Archive | França RSS for this section

Cosmático

De origem romena, nascido em 1940, Vladimir Cosma é um dos mais destacados e, certamente, o mais prolífico dos compositores da história do cinema francês. Compôs centenas de bandas sonoras para filmes e séries de televisão. Retenhamos o arranjo da ária “La Wally” (1892), de Alfredo Catalani, para o filme Diva, de 1981; o “Thème de Jeanne”, do filme Les Fugitifs, de 1986; e o “Thème de Nadia”, da série televisiva Michel Strogoff, de 1975.

Vladimir Cosma (arranjo) – La Wally (de Alfredo Catalini). Voz de Wilhelmenia Wiggins Fernandez. London Symphony Orchestra. Banda sonora do filme Diva, 1981
Vladimir Cosma – Thème de Jeanne. LAM Philharmonic Orchestra. Filme Les Fugitifs, 1986
Vladimir Cosma – Thème de Nadia. Série TV Michel Strogoff, 1975

Fantasias

Tenho afazeres, mas não me apetece cumpri-los. Ficam para depois. Não sei se esta alergia a obrigações é ónus ou bónus da idade. Entretanto, entrenho-me a ver anúncios, por exemplo da agência de publicidade francesa BETC. Nada como o sonho e a imaginação.

Imagem: Betc – Agence de Publicite, global advertising agency. BIS Publishers. 2008

Citroen – The Dreamer. Agência: BETC. Direção: Fredrik Bond. França, outubro 2025
Citroen – The Alien. Agência: BETC. Direção: Gary Freedman. França, janeiro 2025
Canal + – The Secret of Wakany. Agência : BETC. Direção: Antoine Bardou-Jacquet. França, janeiro 2023

A fatura bélica. Almas quebradas

Otto Dix. War cripples. 1920

Presente em cerca de 900 autarquias francesas, a estátua do soldado heroico é neste anúncio subvertida. O filme revela aquilo que o monumento silencia: a ferida invisível por detrás da figura trinfante.

Musée de la Grande Guerre du Pays de Meaux – Le poilu victorieux. Agência: BBDO Paris. França, abril 2026

Ouvidos vadios

Continuemos a (a)variar. A banda francesa Orange Blossom presta-se. Fundada em Nantes em 1993, combina trip hop e rock, progressivo e eletrónico, com música oriental. Os membros principais são o francês PJ Chabot, violino, o mexicano Carlos Robles Arenas, percussão, e a egípcia Hend Ahmed, voz. Os demais têm origem argelina, marfinense e turca. “Multiculturais”, cantam em árabe, francês, inglês, turco, espanhol e português (Meu amor se foi).

Anónimo, ca. 1500. Univ. de Liège

Orange Blossom – Ya Sidi. Under the Shade of Violets, 2014. Clip oficial da série “Marseille” iniciada em 2016
Orange Blossom – Mexico. Under the Shade of Violets, 2014. Live Sessions, 2022
Orange Blossom – Habib. Everything Must Be Change, 2005. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blossom – Maria. Under the Shade of Violets, 2014. Ao vivo na FIP (France Inter Paris), em 16 de outubro de 2014.
Orange Blosson – Souffrance. Everything Must Change, 2005
Orange Blosson – Ode. Spells From The Drunken Sirens, 2024

O Tempo do Amor

Hoje fui a Melgaço assistir à missa e à procissão de Nossa Senhora da Cabeça em Penso. Aproveitei para visitar a casa de infância. Espevitei memórias díspares. Por exemplo, a música, a voz, a figura e o estilo de Françoise Hardy.

Já coloquei duas canções: Mon amie la rose e L’Amitié . Acrescento 5+1. “Le Large”, a última, representa um regresso com 74 anos de idade.

Françoise Hardy – Tous les garçons et les filles. Tous les garçons et les filles, 1962. Douce France : émission du 28 septembre 1964
Françoise Hardy – Le temps de l’amour. Tous les garçons et les filles, 1962
Françoise Hardy – La maison où j’ai grandi. Françoise, 1966
Françoise Hardy – Comment te dire adieu. Comment te dire adieu, 1968
Françoise Hardy – Il n’y a pas d’amour heureux. Comment te dire adieu, 1968
François Hardy – Le large. Personne d’autre, 2018

Uma Flor num Inferno

“Chanson pour Anna”, do Daniel Guichard, é flor que, como a camélia, teima em reaparecer no inverno, estação que não nos larga. É dedicada a Anne Frank, uma flor num inferno. Acrescente-se “Reste”, uma canção de despedida, seguida por “Prends-moi dans tes bras”, um pedido de refúgio, e teremos três belos poemas que se encadeiam. Recoloco “Mon Vieux” e “La Tendresse”. Fazem também parte do meu jardim de inverno.

