADE BY VACULIK. Produção: Stink Prague. Direção: Dominik Ströhle. Eslováquia, abril 2026

Felicidades. Condições e Momentos

A pretexto do Dia Internacional da Felicidade, 20 de março, a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, produziu o vídeo Felicidades: Condições e Momentos, uma compilação de textos, fotografias, curtas metragens, videoclips e anúncios produzidos ou escolhidos pelos alunos. Ao integrar a generalidade das propostas, resulta uma obra heterogénea. Não é de ninguém em particular, antes uma soma de iniciativas. Coube-me a coordenação e a montagem. Com a participação a ultrapassar as expetativas, o vídeo dura 1 hora e 4 minutos. É um gosto partilhá-lo.

Para visualizar o vídeo no YouTube, carregar na imagem seguinte ou aceder ao endereço https://www.youtube.com/watch?v=AVNGu2bk-ns

Felicidades Condições e momentos. Pela turma de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior do Município de Braga, 20.03.2026

Bosque de medíocres

Em bosque de medíocres, resulta difícil a qualidade vingar. Se existe algo de que os incapazes são capazes é secar, derrubar ou queimar qualquer árvore que se distinga.

“El Empleo” (o Emprego) – Curta-metragem de animação com direção de Santiago ‘Bou’ Grasso & Patricio Plaza. Fondo Nacional de la Artes. Argentina, 2008

Ratoeira

Sugerida por Teresa Carneiro, a curta metragem de animação “Happiness”, de Steve Cutts, é fabulosa (creio ser o adjetivo mais apropriado). Como escreve a Teresa, esta miragem de felicidade pode ser encarada como resultante de uma opção viciada: “A ‘Felicidade’ dos Ratinhos retrata a forma como a maioria dos seres humanos a tenta obter, de forma errada, a todo o custo e apenas conseguem viver uma vida sem sentido – o problema”.

Mas também pode exprimir um cenário ou uma situação limite do “mal-estar” incubado numa certa civilização (Sigmund Freud), mote, aliás, de muitos filmes de ficção científica (ver o vídeo “A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade – E Que A Sociedade Não Quer Que Você Saiba”, de Mente em Progresso, sugerido por Amélia Carmen Cardoso).

Happiness. Steve Cutts. No YouTube em 24.11.2017
A Verdade Que Freud Revelou Sobre a Felicidade. Mente em Progresso. Link: https://www.facebook.com/reel/726594233062212

A mão estendida como semente de felicidade

GiveInToGiving. Emirates NBD. Novembro 2018

Em Sociologia da Arte e do Imaginário, estamos a produzir um vídeo sobre a felicidade. As propostas e as iniciativas fusionam numa partilha que compensa. Como cita a aluna Teresa Carneiro, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Emanuel Lizarte).

A Cláudia Aponte sugeriu a curta metragem #GiveInToGiving. Unanimidade quanto ao interesse; divergência quanto à interpretação. O que altera a atitude, a abertura, do protagonista? O pedido da velhinha ou a ameaça de morte? Qual é o ponto de viragem: a mão que agarra o braço ou a que sai do bolso? Qual é causa eficiente e qual é causa coadjuvante (que apenas ajuda a eficiente)?

Será a consciência da morte? Retira a mão do bolso apenas perante a iminência de atropelamento. Será a consciência da carência alheia? Neste caso, a mensagem, rara, seduz: para além da oferta de ajuda, o pedido também pode ser semente de felicidade. O gesto da velhinha, a fonte; o risco, a circunstância…

Sobra, ainda, outra conclusão: ambos são causa; ponto final, parágrafo. Esta solução oferece-se como salomónica apenas em aparência: ao contrário do rei, não se toma posição.

Resta ponderar o comentário do próprio autor da curta metragem. Para que lado pende?

Ao celebrarmos o Dia Mundial da Bondade em 13 de novembro, vamos refletir sobre como podemos fazer a diferença. Vamos estender a mão a quem precisa de ajuda e nos voluntariar para causas que nos transformam para melhor, assim como transformam o mundo.
Conecte-se connosco hoje mesmo e comece! (Emirates NBD)

#GiveInToGiving. Emirates NBD. Colocado em 12.11.2018

Tudo o que é humano é de todos, por todos, com causa em todos. Também poderíamos perguntar: que circunstância(s) levou a que as mãos se escondessem nos bolsos? O que o leva a andar curvado e com pavor de tudo o que mexe no olhar? Quando a velhinha lhe pega no braço, o olhar fica em sobressalto, mas o corpo aceita. Ela já não é motivo para ter medo. A iminência da morte? Sim, claro. Dos dois. Ele não mexeu a mão em que a idosa se apoiava. Ela já era a extensão da humanidade. A agulha deixou que a linha se enfiasse. A partir daí, todos os pontos contam, mesmo para consertar rasgos, sem pudor. (Comentário de Almerinda Van Der Giezen, 13.02.2026)