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Berenice

“A principal regra é agradar e sensibilizar. Todas as outras existem para alcançar esta primeira” (Jean Baptiste Racine. Prefácio a Bérénice. 1670).

“Que o dia recomece e que o dia acabe, sem que jamais Tito possa ver Berenice” (Racine, Bérénice, Ato IV, Cena 5). Pois, hoje, Berenice visitou Tito. Chamo-lhe Berenice em homenagem a Racine. É a mais extrovertida das antigas alunas, tão jovem quanto eu. Trouxe alegria, energia, abraços e doces, incluindo o bolo que, durante uma das edições da Escola da Primavera, confidenciei preferir. Fico-lhe a dever um momento, como diria Racine, de prazer e emoção. Fiquei tão comovido com o seu gesto, que me permito brincar, partilhando uma ideia que, provavelmente, não lhe vai ser de nenhuma utilidade. Conheço o seu entusiasmo pela sociologia, mas também pelo vestuário, pela moda, pelo design e pela sua terra. A arte, o sentimento e gosto. Como passatempo, para os momentos de lazer, proponho-lhe um tema de investigação: “a influência da indústria têxtil na elegância vimaranense”. Não tanto pela vertente do vestuário, da moda e do design, mas pelo labirinto desafiante da organização e da mundividência sociais. Talvez um dia, quem sabe, pudesse inspirar uma dissertação de doutoramento em sociologia. Talvez “dê pano para mangas”. Como a Berenice sabe, tenho o vício de brincar a sério. Várias teses, algumas das quais me coube a sorte de orientar, sugerem que o modelo de industrialização do vale do Ave, em particular a relação dos patrões com as empresas e a cidade, propiciou a persistência histórica de uma espécie de “sociedade cortesã”, com convívio seleto de famílias aristocratas, burguesas e mistas, no berço de Portugal. Persistência que deixou, porventura, algumas marcas. Tito está a provocar Berenice, a sua vocação e o seu bairrismo, e não devia! Devia ter juízo, limitar-se a deliciar-se com mais uma fatia de bolo, uma rabanada ou uma colher de aletria.

Seguem a canção Titus et Bérénice, de Bénabar, e um excertoda ópera Bérénice, de Michael Jarrel, dois espelhos da verdade a refletir a Berenice antes e depois da tentação. “Quem se supera uma vez, pode superar-se sempre” / “Qui se vainc une fois peut se vaincre toujours” (Pierre Corneille, Tite et Bérénice, Ato II, Cena 2, 1670).

Bénabar. Titus et Bérénice (Version acoustique). Com Isabelle Nanty. Inspiré de faits réels. 2014.
Bérénice (excerto), de Michael Jarrell, com Barbara Hannigan, Palais Garnier, 2018.

Comoção

“E que comover vem do Latim commovere, “mobilizar, mover conjuntamente”, formado de com-, “junto”, mais movere, “mexer, deslocar, mover”. Uma pessoa comovida é alguém que foi retirada do seu estado natural pelo esforço de outros” (https://origemdapalavra.com.br/palavras/comover/).

Amigo desde a adolescência, John Ferreira, pianista e guitarrista, proprietário de um estúdio de gravação no Canadá, enviou-me dois vídeos de Lara Fabian. No primeiro, interpreta a canção Je Suis Malade [do coração], um cover de Serge Lama (ver ambos: https://tendimag.com/2020/08/30/serge-lama/). O segundo vídeo, com a canção Je t’aime, é um exemplo de comoção num concerto de música, de sensibilização e mobilização recíprocas por parte da artista e da audiência. Lamechice?

Lara Fabian. Je t’aime. DVD Nue 2002 Tour. Live, Paris, 2002.

