Tag Archive | publicidade

Sexualidades

Magnum ceremony

Uma cerimónia esplendorosa! Com este balanço, todos os passos vão dar ao altar. A “surpresa” concede mais brilho ao caminho. A homossexualidade, ver o mundo LGBT, tornou-se tema destacado da publicidade actual. Depois da Diesel (https://tendimag.com/2017/02/21/um-buraco-no-muro/), da Nike (Vídeo 2), da SJ Swedish Railways (https://wordpress.com/post/tendimag.com/31215) ou da Coca-Cola (Vídeo 3), a Magnum sustenta a diversidade da sexualidade e do amor. Ao primeiro anúncio, podia-se pensar num capricho de uma grande marca; afinal, deve ser investimento. O tema vende junto dos públicos alvo!

Marca: Magnum. Título: Ceremony. Agência: LOLA MullenLowe. Direcção: Martin Werner. Espanha, Março 2017.

Marca: Nike. Título: We believe in the power of love. Direcção: Luca Finotti. Internacional, Feveiro 2017.

Marca: Coca-Cola. Título: Pool Boy. Agência: Santo (Buenos Aires). Argentina. Março 2017.

 

Expectativas estudantis

 

bem-vindos-a-fmu

Os estabelecimentos de ensino aderem cada vez mais à publicidade. Visam públicos, disponibilizam serviços e têm problemas. Em tempo de início de aulas, este anúncio brasileiro vem a talhe de foice. Dá que pensar. Não por falta mas por excesso de clareza. Transparência, diriam os bem-falantes. De que precisa um jovem? Da família? Da amizade? De lazer? Um jovem não precisa de lapsos, estorvos ou luxos. Quando muito um sopro de “romance”, a cenoura do anúncio. Do que um jovem precisa é de “alguém que se preocupe com o seu cérebro” e de “querer mais da vida. Mais, um pouco mais…”

Marca: FMU /FIAM-FAAM. Título: Mas antes. Agência: LDC. Direcção: Paulo Mancini e Lucas Fazzio. Brasil, Setembro 2016.

Pneus olímpicos / Futurismo

01. Bridgestone. Road to Rio. 2016.

01. Bridgestone. Road to Rio. 2016.

“Para ser o melhor do mundo, você precisa ser determinado, resistente, pronto para tudo. Você deve ser movido pela performance”.

O anúncio Built to perform, da Bridgestone, patrocinadora dos jogos olímpicos do Rio, parece demasiado moderno e demasiado clássico para não o ser. Os valores são materialistas (Ronald Inglehart, The Silent Revolution, 1977), performativos e reféns do futuro: ambição, determinação, resiliência, projecto, adaptação, dinamismo e rendimento. O episódio da natação no asfalto inscreve um detalhe grotesco numa arquitectura geométrica, em estrada demarcada com atletas alinhados. As raras “formas que voam” (Eugenio d’Ors, Du baroque, 1935) lembram gansos em migração. Reificados, os humanos engrandecem a marca Bridgestone, suporte da “verdadeira essência da alta performance”.

 “Estamos presentes em cada salto, largada e gota de suor. Bridgestone, Patrocinador Olímpico Mundial, tem orgulho em carregar a verdadeira essência da alta performance. Durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, a força de cada atleta estará presente também em todos nós”.

Marca: Bridgestone. Título: Road to Rio 2016. Burn to perform. Agência: Publicis Seattle. USA, Agosto 2016.

À luz da publicidade, a modernidade nunca cedeu a hegemonia. Antes pelo contrário, nos últimos anos, tem-se revigorado. A publicidade ainda é a melhor rosa-dos-ventos da cultura e do imaginário.

Os jogos olímpicos erguem-se como um empreendimento moderno criado no auge da modernidade. Os primeiros jogos olímpicos, da nova era, ocorreram na Grécia em 1896, três anos antes da inauguração da Torre Eiffel e da Exposição Universal de Paris.

12. Giacomo Balla. Sketch for the ballet by Igor Stravinsky Fireworks. 1915.

12. Giacomo Balla. Sketch for the ballet by Igor Stravinsky Fireworks. 1915.

A minha cabeça é um albergue espanhol. As ideias vêm e vão, eruptivas e descontínuas. Errantes e fragmentadas, entre saltos e desvios. Quem me dera uma cabeça cheia de “ideias claras e distintas” (René Descartes)! Mas não. “Cada louco tem uma teima”. A minha é conjugar ciência e beleza. No curso de licenciatura, tive professores que o conseguiram. Por exemplo, Raphael Pividal venceu o prémio Goncourt, o maior prémio literário de língua francesa. Hervé Fischer foi co-fundador da Arte Sociológica e da Cité des Arts et des Nouvelles Technologies de Montréal e foi contemplado, em 1998, com o Prix Léonard en Art, Science et Technologie (MIT-USA).