Imagem: Frank, dezembro de 1941

Daniel Guichard – Chanson pour Anna. Mon vieux, 1974. Live 2015. Gravado no Teatro Sébastopol, em Lille.
Daniel Guichard – Reste. Notre histoire, 2012. Live 2019. Gravado no Teatro Sébastopol, em Lille.
Daniel Guichard – Prends-moi dans tes bras. Mon vieux, 1974. Live 2019. Gravado no Teatro Sébastopol, em Lille.
Daniel Guichard – Mon vieux. Mon vieux, 1974. Live 2015. Gravado no Teatro Sébastopol, em Lille.
Daniel Guichard – La tendresse. La tendresse, 1973. Live 2019. Gravado no Teatro Sébastopol, em Lille.

História Trágica com Final Feliz

À Leonor

A Minda enviou-me a curta metragem de animação “Tragic story with happy ending” (França, 2005), da autoria da portuguesa Regina Pessoa.

Regina Maria Póvoa Pessoa Martins (Coimbra, 16 de Dezembro de 1969) é uma realizadora de animação portuguesa. É membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e vencedora de diversos prémios de animação internacionais como o Annie Awards e o Anima Mundi.

O seu filme Kali, o Pequeno Vampiro foi considerado Património Mundial pela UNESCO (…) A sua curta-metragem História Trágica com Final Feliz é o filme português mais premiado de sempre, tendo obtido mais de 35 prémios (…) O seu nome encontra-se em terceiro lugar, na lista dos 50 melhores filmes de animação dos últimos 25 anos, compilada pelo Animac – Festival Internacional de Cinema de Animação da Catalunha em 2021. (Wikipedia, 27.02.2026).

Andar às voltas com a felicidade propicia recompensas como esta.

Regina Pessoa – Tragic story with Happy ending. França, 2005.

Moinhos do Coração. Regresso à Felicidade

Para o vídeo sobre a felicidade que a turma de Sociologia da Arte e do Imaginário está empenhada em produzir, a Margarida Gomes propôs o videoclip, excelente, da canção “What Are You Doing the Rest of Your Life?”, de Michel Legrand, interpretada por Anne Sofie Von Otter e Brad Mehldau. Para acompanhar, sugere a frase “Felicidade são os momentos vividos e retidos”.

O vídeo recorre às técnicas frozen action e bullet time para ilustrar o modo como os acontecimentos marcantes podem ficar recordados. Na verdade, os momentos da vida não ficam congelados na memória. Esta, viva, não cessa de os alterar e ressignificar.

Anne Sofie Von Otter & Brad Mehldau – What Are You Doing the Rest of Your Life (Michel Legrand, Happy Ending, 1969). Colocado em 19.02.2016.

Michel Legrand, falecido em 2019, com 86 anos, é um dos grandes compositores e pianistas franceses. Entre muitos prémios, recebeu o Oscar de melhor banda sonora pelos filmes Summer of ’42 e Yentl. Acresce o Oscar de melhor canção original por “The Windmills of Your Mind” do filme The Thomas Crown Affair.

Não deixo passar a oportunidade para colocar três músicas do Michel Legrand: “The Windmills Of Your Mind” (1969; “Les Moulins de Mon Coeur”, original 1955), interpretada por Sinne Eeg; “Je ne pourrai vivre sans toi”, com Maurane; e “Summer of ’42”.

Sinne Eeg – The Windmills Of Your Mind. Michel Legrand, 1969; Les moulins de mon coeur, Presenting Michel Legrand, 1955. Interpretação em Orange, França 2012
Maurane e Michel Legrand – Je ne pourrai vivre sans toi / Les parapluies de Cherbourg, 1965. Ao vivo no concerto “Michel Legrand and the cinema” – 2009
Michel Legrand – Summer of ’42. 1971. 1971. Colocado no ART KOSEKOMA Website, em 12.09.2013

Clio

O anúncio “A Musa”. para o Renault Clio, faz-me regressar ao interesse pela publicidade a automóveis: “os anúncios a automóveis formam um mundo à parte. Destacam-se como os mais prendados em recursos humanos, técnicos e criativos. ” (Sentados sobre Rodas. 19.01.2013). Em dezembro de 2021, fiz aliás uma comunicação dedicada à “música na publicidade de automóveis”.

A musa e o carro Clio são encantadores, mágicos, irreverentes, ousados, joviais, desenvoltos, criativos e práticos. Propriedades que se estima condizentes com os valores do público alvo da publicidade, em particular as novas classes médias.

Renault Clio – The Muse. Agência: Publicis Conseil. Direção: Rupert Sanders. França, janeiro 2026

A Boémia na Rua

Place de la Contrescarpe. Paris

Em setembro de 2025, a Place de la Contrescarpe, no Quartier Latin, em Paris, transbordou dopamina. Um conjunto de 30 músicos e cantores entoou e encenou a Bohemian Rhapsody, dos Queen. Empolgante! Agradeço a partilha deste link à Helena Lages, aluna de uma das primeiras turmas de que fui professor na Universidade do Minho, no início dos anos 1980′.

Bohemian Rhapsody, dos Queen, na Place de la Contrescarpe, em Paris, em setembro 20255, por, entre outros, Mickey Callisto e Julien Cohen. Realização de Julien Cohen.