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Abrenúncio

Skeleton Smoking Poster, by Microgen Images/science Photo Library

“Sucessivas subidas de impostos sem influência nos fumadores. Estado com receitas de 1,4 mil milhões. Vendas cresceram quase 20% até abril. Fotos chocantes nos maços aprovadas há seis anos. / Os portugueses estão a fumar mais este ano do que fumaram no arranque do ano passado. As sucessivas subidas do imposto sobre o tabaco (IT) não parecem dissuadir os consumidores, tendo-se registado um aumento de 19,59% de cigarros consumidos entre janeiro e abril de 2022 face a igual período de 2021. O Governo prevê que, em 2022, face ao aumento de 1%, o IT renda 1433 milhões de euros, mais 20 milhões do que em 2021. O JN falou com dois especialistas em doenças pulmonares no dia em que se cumprem seis anos desde que foram introduzidas as imagens explícitas nos maços de tabaco. Ambos consideram que o recurso às fotografias não chega, por si só, para reduzir o consumo. E, em linha com o que defende a DGS, referem que a chave é continuar a fazer subir os preços” (João de Vasconcelos e Sousa e João f. Sousa, Nem o aumento do tabaco trava o consumo: Jornal de Notícias, sexta-feira, 20.5.2022.

Anunciante: Breathe-free Foundation. Título: Suicide. Agência: Y&R Singapore. Direção: Royston Tan. Singapura, setembro 2006.

Ano após ano, aguarda-nos, ao dobrar da esquina, a mesma lamúria e a mesma panaceia. Décadas a fio, durante quase meio século, ressurge, lamentada, a surpresa: na melhor das hipóteses, o consumo de tabaco praticamente não desce, antes pelo contrário, sobe, por vezes muito, como ano transato (19,59% em Portugal). Afinal, as medidas, extraordinárias não lograram os resultados esperado. Nem nos anos oitenta, com a proibição da publicidade ao tabaco, nem nos anos noventa, com a proibição de fumar nos recintos fechados, nem agora, com as fotografias alarmantes. Uma série de medidas decisivas ao nível da ecologia do tabaco, dos seus usos sociais, mas, aparentemente, sem resultados de vulto no que respeita à evolução dos valores de consumo. Como balanço, assume-se, algo paradoxalmente, que o recurso ao aumento do preço do tabaco, graças ao aumento o imposto sobre o consumo de tabaco (IT) é o grande recurso, senão único, pelo menos indispensável. Ano após ano, não para de aumentar, “extraordinária”, a tributação sobre o consumo de tabaco. Com resultados insuficientes, como nos anos precedentes. Pelos vistos, nem influencia, nem modera.

As medidas antitabaco e o aumento da carga fiscal resultam, portanto, inócuos? Nem por isso. Proporcionam uma receita adicional gigantesca para os cofres do Estado. Aumentam, sem mais, a carga fiscal de uma categoria específica de contribuintes. Em termos de redistribuição, a consequência é a transferência excecional, mas constante, de uma parte do rendimento de uma parte dos cidadãos para outros (para o conjunto). Esta política fiscal “antitabaco” é responsável pelo empobrecimento absoluto e relativo de uma categoria social: os consumidores de tabaco. Aberração por aberração, esta sobrecarga fiscal inscreve-se como um contrassenso no âmbito de um Estado Social: configura um imposto de algum modo “regressivo” cuja incidência aumenta à medida que os rendimentos diminuem; são os mais pobres quem mais fuma.

Em suma, o efeito do aumento do imposto sobre o tabaco manifesta-se perverso: irrelevante no que respeita ao objetivo que o justifica, o consumo do tabaco, assevera-se apreciável como derivação instrumental, o aumento da receita fiscal. Alguns diriam um discurso “encapotado”, outros farisaico, sem desprimor para os fariseus. Trata-se de uma política de foro fiscal, discriminatória, iníqua e avessa ao princípio da progressividade dos impostos. ” A Constituição estabelece no n.º 1 do artigo 104.º que “O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar”.

