Voz de Lama
No Natal, algumas lâmpadas fundem. Não se repara. Como é de esperar, brilham e apagam-se. Estas perdas de luz não desiludem, a época é de indesilusão. E luz por Luz! Não, não se repara, nem se substitui. Por elas não seja! Talvez para o ano, se houver Natal.
Junto três canções (de luzes fundidas?): “Je voudrais tant que tu sois là”, de Serge Lama, “L’Indifférence”, de Gilbert Bécaud (com Serge Lama), e “Ce soir mon amour”, de Georges Moustaki.
Humor negro: chinelos biodegradáveis

O regresso do sol e a azáfama pré-festiva contribuem para evaporar a neve e o espírito natalício. Apetece algo diferente. Resulta difícil encontrar um anúncio recente que não respire ternura e esperança. Encontrei noutros meridianos geográficos e culturais: na Índia. “Earth”, da Chupps Footwear, é um expoente de humor negro.
Mel
Não partilho algumas músicas por as considerar sobejamente conhecidas. Acabei de comprovar que afinal não é o caso de “Honey” de Bobby Goldsboro.
Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

Nos últimos anos, escrevi dois textos que acabaram por não ser publicados.
O primeiro, “Prado Subjetivo: metamorfoses de uma freguesia modernizada”, de 2019, ficou congelado no prelo. Coloquei-o no dia 7 de dezembro de 2025 como peça de arquivo no Tendências do Imaginário (ver Eu, a IA e o Ninho).
O segundo, “Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo”, de 2023, entendi enterrá-lo numa gaveta digital até eventual resgate futuro. Passo a arquivá-lo, também, neste blogue. Entretanto, no artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, no jornal Diário do Minho de 20.02.2024, retomei a reflexão, mas com outra abrangência. Seguem ambos os textos em pdf, sem mais comentários, “para memória futura”.
Texto 1: Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo
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Texto 2: Quando a esmola é grande. A industrialização do interior
Escuridão indolente
Dezembro. Fora, chuva fria, quase neve. Dentro, apetece apascentar os sentidos, com música envolvente como manta de lã. Percorro os arquivos de CD. Deparo com o Lady’s Bridge (2007) de Richard Hawley. Não o coloco há muito tempo, mas parece apropriado ao estado do tempo e de espírito. Seguem 4 canções desse álbum: “Valentine”, “Roll River Roll”, “Dark Road” e “Lady’s Bridge”. Acrescento 2 canções posteriores: “Tuesday PM” e “Heart of Oak”, ambas do álbum Hollow Meadows, de 2015.
(A)VUELOS
Acabo de ver este anúncio da Iberia. Não resisto a partilhá-lo. Uma das muitas coisas que o Natal costuma ter bom é alguma publicidade.
Uma formiga com uma dúzia de ovos numa ponte silenciosa


No dia 15 de dezembro, entre as 21 e as 23 horas, o Tendências do Imaginário “bateu um recorde”: o artigo Análise pela IA do texto “O enterro da cabeça na areia“ obteve 1 033 visualizações (correspondentes a mais de 500 visitantes) provenientes dos Estados Unidos, mormente nas cidades de Portland (931 visualizações) e Ashburn (45). Precise-se que, de um modo geral, dois terços (67,4%) das visualizações do blogue têm origem fora de Portugal. Algo como vibrações cosmopolitas pelas tímidas antenas de uma formiguinha eremita perdida na imensa selva digital.
Para assinalar o momento, um anúncio com “doze ovos”, realizado pelo criativo Michel Gondry para o iPhone 13 Pro, da Apple, e um vídeo musical com “o som do silêncio” e uma “ponte sobre água turbulenta” dos inesquecíveis Simon & Garfunkel (ao vivo, naturalmente).
VIAGENS PELOS NATAIS

