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A Cavatina pedagógica

Crianças Pensantes. Charlie Brown.

Logo, espera-me uma aula. Preparo-me. Rascunho apontamentos, que não vou utilizar, e ouço música, que passa ao lado. Música que me inspire a lograr que os alunos gostem de alguma coisa. O firmamento dos gostos mudou. Não basta que uma maçã seja boa, é preciso que haja vontade de a trincar. Consola-me pressentir que a Bruxa Malvada não faria melhor. A música de hoje é a Cavatina, composta por Stanley Myers, em 1970. Ficou célebre pela versão do filme The Deer Hunter (1978) e pela interpretação de John Williams. Desta vez, temos um duo: Manuel Barrueco e, curiosamente, Steve Morse, do último Deep Purple.

Manuel Barrueco & Steve Morse. Catavina. Nilon & Steel. 2001. Compositor: Stanley Myers (1970).

Para onde vão os mortos?

Agrupamento de Escolas de Briteiros. O Dia dos Mortos.

Hoje, temos direito a um comentário trifásico.

No dia dos mortos, solta-se a sede de cerveja. Ontem, a Budweiser brasileira, hoje, a mexicana Victoria. “A dónde vamos ao morir?” Para o nada abismal ou para a vida eterna? Cristo desceu ao inferno e regressou. E ressuscitou ao terceiro dia. As almas aguardam, pacientes, o Juízo Final. E os mortos visitam-nos… A última viagem, a passagem, permanece a nossa inquietação. Original e criativo, tecnicamente esmerado, o anúncio da Budweiser fascina os nossos fantasmas: pelos vistos, pixel a pixel, existe uma ligação biunívoca entre os vivos e os mortos.

Marca: Victoria. Título: Xibalba. A dónde vamos ao morir? Agência: Ogilvy Mexico. Direcção: Salomon Ligthelm. México, Outubro 2019.

Melgaço regressa à “noite dos medos”, um delírio mais celta do que maia. A bebida, agora, é a queimada. A procissão lembra a Santa Companhia (https://tendimag.com/2016/12/26/em-companhia-da-morte/). Sob uma chuva dionisíaca, os vivos incorporam as almas e comemoram os mortos.

Noite dos Medos em Melgaço | Altominho TV. 01/11/2019.

De origem mexicana, os “altares dos mortos” globalizaram-se. Homenageia-se quem é digno de memória. No Agrupamento de Escolas de Briteiros, erguem-se altares a uma diversidade de pessoas falecidas: Eusébio, Joaquim Agostinho, Amália Rodrigues, António Variações, Sophia de Mello Breyner Andresen, Steve Jobs, Edith Piaff, Camões, Martins Sarmento… Os mortos vivem no altar da memória, que, algum dia, também se apagará. Nem sequer falta o galo (https://tendimag.com/2016/10/19/o-galo-e-a-morte/)!

Humanidade e inclusão

Herman Kuypers (Holanda). Babel try out. Anos 2000

Herman Kuypers (Holanda). Babel try out. Anos 2000. Babel, a história de um projecto de inclusão que acabou em segregação.

O anúncio Neymar Jr. and Teacher Kids alcança o alvo. A Humanity & Inclusion assegura, racional e emocionalmente, a mensagem. O jogador de futebol Neymar Jr. é o “embaixador”. Não sei se é um exemplo de ensino-aprendizagem, mas revela-se um bom actor. As crianças, por sinal, desfavorecidas são um suplemento de comunicação e sensibilidade. A manutenção das línguas é uma boa opção. O anúncio tem tanta qualidade que ouso desconversar. Diz Neymar Jr.: “Se eles podem ensinar, eles podem aprender”. Naturalmente! Mas na minha imaginação existem pessoas que ensinam como trombas de água e aprendem como desertos.

Anunciante: Humanity & Inclusion. Título: Neymar Jr. and Teacher Kids. Agência: Herezie (Paris). França, Outubro 2018.

Homenagem aos professores

Este anúncio é uma magnífica homenagem aos professores. Tem a marca do planeta do Principezinho. Tive bons professores. Estão a ensinar os anjos a voar sem asas. Sinto-lhes a falta. As ideias gostam de voar, nas nuvens ou nas aulas.

Carregar na imagem para aceder ao anúncio.

Teacher Training

Anunciante: Teacher Training. Título: Sonhos. Agência: Delaney Lund Knox Warren & Partners (London). Reino Unido, 1999.

A medida de tudo e a relevância de nada

Franz Kafka, The Metamorphosis, 1915

Franz Kafka, The Metamorphosis, 1915.