Energia e paz

Claude Monet. A Windmill at Zaandam. 1871

Não tenho emenda. Adoro partilhar música. “Dar música”. Não sei se boa, se má. Música de que gosto. Sobejam os motivos e as ocasiões para colocar uma música. Umas vezes, acabo de a ouvir; outras, surpreende-me num filme, num anúncio, numa curta-metragem; noutros casos, é o arranjo ou a interpretação, mais do que a obra, que interessa; por último, algumas ideias quando surgem, surgem musicadas, por exemplo, associações tais como o duo “energia”/”paz” ou a trindade “jovialidade”/”elegância”/”leveza” (ver: https://tendimag.com/2022/01/02/jovialidade-elegancia-e-leveza/). Configurações como estas dão-me música. Vários autores assumem que, enquanto criam, conseguem ligar automaticamente a mão que escreve ao cérebro que pensa. Eu acrescento o ouvido, que dança com o cérebro na mão.   

Energia e paz não são inconciliáveis, pois não? Parece, mas não! Pares como este, improváveis, costumam revelar-se deveras potentes na mobilização simbólica. Ao conjugar “energia” e “paz”, logo me acode o celebérrimo slogan “a força tranquila” que, criado pelo mago da publicidade Jacques Séguéla, é considerado como o responsável pela vitória de François Mitterand nas eleições presidenciais francesas de 1981 (ver https://tendimag.com/2015/02/18/criacao-e-recriacao/). A “energia” e a “paz” prestam-se também aos alegros e adágios de Karl Jenkins. Volvidas várias décadas, o slogan de Jacques Séguéla e os acordes de Karl Jenkins, “força tranquila”, “energia” e “paz, continuam a ressoar em muitas caixas cranianas.

Pergunto-me por que insisto em queimar, dia após dia, tantas “celulazinhas cinzentas” com a publicação destes pequenos artigos. Muito investimento, pouco proveito. Para comunicar ideias e sentimentos? O tamanho da audiência não o justifica, talvez a qualidade. Trata-se de uma fixação narcisista, de um vício compulsivo: o prazer de ler enquanto se escreve, com a ilusão de se rever no espelho da própria escrita. Não é uma virtude, nem uma dádiva, é uma tentação e um pecado. Por isso, mal termino um texto, o abandono à sua sorte. Cativa-me o rebento, aborrece-me a disseminação.

Karl Jenkins. Palladio. Allegretto. 1995. Orchestra Barocca Marco Dall’Aquila. Dir. Jacopo Sipari di Pescasseroli. 2011.
Karl Jenkins. The Armed Man.  A Mass For Peace. Benedictus. 2001. Violoncelo: Hauser. Zagreb Philharmonic Orchestra and Choir Zvjezdice. Lisinski Concert Hall in Zagreb, outubro 2017.

Mãos exiladas

Auguste Rodin. A Catedral. 1908.

Há mais de um ano que não dava um passeio. Hoje, visitei o Museu D. Diogo de Sousa, atraído pela valiosa Coleção Bühler-Brockhaus. Vale a pena! Creio que também vale a pena espreitar, pelo prazer visual, o vídeo Mãos Exiladas e a respetiva galeria de imagens, com desenhos de Albrecht Dürer e esculturas de Auguste Rodin.

Albertino Gonçalves. Mãos Exiladas: Dürer & Rodin. Dezembro 2021.

Galeria de imagens: Mãos Exiladas – Dürer & Rodin

Sobre carris

Claude Monet – The Gare Saint-Lazare, Arrival of a Train. 1877.

As imagens dos anúncios Traffic Jam e Hexagonal, da Ouigo e da Sncf, não provêm de Portugal. Encarnam uma vantagem que o País não possui. Uma herança que hipoteca o futuro. Uma aposta que, ano após ano, se manifesta cada vez mais errada. Mesmo assim, aconselho os reis magos a tomar, esta quadra, o comboio.

Marca: Ouigo. Título: Traffic Jam. Agência: Rosapark. Direção: Djawid Hakimyar. França, setembro 2020.
Marca: Sncf. Título: Hexagonal. Agência: Publicis Conseil. Direção: Raphaël Levy. França, agosto 2021.

