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Dança tónica

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A publicidade dança. Com criatividade. No anúncio Drink Outside the Lines, da Vitaminwater, o tapete rolante serve de pista. A dança é contagiosa e viciante. Pelo menos, desde as epidemias de dança e a dançomania de finais da Idade Média (ver Epidemia de dança/). A banda sonora do anúncio contém uma curiosidade: a canção, Feel it Still, pertence a uma banda chamada Portugal. The Man. Não são portugueses, mas norte-americanos; o nome tão pouco se inspira em Vasco da Gama, António Guterres ou Cristiano Ronaldo. Optaram por um nome de um país e proporcionou-se Portugal!

 

Marca: Vitaminwater. Título: Drink Outside the Lines. Agência: Ogilvy. Direcção: Traktor. 2017.

Cantar sem voz

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À Té.

Não são apenas as grandes marcas que promovem causas, o terceiro sector também o faz, eventualmente, com brio e arte. No anúncio Unsilenced, da associação francesa La Parole Aux Sourds, a imagem, o som, a dança e a mensagem dialogam de um modo ímpar. O resultado é sublime: um bailarino surdo “canta” com gestos…  Para pessoas que têm a cabeça do avesso.

“Première en son genre, Unsilenced est un morceau original dont les paroles sont “chantées” dans une combinaison de langue des signes et de danse. La création des paroles et des mouvements a demandé une étroite collaboration entre le danseur Billy Read et le duo electro Haute. Découvrez-en plus sur le projet et soutenez-le sur Unsilenced.fr. » (La Parole Aux Sourds).

Anunciante : La Parole Aux Sourds. Título : Unsilenced. Agência : BETC. Direcção : Alban Coret. França, Março 2018.

Sincronia

Danish Ballet

O som e a imagem, feitos um para o outro, como Ulisses e Penélope, Tristão e Isolda, Romeu e Julieta. Nas curta-metragens Creation e Swan Lake, do Royal Danish Theater, a imagem e o som entrelaçam-se. Não há primeiro nem segundo. Dão os passos e os saltos em conjunto. Graças ao talento do “Composer & Sound designer” Martin Dirkov. Uma última nota: é curiosa a assunção da cultura como sobressalto.

Anunciante: Royal Danish Theater. Título: Creation. Agência: Wichmann/Schmidt. Direcção: Casper Balslev. Som: Martin Dirkov. Dinamarca, Maio 2016.

Anunciante: Royal Danish Ballet. Título: Swan Lake. Produção: New Land. Direcção: Casper Balslev. Som: Martin Dirkov. Dinamarca, Fevereiro 2015.

As danças de Matisse

« J’ai toujours essayé de dissimuler mes efforts, j’ai toujours souhaité que mes œuvres aient la légèreté et la gaieté du printemps qui ne laisse jamais soupçonner le travail qu’il a coûté » (Matisse, Henri, 1948, Carta a Henry Clifford).

Henri Matisse pintando a Dança, c. 1931.

Henri Matisse pintando A Dança, c. 1931.

Matisse with his painting The Dance (1932–33) in Nice, France, 1933.

Henri Matisse à frente da pintura A Dança (1932–33) em Nice.

Entre dois relatório de atividades, o pessoal e o do Departamento, o olhar deixa-se atrair por outros encantos. Um quadro de Matisse é outra louça. Matisse é um caso à parte na história da pintura: expoente do fauvismo, foi um dos artistas mais influentes do século XX, sobretudo, nos Estados Unidos. Andy Warhol terá exclamado: “Gostava de ser Matisse”.

Henri Matisse. A dança de Paris. 1931-1933. Fotografia de Henning Høholt.

Henri Matisse. A dança de Paris. 1931-1933. Fotografia de Henning Høholt.

Henri Matisse. A dança. Barnes Foundation. 1933.

Henri Matisse. A dança. Barnes Foundation. 1933.

As obras que Henri Matisse dedica à dança encontram-se entre as mais marcantes. Por exemplo, La Danse de 1910 (Museu Hermitage), mas também o tríptico La Danse de Mérion, encomendado por Albert Barnes, coleccionador de arte, patente na Barnes Foundation, em Filadélfia. Matisse pintou duas versões anteriores deste tríptico que se encontram no Musée de l’Art Moderne, em Paris.

Henri Matisse. A dança. 1910. Museu Hermitage.

Henri Matisse. A dança. 1910. Museu Hermitage.