Que tem o futurismo a ver com o anúncio Built to perform? Proclamado em 1909, dez anos após a inauguração da Torre Eiffel, o futurismo aposta na luz, no movimento, na velocidade, na dinâmica e na energia… “Tudo se move, tudo corre, tudo gira” (Giacomo Balla, Manifesto Técnico da Pintura Futurista, 1910). Dedicado principalmente à pintura e à escultura, o movimento futurista também teve alguma influência na música. Por exemplo, George Antheil, compositor do Ballet Mécanique (1926). O próprio Igor Stravinsky se envolveu com os futuristas, nomeadamente com Giacomo Balla (ver o depoimento de Stravinsky: http://musicologynow.ams-net.org/2014/05/stravinsky-and-futurists.html). O quadro da figura 12, obra de Giacomo Balla, é dedicado à composição Fogo-de-artifício (1908) de Igor Stravinsky.

Acrescento a composição Fogo-de-artifício de Igor Stravinsky, bem como uma pequena galeria com pinturas de Giacomo Balla.

Igor Stravinsky. Fogo-de-artifício. 1908. Animação de Victor Craven.

Galeria com alguns quadros de Giacomo Balla.

 

 

Ouro sobre rodas

BMW GoldA publicidade, à semelhança da moda, conhece “variações sazonais”. Ora arrefece, ora se inflama; ora satura um tema, ora o abandona. Existem pontos críticos no calendário dos anúncios. Durante os jogos olímpicos, o mundial de futebol ou o Super Bowl, os investimentos e os consumos de publicidade atingem picos excepcionais. Tudo é concebido e programado até ao mais ínfimo pormenor. Atente-se na polémica em torno dos pedidos da NBC no sentido de alterar, nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, a sequência das nações e retardar os finais de natação (http://wp.clicrbs.com.br/brasilolimpico/2016/07/27/tv-norte-americana-quer-alterar-desfile-das-delegacoes-na-cerimonia-de-abertura-dos-jogos-rio-2016/?topo=52,1,/,,171,77). Nalguns casos, os temas condizem com o evento, como nos jogos olímpicos ou no futebol, noutros, como no Super Bowl, não há correspondência.

Esquematizemos: jogos olímpicos ou paralímpicos conjugam-se com competição; a superação, com performance; o culto da técnica, com o homem máquina; enfim, quando os tubarões são filantropos, toda a generosidade é pouca. Velocidade, perfeição, técnica, humanidade. “Ouro sobre rodas”. BMW.

Marca: BMW. Título: Built for gold. Agência: KBS. USA, Agosto 2016.

Desporto redentor

Caro Eduardo!

Cristo Redentor e Favela

Cristo Redentor e favela. Rio de Janeiro.

“A religião na publicidade” é um tema promissor. Desafia-nos a saber o que aprendemos. Sem âncoras, navegamos de revelação em revelação. Aspiramos à salvação e guiamo-nos pela fé. A publicidade promove revelação e salvação pela fé. No anúncio brasileiro Sport unites all, da XXL, cintila a chama da religião? O “chamamento”? Repito-me, mas não desgosto da repetição. Se tudo pode ser dito, pouco merece ser repetido.

Este anúncio abre num registo diabólico (de discórdia). Somos confrontados com uma provação (a carteira), um possível eleito (o menino) e uma separação (o menino, a polícia e o motociclista). No momento da epifania, Ronaldinho, motociclista e dono da carteira, dá-se a ver, revela-se. O ritmo do filme abranda e os rostos iluminam-se. A postura de Ronaldinho Gaúcho, de braços abertos, replica a imagem inicial do Cristo Rei. Não há acaso na boa publicidade. Ronaldinho aparece como salvador e unificador. O novo registo simbólico (de união) culmina com a celebração de um golo de futebol, comunhão de vencedores, na glória, e vencidos, no purgatório.

O anúncio não é nada disto. Mas os anúncios valem cada vez mais por aquilo que não são.

Como vês, há leituras sem sombra de proveito. Um abraço.

P.S. É possível que na publicidade seja menos importante o que lá está do que o que lá se encontra. Gosto do português!

Marca: XXL All Sports United. Título: Sport unites all. Direcção: Mans Marlind & Stein Bjorn. Brasil, Julho de 2016.

Discriminação

Desconversemos! Vejo, todos os dias, dezenas de anúncios publicitários. É um vício. A amostra não é representativa, mas dá para ensaiar conjecturas. Normalmente, os anúncios incidem sobre determinadas categorias sociais. Por exemplo, as mulheres, as crianças e os velhos.