Não se cria um investigador por decreto, nem se mede a investigação a metro. “Vem-nos à memória uma frase batida”: a escola como “fábrica de salsichas” (Karl Marx / Pink Floyd / Neil Smith), mais custosas do que gostosas. Desde a Idade Média que as universidades nunca voaram tão baixo. E não há volta a dar-lhe? As novas elites das redes não querem, as burocracias não podem e os sábios não sabem. Resta aos políticos desfazer aquilo que fizeram. Um hino à razão pérfido e grotesco, grotesco da pior espécie, da espécie que não tem graça. Talvez Moisés de Lemos Martins esteja certo: já não há palavras para tantos números. Com boa vontade, vamos conseguir “ter a medida de tudo e a relevância de nada” (Pitirim A. Sorokin). A minha memória é extremamente vadia. Perde-se de salto em salto sem ponto onde se firmar. Acabei de me lembrar de Gregor Samsa, o protagonista da novela A Metamorfose (1915) de Franz Kafka, que acorda um triste dia transformado em insecto. Deitado de costas na cama, nem se consegue levantar. Quer-me parecer que aquilo que acontece às pessoas nos livros acontece na realidade às organizações.

Tanto a Old Spice como a Chaindrite têm apostado no grotesco. O grotesco ocidental e o grotesco oriental não são semelhantes. Nestes dois casos, qual é o mais cerebral? O mais visceral? O mais delirante? Qual perturba mais?

Marca: Old Spice. Título: Nice and Tidey. Estados Unidos, Setembro 2018.

Marca: Chaindrite. Título: Insects. Agência: MullenLowe Thailand. Direcção: Thanonchai Sornsriwichai. Tailândia, Agosto 2018.

A sereia académica

 

Biomechanoid 75, 1975, HR Giger.

HR Giger. Biomechanoid 75. 1975.

Vale a pena dedicar uns minutos à publicidade produzida pelas universidades para cativar candidatos. O anúncio Launch Yourself, da Universidade de Leicester, antecipa duplamente o futuro: o futuro prometido pelas universidades e o futuro presumido dos candidatos. Que sugerem as imagens? O Homem de Leicester parece lidar apenas com objectos. Nenhuma interacção humana! O ambiente do Homem de Leicester é a técnica e o interlocutor o objecto. A alquimia académica transforma uma distopia sinistra numa utopia excitante.

O que realmente importa numa realidade costuma ser aquilo que ela não contempla (neste caso, a interacção humana). A Universidade de Leicester tem as suas razões: sabe-se, desde há décadas, que o objecto é o futuro do homem e que a interacção humana é cada vez mais mediada por objectos. Até a relação sexual é mediada pelo preservativo. “Queda e ascensão do preservativo, eis a história sexual da segunda metade do século XX” (Philip Roth, The Dying Animal, London, Penguin, 2001, p. 68).

Marca: University of Leicester. Título; Launch Yourself. Agência: TBWA / Manchester UK. Direcção: Yoni Weisburg. Reino Unido, Agosto 2018.

Pac-Man, o Papa Pontos

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Georges Seurat. Un Dimanche à La Grande Jatte. 1884.

Tenho pesadelos. Deve ser de pensar de mais. Escorregam as margens para o subconsciente. Sonho, por exemplo, que a minha proeminência abdominal é tão grande que preciso de estacas para a segurar. Outras vezes, sonho que faço parte de um processo: o processo de Kafka. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Logo, nada vale a pena. Nem a obra, nem a “governança”, nem a tripulação, nem o farol. Trata-se de um jogo de croquete à maneira da Rainha de Copas. A sabedoria exibe-se coxa, como o Perna de Pau: hipertrofia da investigação; hipotrofia do ensino. Investe-se na ciência como quem aposta no totoloto. Resultados? Encontros, papers, citações, corredores, rácios, concursos e pontos. Muitos pontos! Parece um quadro de Georges Seurat. Melhor, um Tetris, para encaixe, associado a um Pac-Man, para comer pontos. O pesadelo torna-se insuportável. Faço força para acordar. Estremunhado, oiço: “faltam pontos, faltam pontos, faltam pontos, para mudar de nível”. Esqueci-me de desligar a consola. É um alívio acordar para a realidade deste “admirável mundo novo”: Ciência Portugal 2018 – Star Trek.

Para conciliar realidades (hoje, costuma dizer-se plataformas) nada como a música. Clássica, tocada por dois virtuosos de outra época: Narciso Yepes e Andrés Segovia.

