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Albert Bartholomé, o escultor da dor sensual

01. Albert Bartholomé. Baigneuse recroquevillée. Bronze dourado.

Somos pequeninos. E tanto amamos e sofremos.

Estou a reescrever o capítulo “Mortos Interativos, para o livro A Morte na Arte, e a preparar uma conversa (“Coisas do outro mundo: esculturas tumulares e visões noturnas”) para o dia 21 de outubro, na Casa da Cultura, em Melgaço, no âmbito do programa da Noite dos Medos que culmina no sábado, 29 de outubro. Nas minhas viagens internáuticas deparei-me em vários cemitérios com obras de um mesmo escultor: Albert Bartholomé. O que me permite retomar uma prática que tenho descuidado nos últimos tempos: a apresentação de obras e autores menos conhecidos que estimo dignos de apreço e reconhecimento por parte dos amigos do Tendências do Imaginário. Assim sucedeu com artistas mais antigos, tais como Jamnitzer, Stoer, Braccelli, Bronzino, Desprez, Callot ou Corradini, e mais recentes, tais como Nussbaum, Portinari, Vigeland, Folon ou António Pedro.

Albert Bartholomé (1848-1928), francês, foi pintor até aos 39 anos (figuras 3 a 8). A morte prematura da esposa, a aristocrata Prospérie de Fleury, grávida, em 1877, altera a sua vida. Abandona a pintura, mas, a conselho de Edgar Degas, converte-se à escultura, sobretudo funerária. Numa das primeiras obras, o túmulo da esposa (figuras 9 e 10), debruça-se sobre o corpo feminino num último adeus, um instante eterno que firma uma ligação e um compromisso sofridos [contraiu um segundo matrimónio em 1901 (figura 40)].

09. Albert Bartholomé. Por Charles Giron. 1901.

Escultor conceituado, Albert Bartholomé obteve o grande prémio de escultura da Exposição Universal de 1900. Boa parte das suas esculturas são imagens de dor, nuas, de uma nudez pura e sensível, senão sensual. De certa forma, um Degas da escultura, mas com as pregas vaporosas do bailado da vida a serem substituídas pelas curvas lisas do recolhimento e do silêncio da morte.

Figuras 9 e 10. Escultura do túmulo da esposa, frente à igreja de Bouillant, perto de Crépy-en-Vallois. França.

O Monumento aos Mortos no Cemitério do Père Lachaise, inaugurado em 1899, é a sua obra mais monumental. Apelidava-a de Porta do Além. Curvados mas inconformados em vida, os seres humanos acabam por se erguer à entrada da “porta da noite eterna”. Na parte inferior, um casal jaz, inseparável, sob o olhar do “espírito da vida e da luz” (figuras 11 a 16).

Figuras 11 a 16: Albert Bartholomé. Momumento aos Mortos. Cemitério do Père Lachaise.

Notáveis são também as carpideiras (pleureuses, mournings), designadamente a Douleur do cemitério de Montmartre. Inconsoláveis e reservadas, com o corpo parcialmente coberto por um manto e a cara tapada pelas mãos, resultam alheadas e mergulhadas numa espécie de limbo. Distinguem-se, não obstante, das carpideiras habituais, vultos fechados, focados no luto e na lamentação, quase incorpóreos, que lembram “fantasmas de vivos” (figuras 17 a 21).

Figuras 17 a 21. Exemplos de carpideiras.

Todas estas esculturas parecem inscrever-se num limiar, mas as de Bertholomé situam-se menos entre dois mundos, dos vivos e dos mortos, e mais num e noutro mundos, associadas e expostas a ambos (figuras 22 a 25).

Figuras 22 a 25. Albert Bartholomé. Esculturas seminuas de lamento e dor.

Particularmente impressionantes e inspiradoras manifestam-se as esculturas com nus integrais. Mulheres com rosto oculto por véus, pelas mãos ou pela posição, maioritariamente dobradas e encolhidas, em posição de autoproteção mas vulneráveis, aproximam-se de uma posição fetal. Convocam Eros e Thanatos, numa implosão de dor (figuras 26 a 35).

Figuras 26 a 36. Albert Bartholomé. Esculturas de nus femininos.

Despojadas e expostas, contrastam com as carpideiras ocultas por mantos e véus. A escultura O Sonho (figuras 35 e 36) deita-se como um caso à parte: nua, estendida, a mulher jaz sobre uma lápide, serena, como que entregue ao destino, num despojamento e abandono absolutos e sublimes (o pormenor do colar de pérolas concorre para acentuar a nudez).

Figuras 37 a 40. Outras esculturas de Albert Bartholomé.

As esculturas de Albert Bartholomé insinuam-se como fonte de inspiração para artistas e obras posteriores. Oferecem-se como sementes que germinam em cemitérios dispersos por todo o mundo (e.g. figuras 41 a 45).