GoALS

As mulheres destacam-se. Maior presença com tendência para discriminação positiva. Caracterizam-se, ainda, pela autodeterminação. São promovidas, muitas vezes, por associações, ONGs e comissões estatais vocacionadas para a defesa dos direitos da mulher. O anúncio #WhatIReallyReallyWant…, da Global Goals, é um exemplo.

As crianças também são um alvo importante da publicidade. Menos, porém, do que as mulheres. A discriminação é, frequentemente, ambivalente e a promoção, heterodeterminada, iniciativa de outras categorias sociais. O anúncio Meninos, da Avon, é elucidativo: as crianças são um meio para a discriminação positiva do sexo feminino. O enredo não é a idade, mas o género.

Os velhos, há escassas décadas, pouco surgiam nos anúncios publicitários. A sua presença tem, porém, aumentado significativamente.  À semelhança das crianças, a publicidade tende a ser heterodeterminada com discriminação ambivalente. Observe-se o anúncio Feel Young Again, da Centrum. Os velhos aparecem, mas o valor é a juventude.

Já agora, qual é categoria social muito publicitada com discriminação invariavelmente negativa?

Anunciante: The Global Goals. Título:  #WhatIReallyReallyWant… Produção: Moxie Pictures. Direcção: Mj Delanay. UK, Julho 2016.

Marca: Avon. Título: Meninos. Agência: Soho Square. Direcção: Edu Cama. Brasil, 2010.

Marca: Centrum. Feel Young Again. Produção: Plum productions. Direcção: Eric Heimbold. USA, 2008.

Guerras a brincar

Raul SolnadoEstamos mal de balas cá em Ranholas. Tanto que nas últimas manobras já tivemos que disparar com supositórios. Não, é que os supositórios além de não matar ainda curam por cima (Raul Solnado, Chamada para Washington, 1966).

No anúncio Trench, a guerra era, afinal, de faz de conta! E nós tão imersos a ouvir a morte nas trincheiras. A técnica ilude-nos, a nós, amadores de realidades técnicas.

Marca: Cinemex. Título: Trench. Agência: CDMX, Épica, Mexico. Direcção: Rodrigo Garcia. México, Junho 2016.

De guerras a brincar ocupou-se Raul Solnado. Recorde-se A Guerra de 1908 (1962) e É do Inimigo (1963). Segue Chamada para Washington (1966).

Raul Solnado. Chamada para Washington. 1966.

Que diria Kant?

Argentum“Há muito tempo que os museus deitam mão do marketing e da publicidade. E alguns, como a Tate Gallery of Liverpool, fazem-no com arte” (ver https://tendimag.com/2012/06/20/publicitar-arte/). Pois também há quem defenda que os anúncios publicitários podem ser arte (https://www.youtube.com/watch?v=B7F8L15gWPc). A publicidade, arte? Eis uma questão que ainda não saiu do adro. Alguns anúncios suscitam-me prazer, mormente estético. Olhar puro? Olhar bárbaro? Que diria o Kant? Entretanto, segue um mosaico de anúncios?

Argentu. Art of Advertisin. 2013. Amostra de excertos de anúncios.

 

A ameaça intestinal

Luís Alves da Costa. O Sétimo Selo. Malinconia.  Trombetas

Luís Alves da Costa. O Sétimo Selo. Malinconia. Trombetas. httpapocalipsedepatmos.blogspot.pt201206o-setimo-selo-malinconia.html

Sabe que vai morrer? A publicidade votada ao bem público aplica-se a lembrar-lho. Morre-se de acidente cardiovascular ou rodoviário, de insuficiência renal ou hepática, de doença pulmonar crónica, de cancro na próstata, na mama, na pele, nos ovários, no pâncreas… e nos intestinos. O cancro do cólon sobressai entre os mais mortíferos. O nosso corpo é tão perfeito que podemos morrer por qualquer órgão. Pela Páscoa, sentimo-nos pecadores. Com a publicidade de consciencialização, sabemos que somos mortais. Só o medo é que não morre.

Le quatrième Ange sonne de la trompette (Apocalypse VIII), enluminure du Beatus de l'Escorial, vers 950-955.

O quarto anjo toca a trombetqa (Apocalipse 8), iluminura do Beatus de l’Escorial, ca. 950-955.

Neste anúncio da Felix Burda Foundation, um coro de crianças revela-se, de um modo tétrico, profeta da desgraça. Deve ser uma variante de angelismo apocalíptico. Soa estranho a palavra morte na boca de uma criança. Também soa estranha a devastação do mundo pelos sete anjos trombeteiros (Apocalipse 8). E se, em vez de sete anjos, tivermos um coro infantil com dezoito crianças num cenário de cemitério, com abutres a rondar o relógio e ninguém na plateia? Convenha-se que não é fácil conceber um anúncio em torno dos intestinos. Os intestinos localizam-se na zona dos infernos corporais, no epicentro do grotesco carnal.