Como é bom ser professor para aprender! Na última semana, os alunos de Sociologia da Arte e do Imaginário, da Academia Sénior de Braga, foram desafiados a dar a aula. De entrega em entrega, de surpresa em surpresa, fui acarinhado com uma diversidade de momentos inesquecíveis de sabedoria experiente.
A leitura expressiva do ensaio/conto “VIAGENS PELOS NATAIS” pela própria autora, Maria Ivone da Paz Soares, representou um desses momentos inesquecíveis. Precedo o respetivo texto com a versão em pdf para mais fácil partilha e maior fidelidade à formatação original. Obrigado e continuação de boas e belas caminhadas!
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VIAGENS PELOS NATAIS
As últimas pétalas do dia estavam a esvoaçar.
E ainda lhe faltava tanto para um não sei onde. Para um ali que os pés indicavam. Os pés? Sim, uns calcanhares bussolados pelas palpitações de um sentir, de um descobrir.
E os pensamentos vindos de gavetas aleatórias assomavam, desarticulando o passo.
Porquê Natal em dezembro? E a 24/25? Pouco se sabe sobre as razões desta escolha. Havia uma prática pagã neste período correspondente ao solstício de inverno, no hemisfério norte, o dia mais curto que era comemorado como a festa do nascimento do Sol Vitorioso (“natalis solis invicti”). A Igreja primitiva denominava Jesus, como o “Sol da Justiça”.
Os Celtas celebravam o retorno da vida (no solstício de inverno – Yule) com fogueiras e velas, decorações nas árvores, banquetes, danças, desejando simbolizar a renovação e a esperança nos tempos escuros.
Tropeçou numa pedrita. Tanta coincidência(?)!!!!
Mais um passo ao lembrar-se da origem do vocábulo Natal que vem do latim “nativitas” (nascimento, geração) e este do adjetivo “nativus” (o que nasce).
Como entender esta sintonia, esta sinergia entre várias práticas religiosas? – a pessoa parou e olhou para o céu pintado de cinza, com espreitadelas de raios luminosos.
E lembrou-se que a 8 de dezembro é a Festa da Iluminação para o Budismo, o despertar para a verdade, para o autoconhecimento, para a libertação, com a Árvore Bodhi com luzes (que simboliza caminhos para a sabedoria e para o fim do sofrimento). É um período que vários budistas que vivem no ocidente ajustam algumas práticas do Natal, valorizando ideais idênticos de amor e de compaixão.
Reduziu o ritmo. Sentou-se no banco do jardim por onde estava a passar. Nem tudo na Vida é complementar, coincidente.
Como todos sabem, o Judaísmo não reconhece o Messias, porém o Hanukkah comemora-se próximo do Natal e o ato do nascimento tem uma identificação espiritual, uma ligação entre o humano e o divino; assim como é um período de bondade e de generosidade e há a utilização das luzes (candelabros junto a uma janela) neste período, em ambas as religiões. Alguns judeus também dão presentes às crianças.
Estava sentada de pernas cruzadas, já com o telemóvel na mão, a vasculhar no Google. O quê? A comemoração do Natal só surgiu mais de trezentos anos após a data provável? Sim, tem lógica: não havia espaço para uma nova religião, apesar dos romanos serem abertos.
O primeiro Natal foi comemorado em 25 de dezembro de 336, em Roma, pouco antes do Cristianismo ser oficializado no Império (e em 345 estabeleceu-se o 25 de dezembro como data de nascimento de Jesus Cristo. Até ao século V foi celebrado em Constantinopla (a capital do Império romano) o nascimento e batismo de Jesus, a 6 de janeiro (em Roma esta data ficou para lembrar a chegada a Belém dos Reis Magos, com os seus presentes) que também é festejada em algumas regiões no dia de hoje.
Trocou as pernas. Afinal esta comemoração foi escolhida para absorver e ressignificar os costumes pagãos. Ressaltam os conceitos que se interligam: celebrações litúrgicas, centro na família, ceias, presentes, conceito da generosidade e personagem adicional (São Nicolau e Pai Natal).
