Insetos amorosos
Sem entomofobias (ou insetofobias), ousemos voar, com besouros e libelinhas, automobilizados, telecomandados ou pela imaginação, rumo a recantos e momentos paradisíacos, tais como, eventualmente, aqui ao perto, o Couraíso, Festival Vodafone Paredes de Coura.
Contratempo
Este anúncio aposta em apanhar-nos desprevenidos.
Petiscos

Quando um anúncio antigo me chama a atenção, acode-me quase sempre uma dúvida: será que já o coloquei? Tenho que pesquisar para confirmar. Na verdade, o Tendências do Imaginário ultrapassa os 4100 artigos e a memória não ajuda.
Desta vez, confirma-se: já tinha publicado o anúncio “Sushi”, da Sony, em fevereiro de 2021. Mas fruto das inconstâncias e das filtragens da Internet, o vídeo está indisponível e a imagem ausente; apenas o texto e as legendas (ver https://tendimag.com/2021/02/19/a-estetizacao-dos-alimentos/). Entendo não restaurá-lo, preservando-o como testemunho da vulnerabilidade digital. Limito-me, portanto, a retomá-lo.
A estetização dos alimentos

A culinária é uma arte efémera? Existe uma estetização dos alimentos? Isto condiz com a febre de partilha de fotografias de comida na Internet? A pintura de alimentos é antiga (ver imagem). Atesta-o a quantidade de quadros com naturezas mortas. Existem excelentes anúncios com comida. O anúncio Sushi, da Sony, destaca-se. Vale a pena espreitar!
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Pelos vistos, tenho uma aparência de mimalho. O que não significa que dispense mimos. Talvez seja fama sem proveito! Poucas pessoas possuem consciência disso. A Beatriz é uma das excepções. Não só me visita com alguma regularidade como costuma trazer numa cesta de Capuchinho uma prenda irresistível: um belo quindim com receita à maneira. O meu bolo preferido, nem mais, nem menos!
Crise da reflexividade crítica e autodestruição
A quem nunca tem dúvidas e raramente se engana

El sueño de la razón produce monstruos (Francisco de Goya)
Preocupam algumas dinâmicas e tendências atuais. Em particular, a crescente mobilização em termos raciais, étnicos, religiosos, nacionalistas… com pretensas estirpes naturais, “antropológicas” e “biológicas”. Por exemplo, vários maniqueísmos tais como filias e fobias sionistas e islamistas.

“Hegel observa em algum lugar que todos os grandes fatos e pessoas da história mundial acontecem, por assim dizer, duas vezes. Ele esqueceu de acrescentar: uma vez como tragédia, a outra como farsa” (Karl Marx, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, 1ª ed. 1852). Nada impede, porém, que se repitam como tragédias, eventualmente maiores.
Imagem: Francisco de Goya. Visión fantasmal, ca.1801

Parece estar em curso um eclipse do propriamente político e do espírito (auto) crítico. O regresso à identificação e ao pensamento automáticos e estereotipados. Convém recordar o mundo e, especialmente, a Europa antes da primeira e da segunda guerras mundiais.
Imagem: Francisco Goya (atribuído a). O colosso. Após 1808
Para complicar, a história também revela que a mera razão não é suficiente para enfrentar o delírio simbólico. Sem o sustento e o fermento do imaginário e do emocional pouco consegue. O racional carece de uma centelha irracional para se manter aceso, para motivar e mover os seres humanos.

Existem anúncios de consciencialização que se propõem, e podem, ajudar. É o caso do anúncio “The 100th Edition”, do jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. Foi galardoado com vários prémios, entre os quais o Grande Prémio, na categoria “impresso”, no âmbito dos 2024 New York Festivals Advertising Awards.
Imagem: Francisco de Goya. Pátio de um manicómio. 1794
Hegel e Marx podem estar certos. É plausível que a história se repita de um modo cíclico ou em espiral. Mas existe uma realidade que não obedece a este retorno. Não só não recua como não para de avançar: a capacidade humana de autodestruição.
Ser bom e estar bem
Ao João
Geater work comes from great place to work (Saatchi & Saatchi, Notre Manifesto, 2024)
Numa recente autopromoção, “Notre manifesto”, a Saatchi & Saatchi destaca dois atributos incontornáveis numa boa agência de publicidade: não brincar (troçar) com o humor e convencer-se que “para ser bom no trabalho é preciso estar bem no trabalho” (vídeo 1).
A KFC e a agência Mother (London) parecem adotar e expressar estes dois princípios no anúncio “Believe in chicken”: um apelo coletivo, uma dança galinácea e uma concentração devota em torno de um frango (vídeo 2). Humor a sério e boa disposição não faltam!
David… Gilmour e Bowie
Melhor que o David Gilmour só o David Gilmour com o David Bowie. Seguem as músicas “Arnold Layne” (1967) e “Confortably Numb” (1979), ambas dos Pink Floyd, interpretadas no concerto Remember That Night, no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 9 de maio de 2006.

Génese


Os Pink Floyd representam uma espécie de santuário das minhas intimidades. Lançado em março de 1973, The Dark Side of the Moon ofereceu-se como música de fundo quando, por tentação réptil, partilhei com a primeira mulher o fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Uma experiência única: a saída às arrecuas do Jardim do Éden e a entrada sem remissão no Jardim das Delícias Terrenas.
A seguinte interpretação de “Breathe” e “Time”, pelo David Gilmour, no Royal Albert Hall, em 2006, é simplesmente brilhante. Inesquecível!
Entrar na idade



“A diferença entre os jovens e os velhos é que os velhos têm muito mais recordações e muito menos memória” (Paul Ricoeur, Lire – Octobre 2000)
“Os velhos não morrem, adormecem um dia e dormem demasiado tempo” (Jacques Brel, Les Vieux, 1963)
O que é ter idade? Questiono-me enquanto acompanho carreiras como, por exemplo, as de Mick Jagger (80 anos),Eric Clapton (79), Sérgio Godinho (78) e tantos outros. O que é ser velho? Não perguntem ao Estado, que este oscila, no meu entendimento, demasiado entre a (des)classificação, o assistencialismo e o oportunismo.
David Gilmour, com 78 anos, lança em setembro um novo álbum: Luck and Strange. Segue, em jeito de antestreia, a faixa The Piper’s Call. Observando o vídeo oficial, parece que a religiosidade, não necessariamente a religião, está no ar. Respira-se!




















