Henri Matisse. Blue Nude (I). 1952

Henri Matisse. Blue Nude (I). 1952

O que me distraiu não foram as pinturas de Matisse. Foi uma fotografia, enviada pela Adélia, com Matisse a traçar o esboço de um tríptico, em cima de um banco munido com uma cana de bambu. Quem diz que pintar é fácil não conhece Matisse: “Algumas das minhas gravuras acabei-as após centenas de desenhos” (citado em  Schneider, Pierre, 1984, Matisse, Flammarion, p. 578).

Como suplemento dançante, a música Avlägsen Strandvals (1981) do acordeonista sueco Lars Hollmer, acompanhada por uma selecção de quadros de Paula Rego. Trata-se de um excerto da parte final do vídeo O Desconcerto do Mundo (2005).

Albertino Gonçalves. O Carrossel. Excerto de O Desconcerto do Mundo. 2005.

Ritmo latino

wtf uberEste anúncio é português. Tem um ritmo e um colorido estonteantes, e música original. Um ritmo acelerado sem travão.

Marca: WTF. Título: WTF + UBER. Agência: Havas. Produção: Playground Films. Portugal, Outubro 2017.

A dança dos drones

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Este anúncio japonês, A Kind Drone, da cadeia de roupa Buyma, arrecadou vários prémios. Curiosamente, só foi exibido na televisão uma vez. Teve um enorme sucesso viral. Com pouco se faz um bom anúncio: uma boa ideia e arte para a realizar.

Marca: Buyma. Título: A Kind Drone. Agência: Dentsu, Tokio. Direcção: Takumi Shiga. Japão, Dezembro 2015.

Sem deixar o Oriente, segue uma interpretação da chinesa Jane Zhang, uma voz bastante versátil (música pop e clássica).

Jane Zhang interpreta The Diva Dance Opera, do filme The Fifth Element.

Despasmar o prazer

Dune. Elements. 2017.

Estética orquestral num anúncio da Dior votado à sedução. Sem parasitar atributos alheios. “Je suis comme je suis, je plais à qui je plais” (Jacques Prévert). What else? A dança do corpo nas cordas de um violoncelo; o âmbar de um tempo humano e divino. Entre dois mundos, o cósmico e o feminino, e quatro elementos: o vento, a areia, o fogo, a água. E um perfume: Dune.

“A woman embodies the dune, created in the low chamber of an hourglass. After breaking free, she is able to control the Elements. This piece is a dreamlike journey from the sands of the dune to the waters of the ocean”.

Marca: Dior Dune. Título: Elements. Agência: Art Center College of Design. Direcção: Ignacio Sepúlveda. Estados Unidos, Junho 2017.

Houve tempos em que me revia no poema de Jacques Prévert. Hoje, infelizmente, só com um capacete de realidade aumentada. Seguem o anúncio Elements, da Dior, e o poema Je Suis Comme Je Suis, de Jacques Prévert, em francês e em português (tradução de Priscila Junglos). Não resisto a intercalar um vídeo musical com uma versão heavy Metal do poema de Prévert, pela banda Spike. O poema Je suis comme je suis foi interpretado, entre outros, por Juliette Greco (1952) e Wende Snigder (2004). Opto pela banda francesa de Salles-Sur-Hers (Carcassonne ):  o guitarrista é empregado municipal e bombeiro; o baixo, marceneiro; o bateria, “encarregado de negócios”. A música destoa da volúpia reinante, mas nada como uma dissonância para despasmar o prazer. Em vésperas de aniversário, acodem-me as originalidades da existência. O resto são inércias e formulários biográficos. Gosto de uma vertente da globalização. Não tanto a internacionalização, até um tomate bem calibrado se internacionaliza, mas o acesso ao local: a um lugar recôndito, com 695 residentes, e a uma banda de música, com 19 409 visualizações no You Tube. Como não a encaro como uma plataforma para alpinistas de rankings, a Internet agrada-me.

Spike. Je suis comme je suis. (J. Prévert / Spike). 2016.

Jacques Prévert. Je Suis Comme Je Suis. Paroles. 1946.

Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j’ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J’aime celui qui m’aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n’est pas le même
Que j’aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi
Je suis faite pour plaire
Et n’y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m’est arrivé
Oui j’ai aimé quelqu’un
Oui quelqu’un m’a aimé
Comme les enfants qui s’aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer…
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n’y puis rien changer.