As políticas antitabaco produzem, para além do aumento discriminatório e regressivo da carga fiscal, outros efeitos, por exemplo, ao nível dos direitos e deveres dos cidadãos em domínios tais como a comunicação, a circulação, a autoestima, a privacidade, a intimidade…  Algumas são legítimas e positivas: a proibição da publicidade de uma mercadoria nociva ou a salvaguarda do direito a um espaço saudável e com qualidade de vida. Convence-me menos a publicidade antitabaco, que tende a resvalar para uma espécie de cruzada centrada na figura do próprio fumador, por vezes reduzido a um bárbaro, um poluidor, um irresponsável e um suicida sem hora marcada, que urge converter sem regatear meios. As fotografias chocantes retomam a inspiração dos espelhos da morte medievais:  o fumador vê-se confrontado com o seu provável futuro macabro. Em qualquer lugar, a qualquer hora, incluindo na vida privada e na sua intimidade. Com o panótico, os prisioneiros sentem-se sempre vigiados, com as embalagens atuais de cigarros, o fumador está condenado a não aliviar o olhar, como o protagonista do filme Laranja Mecânica. Trata-se de um excesso de ameaça e assédio, ubíquo e constante. De momento quero convencer-me de que a espontaneidade de um testemunho, franco e satisfeito, de um colega ou amigo contribui mais para a diminuição do consumo de tabaco do que resmas de embalagens de cigarros. As imagens perturbadoras com alertas sobre os riscos do tabaco surgiram pela primeira vez no Canadá, em 2001. Desde então, inúmeros países, com as mais diversas culturas, adotaram, replicando, esta iniciativa. Aplicaram-na com que criatividade, reflexividade e adaptação? Grau zero? Copy and paste?

Se este atropelo à dignidade humana não surte os resultados desejados, não acerta no alvo, por que se insiste em alargá-lo e repeti-lo? Será completamente descabida a crença do senso comum de que um viciado acossado tende a ser mais difícil de converter? Será que subsistem casos em que a transgressão persuade mais do que dissuade? Por que investir em perversidades com escassos benefícios e elevados custos pessoais e sociais? Para que serve e a quem serve esta (des)orientação, este impasse já dura há meio século! Não há modo de ousar uma pausa para reconsiderar o desperdício?

Acontece interrogar-me se quem concebe e executa estas políticas e campanhas conhece os públicos alvo e os fenómenos em causa. Importa inverter esta tendência. Paul Lazarsfeld sustentava que a promoção de um político não é de natureza diversa da publicidade de um sabonete: convém conhecer o produto, os consumidores potenciais e o modo de os persuadir. Por que não se incentiva nem se aprofunda o estudo dos fumadores? Os seus perfis biopsicossociais, a sua condição, as suas experiências, trajetórias, culturas, valores e expetativas? Por que, em vez de atacar, não se ensaia compreender? Por que, em vez de enxovalhar o outro, não ajudamos o próximo? Em vez de o estigmatizar com palavras e imagens terroristas não o cativamos a fazer seu o nosso discurso? Por que não traduzir em vez de impor? Menos paranoia e mais empatia. Às vezes, invade-me um sentimento de frustração, a vertigem de uma aparatosa mensagem mobilizadora de destinatários fantasmas. A consciencialização social é um propósito demasiado complexo. Não costuma prestar-se a panaceias nem à insensibilidade.

Os fumadores e os não fumadores merecem outra criatividade, uma mudança de rumo, de leme e de espírito. Afinal, o assunto não é para menos: um em cada quatro portugueses, ou europeus, fuma! E não integra nenhum bestiário. Pelos vistos, o defeito não está no esforço convocado, remonta, talvez, à inspiração inicial.

Tempos confusos

Tenho colocado cada vez menos anúncios publicitários. Quer isto dizer que os poucos que coloco são mais selecionados? Estes dois anúncios da Burger King espanhola são soberbos, transbordantes de falácias desconcertantes. Os textos são primorosos.

Após vários séculos de predomínio da razão e de racionalização, mergulhamos na insensatez e na confusão? Na criação paradoxal? Cafés sem cafeína, bebidas alcoólicas sem álcool, doces sem açúcar, fruta sem sementes, salgados sem sal, e, agora, o nugget de frango sem frango e o hamburger de carne sem carne, da Burger King. Contrassensos evidentes? Baralham-nos ou convencem-nos?