Figuras 41 a 45. Esculturas tumulares semelhantes às de Albert Bortholomé.

Este artigo proporcionou-se demasiado extenso. Menos pelo texto e mais pelas imagens. Mesmo assim, não queria terminar sem acrescentar uma música a condizer. Claude Debussy e Maurice Ravel prestam-se. Por exemplo, Clair de Lune, de Debussy. Mas para atenuar a melancolia, em vez do original, opto pela versão jazz de Kamasi Washington.

Kamasi Washington. Clair de Lune. Compositor: Claude Debussy. The Epic. 2015.

A Ave, o casal e a lápide

Lançamento do livro Uma Paisagem Dita Casa, 1 de agosto de 2022. Fotografia: Conceição Gonçalves

Prometi, há dois meses, colocar o capítulo “A ave, o casal e a lápide: as esculturas da porta da igreja de São João Baptista de Lamas de Mouro” logo após o lançamento do livro Uma paisagem dita casa, de João Gigante, integrado no programa Quem somos os que aqui estamos?, do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço. Aconteceu ontem.

Lançamento do livro Uma Paisagem Dita Casa. Melgaço, 1 de agosto de 2022. Assistência. Fonte: Melgaço, Portugal começa aqui

Tenho vindo a afastar-me da nobre missão de facultar ciência. Contento-me com namorar o conhecimento. A autoridade da lição e do relatório cede à desenvoltura da poesia, do conto ou da comédia. Entrego-me ao gozo da descoberta e da escrita e aposto no prazer do eventual leitor. Sem lonjuras nem distâncias, próximo das realidades e dos públicos. “A ave, o casal e a lápide” presta-se a ser lido como um romance policial. Nem sequer foi preciso reordenar as etapas da pesquisa. O texto espelha o percurso efetivo. Constitui um exemplo de investigação tal como sucede. Confesso algum carinho por estas páginas: não pretendem desvendar a realidade, mas acrescentar e valorizar; não contabilizam, satisfazem.

Segue o capítulo “A ave, o casal e a lápide: as esculturas da porta da igreja de São João Baptista de Lamas de Mouro”, in Gigante, João, Uma paisagem dita casa, Ao Norte, 2022, pp. 124-139. Acresce a reportagem da visita, em 2021, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao MDOC.

Cerimónia de encerramento e entrega de prémios do MDOC – Festival Internacional de Documentários. Melgaço, 08 de agosto de 2021. © Mário Ramalho/Presidência da República.

Horae ad usum Parisiensem. Antecipação medieval do surrealismo

Grandes Heures de Jean de Berry Fol. 12v

Há muito que andava à pesca do livro Horae ad usum Parisiensem [Grandes Heures de Jean de Berry], concluído em 1409. Acabo de o encontrar na Biblioteca Nacional de França. Reservados às elites, luxuosamente ilustrados com gravuras fabulosas, os livros de horas multiplicam-se durante a Baixa Idade Média. Correspondem a uma viragem da relação dos cristãos com o divino: a oração, retomada várias vezes, a horas certas, ao dia, é assumida em ambiente privado com recurso à mediação de imagens. Sobreviveram milhares de livros de horas. Em Portugal, o mais célebre é o Livro de Horas de D. Manuel (entre c. 1517 e c. 1538), publicado pela Imprensa Nacional e Casa da Moeda (1983).

Com capa original de veludo violeta, com dois fechos de ouro, rubi, safira e seis pérolas, o manuscrito das Grandes Heures de Jean de Berry (300X400 mm) é composto por 126 folios (252 páginas) com calendário (f. 1-6), horas de Nossa Senhora (f. 8-42), sete salmos da penitência e litania dos santos (f. 45-52), pequenas horas da cruz (f. 53-55) e do Espírito Santo (f. 56-58), grandes horas da Paixão (f. 61-85) e do Espírito Santo (f. 86-101) e ofícios dos mortos (f. 106-123). O livro está disponível, para consulta e descarga, no seguinte endereço https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b520004510

Segue uma montagem de uma das primeiras Horas de Nossa Senhora, acompanhada por uma galeria com iluminuras provenientes das margens, uma autêntica “antecipação” medieval do surrealismo do século XX (ver outros casos de “antecipação” histórica do surrealismo nos artigos: https://tendimag.com/2020/03/24/aula-imaterial-4-maneirismo-e-surrealismo-sonhar-o-pesadelo/; https://tendimag.com/2020/04/04/aula-imaterial-5-maneirismo-e-surrealismo-2-humanoides/; https://tendimag.com/2012/05/05/braccelli-a-maneira-surrealista/).

Horae ad usum Parisiensem [Grandes Heures de Jean de Berry]. Fonte: Bibliothèque Nationale de France: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b520004510

Galeria: Gravuras nas margens das Grandes Heures de Jean de Berry (carregar para aumentar). Fonte: Bibliothèque Nationale de France: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b520004510.