 

Michelangelo. Detalhe do Último Julgamento, na Capela Sistina.

Michelangelo. Detalhe do Último Julgamento.

Com tanto medo da morte, ainda virá um dia em que desejaremos morrer sem o conseguir: “E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles” (Apocalipse 9). Morra a morte, morra! Pim!

A Esmeralda Cristina enviou-me, da Alemanha ou do Brasil, este anúncio. Apesar de residir na Alemanha, é a orientanda com quem mais comunico. Fazemos imensos planos. Falho quase todos. Com paciência de Job, não leva a mal! Está a fazer uma tese, precisamente, sobre a publicidade de sensibilização. Seguem alguns excertos do seu comentário ao anúncio:

“Sensibilizar para a morte… Um anúncio alemão que tem como intenção chamar a atenção para o controlo regular dos intestinos como forma de precaver a morte. O texto cantado por crianças, o que demonstra um pouco de inocência, mas com palavras duras de crítica incipiente que afirmam que os adultos têm tempo para tudo, menos para controlar o corpo. O tempo passa…tic tac…tic tac… Tudo é feito menos o controlo do intestino, o que conduz a que de um dia para outro… tic tac ‘tu estás morto’! Com esta afirmação termina a canção e o spot publicitário. Mas será que as pessoas ficam a pensar em controlar o seu intestino ou será que pensam que podem morrer com algo no intestino? O medo também faz com que as pessoas fujam aos controles. Mas no subconsciente permanece o medo de morrer, o que pode levar o corpo à produção do que não quer… Assim o que produz este anúncio? medo? precaução? morte? ou felicidade? segurança? vida?” (Esmeralda Cristina).

Anunciante: Felix Burda Foundation. Título: The Children’s Song. Agência: Heimat, Berlin. Alemanha, Março 2016.

Sujar faz bem

Free the kids

“As crianças passam menos tempo ao ar livre do que os prisioneiros”

Free the Kids – Dirt is Good, da Persil, é um anúncio bem construído, tecnicamente primoroso, com um enredo surpreendente. À partida, os horários dos reclusos pouco têm a ver com o produto: um detergente. O filme cativa a atenção numa trama de tensão crescente, que a música acentua. Suspenso, o espectador assume a postura de um arqueiro que aponta a flecha e estica a corda sem alvo à vista. Tudo se decripta nos últimos segundos, com a introdução de um lema (Free the Kids – Dirt is Good: as crianças têm direito a estar fora de casa pelo menos tanto tempo quanto os reclusos fora da cela. Acresce um nome, Persil, o reparador da sujidade infantil. Sem esquecer, o emblema, o logótipo da marca. Estão, assim, reunidos os componentes de uma alegoria (Gilles Deleuze, Le Pli: Leibniz et le baroque, 1988).

A alegoria na publicidade, com focagem em temas alheios ao produto, não é recente, mas persiste e alastra-se (ver “Dobras e fragmentos”, in Gonçalves, Albertino, Vertigens, 2009). Dirt is Good apresenta uma especificidade. Propõe uma heterotopia disfórica: a prisão e a falta de liberdade / sujidade. O conceito e o propósito lembram as campanhas da Benetton no tempo do fotógrafo Oliviero Toscani.  Temas tais como a sexualidade, a discriminação, o racismo, a sida, a pena de morte, a fome, o crime e o poder ficaram associados à Benetton. “Dizer Chique com Choque” (Coelho, Maria Zara & Gonçalves, Maria Helena, “Quando chique se diz com choque, Cadernos do Noroeste, 4: 6-7, 1991, pp. 270-282 ) define uma opção num quadro de mediatização do mediatizável. À partida, não se vislumbra uma ligação razoável entre esses temas e as lojas da Benetton. Tão pouco existe uma ligação entre os intervalos ao ar livre dos reclusos e um detergente. Desencantemos! A semiose social é complexa e a publicidade, a alquimia da nova comunicação. Estes anúncios convocam as marcas. Criam imagens de marca. Alegóricos e performativos, estes anúncios logram efeitos extraordinários. Enxertam-se, por exemplo, na memória. Volvidas algumas décadas, recordo o padre a beijar a freira, o moribundo vítima da sida ou a mulher negra a amamentar um bebé branco. Associo-os à Benetton, mas não aos cachecóis, às camisolas e à equipa de Fórmula 1. Recordo muitos anúncios como, por exemplo, os anúncios da Ford com embriões de animais ou da Orange com a população a recuar para reparar o passado. Em contrapartida, confesso não me lembrar da maior parte dos anúncios colocados, nos últimos meses, no Tendências do Imaginário. Pela magia é que vamos! Pelo esquecimento, também.

Marca: Persil: Título: Free the Kids – Dirt is Good. Agência: Mullen Lowe London. Reino Unido, Março 2016.