Portal

Não tarda será necessário um visto para passar do último dia de dezembro para o primeiro de janeiro. (Jacques Sternberg)
Agradeço que me lembrem coisas boas. Carinho de uma amiga, caiu do ninho este vídeo musical: Dante’s Prayer, da eclética cantora, compositora, produtora, pianista e harpista canadense Loreena McKennit. Acrescento dois: The Mystic’s Dream; e The Mummers’ Dance. Os três compõem um portal para a passagem de ano.
Ausente nos últimos tempos, regresso ao Tendências para desejar um bom ano novo.
Princípios e regras. As dobras da transgressão
“Vi as democracias intervirem contra quase tudo, salvo contra os fascismos.” (André Malraux, L’Espoir, 1ª ed. 1937)
“A liberdade consiste em poder escolher as suas cadeias”. Desde a adolescência que este pensamento me persegue. Habituei-me a atribuí-lo a André Malraux, mas não garanto. Jeanne Moreau sugere uma ideia semelhante: “A liberdade consiste no poder de escolher de quem se é escravo”.

Cedo me apressei a acrescentar um complemento: “Cada cadeia que se quebra é uma nova margem de liberdade que se conquista”, propícia a novas escolhas (A. Malraux também escreveu: “A liberdade pertence àqueles que a conquistam”). Juntas, as duas frases compõem um “paradoxo” de minha particular estimação.
André Malraux
O desafio das regras sempre foi uma tentação, mas em consonância com um fundo de princípios que permaneceu bastante estável ao longo da vida. Deparo, agora, com uma encruzilhada, senão um impasse. Nos últimos, e certamente nos próximos, tempos, quem mais pretende subverter as regras ameaça também os respetivos (meus) princípios. Não resulta, portanto, claro se se está a contribuir para abrir ou para fechar. Que fazer? Refrear a tentação de transgressão para salvaguardar o essencial, mais precisamente a possibilidade da diferença e da transgressão?
Voltar a escutar Breaking The Rules, de Jack Savoretti, inspirou, hoje, este devaneio. Insisto, logo existo. Acrescento a canção India Song, de Jeanne Moreau.
Abraço apertado
How many ways are there left to say I love you?
Há tantas maneiras de o dizer.
A cada um a sorte que merece?
Cada um escolhe a sua sorte, tem o futuro predestinado ou, ao jeito das tragédias gregas, abraça o seu destino? Eis algumas perguntas que um simples anúncio publicitário consegue suscitar.
Meio acordados
Ainda sonolentos, os olhos mal abertos, deixemo-nos embalar pelas canções dos Sleeping at Last: “Saturn”; “Heart”; e “Already Gone”.
Virar a página e adormecer
Por coincidência, recebo as melhores sugestões quando estou em Moledo. Os ventos insistem em soprar do Norte, desta vez, de uma amiga de Melgaço. Estou deveras grato porque, apesar de tanto borboletear na Internet, dificilmente pousaria (as borboletas degustam as flores com as patas) neste vídeo da canção Turning Page dos Sleeping at Last ímpar a vários títulos: música, coreografia, imagem, filmagem, montagem… Segue o vídeo, acompanhado por um cover dos Lua Lua.
I’ve waited a hundred years
But I’d wait a million more for you
Nothing prepared me for
What the privilege of being yours would do
If I had only felt the warmth within your touch
If I had only seen how you smile when you blush
Or how you curl your lip when you concentrate enough
I would have known what I was living for all along
What I’ve been living for
Your love is my turning page
Where only the sweetest words remain
Every kiss is a cursive line
Every touch is a redefining phrase
I surrender who I’ve been for who you are
For nothing makes me stronger than your fragile heart
If I had only felt how it feels to be yours
Well, I would have known what I’ve been living for all along
What I’ve been living for
Though we’re tethered to the story we must tell
When I saw you, well I knew we’d tell it well
With a whisper, we will tame the vicious seas
Like a feather, bringing kingdoms to their knees
Mio Violino Caro: Nigel Kennedy
Jovem, jovem, não será. Mas é quase tão jovem quanto eu. Nigel Kennedy, nascido em 1956, tem 66 anos de idade. Inovador, desenvolto e surpreendente, é um dos violinistas prediletos dos britânicos.