O abraço ao divino: a experiência pessoal e social da festa (texto ilustrado)

“A festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório” (Freud, Sigmund, 1913, Totem e Tabu).

As festas circunscrevem-se no tempo e no espaço. “A festa tem uma data e é uma data” (SCZARNOWSKI, Stefan & Hubert, Henri, 1919, Le culte des héros et ses conditions sociales, Paris, F. Alcan): a festa de S. Lourenço é no dia 10 de Agosto (tem uma data); 10 de Agosto é o dia de S. Lourenço (é uma data); para quem é devoto de S. Lourenço, o dia 10 de Agosto é dia santo.

Feira de S. Martinho. Penafiel

A origem da maior parte das festas é remota e rural. A sua configuração altera-se em função do calendário agrícola. Consumadas as colheitas, por altura do S. Miguel, a natureza mostra-se, no outono e no inverno, menos generosa. Quem não tem pão no celeiro, porco na corte e vinho na adega, passa mal. As famílias recolhem-se e o convívio afrouxa. Neste contexto de carência, as festas apelam à coesão social e à generosidade. As festas de São Martinho, de São Nicolau, do Natal, dos Reis ou de São Sebastião caracterizam-se todas pela ideia da dádiva e de partilha. São Martinho reparte a capa, a caridade de S. Nicolau é proverbial, o Menino nasce na pobreza, cantam-se de porta em porta as janeiras pedindo as sobras da época natalícia e S. Sebastião benze banquetes gigantescos.

O beijo ao santo durante a procissão. Festa das Papas em honra de São Sebastião. Gondiães.

No verão, no auge das colheitas, as festas querem-se de excesso e abundância. Lúdicas e efervescentes, transvasam do adro para o terreiro e, do terreiro, para os (des)caminhos. Algumas festas celebram o poder das instituições, como o Corpo de Deus, outras, a potência popular, como o Santo António, o São João e o São Pedro.

Corpo de Deus – Coca. Monção. Município de Monção. 2019

Entre a melancolia do inverno e a euforia do verão, intercalam-se o Carnaval e a Páscoa. O Carnaval enterra o velho, a austeridade invernal, e prenuncia a renovação da natureza e da vida coletiva que a Páscoa, a seu tempo, celebra. O reforço dos laços sociais na Páscoa não é o mesmo das festas do inverno. No inverno, governam-se as reservas, o passado; a Páscoa é compassada pela promessa; mobilizam-se as pessoas e os recursos, semeia-se a abundância futura. Os novos tempos são mais de “amaiantes”[i] do que de nicolinos, mais milho que pinheiro.

Nicolinas. Guimarães

Mito ou realidade, as sociedades ditas rurais esfumaram-se. E as festas mudaram. Algumas viram-se para os turistas e os forasteiros. São “festas extrovertidas”. Notável foi o ajustamento do calendário das festas ao regresso sazonal dos emigrantes. Muitas festas transitaram para o verão. Com o decréscimo de emigrantes em férias, algumas festas perderam um pouco de tudo: raízes, tronco, ramos e folhas.

Resgate da tradição: O entroido de Castro Laboreiro. Farrangalheiros e garruços são máscaras típicas de Castro Laboreiro. Altominho TV. 2021.

A duração de uma festa pode extravasar os dias programados. Existem festas que começam antes e acabam depois: bailes, música, sorteios, quermesses, decoração… No início do século XX, a Romaria d’Agonia, por volta do dia 20 de Agosto, animava Viana do Castelo desde a primeira barraca a instalar-se, dias antes, até à última a desmontar-se, no início de Setembro (Martins, Moisés, Gonçalves, Albertino, Pires, Helena, 2000, A Romaria da Srª da Agonia, Viana do Castelo, Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, p. 29).

Mas não são estas dimensões do tempo que desejo abordar. Cíclicas, as festas evoluem em tempos e espaços extraordinários. O início da festa é estrondosamente anunciado: foguetes, paradas, bombos ou arruadas inauguram a suspensão da ordem e a abertura dos festejos. Uma derradeira salva assinala o regresso à normalidade. Entretanto, vivencia-se uma experiência extraordinária e numinosa. O divino aproxima-se dos seres humanos. O sagrado e o profano exacerbam-se. A presença do sagrado intensifica-se, por um tempo, nos espaços demarcados (com bandeiras, arcos, iluminação). Se o divino se aproxima do humano, o humano expõe-se ao divino, por exemplo, através da oração, das promessas e das penitências. Acredita-se que, no período da festa, no devido local, o santo é mais milagreiro. Em Cavez, assegura-se que a fonte sulfurosa de S. Bartolomeu tem mais cheiro e faz mais milagres no dia do santo (Gonçalves, Albertino & Gonçalves João, 2014, A Festa de S. Bartolomeu de Cavez: https://tendimag.com/?s=bartolomeu). Na festa de S. Tiago das Bichas, a ocasião também era única. As bichas (sanguessugas) escolhiam o dia da sua intervenção milagrosa: “Há ao pé desta igreja um ribeiro, em dia de São Tiago, que é o orago, concorre muita gente a tomarem bichas para sararem de várias enfermidades. E é tradição antiga que só naquele dia se achavam no dito ribeiro que se chama de S. Tiago” (Capela, José Viriato, As freguesias do distrito de Braga nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2003, p. 224).