Jacques Prévert: Eu sou como eu sou

Eu sou como eu sou
Eu sou feita assim
Quando eu tenho voltade de rir
Sim, eu gargalho
Eu gosto de quem me gosta
Lá isso é culpa minha
Se não é o mesmo
Que eu gosto a cada vez
Eu sou como eu sou
Eu sou feita assim
O quê você quer além disso
O quê você quer de mim
Eu sou feita para agradar
E nada nisso posso mudar
Meus saltos são muito altos
Minha silhueta muito empinada
Meus seios são duros demais
E em meus olhos muitas olheiras
E depois, e daí
O quê isto tem a ver com você
Eu sou como eu sou
Eu agrado a quem eu agrado
O quê isto tem a ver com você
O quê aconteceu comigo
Sim, eu amei alguém
Sim, alguém me amou
Como as crianças que se amam
Simplesmente sabem amar
Amar amar…
Por que me questionar
Eu estou aqui para lhe agradar
E nada nisso posso mudar.

(Tradução de Priscila Junglos: http://triunfecomofrances.blogspot.pt/2012/11/je-suis-comme-je-suis-de-jacques-prevert.html).

Dança cromática

Becoming Violet

Três sereias: música, dança e cor. Precedidas por uma frase de Omar Calabrese. Mais palavras para quê?

“Quanto mais se busca um efeito de verosimilhança, mais se deve recorrer a um máximo de artifício que, aliás, para passar de “norma” a “uso”, requer elevada destreza técnica” (Calabrese, Omar, 1994, Cómo se lee una obra de arte, Madrid, Ed. Cátedra, p. 30).

Carregar em HD para escolher uma boa resolução. Este vídeo merece.

Steven Weinzierl. Becoming violet. BalletMet. USA, Agosto 2016.

De rir a chorar

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Ontem como hoje, na Europa e no mundo, há funerais festivos e há funerais macabros. E outros ainda difíceis de classificar. Existem muitos anúncios publicitários com funerais. Começo por reter dois a pender para o risonho.

O ser humano delira. Dá-lhe para dançar e rir quando é suposto ensimesmar e chorar. No primeiro anúncio, um funeral com lágrimas e dança (ver anúncio português semelhante: https://tendimag.com/2014/02/20/a-um-morto-nada-se-recusa/). No segundo, o humor resulta mais vulgar: o velório passa colectivamente das lágrimas às gargalhadas. Passar de uma emoção à emoção oposta parece ser apanágio do homem. Talvez porque os extremos estão mais próximos do que se pensa.

Marca: Spotify. Título: Play this at my funeral. Agência: Wieden + Kennedy. USA, Fevereiro 2007.

Marca: Tages Anzeiger. Título: L’Enterrement. Agência: McCann Erikson. Suíça, 1998.

A isabel comentou este artigo relembrando o vídeo Doing It To Death, dos The Kills. Já o tinha colocado no Tendências do Imaginário (https://tendimag.com/2016/11/02/grao-a-grao-meio-milhao/). Mas o vídeo é extraordinário e a coreografia, fantástica. Vou recolocá-lo. O comentário da Isabel vem a preceito, também o vou colocar.

 “Embora não seja novidade no tendimag, suponho que este é um dos casos difíceis de classificar: https://www.youtube.com/watch?v=498zUzNGQxY (…) Quando os mortos têm um sentido de humor fora do comum e se tem um relação próxima com eles, o que fazer? Chorar de saudades ou rir com saudades? Não me parece assim tão difícil de compreender, só sentindo. Não deixa de ser uma homenagem, num sentido ou noutro. Ou oscilando” (Isabel Vilela).

The Kills. Doing It To Death. Ash & lce. 2016.

Repetição

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Ao arrepio das águas de Heráclito, podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio. Acontece repetir-me, não no absoluto, mas no relativo em que vivo. Na verdade, mesmo quando me repito, inovo. Volvidos seis anos, repesco este anúncio, logo repito. Mas não o vejo com os mesmos olhos. Entretanto fiquei pitosga. O mundo e o anúncio perderam luz e contraste. Perderam brilho e tornaram-se mais macios. Para compensar, a qualidade do vídeo é superior. Em suma, repito-me sem me repetir. O comentário, por preguiça, permanece o mesmo:

“Os anúncios de festivais de filmes costumam ser bons. Este não destoa. Fragmentos, metal, carne, metamorfose… E uma excelente sincronia entre a música e a imagem. A música esculpe e a imagem dança”.

Anunciante: Bitfilm Festival Bitfilm Festival 2007 (Lotus Trailer). Agência: Sehsucht. Alemanha, Agosto 2007.