“Medos” voltam a “assombrar” Melgaço
Sexta, 24 de outubro, pelas 21 horas, haverá mais uma edição dos Serões dos Medos, dedicada ao “sexto sentido”, na Casa da Cultura, em Melgaço. Na semana seguinte, 31 de outubro, será a vez da Noite dos Medos. Entretanto, pode visitar, até ao dia 16 de novembro, na Casa da Cultura, a Exposição Entre Mundos e Segredos.
Para aceder ao respetivo programa, bem como a quatro galerias com imagens e fotografias, carregar aqui ou na imagem seguinte.

Véus de vidro
Aqueles que têm mais consciência são quem tem maiores pesadelos (atribuído a Gandhi)
Entre a sexta do sacrifício e o domingo da vitória, a descida ao limbo e a subida às alturas, talvez se proporcione a sonoridade dos Glass Beams: “uma fusão hipnótica de rock psicadélico, funk, surf rock australiano e música clássica indiana. A banda utiliza escalas orientais, riffs cíclicos e polirritmias que evocam uma atmosfera cósmica e meditativa” (ChatGPT, 19.04.2025).
O misterioso trio de Melbourne Glass Beams é um dos mais recentes fenómenos deste globo cada vez mais pequeno (…) / Com as suas máscaras exóticas, uma identidade secreta e um universo musical em permanente polenização entre o oeste e o oriente mágico, o segredo parece ser a alma deste fantástico trio. / O pouco que sabemos sobre os Glass Beams é que se fundaram em torno de Rajan Silva, um filho de emigrantes, com evidentes raízes portuguesas, que no final da década de 70 emigrou da Índia para a Austrália com uma colecção de discos na bagagem que se estendia entre Bollywood, Ravi Shankar, George Harrison e Muddy Waters. A formação de Rajan Silva bebeu por isso dessa intersecção entre a música clássica indiana e uma fusão de estilos ocidentais do rock ao funk, entre o passado e o futuro (https://www.oxigenio.fm/glass-beams-mahal/).
Os Glass Beams atuaram em agosto de 2024 no festival de Paredes de Coura. Vários trechos lembram-me os Camel da primeira metade dos anos setenta.
Uma Pitada de Mitsune

Não é por ser generoso que um pensamento é mais interessante, nem por ser desagradável, menos válido (AG)
De castigo em Braga (só para aprender), desforro-me a procurar e escutar excentricidades. Segue, para os nipófilos mais rebuscados, o formidável concerto dos Mitsune, em Rennes, em dezembro de 2024.
Mitsune é uma banda japonesa de folk fusion sediada em Berlim, com membros provenientes do Japão, Austrália, Alemanha e Grécia. O seu som mistura folk tradicional japonês com música psicadélica, cinematográfica e ritualística, acrescentando ao folclore moderno uma mentalidade punk (…) Os seus espetáculos ao vivo estão carregados de energia bruta, com visuais decadentes e uma pitada de humor (https://www.mitsune.de/).
Sublunar

A sueca Karin Dreijer Andersson é a vocalista do duo de música eletrônica The Knife, que inclui o irmão Olof Dreijer. Com o pseudônimo Fever Ray na carreira solo, seu estilo vocal é notável pela voz aguda e profunda, tons distorcidos e uso de pitch-shifting. A sua imagem de artista inclui máscaras e outros elementos teatrais (Fonte: wikipedia).
Entre abismos terrenos e crateras lunares, Fever Ray aventura-se por horizontes fantasmagóricos e perturbadores, mas absorventes. [Texto pequeno que não diz nada, a não ser que gosto. Começo, finalmente, a aprender a arte do comentário].
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 2
A primeira é a preferida do Fernando; a segunda, minha; a terceira, não sei!
Afetados. Horror e Humor
Por falar em possessões e bruxarias, seguem três poções de horror e humor.