Será que uma cabeça cheia de certezas é uma cabeça morta? Será que da confusão nasce a luz? Será que, como escrevia Blaise Pascal, demasiada luz ofusca? Tudo isto baralha. Como seria bom ter ideias sem pensamento.

Seguem dois anúncios da campanha ” Tiempos aún más confusos”, da Burger King. Os dois primeiros na versão original, em espanhol, os dois últimos em inglês.

Marca: Burger King Spain. Título: Tiempos aún más confusos, Nuggets. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Tiempos aún más confusos, King. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Even More Confusing Times, Nuggets. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.
Marca: Burger King Spain. Título: Even More Confusing Times, King. Agência: David / Madrid. Direção: BICEPS. Espanha, Abril 2022.

Vítima do seguro de vida

Romances policiais

O homicídio motivado pelo resgate do seguro de vida da vítima é tema recorrente nos romances policiais. Com ou sem inspiração, o humor do anúncio Crocodile, da Ladder, é cinzento, brutesco e gratuito.

Marca: Ladder. Título: Crocodile. Agência: Fred & Farid Los Angeles. Direção: Casey Storm. Estados-Unidos, abril 2022.

Publicidade simpática

Dove. Real Soaps. Colômbia. 2022.

Escrevi pelo menos sete artigos dedicados à estratégia publicitária da Dove (para aceder aos artigos, carregar no título):

Outras tantas vezes fiquei com a sensação de que restava ainda muito para interpretar. O anúncio Real Soaps permite acrescentar um novo comentário.

                As marcas aspiram a que os potenciais consumidores se identifiquem com elas, que se revejam nos seus produtos. No anúncio Real Soaps, da Dove, a projeção resulta invertida. É a marca, Dove, que se identifica com os consumidores, ousando convocar a sua imperfeição. A Dove compraz-se a evidenciar os nossos mais ínfimos e íntimos defeitos reconhecendo-se, manifestamente, neles. Não somos convidados a identificar-nos com a marca, é a marca que se identifica connosco. Tanto é assim que os seus próprios sabonetes se querem com defeitos, assumindo-se tão imperfeitos quanto nós. A Dove não procura que nos identifiquemos imediata e diretamente com a marca; espera que apreciemos a sua identificação connosco. Trata-se de uma identificação desviada e dinâmica. O que conta não é o sujeito, a Dove, nem o destinatário, o consumidor, mas a interação e a mediação entre ambos. Trata-se de uma construção de segundo grau. Em suma, a Dove aposta na simpatia, no sentido original e etimológico do termo:

[A palavra simpatia] ” vem do Latim SIMPATHIA, “comunhão de sentimentos”, do Grego SYMPATHEIA, “capacidade de sentir o mesmo que outrem, de ser afetado pelos sentimentos alheios (positivos ou negativos)”, formada por SYN-, “junto”, mais PATHOS, “sentimento” (Origem da Palavra: https://origemdapalavra.com.br/pergunta/simpatia/).

“80% of women are unhappy with what they see in the mirror and try to hide parts of their skin such as freckles, wrinkles and stretch marks. At Dove we made a tribute to skin through the iconic soap bar that we always see as smooth and perfect, this time revealing those factory details such as cracks and slits, that, just like the marks on the skin, make part of real beauty” (Dove. Real Soaps. 2022).

Marca: Dove. Título: Real Soaps. Agência: MullenLowe SSP3. Direção: Alejandro Ranchez. Colômbia, março 2022.

Uma pausa na travessia

Bruno Aveillan.

Cheguei a um impasse na investigação dedicada às imagens de Cristo. Encontro-me numa encruzilhada: os historiadores de arte não se entendem e pressinto que, desossado, vou ter que inventar o caminho. Não ando inspirado: dói-me pensar e entorpece-me escrever. Entretanto, releio artigos e ouço música. Tenho que ultrapassar esta obstrução pasmada. Por enquanto, acarinho os sentidos. Por exemplo, com a música The Journey, emoldurada com imagens, no primeiro vídeo, pelo realizador francês Bruno Aveillan e interpretada, no segundo vídeo, pelo próprio compositor, Gustavo Santaolalla.