Também recebeu influência da tradição latina Saturnália, uma tradição festiva e com troca de presentes, a 17 de dezembro. E na Pérsia, o Deus da Luz, Mitra, era celebrado a 25 de dezembro. A Igreja primitiva absorvia e dava nova leitura aos rituais pagãos, denominado sincretismo, em vez de proibi-los ou persegui-los para angariar novos seguidores.
O espanto ficou no Egito, uma das mais antigas civilizações, marcadamente muçulmana: o Natal é celebrado a 7 de janeiro, por todos, opte pela religião que quiser, misturando o antigo e o novo, conciliando a tradição com a inovação, envoltos pelas “carols” (canções de Natal tradicionais), sob uma prova cultural enriquecedora. Claro que as decorações são luminosas, com delícias culinárias, sons e mercadorias festivos.
Quando reparou, já estava a andar. Há tanto a unir! E então, quais as razões das desuniões? Suspirou e continuou. A cadência dos passos acompanhava o que os olhos apanhavam nas linhas que eram perseguidas.
Os romanos ornamentavam os seus lares com luzes e folhas de plantas e também davam presentes às crianças e aos pobres, tendo sido esta prática absorvida nas festividades. Assim como os ritos germânicos e os costumes celtas com fogueiras, muita comida e bebida, além das luzes e de árvores decoradas.
Tradições gregas, romanas, com rituais celtas, germânicos e liturgias orientais, durante o primeiro milénio foram criando os conteúdos da festa natalícia que, nos dias de hoje, está imbuída de consumismo que enegrece a quadra, salvaguardando o ato positivo de presentear alguém e o da espiritualidade de alguns.
Até ia tropeçando… O andar com o TLM na mão pode dar estas situações…
Chegou a casa. Organizou tudo, enquanto o Santo Nicolau bailava no cérebro. E por outras culturas e continentes… Quando se fosse deitar, iria pesquisar: tinha a certeza que ia ter novas surpresas…
Já aconchegada na cama e com a almofada ao alto, continuou a mergulhar neste espírito natalício tão elaborado pelos homens e ajustado aos seus objetivos.
Estava quase a chegar. O céu estrelava! Os pés doíam e estava com sede. Quando perguntava, apontavam-lhe para aquele edifício lá ao fundo e já fora das luzes intensas da cidade. Era uma estalagem? Era um estábulo? Estava um Menino envolto numa manta com um olhar tão luminoso! E a manjedoura/berço ficou circundada(o) de uma intensa Luz.
– Pai José, necessita de alguma coisa?
– Mãe Maria, posso pegar o Menino ao colo?
As mãos da Criança elevaram-se e aconcheguei-A num abraço: era tão leve, tão sorridente, tão transparentemente sublime!
A pouco e pouco, a Criança foi crescendo e irradiava um brilho envolvente.
A pouco e pouco, a pessoa que a pegava ia ficando mais pequena, mais enlaçada nos fortes, cordiais e afetuosos braços do Menino Homem. Ao olhar-se, viu-se enroscada, enovelada no colo embalador cintilante do Menino.
Estremeceu! Acordou. Sorriu. GRATA!
Maria Ivone da Paz Soares, em Dez/25, num NATAL sem dia
A Mãe Terra, o Pai Natal e o Consumismo

“Os Correios da Noruega (Posten), encontraram uma perspetiva muito interessante sobre o que significa celebrar o Natal em 2022. Com o combate às mudanças climáticas cada vez mais premente e central nas nossas sociedades, a curta-metragem de 4 minutos mostra a relação de amor e ódio entre o Pai Noel e a Mãe Terra.
Generoso, o Pai Natal está determinado a proporcionar o máximo de alegria às pessoas através da distribuição de presentes, enquanto a Mãe Terra encara o consumo excessivo como um problema.
O serviço postal também utilizou dados do “Índice Climático” da Noruega, que relevam que apenas 10 em cada 100 empresas reduziram as emissões de acordo com as metas estabelecidas no Acordo de Paris, convidando-nos a todos a dar um passo em frente” (LLLLITL).