La Llorona

A Llorona é uma figura mitológica, sobrenatural, de origem milenar, da América Latina, nomeadamente do México. Alude a uma mãe que, traída pelo marido, afoga, num ataque de ciúmes, os próprios filhos. Arrependida e incapaz de resgatá-los, ela também se afoga, mas é-lhe impedida a entrada no outro mundo, na vida após a morte. Resulta, assim, condenada a penar aparecendo, de noite, principalmente, vestida de branco e perto de lugares com água.
Programa da Noite dos Medos, em Melgaço

Serão e Noite dos Medos em Melgaço – 20 e 28 de outubro
No mês de outubro, em Melgaço, a noite é dos medos. Na próxima sexta, dia 20, ocorre uma nova sessão, a segunda, dos Serões dos Medos, numa cozinha antiga de uma casa incrível mas acolhedora de que sou uma espécie de anfitrião. No sábado, dia 28, será a noite propriamente dita dos medos: uma dramatização coletiva fabulosa pelas ruas e no castelo. É de aproveitar, que só acontece uma vez por ano, num tempo de comunhão entre mortos e vivos. Para ver o programa, carregar na imagem do cartaz ou no seguinte link: https://www.cm-melgaco.pt/noite-dos-medos/.

A principal referência de comunhão entre os vivos e os mortos é a celebração mexicana da Santa Muerte e do Día de Muertos, em que os falecidos regressam para visitar os familiares e os amigos vivos. Entre as muitas canções relacionadas, selecionei três , todas de 2022, para pré-aquecimento das noites de Melgaço: La Bruja, La Martiniana; e La Sandunga.
Os cornos do diabo

Tenho andado por fora a vadiar de cama em cama. Passei pelo Miradouro de Tibo, almocei com amigos em Santo António de Vale de Poldros e aterrei na Exposição “Máscaras do Diabo”, na Casa da Cultura de Melgaço, integrada no programa da Noite dos Medos (de 6 até 28 de outubro).
Do Miradouro de Tibo, avista-se do lado norte o Santuário da Peneda. Do lado sul, a paisagem do vale l também é prodigiosa, mas o sol desaconselhou a fotografia. Aliás, sem visionamento no ecrã do telemóvel, o enquadramento desta fotografia teve que ser adivinhado.



O medo dos palhaços e os dentes de lagarto

Argui, há seis meses, uma dissertação dedicada à figura do palhaço (ver https://tendimag.com/2023/02/25/esquilo-o-abutre-e-a-tartaruga/). Durante a prova não resisti a desconversar ressalvando que a figura do palhaço podia assumir significados negativos. Assim sucede quando afirmamos que determinado ato não passou de uma palhaçada ou uma dada pessoa se comportou como um palhaço.
Imagem: Pablo Picasso. Le Clown. 1962
Mas não era esta a negatividade que queria vincar. Aludia, principalmente, à associação da figura do palhaço ao medo e ao terror. Existe, inclusivamente, uma fobia aos palhaços conhecida como coulrofobia. Encontramos palhaços assustadores na literatura, no cinema, na publicidade… Recordo filmes como Palhaços Assassinos (1988) ou IT – A Coisa (2017); e deparo-me com o anúncio, estreado este mês, The Visitor, da Bell, inspiração imediata deste artigo.
Mas o exemplo mais superlativo talvez continue a ser o anúncio Carousel , da Philips, de 2009.
Enfim, parece que já não consigo inovar. Não há nada que escreva que já não tenha escrito antes. Redigi já lá vão sete anos, em 2016, o artigo O caso dos palhaços assustadores (https://tendimag.com/2016/11/06/o-caso-dos-palhacos-assustadores/). Não param de me revisitar este tipo de ecos. Nada de novo a toque de teclado! Estou obsoleto. O pouco convívio também contribui para esta calvície do intelecto. Sem a centelha dos outros, estrelinhas fulminantes num infinito de ideias geniais, sinto-me (narcisista?) como um lagarto que anda à roda, à roda, à roda, até abocanhar a própria cauda. Então, trinca, trinca, trinca, até lhe sobrarem apenas os dentes. Quem quer dentes de lagarto?
Embora o riso seja das atividades mais características e mais sociais do ser humano, surpreendo-me a rir sozinho, “com os meus botões”. Às vezes, acorda-se prazenteiro.
