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A dança de Paris

Quai de Bourbon. Paris.

O acordeão desperta as folhas mortas no cais da paixão. Ressonâncias, saudades… Ao longe, na água, o silêncio. No fundo, a memória das coisas distantes.

Como gostaria de escrever sem pintar as palavras!

Et la vie sépare ceux qui s’aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit.
Et la mer efface sur le sable,
Les pas des amants désunis.
(Jacques Prévert. Excerto de Les Feuilles Mortes. Paroles. 1945).

Richard Galliano & Tangaria Quartet. Autumn leaves. 41 Internationale Jazzwoche – Burghausen, Germany, Wackerhalle, 2010.03.12.

A maestrina encantada

Mozart. A Flauta Mágica.

Tantas vacinas! Não chegam? Por este andar, vão sobrar. Tanto espantalho. A vacina é tóxica? As palavras é que são tóxicas. O problema não repousa na ignorância mas no excesso de sabedoria. O voo e a aterragem coprológica das moscas. No burburinho quotidiano, na televisão, na Internet e nas redes sociais. “Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. Toxicidade por toxicidade, a minha última vontade: quero fumar no caixão, sem acender o cigarro em discursos iluminados. Prefiro o cigarro e a estupidez. O silêncio é o contratempo da comunicação pós-moderna.

O anúncio 5G: Reimagina Tudo, da Vodafone Portugal, é notável. Ritmo, imagens e música, num encadeamento mágico. Lembra o anúncio Opera de  Bruno Aveillan para a Nintendo: maestrina, condução, música, público e fantasia. O título deste artigo inspira-se na Flauta Mágica, a última ópera de Mozart. Acrescenta-se um excerto.

Marca: Vodafone Portugal. Título: 5G: Reimagina. Agência: Wunderman Thompson Portugal. Com Joana Carneiro. Portugal, fevereiro 2021.
Anunciante: Nintendo / Game Boy Advance. Título: Symphony. Agência: Leo Burnett. Direcção: Bruno Aveillan. França, maio 2002.
Wolfgang Amadeus Mozart. The Magic Flute – Queen of the Night aria. 1791, Soprano: Diana Damrau. The Royal Opera. 2017.

À porta do inferno

Auguste Rodin. Pormenor da Porta do Inferno. 1880–1917.

Bruno Aveillan produz uma curta-metragem, Divino Inferno, dedicada à Porta do Inferno, de Auguste Rodin. Uma confluência de dois artistas do sobre-humano. Uma esteticização do sofrimento extremo e da resistência visceral. O desespero, a travessia arrepiada.

Seguem três vídeos. 1) Divino Inferno; e 2) Humans, ambos de Bruno Aveillan; e, para complemento, 3) Auguste Rodin – The Gates of Hell, um documentário do Canal Educatif à la Demande (CED).

Título: Divino Inferno [Rodin created the Gates of Hell ]. A film by Bruno Aveillan. Produced by Arte, National French Museum Guild (RMN), NOIR, Quad & Fix Studio. 2017.
Título: Humans. Directed by Bruno Aveillan. Edit by Thanh Long Bach. Music by Max Richter: Dona Nobis Pacem 2. 2019.
Auguste Rodin – The Gates of Hell. Canal Educatif à la Demande (CED). 2008.

Fatiar a vida

Mordillo,

Fatiar a vida ano após ano até oxidar o tempo. Sobram, afortunadamente, momentos. Ínfimos, infinitos, pessoais. Feliz aniversário!

Aidan Gibbons: The Piano. Música de Yann Tiersen.
Yves Montand. Les feuilles mortes. 1949 ou 1950. Ao vivo no Olympia. 1981.

Aniversário

Juan Miró. Dancer. 1925.

O meu rapaz mais novo faz anos. Não sei que lhe dizer. Todos fazemos anos: uns mais devagar, outros mais depressa. A música pode calar o silêncio. Canções que gosto e ele não. Por acréscimo em francês. Mas dizem o que quero dizer, sem falar.

Grégoire. Mon enfant. Le même soleil. 2010.
Grégoire. Mon repère. Le même soleil. 2010.

Lagartos. As alterações climáticas

T-shirt. Aquecimento global.

“O lagarto andou à roda, à roda, à roda, até que abocanhou a cauda. Mordeu, mordeu, mordeu… Ficaram os dentes” (Albertino Gonçalves).