Marca: Louis Vuitton. Título: A Journey. Agência: Ogilvy. Direção: Bruno Aveillan. Produção: Quad. Música: Gustavo Santaolalla. França, 2008.
Gustavo Santaolalla. The Journey. Álbum: Camino. 2014. Encuentro en el Estudio, 2020.

Eclipses

Kia. Robo Dog. 2022.

Existem fases para descarregar e fases para carregar. Em boa hora, carreguemos!

O anúncio Robo Dog, da Kia, constitui mais um exemplo da criatividade e da sensibilidade ímpares do realizador Noam Murro para humanizar máquinas e objetos. Da mais de uma dezena de anúncios de Noam Murro contemplados no Tendências do Imaginário, recoloco dois: Old Friends, para a Macy’s, e Monsters, para a Hummer.

Marca: Kia. Título: Robo Dog. Agência: David&Goliath. Direção: Noam Murro. Estados-Unidos, fevereiro 2022.
Marca: Macy’s. Título: Old Friends. Agência: BBH (New York). Direcção: Noam Murro. Estados-Unidos, novembro 2016.
Marca: Hummer. Título: Monsters. Agência: Modernista. Direção: Noam Murro. Estados-Unidos, fevereiro 2006.

Hoje é dia do Senhor

Majestat Batlló. Crucifixo de madeira datado do séc. XII. Museu Nacional de Arte da Catalunha. Barcelona.

Ando há meses às voltas com as imagens de Cristo, desde a sua morte na cruz até ao fim do renascimento. Nota-se! Será o capítulo II do tal livro. De vez em quando, apetece-me destrambelhar.

Scalpers é uma marca de roupa online. You were born a rebel é o título do anúncio que estreou por volta do Natal, mais precisamente no dia 22 de dezembro de 2021.

Jesus Christ Superstar é um filme musical de 1973 dirigido por Norman Jewison, a partir da ópera rock homónima  de Andrew Lloyd Webber estreada em 1970. Os envelhecidos lembram-se, certamente.

Jesus Cristo, top model ou superstar?

Marca: Scalpers. Título: You were born a rebel. Agência: Wunderman Thompson Spain. Direção: Paco Badia & Oscar Amodia. Espanha, 22/12/2012.
Jesus Christ Superstar. Filme dirigido por Norman Jewison. 1973. Música: Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Weber, 1970. Voz de Judas: Murray Head.

Perto do sol

À Zé Gomes

Se tiver tempo, descanse a ver este artigo! Pela companhia aérea Emirates, pelo Elias e, principalmente, pelos Antony and The Johnsons com Franco Battiato. Este blogue pode ser discreto, mas é rico em coisas raras. Se não puder parar, passe ao largo, e não olhe para trás, como em noites de bruxedo.

Emirates. We’re on top of the world. Making of. 2022.

Apetece-me ouvir a canção Fistful of love, dos Antony and The Johnsons. Procuro no Tendências do Imaginário e encontro um retângulo negro com o seguinte letreiro: “Este vídeo não está disponível devido a uma reivindicação de direitos autorais”. Paciência! Substituo o link por outro, por sinal, melhor: uma atuação ao vivo, de 2007 (https://www.youtube.com/watch?v=1-524bnuYdM). O Tendências do Imaginário está cheio de retângulos negros. Na maioria dos casos, por um motivo inocente: o link foi, entretanto, desativado. As pequenas contrariedades dão-me vontade de brincar, de me divertir com maneirismos. Por exemplo, criar um falso gémeo, Perto do sol, a partir do artigo amputado, o Voo dos sentidos (https://wordpress.com/post/tendimag.com/40706).

O impressionante anúncio da companhia aérea Turkish Airlines (5 senses With Dr. Oz) é substituído pelo faraónico, We ‘re on top of the world, da congénere Emirates: uma hospedeira de bordo dá as boas-vindas à Expo 2020 Dubai no topo do edifício mais alto do mundo. Lembra um novo Ícaro com trejeitos de Estátua da Liberdade. A canção Revolution permuta com Thinking of you, ambas de Elias. Por último, a canção Firstful of love, dos Antony and The Johnsons, dá lugar à canção Del suo veloce volo, também dos Antony & The Johnsons, interpretada com Franco Battiato, no concerto da Arena de Verona, em 2013. Uma raridade! Como quem conta um conto acrescenta um ponto, ainda sobra espaço para um link do álbum (áudio) completo deste espetáculo.