Sentimentalismo romântico

Francis Bacon. After Three Studies of Lucian Freud. 1969

Estou a ficar saturado de me fazer companhia. Sempre os mesmos estímulos. Minimalistas. Sobra a sensação de um mundo que se esgota. Quando não se pode abrir a porta, espreita-se pela janela, da alma. Sinto saudades de tudo! De Paris, por exemplo. Até o sentimentalismo romântico dos franceses, que ridiculizava, agora me enternece. Fiz bem em regressar? Ganhei quarenta anos, quase dois terços de uma vida; mas nunca saberei o que perdi. Nem quero imaginar. Certo é que até os ecos mais vulgares me satisfazem neste vazio de uma quase morte social. Georges Moustaki, o poeta, nunca se sentia só com a sua solidão (ver A companhia da solidão). Creio que estou a perder a poesia. Ela era tão bonita / Ela tinha olhos revolver / A vida.

Alain Barrière. Elle était si jolie. 1963. Festival da Eurovisão.
Marc Lavoine. Elle a les yeux revolver. Marc Lavoine. 1985. Ao vivo: Olympia, 2003.
Alain Barrière. Ma vie. Ma vie. 1964.

LETRAS
Alain Barrière: Elle était si jolie
Elle était si jolie
Que je n’osais l’aimer
Elle était si jolie
Je ne peux l’oublier
Elle était trop jolie
Quand le vent l’emmenait
Elle fuyait ravie
Et le vent me disait
Elle est bien trop jolie
Et toi je te connais
L’aimer toute une vie
Tu ne pourras jamais
Oui mais, oui mais elle est partie
C’est bête mais c’est vrai
Elle était si jolie
Je n’oublierais jamais
Aujourd’hui c’est l’automne
Et je pleure souvent
Aujourd’hui c’est l’automne
Qu’il est loin le printemps
Dans le parc où frissonnent
Les feuilles au vent mauvais
Sa robe tourbillonne
Puis elle disparaît
Elle était si jolie
Que je n’osais l’aimer
Elle était si jolie
Je ne peux l’oublier
Elle était trop jolie
Quand le vent l’emmenait
Elle était si jolie
Je n’oublierai jamais

Marc Lavoine: Elle a les yeux revolver

Un peu spéciale, elle est célibataire
Le visage pâle, les cheveux en arrière
Et j’aime ça
Elle se dessine sous des jupes fendues
Et je devine des histoires défendues
C’est comme ça
Tellement si belle quand elle sort
Tellement si belle, je l’aime tellement si fort
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
M’a touché, c’est foutu
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
Elle m’a touché, c’est foutu
Un peu larguée, un peu seule sur la terre
Les mains tendues, les cheveux en arrière
Et j’aime ça
À faire l’amour sur des malentendus
On vit toujours des moments défendus
C’est comme ça
Tellement si femme quand elle mord
Tellement si femme, je l’aime tellement si fort
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
M’a touché, c’est foutu
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
Elle m’a touché, c’est foutu
Son corps s’achève sous des draps inconnus
Et moi je rêve de gestes défendus
C’est comme ça
Un peu spéciale, elle est célibataire
Le visage pâle, les cheveux en arrière
Et j’aime ça
Tellement si femme quand elle dort
Tellement si belle, je l’aime tellement si fort
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
M’a touché, c’est foutu
Elle a les yeux revolver
Elle a le regard qui tue
Elle a tiré la première
Elle m’a touché, c’est foutu
Alain Barrière: Ma vie

Alain Barrière: Ma vie

J’en ai vu des amants
Ma vie
L’amour ça fout le camp
Je sais
On dit que ça revient
Ma vie
Mais c’est long le chemin
Ma vie
J’en ai lu des toujours
Ma vie
J’en ai vu de beaux jours
Je sais
Et j’y reviens toujours
Je sais
Je crois trop en l’amour
Ma vie
J’en ai vu des amants
Ma vie
L’amour ça fout le camp
Je sais
On dit que ça revient
Ma vie
Mais c’est long le chemin
Ma vie
Qu’il est long le chemin

