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Desenganos

allegro

O esquema adoptado por estes anúncios é corrente. Fabricam-se expectativas até à caricatura e remata-se com uma inversão de sentido bem humorada: os pais alheam-se da performance dos filhos; o avô, afinal, podia dispensar o inglês.

Estima-se em 95% os residentes do Reino Unido que falam inglês como primeira língua. Os restantes falam quase todos inglês como segunda língua. Existem, porém, minorias linguísticas. Por exemplo, as línguas da Ásia do Sul (2,7%) e outras línguas europeias tais como o italiano, o polaco, o grego e o turco (Fonte: http://www.bbc.co.uk/languages/european_languages/countries/uk.shtml). Se não me engano, para azar, ou sorte, do avô, os netos falam polaco como primeira língua. Ao aprender inglês, o avô não perdeu tempo (o anúncio é de uma escola de línguas). O inglês é a língua franca do planeta! No mundo, 942 milhões de pessoas falam inglês como primeira língua (339 milhões) ou como segunda língua (603 milhões). Menos, no entanto, que o mandarim, falado por 1 090 milhões de pessoas. O seguinte gráfico foi construído a partir da informação facultada pela Wikipedia, com base na edição 2015 do Ethnologue – SIL International (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_languages_by_total_number_of_speakers).

linguas-faladas-no-mundo

Línguas mais faladas no mundo (em milhões) – Ethnologue 2015.

Dois ou três apontamentos: cerca de 13% da população mundial fala inglês como primeira ou segunda língua; o português ainda é a sexta língua mais falada no mundo; cerca de 11% da população mundial fala uma língua ibérica (português ou espanhol). Em suma, fica a impressão de que o inglês não é a língua do mundo; é, outrossim, a língua do poder no mundo.

Marca: Canal +. Título: Dads. Agência: BETC. Direcção: Martin Werner. França, Abril 2016.

Marca: Allegro. Título: English. Agência: Bardzo Sp. z o.o. Warsaw. Direcção: Jesper Ericstam. Polónia, Novembro 2016.

Preguiça neuronal

the-beekeeperNão se excedam a ensinar
Quero aprender
Não desenrolem mapas
Quero perder-me
Tanta gravidade
Impede-me de saltar
O caminho é caminhada
E o destino ainda não é nada
Apetece-me dançar uma valsa
Abraçado à estupidez
Que bate leve, levemente
Como quem chama por mim (AG)

Eleni Karaindrou notabilizou-se com o disco Eternity and a Day (1998). To Vals Tou Gamou, do disco The Beekeeper / O Melissokomos, foi editado muito antes, em 1986.

Eleni Karaindrou. To Vals Tou Gamou. The Beekeeper / O Melissokomos. 1986.

Expectativas estudantis

 

bem-vindos-a-fmu

Os estabelecimentos de ensino aderem cada vez mais à publicidade. Visam públicos, disponibilizam serviços e têm problemas. Em tempo de início de aulas, este anúncio brasileiro vem a talhe de foice. Dá que pensar. Não por falta mas por excesso de clareza. Transparência, diriam os bem-falantes. De que precisa um jovem? Da família? Da amizade? De lazer? Um jovem não precisa de lapsos, estorvos ou luxos. Quando muito um sopro de “romance”, a cenoura do anúncio. Do que um jovem precisa é de “alguém que se preocupe com o seu cérebro” e de “querer mais da vida. Mais, um pouco mais…”

Marca: FMU /FIAM-FAAM. Título: Mas antes. Agência: LDC. Direcção: Paulo Mancini e Lucas Fazzio. Brasil, Setembro 2016.

Escola da Primavera em Melgaço

Escola da Primavera - Cópia 3.png

Realiza-se nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, em Melgaço, a terceira edição da Escola da Primavera, organizada pelo curso de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, pela Câmara Municipal de Melgaço e pelo Centro de Estudos Comunicação e Sociedade, com a colaboração do curso de Doutoramento em Estudos Culturais.

As actividades, contempladas no cartaz anexo (carregar para aumentar), estão abertas ao público.

Segue uma galeria com fotografias dos locais a visitar.

Adeus à cátedra

Pensador de Cernavoda. Século VI a.C, encontrada em Cernavoda, na Roménia.

Pensador de Cernavoda. Séc. VI a.C. Roménia.

“As coisas a que mais queremos (…) não são com frequência quase nada. São um nada que a nossa imaginação transforma em montanha. Um outro esforço de imaginação faz que o descubramos sem dificuldade” (Blaise Pascal, Pensamentos).

Perdi, há anos, um concurso para uma vaga de professor catedrático na área de Sociologia da Universidade do Minho. Herdei alguns fantasmas. Por exemplo, alguém atribuiu, quase salomonicamente, 101 pontos a um candidato e 100 ao outro; houve quem tenha compensado o desequilíbrio na dimensão “prestação de serviços à comunidade” convocando a atividade sindical… Estes e outros fantasmas dormem no inverno do meu descontentamento: assombram a confiança e corroem a vontade. Imbuído de sentido institucional, prossegui indignado por dentro e plácido por fora.

Está aberto novo concurso para uma vaga de professor catedrático na área de Sociologia da Universidade do Minho. Há tapetes que só se pisam uma vez. É verdade que um homem tem que fazer o que tem que fazer. Persigo, porém, uma figura que pertence ao passado: o intelectual. A um homem compete-lhe ponderar o que deve fazer.

Com a fábula da raposa e das uvas na sombra, confesso que, a caminho da reforma, a cátedra me motiva pouco. Prescindo dos júris para professor associado, professor catedrático e provas de agregação. Inquietam-me os desfechos em tribunal. Dispenso avaliar colegas. Não me seduzem os cargos de topo. Não me atrai o poder. Por acréscimo, a diferença de remuneração é, no meu caso, irrelevante.

Há coisas que só se perdem uma vez. Para o bem e para o mal e com o risco de não agradar nem a gregos, nem a troianos, decidi não concorrer. Adeus à cátedra!

Texto em pdf: Adeus à cátedra pdf

Albertino Gonçalves.

Campanha pedagógica

Os seguidores do Tendências do Imaginário são exigentes. Sustentam que a antevisão da “campanha de prevenção contra o ensino”, inspirada nas campanhas contra o consumo de tabaco, não está correta (https://tendimag.com/2015/05/31/futura-campanha-sanitaria/). Devia ser a cores, como no Canadá, desde 2001, ou em Portugal, a partir de 2016. Para me penitenciar, segue um protótipo bem colorido. com a Duquesa Feia, de Quentin Massys (1525-30). Acrescento um painel, em alta resolução, com imagens de embalagens brasileiras de tabaco.

Campanha pedagógica

verso-do-cigarro