Acabo de chegar de Viana do Castelo de um evento “político”: Encontros do Programa de Apoio ao Investimento da Diáspora (PNAID 2023). Apetece-me algo inspirado com um toque de improviso, “fora da caixa”, que encaixado já anda demasiado o mundo.
Mio Violino Caro: Hilary Hahn
Gosto que me chamem a atenção. Além de ser melhor que nada, lembram, complementam ou corrigem aspetos inadvertidos mas relevantes e oportunos. Aliás, quem chama a atenção concedeu-a primeiro. Confrontado com a série Mio Violino Caro, o meu rapaz mais novo não se inibiu: “Sabes, entre os grandes violinistas também há jovens e mulheres”.
Por exemplo, Hilary Hahn. “Hilary Hahn (born November 27, 1979) is an American violinist. A three-time Grammy Award winner,[4] she has performed throughout the world as a soloist with leading orchestras and conductors, and as a recitalist. She is an avid supporter of contemporary classical music, and several composers have written works for her, including concerti by Edgar Meyer and Jennifer Higdon, partitas by Antón García Abril, two serenades for violin and orchestra by Einojuhani Rautavaara, and a violin and piano sonata by Lera Auerbach” (Wikipedia).
Um quase nada efémero
Que el pensamiento no puede tomar asiento
Que el pensamiento es estar
Siempre de paso
De paso, de paso
De paso
O universo é infinito e a humanidade imensa. E há tanto de que gostar. Mas tudo fazemos para os tornar pequenos. O que abraçamos é um quase nada.
A libertação é um tema recorrente nas canções da América Latina. De resistência, exprimem uma experiência vital. A letra resulta fulcral, a instrumentação simples e a voz sentida. Recorde-se, por exemplo, Victor Jara.
De Paso
(Luís Eduardo Aute)
Decir espera es un crimen
Decir mañana es igual que matar
Ayer de nada nos sirve
Las cicatrices
No ayudan a andar
Sólo morir permanece
Como la más inmutable razón
Vivir es un accidente
Un ejercicio
De gozo y dolor
Qué no, qué no
Que el pensamiento no puede tomar asiento
Que el pensamiento es estar
Siempre de paso
De paso, de paso
De paso
Quien pone reglas al juego
Se engaña si dice que es jugador
Lo que le mueve es el miedo
De que se sepa
Que nunca jugó
La ciencia es una estrategia
Es una forma de atar la verdad
Que es algo más que materia
Pues el misterio
Se oculta detrás
Qué no, qué no
Que el pensamiento no puede tomar asiento
Que el pensamiento es estar
Siempre de paso
De paso, de paso
De paso
Mudança de fase
Acabou a pasmaceira. Estava a saber tão bem! Música e arte, nada mais. E arrumar livros, sem ler. Nem sequer colocar artigos no blogue. Mas foi pausa que pouco durou! Ontem começaram as encomendas: a apresentação de um livro num encontro de empresários da diáspora previsto para a próxima sexta e o prefácio de um livro para antes de Jesus nascer.
Regressado à “atividade”, retomo o ritual dos posts, uma espécie de entremez ou corta sabores, recuperando alguma da música que escutei.
Asaf Avidan, “jovem” (nasceu em 1980) autor, compositor e cantor israelita, possui uma criatividade, uma voz e uma arte de interpretar únicas. O sucesso da carreira condiz. Aos 21 anos foi-lhe diagnosticado um linfoma. Seguem 4 canções: Bang Bang; The Labyrinth Song; My Old Pain; e Small Change Girl.