Cada festa traça a sua geografia simbólica. O romeiro pressente-o. Os lugares não ostentam o mesmo valor. Cresce desde o espaço de transição para o sagrado até à imagem do santo, passando pelo exterior e o interior do templo. À medida que se avança, os gestos e as palavras mudam, num sinal de respeito e devoção. Para trás, fica o mundo, a hora é de despojamento e oração. Importa tocar, beijar e agradecer ao santo. A devoção e a penitência procuram o sagrado: à volta da igreja, junto a um rochedo, na sombra de uma gruta ou na frescura de uma fonte. Onde o divino estiver, está o romeiro.

A proximidade do sagrado. Romaria da Senhora da Peneda em 1963. Arquivo da RTP. Sem som.

O acesso aos lugares sagrados pode ser especialmente cuidado. Alguns santuários têm escadórios: Nossa Senhora da Peneda, Bom Jesus do Monte, Nossa Senhora dos Remédios (Lamego) ou o Escadório das Virtudes, no Mosteiro de Tibães. Convidam os romeiros ao esforço da aproximação, pela ascensão, ao divino. Ladeados por esculturas e pinturas, alusivas, mormente, ao Calvário, estes escadórios propiciam uma ascese e uma catequese pela imagem. Mas, com a localização frequente das igrejas e das capelas no cume da paisagem, a ascensão sofrida dispensa escadórios. Por exemplo, o acesso à capela de São Romão no topo da Citânia de Briteiros é tão íngreme e inóspito que supera qualquer escadório em termos de sacrifício.

Procissão de Velas. Senhora dos Remédios. Arco de Baúlhe. Associação Festeiros do Arco. 2021

Nas igrejas, os devotos aproximam-se dos santos. Este é o magnetismo geral. Mas assim como, na lenda, Nossa Senhora da Orada se esgueirava todos os dias da capela para acudir às vítimas da peste em Riba do Mouro (Campelo, Álvaro, Lendas do Vale do Minho, Valença, Associação de Municípios do Vale do Minho, 2002), a santidade pode sair da igreja para se aproximar das pessoas. Durante a procissão, o santo irradia a sua aura sagrada e abençoa o território. A procissão de S. Sebastião das Papas, nas freguesias de Samão e Gondiães, é um bom exemplo (Gonçalves, Albertino & Gonçalves, João, 2013, “Entre o Céu e a Terra: Festas e Romarias de Cabeceiras de

Basto”, in Cabeceiras de Basto: História e Património, Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, 2013, p. 188-203). Detém-se para o santo benzer a broa e as papas para o banquete. Consta que a broa benzida, milagrosa, não apodrece. Testemunho de que o divino e o humano se aproximam reciprocamente, na referida procissão, S. Sebastião, o santo, é apeado para ser beijado pelos devotos. Outras procissões percorrem a paróquia, por exemplo, a procissão de velas, mas a mais sagrada e a mais abrangente é o compasso pascal. O beijo à imagem de Cristo, lugar a lugar, casa a casa.

Semana Santa. Braga. Câmara municipal de Braga. 2016

A cartografia da festa é móvel. Pode mudar de ano para ano, de dia para dia e, até, de hora para hora. O valor e o significado do espaço mudam tal como muda a relação entre o profano e o sagrado, ora distantes, ora encostados, ora justapostos. À noite, durante o arraial, o profano expande-se. De dia, a procissão dissemina, por um tempo, o esplendor do sagrado a toda a paróquia.

A relação entre o profano e o sagrado é um tema recorrente e polémico. Ao longo da história, a posição da Igreja tem oscilado, consoante os contextos e as políticas. A tendência vai no sentido de não admitir o profano nas barbas do santo, adotando-se as medidas estimadas necessárias. No final dos anos 1920, o combate ao “sol pagão” esteve ao rubro. Na Festa d’Agonia, ameaçou-se silenciar os sinos. O problema não é apenas físico, corporal. A distância visual e a distância auditiva também contam. Os sinos, os foguetes, a música e os altifalantes são intrusivos e controversos. De ambas as partes.