Arqueologia do slow

Ontem apresentei uma comunicação sobre “a música na publicidade de automóveis” no âmbito de um encontro online dedicado ao tema Identidades e Comunidades Musicais. Quando termino uma comunicação, evito o rescaldo. Esgoto o pensamento. O interesse imediato por parte da audiência é bênção que declino. Os encontros online tendem a reduzir o risco. Após uma comunicação, sabe bem desligar, pasmar… Brejeirice à parte, com esta alergia cerebral, não enjeitaria dançar um slow, comunicar, em silêncio, por outros meios. Embalar até anestesiar a inteligência. Uma extravagância improvável nos encontros públicos, bem como no discurso online, condução solitária de um automóvel sem volante. Não se dança um slow sozinho. Contento-me com um sumo de laranja e um par de cigarros. Nas pistas de dança dos anos setenta, os corpos extremavam-se: ora aceleravam, separados, nos shakes; ora abrandavam, reencontrados, nos slows. Volvidos alguns anos, as séries de slows começam a desertificar as pistas. O corpo pedia cerveja, whisky, gin tónico; preferia dialogar noutras órbitas. Entalados entre a ressaca dos sessenta e a rampa dos oitenta, os anos setenta compuseram uma década estranha, que o tempo se apressou a varrer e a memória se obstina a acarinhar.

Jean-François Maurice. Pas De Slow Pour Moi. 1978.
Jean-François Maurice. 28º à l’ombre – Monaco. 1978.

Gilbert Bécaud

Gilbert Bécaud partiu no dia 18 de Dezembro de 2001, há 20 anos. Um compositor e intérprete extraordinário, que “não se ouve muito nas ondas, o que, no fundo, parece miseravelmente uma falta de saber-viver e de reconhecimento” (https://soirmag.lesoir.be/263485/article/2019-12-06/gilbert-becaud-monsieur-100000-volts).

“L’important c’est la rose”. Mais “il est mort le poète”. “Et maintenant?” “T’iras pas au paradis”.

Gilbert Bécaud. L’important c’est la rose. Interpretação: 1967.
Gilbert Bécaud. Quand il est mort le poète. Interpretação: 1988.
Gilbert Bécaud. Et maintenant. Edição: 1961.
Gilbert Bécaud . Charlie, t’iras pas au paradis. Interpretação: 1972.

Ler para ser

Marca: L’Equipe. Título: Oh papa c’est toi. 2010.

O Cristo leproso

Cristo na cruz, dito Cristo leproso, da leprosaria de Bajasse. Basílica de St Julien, Briioude (Haute-Loire).

A lepra assombrou a vida durante a Baixa Idade Média. Os leprosos eram confinados fora das coletividades. Há imagens que insistem em regressar. Acontece com o crucifixo dito do Cristo Leproso. A braços com uma nova pandemia, afigura-se-me que o nosso tempo ainda não encontrou um ícone com o alcance simbólico à altura deste Cristo Leproso.

“Existe na basílica de Saint-Julien de Brioude (Haute-Loire) uma imagem impressionante de Cristo na cruz comumente chamada o Cristo leproso. Esta obra, realizada para a capela da antiga leprosaria de Bageasse (fundada em 1161 por Odilon de Chambon), data do fim do século XIV. De tamanho maior que o natural, o Cristo é de madeira maruflada polícroma. A sua pele apresenta inúmeras alterações que, acrescentadas às inclemências do tempo, evidenciam a solidariedade do Salvador em relação a esta figura maior da pobreza que é o leproso da Idade Média (…) Segundo uma antiga lenda, um leproso ter-se-ia deitado sobre esta cruz implorando a cura e a doença se transferiu para a imagem esculpida. Independentemente do grau de historicidade desta lenda e da vontade do artista, este Cristo tornou-se conhecido por todos como o Cristo leproso” (Arnaud Montoux. Contempler Le « Christ lépreux » de Brioude: https://www.la-croix.com/Journal/Le-Christ-lepreux-Brioude-2018-02-10-1100912646).

