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A viragem turística

Os portugueses têm o mar; os árabes, a areia. No mar, as sardinhas; na areia, o petróleo. Em ambos, uma herança histórica e cultural respeitável. Todos temos maravilhas. São belas, muito belas, as maravilhas do anúncio saudita Welcome to Arabia. A Arábia Saudita aposta no turismo para reduzir a dependência do petróleo.

“A Arábia Saudita abre as suas portas e o seu coração ao mundo”. O reino tem um plano para atrair turistas e acaba de facilitar vistos a 49 países, Portugal incluído (…) “A abertura da Arábia Saudita aos turistas internacionais é um momento histórico para o nosso país”. A frase do responsável pela Comissão Saudita para o Turismo e Património Nacional, Ahmed al-Khateeb, resume o significado do plano anunciado pelo país para a aposta no turismo como forma de diversificar as receitas para além do petróleo. (Público, 30 de Setembro de 2019, 20:55://www.publico.pt/2019/09/30/fugas/noticia/arabia-saudita-abrese-turismo-ha-vistos-turisticos-primeira-1888392).

Aproveito a oportunidade para sugerir o anúncio Sandman vs Waterman, da Al Kass Sport Channel, dos Emirados Árabes Unidos: https://tendimag.com/2011/10/30/a-agua-contra-a-areia/ .

Marca: Visit Arabia. Título: Welcome to Arabia. Arábia Saudita, Setembro 2019.

Delírio

G2A. 2019.

De regresso a Braga, reencontro o Delírio. Tem bom aspecto! Fomos amigos. O delírio mais requintado é o delírio da intelligentsia. Com ou sem laços. Com uma varinha mágica na mão, o “intelectual” delira o mundo. No essencial, nada tenho a opor ao delírio. Não gosto, porém, quando o delírio alheio salpica a minha realidade.

Delirantes e vertiginosos, os videojogos ligam mundos: o nosso e o dos outros, dentro e fora do ecrã. A publicidade não hesita em reforçar esta propensão.

Marca: G2A. Título: You loose when you overpay. Agência: Change Serviceplan. Direcção: Szymon Pawlik. Polónia, Julho 2019.

Balada marítima. Dormir com as ondas

“Dorme menino
Que aí vem o papão
Comer meninos
Que não dormem, não
(Balada popular, excerto)

No inverno, o mar continua a molhar a areia. Frente à praia, há quem dispense sair do carro. Ajusta-se o assento e toca a dormir. Uma soneca balnear. Junto ao paredão, proliferam os adeptos do sonho ao ar livre. O murmúrio das ondas embala e a humidade do ar descongestiona. Não é mas parece uma nova religião. Perdoem-me, mas vem-me à memória a rumba de Los Payos, Maria Isabel.

Los Payos. Maria Isabel. Vídeo original. 1969.

O efeito Piazzolla

Tango

Quando somos difíceis de aturar, cumpre-nos, ao menos, conhecer os gostos de quem nos suporta. Bastam três notas de Piazzolla para que nos promovam de castigo de Deus a caso especial digno de atenção. Como o gato.

Astor Piazzola interpreta “Adios Nonino” con la Sinfónica “Cologne Radio Orchestra” de Alemania. Extraído del documental “Astor Piazzolla: The Next Tango”.

Astor Piazzola. Libertango. Chamber orchestra and chorus of the Staatskapelle Berlin. Berlin Philharmonic hall. 2014.

Astor Piazzolla. Oblivion. Interpretação de Hauser. Arena Zagreb. Zagreb Philharmonic Orchestra. 2012.

Noite dos medos. O Carnaval macabro

Noite dos Medos. Melgaço. Noite de 31 de Outubro de 2018. Produção: Rádio Vale do Minho.

A segunda edição da Noite dos Medos de Melgaço ultrapassou as expectativas. Centenas de pessoas partilharam medos numa catarse colectiva respaldada na tradição. Nenhum medo escapou, nem sequer “os medos que metem medo a um susto”. Numa noite para aquecer, com chamas e queimadas, o protagonista foi o corpo, mascarado, pintado, representado, dançado e comunicado. Revitaliza-se, tribalmente, a memória e reinventa-se o passado.

Acrescento duas músicas a condizer: The End, dos The Doors, e Highway to Hell, dos AC/DC. Faltavam no Tendências do Imaginário. Dispus os vídeos por ordem de estreia. A menor qualidade do som e da imagem do vídeo dos The Doors é compensada pelo facto de se tratar de uma actuação ao vivo no próprio ano do lançamento da música (1967).

The Doors. The End. The Doors. 1967.

AC/DC, Highway to Hell. Original: Highway to Hell. 1979.

Turismo mágico e radical

O anúncio 5 places, do Ministério do Turismo da Argentina, mostra-nos as férias que provavelmente não tivemos. De desejo em desejo, um casal salta de ambiente em ambiente: mar, montanha, estuário, deserto, lagoa. Com paixão, risco, aventura e contacto com a natureza. Este anúncio combina componentes que anúncios congéneres tendem a negligenciar: narrativa, magia, humor, amor e sintonia com o público- alvo (jovens adultos radicais, presume-se). Falha, talvez, a música. Onde está a magnífica música argentina? Pense-se, por exemplo, em Astor Piazzolla ou Mercedes Sosa.

Marca: Argentina Ministry of Tourism. Título: 5 places. Agência: La Comunidad Buenos Aires. Direcção: Luisa Kracht. Argentina, Fevereiro 2017.

Astor Piazzola. Oblivion. 1982.