Romaria d’Agonia 2019. Vídeo promocional. Vianafestas – Romaria d’Agonia. 2019

Não é apenas a relação entre o sagrado e o profano que condiciona a dinâmica das festas. Além do clero, muitas entidades intervêm na programação das festas: a confraria, a comissão, as organizações e as associações locais… Cada um com os seus interesses e as suas perspetivas. A Festa d’Agonia, na viragem do século XIX para o século XX, constitui um caso exemplar (Martins, Moisés, Gonçalves, Albertino, Pires, Helena, 2000, A Romaria da Srª da Agonia, Viana do Castelo, Grupo Desportivo e Cultural dos Trabalhadores dos Estaleiro Navais de Viana do Castelo, p. 21-58).

Sob uma lua pagã. Festival de Folclore. Romaria d’Agonia, 2021.

Quem faz a festa é o povo. Não organiza, nem programa, nem executa, mas faz a festa. Dá-lhe seiva, corpo e alma. Sem povo, não há festa. As festas não morrem por falta de celebração ou de espetáculo, agonizam por falta de afluência. Oferecendo-se a festa como uma cristalização identitária da comunidade, assevera-se preocupante ver as festas e os lugares sem gente, a apagar-se. Mas o que mais surpreende não é o desaparecimento desta ou daquela festa, é a resiliência das populações e a sobrevivência das festas, a contracorrente do esvaziamento demográfico e da desvitalização social. É certo que o esvaziamento e a desvitalização são, em parte, compensados pela população flutuante, que tende a aumentar nos períodos festivos. O fenómeno revela-se, mesmo assim, notável. A fazer fé nos censos da população, em cinquenta anos, entre 1960 e 2011, a população de Castro Laboreiro decresceu de 1 941 para 540 residentes, reduzindo-se para cerca de um quarto. Por sua vez, entre 2001 e 2011, em apenas dez anos, o valor do índice de envelhecimento duplicou, subindo de 640 idosos por 100 jovens para 1 561 idosos por 100 jovens (17 jovens até 14 anos e 266 idosos com 65 e mais anos). Em 2011, metade (49,3%) da população residente tinha 65 ou mais anos de idade. Estes números não impedem que, com mais ou menos gente, a festa se faça. Na freguesia de Castro Laboreiro ocorrem, concentradas no verão, 11 festas religiosas: 2 em Julho, 5 em Agosto e 4 em Setembro. Em média, uma festa por semana! (União das Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro: http://www.castrolaboreiro-lamasdemouro.com/?m=festas&id=2703).

Festa do Ribeiro. Castro Laboreiro, 2010, Albertino Fernandes.

A festa é um negócio, que contribui para a economia local, incluindo a Igreja. Para além da salvação das almas, convém cuidar da satisfação dos corpos. A realização de uma festa envolve uma série de empresas, profissões e atividades convocadas: ornamentação, pirotecnia, publicidade, ex-votos, animação, som, iluminação, montagem de estruturas, roupas, bandas de música, música popular, fanfarras, ranchos folclóricos, quermesses, abarracamento (comes e bebes, brinquedos, jogos), restauração, hotéis, comércio… No auge das férias dos emigrantes, as festas de Melgaço foram, certamente, um bom negócio. Algumas festas desempenham um papel económico importante como mercado e plataforma catalisadora de toda uma região. É o caso da Feira e Festas de S. Miguel de Refojos.

O rural vai ao urbano. Chega de bois. Feira e Festas de S. Miguel. Cabeceiras de Basto

Quem faz a festa é o povo. A multidão, o movimento, a poeira, o barulho, a iluminação e as emoções. O excesso no sacrifício e no prazer. O muito comer e o muito beber. Gritar, em vez de falar, para vencer a algazarra. A festa consta entre as mais humanas das obras humanas. Humano o profano, humano o sagrado. Na missa, na procissão e nos bailes, o povo exprime-se como corpo coletivo… Com recalcamentos, obsessões, sonhos, fantasmas e a sua parte de sexualidade e violência.

A lenda da Ponte de Cavez e a Festa de São Bartolomeu. Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, 2020.

A festa funciona, simultaneamente, como catálise e catarse. Em noites de atrevimento, vigiar os jovens nos bailes era uma missão incontornável. Tantos namoros começaram em festas. Era uma preocupação. Quando o arraial pendia para o dionisíaco, os pais fechavam as filhas em casa. Por exemplo, na noite de São Bartolomeu de Cavez. Libertado pelo santo, “o diabo andava à solta”. A sexualidade e a violência costumam dar as mãos. Os mais velhos entusiasmam-se a recordar as refregas com o pau nas festas das freguesias vizinhas. Na excitação e na embriaguez reinante, qualquer rastilho entornava o caldo. Os rastilhos mais correntes usavam chapéu ou saias. Em algumas regiões, os beligerantes aprazavam o ajuste de contas para os dias ou, de preferência, as noites de determinada festa. Assim acontecia em Ribeira de Pena, Mondim de Basto e Cabeceiras de Basto com a festa de São Bartolomeu. Drena-se violência para a festa como se a violência endógena não bastasse. No conto “Como ela o amava” (Noites de Lamego, 1863), Camilo Castelo Branco descreve um confronto trágico, de que resultaram duas mortes, uma disputa por causa de uma mulher, na ponte de Cavez. Sublinhe-se, por último, que muitas festas ritualizam e encenam a violência. Atente-se, por exemplo, no martírio dos Santos Marroquinos, em Paderne, ou na guerra entre bugios e mourisqueiros, no S. João de Sobrado. Nestes casos, a própria festa incorpora a violência. [Carregar na imagem para aceder ao vídeo seguinte e ligue o som].