Fantasía para un Gentilhombre de J.Rodrigo. Homenaje de Narciso Yepes a Andrés Segovia. Madrid, 1987.

Andrés Segovia

Andrés Segovia at El Prado , Albéniz’s “Asturias-Leyenda”. 1967.

Havemos de ir a Melgaço

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Parafraseando Pedro Homem de Mello:

Se o meu sangue não se engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Melgaço (Viana)
ó meu amor de algum dia.

Estágio de campo em Melgaço

Nos dias 5 e 6 de Maio, há Estágio de Campo em Melgaço, organizado pela Câmara Municipal de Melgaço e pelo Departamento de Sociologia da Universidade do Minho, com o apoio do NECSUM, Núcleo de Estudos dos Estudantes de Sociologia da Universidade do Minho. O que vamos fazer? Viajar, observar, interagir e reflectir. Vamos dar e receber. Os alunos do Mestrado em Sociologia e os finalistas da licenciatura em Sociologia são os principais parceiros desta iniciativa. Insistem que querem ver fotografias para ponderar a decisão e estragar a surpresa. Segue um ramalhete de imagens minimamente identificadas.

Sábado, de manhã, instalação na Pousada da Juventude, no Centro de Estágios de Melgaço.

 

Durante a manhã, trilho do rio Minho.

 

À tarde, visita ao Espaço Memória e Fronteira,

 

ao Museu do Cinema

e ao castelo e à torre de menagem.

As termas do Peso são um local propício a uma pausa, com um breve concerto de guitarra e canto, na Fonte Velha.

A tarde termina no miradouro de Arbo, na Galiza.

À noite, na Casa da Cultura, ocorre a apresentação do livro Volta a Portugal, com a participação do autor: Álvaro Domingues. A apresentação, a cargo de Albertino Gonçalves, será precedida por um momento de guitarra clássica interpretado por Francisco Berény.

Na manhã de domingo, espera-nos Castro Laboreiro, com a subida ao castelo e as cascatas do rio Laboreiro.

A tarde começa em Lamas de Mouro, sítio ideal para uma pausa e recreio.

Com o corpo e o espírito refrescados, é o momento para uma reunião, no auditório da Porta de Lamas, para uma avaliação do ano lectivo.

De regresso à Vila de Melgaço, um Alvarinho de Honra no Solar do Alvarinho oferecido pela Câmara Municipal: vinho alvarinho, presunto, chouriço e broa, tudo produtos locais.

E, para terminar, o regresso a Braga.

Encontro de Sociologia no mosteiro de Tibães

O Encontro de Sociologia traz-me afastado da música e do blogue. Mas é uma iniciativa compensadora. Seguem o cartaz, o texto de divulgação, o programa e a imagem do íman que será oferecido durante o Encontro.

Cartaz Encontro Sociologia

O Encontro de Sociologia congrega todos os alunos dos cursos de Sociologia da Universidade do Minho (licenciatura, mestrados e doutoramento), bem como os docentes e os funcionários do Departamento de Sociologia. O Encontro decorre no dia 18 de Abril, durante a tarde, no Mosteiro de Tibães. Para a deslocação entre a Universidade e o Mosteiro, haverá dois autocarros que partem às 13 horas junto à pastelaria Montalegrense e regressam às 19 horas. O Encontro inclui visita guiada ao Mosteiro, um dos mais belos exemplares da arte barroca em Portugal, uma conferência e um espetáculo com música, teatro e vídeo protagonizado por estudantes de Sociologia.

Contamos com a presença de todos!
A Direção do Departamento de Sociologia

Programa

14h00 | Visita guiada ao Mosteiro

16h00 | Sessão de Abertura

Rui Vieira de Castro, Reitor da Universidade do Minho,
Helena Sousa, Presidente do Instituto de Ciências Sociais
Albertino Gonçalves, Diretor do Departamento de Sociologia
Maria de Lurdes Rufino, Coordenadora do Mosteiro de Tibães
Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM

Conferência “Vigilância, segurança e crime: desafios para a Sociologia”

por Helena Machado, Departamento de Sociologia da Universidade do Minho.

17h00 | Espetáculo de Música, Teatro e Vídeo pelos alunos dos cursos do Departamento de Sociologia

Moderação: José Cunha Machado, Diretor adjunto do Departamento de Sociologia & Joana Mota Silva, Presidente do NECSUM.

19h00 | Encerramento.

Imagem do íman alusivo ao encontro

Imagem do íman alusivo ao Encontro de Sociologia.