Mercedes Sosa. Sólo le pido a Dios. Live in Argentinien. 1982.

Kayak nas cascatas do rio Laboreiro

“Ó Natureza, a única Bíblia verdadeira és tu!…” (Guerra Junqueiro, O Melro, A Velhice do Padre Eterno, 1885).

Cascatas do rio Laboreiro. Castro Laboreiro. Fotografia cedida pela câmara municipal de Melgaço.

Cascatas do rio Laboreiro. Castro Laboreiro. Fotografia cedida pela câmara municipal de Melgaço.

“Portugal revela-se, cada vez mais, um paraíso para os amantes dos desportos de água” (http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/video-irao-os-rapidos-de-castro-laboreiro-ficar-tao-famosos-como-as-ondas-da-nazare=f755521). As cascatas do rio Laboreiro são, nessa exaltação, a porta do céu situada mais a norte.

Maxime Mitaut, vice-campeão mundial de kayak extremo por equipas pela selecção francesa, afirma o seguinte:

“Este fim-de-semana em Portugal, no último mês de Fevereiro, foi provavelmente o melhor que tive em 2013. Para mim, o Laboreiro é um dos rios mais belos da Europa. É um concentrado de rápidos classe V e de encadeamentos de belas quedas. Tudo num contexto magnífico, na fronteira entre a Galiza e Portugal (…) O melhor momento é o encadeamento das três quedas num eixo, o troço mais conhecido do Laboreiro, sendo cada uma espaçada por uma grande bacia sem sifões nem repuxos (com pouca água)” (http://max-mitaut.blogspot.pt/search?q=laboreiro).

Maxime Mitaut. Extreme Kayak au Portugal. Rio Laboreiro. 2013.

Estágio de campo em Melgaço

Nos dias 5 e 6 de Maio, há Estágio de Campo em Melgaço, organizado pela Câmara Municipal de Melgaço e pelo Departamento de Sociologia da Universidade do Minho, com o apoio do NECSUM, Núcleo de Estudos dos Estudantes de Sociologia da Universidade do Minho. O que vamos fazer? Viajar, observar, interagir e reflectir. Vamos dar e receber. Os alunos do Mestrado em Sociologia e os finalistas da licenciatura em Sociologia são os principais parceiros desta iniciativa. Insistem que querem ver fotografias para ponderar a decisão e estragar a surpresa. Segue um ramalhete de imagens minimamente identificadas.

Sábado, de manhã, instalação na Pousada da Juventude, no Centro de Estágios de Melgaço.

 

Durante a manhã, trilho do rio Minho.

 

À tarde, visita ao Espaço Memória e Fronteira,

 

ao Museu do Cinema

e ao castelo e à torre de menagem.

As termas do Peso são um local propício a uma pausa, com um breve concerto de guitarra e canto, na Fonte Velha.

A tarde termina no miradouro de Arbo, na Galiza.

À noite, na Casa da Cultura, ocorre a apresentação do livro Volta a Portugal, com a participação do autor: Álvaro Domingues. A apresentação, a cargo de Albertino Gonçalves, será precedida por um momento de guitarra clássica interpretado por Francisco Berény.

Na manhã de domingo, espera-nos Castro Laboreiro, com a subida ao castelo e as cascatas do rio Laboreiro.

A tarde começa em Lamas de Mouro, sítio ideal para uma pausa e recreio.

Com o corpo e o espírito refrescados, é o momento para uma reunião, no auditório da Porta de Lamas, para uma avaliação do ano lectivo.

De regresso à Vila de Melgaço, um Alvarinho de Honra no Solar do Alvarinho oferecido pela Câmara Municipal: vinho alvarinho, presunto, chouriço e broa, tudo produtos locais.

E, para terminar, o regresso a Braga.

Beleza audiovisual

Jackson Hole

Ver e ouvir com prazer. Pena não haver nem gosto, nem tacto nem cheiro digitais. O anúncio Stay Wind, da Jackson Hole Travel & Tourism Board, é uma delícia para os olhos. E para os ouvidos. A música é dos Fleet Foxes. Acrescento outra música do mesmo grupo: White Winter Hymnal (2008). E pronto! Acabo de falar em Ponte de Lima e esperam-me em Briteiros (Guimarães).

Marca: Jackson Hole Travel & Tourism Board. Título: Stay Wild. Agência: Colle McVoy. Estados Unidos, Março 2018.

Fleet Foxes. White Winter Hymnal. Fleet Foxes. 2008.

Desligar o mundo

Hello Vacation

“Eu remontava na minha memória até à infância para voltar a encontrar o sentimento de uma protecção soberana. Não existe protecção para os homens” (Antoine de Saint-Exupéry, Pilote de Guerre, 1942).

As grandes marcas ostentam um coração de anjo. Por inerência ou por conversão. Algo como o efeito Scrooge, do Conto de Natal de Charles Dickens. As grandes marcas preocupam-se connosco! No admirável anúncio novo Hello Vacation, a Motorola alerta: conectados na rede; desligados do mundo.

A Motorola produz telemóveis, smartphones e tablets! O anúncio parece um hara-kiri. Mas não é! A Motorola apenas produz telemóveis, não é responsável pelo seu uso, do foro de outras entidades, tais como as operadoras.

Convém desconfiar dos anjos, mormente dos anjos da guarda que fazem tudo para nos proteger: a protecção atrai o controlo. O abraço que protege é o mesmo que aperta.

Marca: Motorola. Título: Hello Vacancy. Agência: Ogilvy & Mather. Estados Unidos, Fevereiro 2018.