Marca: Emirates. Título: See you at Dubai Expo. Produção: Prime Productions AMG. Emirados Árabes Unidos, janeiro 2022.
Elias. Revolution. Entwined. 2018.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Ao vivo na Arena de Verona, em setembro de 2013. Republica TV.
Franco Battiato, Antony and the Johnsons. Del Suo Veloce Volo. Gravação do concerto ao vivo na Arena de Verona, em 2013. Álbum completo.

Energia e paz

Claude Monet. A Windmill at Zaandam. 1871

Não tenho emenda. Adoro partilhar música. “Dar música”. Não sei se boa, se má. Música de que gosto. Sobejam os motivos e as ocasiões para colocar uma música. Umas vezes, acabo de a ouvir; outras, surpreende-me num filme, num anúncio, numa curta-metragem; noutros casos, é o arranjo ou a interpretação, mais do que a obra, que interessa; por último, algumas ideias quando surgem, surgem musicadas, por exemplo, associações tais como o duo “energia”/”paz” ou a trindade “jovialidade”/”elegância”/”leveza” (ver: https://tendimag.com/2022/01/02/jovialidade-elegancia-e-leveza/). Configurações como estas dão-me música. Vários autores assumem que, enquanto criam, conseguem ligar automaticamente a mão que escreve ao cérebro que pensa. Eu acrescento o ouvido, que dança com o cérebro na mão.   

Energia e paz não são inconciliáveis, pois não? Parece, mas não! Pares como este, improváveis, costumam revelar-se deveras potentes na mobilização simbólica. Ao conjugar “energia” e “paz”, logo me acode o celebérrimo slogan “a força tranquila” que, criado pelo mago da publicidade Jacques Séguéla, é considerado como o responsável pela vitória de François Mitterand nas eleições presidenciais francesas de 1981 (ver https://tendimag.com/2015/02/18/criacao-e-recriacao/). A “energia” e a “paz” prestam-se também aos alegros e adágios de Karl Jenkins. Volvidas várias décadas, o slogan de Jacques Séguéla e os acordes de Karl Jenkins, “força tranquila”, “energia” e “paz, continuam a ressoar em muitas caixas cranianas.

Pergunto-me por que insisto em queimar, dia após dia, tantas “celulazinhas cinzentas” com a publicação destes pequenos artigos. Muito investimento, pouco proveito. Para comunicar ideias e sentimentos? O tamanho da audiência não o justifica, talvez a qualidade. Trata-se de uma fixação narcisista, de um vício compulsivo: o prazer de ler enquanto se escreve, com a ilusão de se rever no espelho da própria escrita. Não é uma virtude, nem uma dádiva, é uma tentação e um pecado. Por isso, mal termino um texto, o abandono à sua sorte. Cativa-me o rebento, aborrece-me a disseminação.

Karl Jenkins. Palladio. Allegretto. 1995. Orchestra Barocca Marco Dall’Aquila. Dir. Jacopo Sipari di Pescasseroli. 2011.
Karl Jenkins. The Armed Man.  A Mass For Peace. Benedictus. 2001. Violoncelo: Hauser. Zagreb Philharmonic Orchestra and Choir Zvjezdice. Lisinski Concert Hall in Zagreb, outubro 2017.

Reinvenção

O que foi bem dito, mesmo que esquecido, será repetido. Não me lembro qual foi o otimista que disse isto, mas alguém foi. Esta sentença aplica-se aos anúncios seguintes: o primeiro criou, o segundo retoma. Retoma duas maneiras paradigmáticas de estar no mundo: a reta e a curva. Segue em frente ou vai dar uma curva. O clássico e o barroco.

Marca: Citroen C-Crosser. Título: The New Road. Agência: H paris. Produção: Cosa. França, 2007.
Marca: Alpine. Título: Go Straight. Agência: Havas. Diretor criativo: Stéphane Gaubert. França, Abril 2021.