As alterações climáticas sentem-se, mas, por vezes, não se pensam; pensam-se, mas, por vezes, não se age. É a perspetiva dos seguintes anúncios:

  • The climate is changing, da Singapore’s national water, alerta para o cuidado a ter com a água.
  • Face à l’urgence climatique, les discours ne suffisent pas, do Greenpeace France, denuncia a inconsequência dos discursos (políticos).

As alterações climáticas são uma onda gigante que ameaça afundar-nos.

Anunciante: Singapore’s national water. Título: The climate is changing. Agência: Tribal Worldwide Singapore. Singapura, março 2021.
Anunciante: Greenpeace France. Face à l’urgence climatique, les discours ne suffisent pas. Agência: Strike. Direção: Strike & fix STUDIO. França, março 2020.

Solidão e indiferença

Gloria Friedmann. Les Contemporains. 2007

O modo como as galinhas colocam a cabeça quando prestam atenção não engana. Revelam uma capacidade de concentração superior à de muitos humanos. Dedico-lhes este artigo.

Gloria Friedmann. Le compteur du Temps. Dijon. 2020.

Multiplicam-se os anúncios relativos à vacinação. Alguns são esdrúxulos, outros singelos. O anúncio Parce qu’on rêve tous de se retrouver, do Ministère des Solidarités et de la Santé, de França, é bem concebido. Dispõe-se em três tempos: visita – reencontro – sonho. Cumpre à vacina tornar o sonho realidade. A canção Je reviens te chercher (1967), de Gilbert Bécaud, acompanha o anúncio. Uma bela canção. Mas prefiro, do mesmo cantor, L’Indifférence (1977). As vacinas podem combater a solidão, mas de pouco servem face à indiferença.

Anunciante: Ministère des Solidarités et de la Santé. Título: Parce qu’on rêve tous de se retrouver. Agência: MullenLowe Paris. Direção: Olivier Desmettre. França, Março 2021.
Gilbert Bécauid. L’INdifférence. 1977.

À minha maneira

Tom Rosenthal. Go Solo. 2014.

Há anúncios que vêm aos pares. Por exemplo, os anúncios The Chase, apresentado no artigo precedente, e Leaving The Nest, em baixo, ambos produzidos para a marca Renault Zoe-E-Tech. Leaving The Nest manifesta-se particularmente feliz na escolha da música, de Tom Rosenthal:

I’m happy, nothing’s going to stop me
I’m making my way, i’m making my way
I go solo, oh go solo,
I’m making my way home
I’m making my way
(Tom Rosenthal – Go Solo. 2014)

Segue o anúncio Leaving The Nest, mais duas canções de Tom Rosenthal: Go Solo (do anúncio) e Leaving The Nest.

Marca: Renault Zoe-E-Tech. Título: Leaving The Nest. Agência: Publicis Conseil. Direção: Vincent Lobelle. França, março 2021.
Tom Rosenthal. Go Solo. Head Full of Honey (soundtrack). 2014.
Tom Rosenthal. It’OK. B-Sides. 2013.

Perseguição

As cenas de perseguição são uma tentação. Quanto mais aparatosas e improváveis, melhor. Neste anúncio da Renault, o resultado da perseguição, a multiplicação da presa, é surpreendente. Vale o anúncio! E o beijo fugaz no coração do anúncio. Uma parte do real? uma vénia simbólica? Um enxerto ritual? Uma mensagem subliminar? As cores são fantásticas.

Marca: Renault. Título: The chase. Agência: Publicis Conseil. Direção: We are from L.A. França, Março 2021,

O império das mercadorias

Coca-Cola. Open that Coca-Cola. 2021.

A Coca-Cola oferece-se como uma poção mágica (vídeo 1). À semelhança da beberagem do Panoramix (vídeo 2). A primeira resulta numa dança acelerada e colorida, a segunda, numa pancadaria ciclópica. Os objetos, as mercadorias, apoderam-se de nós e transfiguram-nos. Atente-se nos sofás Snug (vídeo 3).

Marca: Coca-Cola. Título: Open that Coca-Cola. Agência: Wieden + Kennedy (London). Direção: Los Perez. Reino Unido, Fevereiro 2021.
Astérix : Le Secret de la Potion Magique – L’Attaque du Village. Excerto. França, 2018.
Marca: Snug. Título: New Realm of Cosy. Agência: Wax/On. Direção: Thomas Ormonde. Reino Unido, Fevereiro 2021.