No livro Pandémies – Des Origines à la Covid-19 (publicado em Abril pela editora Perrin, Patrick Berche escreve:

“Para separar os leprosos da comunidade, era necessário fazer o diagnóstico para distinguir a lepra das restantes numerosas infeções cutâneas tão frequentes naquele tempo. Os doentes suspeitos tinham que ser examinados por um júri, primeiro, eclesiástico, em seguida, médico, junto com os miseráveis. No séc. XIII, atribui-se uma importância decisiva aos sintomas neurológicos iniciais (insensibilidade, paralisias…). Na realidade, o isolamento não era absoluto. Os miseráveis não eram afastados à força. Eram advertidos daquilo que lhes era proibido, a que chamavam “defenses”: obrigação de dar o sinal e proibição de entrar nas igrejas e nas casas. Podiam circular pelo país desde que evitassem os centros urbanos. Fora da leprosaria, deviam trazer os seus atributos: a capa com capuz com um pedaço de tecido vermelho no peito, as luvas, o chocalho de madeira (“flabel”) para se fazer anunciar, a tigela para as esmolas, o bastão para não tocar em nada diretamente. As regras de sequestração foram aplicadas severamente nos séculos XII e XIII, sendo aliviadas no século XIV. Existiam leprosos errantes, muitas vezes expulsos da sua localidade de origem ou de um lazareto, oficialmente por motivo de distúrbios e insubordinação. Vagabundeavam, à procura de santuários com santos curadores. Encontravam-se frequentemente nas entradas das cidades, mendigando para sobreviver. Algumas vezes, grupos invadiam as cidades e instalavam-se na praça pública, no meio da multidão, onde a mendicidade era mais lucrativa mas onde, em contrapartida, as atitudes de rejeição eram as mais vivas.
Na Idade Média tal como na Antiguidade, pensava-se que a lepra era uma punição divina que afetava a alma e o corpo na sequência de um pecado. Apesar da sua exclusão do mundo, a atitude face aos leprosos permanecia ambígua. Temia-se o leproso que provoca repulsa e que é considerado um pária, à semelhança dos hereges e dos Judeus. É impuro e deve expiar as suas faltas. Ao mesmo tempo, é, de certo modo, uma dádiva de Deus. Tinha sido “distinguido”, sobremodo porque contraiu, por vezes, a doença por ocasião de uma peregrinação ao Oriente. Não é a imagem viva do Cristo sofredor? Isto é recordado pela parábola de rico malvado e do pobre Lázaro. Representou-se, inclusivamente, Cristo na cruz como leproso, símbolo da redenção dos homens. Visível na basílica de Saint Julien de Brioude (Haute-Loire), este “Cristo leproso” é um grande crucifixo em madeira maruflada polícroma, datada de finais do século XIV e proveniente da capela da antiga leprosaria de Bajasse (Vieille-Brioude). Segundo a lenda, um leproso ter-se-ia deitado sobre a estátua implorando a cura: a doença ter-se-ia transferido para a estátua, uma espantosa metáfora do contágio da lepra” (Patrick Berche, livro Pandémies – Des Origines à la Covid-19).

Cristo Leproso. Brioude. Detalhe.

Aproveito para lembrar dois episódios da religião cristão. Cristo cura dez leprosos, mas apenas um regressa para lhe agradecer. São Francisco sente-se impelido a abraçar um leproso, que, afinal, era uma encarnação de Cristo. O Cristo leproso condiz com a postura franciscana que vigorava na Idade Média.