Festa da Bugiada e Mouriscada. Sobrado – Valongo. 2016. Festivity / CECS.

Não obstante o abraço divino, a utopia da igualdade, a sexualidade e a violência, quem entra pequeno na festa pequeno sai. A festa não esbate as desigualdades, espelha-as. Na competição dos candidatos à organização, na escolha dos mordomos, na publicitação altifalada das esmolas, nos leilões, no alinhamento das procissões, nas assimetrias do território… As festas são obra humana. Crescem, florescem e definham. Algumas desaparecem ou atrofiam por decisão administrativa. A Festa dos Tolos e a Festa do Burro, ambas medievais, não resistiram às reformas da Igreja. Por sua vez, o Corpo de Deus, outrora a mais imponente das procissões, ficou, de censura em censura, reduzida ao esqueleto. Sobreviveu a Coca, em Monção, bem como o Baile dos Ferreiros, em Penafiel. Hoje, os ventos sopram favoráveis às festas laicas. Algumas festas religiosas extinguem-se. Na maioria dos casos, não falta a devoção mas o público. Artes do envelhecimento e da desertificação. Dissipa-se o dia do santo, perde-se um ramo da árvore da comunidade. Uma árvore a que cortaram um ramo sobrevive, mas não é a mesma. E não perde pouco, se entendermos a festa como uma forma de “instituição imaginária da sociedade” (Castoriadis, Cornelius, 1975, L’Institution imaginaire de la société, Paris, Seuil). Não é irrelevante.

Escreve François Rabelais (Gargantua, 1534) que “o riso é apanágio do homem”. A festa, também! Até nas condições mais adversas, nas guerras ou nas crises, o ser humano não esquece a festa.

[i] Grupos de agricultores que se associavam para organizar e calendarizar as lavouras. Cada casa contribuía consoante o que possuía: junta de bois, ferramentas, mão-de-obra. Era costume chamar-se “amaiantes” aos participantes destes grupos.

Surpresas. A vida em modo jazz.

Marretada de S. Bartolomeu. Cavez, Cabeceiras de Basto. Extraído de “A lenda da Ponte de Cavez e a Festa de São Bartolomeu” (Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto. 2020): https://www.youtube.com/watch?v=cLhMDuIRsa4.

“Quando uma coisa foi dita e bem dita, não tenha escrúpulos: pegue e copie” (Anatole France).

“O homem com uma nova ideia é um excêntrico até que a ideia seja bem-sucedida” (Mark Twain).

Nunca direi que nada me surpreenderá! O meu mundo familiar é ínfimo e o desconhecido, infinito. Até a nós próprios nos surpreendemos. Estou a escrever o currículo. Devagar, porque a informação, embora modesta, está caótica. Estranho não me recordar de alguns textos, por sinal, recentes, tais como o posfácio “O abraço ao divino: a festa como experiência pessoal e social” (ver pdf anexo) para o livro Festa (Viana do Castelo, Associação Ao Norte e Filmes do Homem, 2018) editado no âmbito do projeto Quem somos os que aqui estamos?, a que pertenço. Encontrava-me, então, em plena crise da intoxicação: tremiam as mãos, a cabeça pendia, as pernas arrastavam, os olhos embaciavam, a língua balbuciava e o espírito cansava-se. Reli o artigo e, em parte, não me reconheci. Não tanto pela matéria mas pelo estilo. Demasiado prosaico, lacónico e perentório. Um texto sobre a festa pouco festivo, que lembra, curiosamente, os meus escritos de juventude, há quarenta anos. Como se tivesse regredido intelectualmente! Como compensação, proponho-me decorá-lo e animá-lo com imagens ao ponto de quase o transformar numa descomunal legenda.

Esperava-me outra surpresa. Logo o primeiro vídeo descoberto, dedicado à festa de São Bartolomeu de Cavez, deixou-me pasmado. O texto, bem lido e ilustrado a preceito, convoca praticamente um capítulo que escrevi com o meu filho João (ver A festa de S. Bartolomeu de Cavez: https://tendimag.com/2014/06/01/a-festa-de-s-bartolomeu-de-cavez/), em 2013, por encomenda da câmara de Cabeceiras de Basto, para o livro Cabeceiras de Basto: História e Património, coordenado por Isabel Maria Fernandes. Assumido como domínio público, esta surpresa acaba por me encantar: as imagens, a voz e o texto compõem um bom conjunto num belo documentário. Por último, but not the least, manifesta uma primeira confirmação de uma qualidade literária que muitos menosprezam mas que eu deliberadamente procuro: uma escrita amiga da oralidade.

Não consigo escamotear a questão: neste mundo de fast thinking, quem pensa fora dos nichos de cortesia e troca de valores (favores) está condenado a ser copiado e não citado, a inspirar sem ser referido? Não me quero expor a ser mais uma vez admoestado como um velho do Restelo de pouca ou má fé. Cumpre-me admitir que ainda subsiste o outro lado da máscara, muito quem resista, cite e reconheça, sem ser em enésima mão, fontes e relíquias invulgares, contanto não fardadas nem milagrosas.

A lenda da Ponte de Cavez e a Festa de São Bartolomeu. Casa do Tempo de Cabeceiras de Basto. 2020.

A ave e os nus

Ando muito entretido a tentar interpretar duas esculturas estranhas que acolhem os crentes no portal da fachada principal da igreja de São João Baptista em Lamas de Mouro, Melgaço. Quando tal acontece, nada mais existe!

A abertura do documentário de Ricardo Costa dedicado a Castro Laboreiro, publicado pela RTP em 1979, (https://tendimag.com/2022/05/12/castro-laboreiro-o-fantasma-de-tarkovsky/) teve a arte de me lembrar um dos meus discos de eleição, e menos conhecido, do Vangelis, Heaven and Hell, lançado em 1975. Segue a parte I (lado A: 22:06). A parte II, minha preferida, já a coloquei mais do que uma vez (ver https://tendimag.com/2019/05/31/divertimento/). Não desistam a meio que não merece!

Vangelis. Heaven and Hell. Parte I. 1975.

Solar. Sensibilização e envolvimento comunitário

Com Beatriz

Acordei solar, com um brilhozinho nos olhos. Tanta imagem de Cristo acaba por me iluminar.

Existem momentos em que me sinto compensado pela atenção que devoto à publicidade, independentemente do país, da fonte, do conteúdo e do propósito. A campanha indiana, Divine Voice, para promoção da vacinação contra a Covid-19, é notável, audaz, inspiradora e eficiente. Um caso digno de reflexão. O anúncio sabe combinar expressividade e sobriedade. Com ou sem gostos, partilhar este vídeo é um privilégio.

“A Concern India Foundation, uma organização sem fins lucrativos, lançou recentemente uma campanha única em zonas de Bangalore caracterizadas por uma elevada resistência à vacinação. Com o apoio de líderes comunitários, adotaram uma iniciativa, com recurso à comunicação oral, chamada Voz Divina.

Os templos e as mesquitas na Índia têm alto-falantes, que transmitem orações e mensagens sagradas. A Concern India introduziu mensagens favoráveis à vacinação nessas orações, que foram, assim, transmitidas e partilhadas ao vivo pelos próprios religiosos e leaders locais. Foram escolhidas passagens das escrituras sagradas como o Bhagwad Gita ou o Alcorão que ensinam a superação do medo, a bondade humana e a salvação de vidas. Assentar a promoção da vacinação numa base cultural tão relevante despoletou um enorme impacto nas pessoas. Ousando ir além da razão, apelou diretamente à identidade e ao coração. A campanha tem-se revelado um sucesso. Os dados recentes sobre a mobilização em Hajee Sir Ismail Sait Masjid em Frazer Town e no Templo Sri Gayathri Devi comprovam-no: “antes, apenas cerca de 30 pessoas compareciam para vacinação. Após a campanha, mais de 200 pessoas foram vacinadas por dia” (Concern India Foundation).

A campanha Voz Divina é um excelente exemplo de publicidade de sensibilização e envolvimento comunitário.

Anunciante: Concern India Foundation. Agência: Ogilvy India. Índia, março 2022.

Televisita. Roy Orbison a preto e branco

Olhar para todos os lados, cuidar de todos. Cristo de La Llagonne. França. Escola Catalã. Séc. XII.

“Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a alegremente nos ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’ (Lucas 15).

Roy Orbison and Friends: A Black and White Night decorre de um programa de televisão, emitido em janeiro de 1988, com várias prestações de concertos ao vivo de Roy Orbison, acompanhado por celebridades tais como Bruce Springsteen, Elvis Costello, Tom Waits, K. D. Lang ou a TCB Band, a última banda de Elvis Presley. O filme, a preto e branco, foi publicado em vários formatos. Os vídeos seguintes são extraídos da versão em Blu-ray. Demasiadas canções? O repertório de Roy Orbison justifica-o. Existe, por acréscimo, quem disponha de tempo para as apreciar. Uma pessoa será, aliás, o suficiente. Este post apresenta-se como um arremedo de companhia, companhia que a música e as novas tecnologias possibilitam. Uma televisita.

Roy Orbison. Only the Lonely. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Pretty woman. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Blue Bayou. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.
Roy Orbison. Running Scared. A Black & White Night Live. Ao vivo em 1987. Blu-ray, 2017.

Cristo estrábico

01. Aleijadinho, Detalhe de Jesus – Carregamento da cruz 2. Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. 1796-1799. Congonhas do Campo.

Continuo perdido na procissão de imagens de Cristo que me tira do meu conforto. Uma autêntica peregrinação que me desvia para os lugares mais desencontrados. Por exemplo, o Brasil, menos pelo Cristo Redentor do Corcovado (figura 2) e mais pelo Cristo zarolho do  Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, esculpido por António Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho (figura 1).

02. Cristo Redentor. Corcovado. Rio de Janeiro.

Trata-se de uma imagem particularmente notável e singular, porque comporta um misto de dois tipos de temas de Cristo: O Cristo Triunfante (Christus Triunfans) e o Cristo resignado (Chistus Patiens). O seu olho esquerdo fita em frente, fixo no infinito, ao jeito do Cristo triunfante, enquanto que o olho direito olha mais para baixo, tendendo a perder-se no solo, ao jeito das primeiras versões do Cristo resignado. Sobre esta combinação, e sobre o olhar de Cristo em geral, recomento o excelente artigo de Alexandre Ragazzi: “De olhos abertos, de olhos fechados: passado e presente da iconografia do Cristo crucificado”. MODOS. Revista de História da Arte. Campinas, v.4, n.2, p. 144-161, mai. 2020. Disponível em: https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/mod/article/view/4324).

03. Cristo Articulado. Meados do séc. XII até ao 1.º quartel do séc. XIII. Museu Grão Vasco. Viseu.

Asseveram-se raras as figuras ambivalentes de Cristo. Encontra-se uma polivalente em Portugal, no Museu Grão Vasco, em Viseu: um cristo articulado, datado de meados do séc. XII até ao 1.º quartel do séc. XIII (ver figura 3). “Esta escultura de madeira em tamanho natural (…) tem a particularidade de ser articulada no pescoço, braços – ombros, cotovelos e pulsos –, joelhos, quadril esquerdo e dois pés (…) Com esta configuração, a escultura pode ser adaptada tanto a uma configuração estática de um Cristo na Cruz , com os braços e pernas esticados, quanto a cabeça levantada e voltada para a frente ; e da Deposição da Cruz , bem como a Deposição na Tumba,outras iconografias igualmente poderosas no mobiliário litúrgico das igrejas da Península Ibérica, Itália, França e Alemanha, desde o século X, com especial incidência nos séculos XII e XIII, prosseguidas pelos séculos seguintes, até à Contra-Reforma em algumas regiões” (Carla Varela Fernandes: PATHOS  – os corpos de Cristo na Cruz. Retórica do Sofrimento na Escultura em Madeira Encontrada em Portugal, Séculos XII-XIV. Alguns exemplos. Revista RIHA 0078 | 28 de novembro de 2013. Disponível em: https://journals.ub.uni-heidelberg.de/index.php/rihajournal/article/view/69842/67265).

Seria muita distração visitar as imagens de Cristo no Brasil e não recordar a canção Jesus Cristo, do Roberto Carlos, editada em 1970.

Roberto Carlos. Jesus Cristo. Ana. 1970. Ao Vivo 23 de outubro de 2004, no Estádio do Pacaembu, São Paulo, 23 de outubro de 2004.

Hoje é dia do Senhor

Majestat Batlló. Crucifixo de madeira datado do séc. XII. Museu Nacional de Arte da Catalunha. Barcelona.

Ando há meses às voltas com as imagens de Cristo, desde a sua morte na cruz até ao fim do renascimento. Nota-se! Será o capítulo II do tal livro. De vez em quando, apetece-me destrambelhar.

Scalpers é uma marca de roupa online. You were born a rebel é o título do anúncio que estreou por volta do Natal, mais precisamente no dia 22 de dezembro de 2021.

Jesus Christ Superstar é um filme musical de 1973 dirigido por Norman Jewison, a partir da ópera rock homónima  de Andrew Lloyd Webber estreada em 1970. Os envelhecidos lembram-se, certamente.

Jesus Cristo, top model ou superstar?

Marca: Scalpers. Título: You were born a rebel. Agência: Wunderman Thompson Spain. Direção: Paco Badia & Oscar Amodia. Espanha, 22/12/2012.
Jesus Christ Superstar. Filme dirigido por Norman Jewison. 1973. Música: Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Weber, 1970. Voz de Judas: Murray Head.