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Visita à terra

Esta semana vou a Melgaço participar, sexta, nos Serões dos Medos e, sábado, conversar com os meus conterrâneos.

Mantos de dor

Gian Lorenzo Bernini – Beata Ludovica Albertoni, 1671-74
Dobras de sofrimento, 15.10.2018

Coisas da idade

Os dias 14 de outubro parecem fadados à reflexão citrina servida com língua bífida.

O seguinte trio de artigos incide sobre a idade e os novos tempos.

Talvez seja necessária mais frescura, sem congelamento…

Imagem: Umberto Boccioni – Três mulheres, 1909-1910

Reforma, 14.10.2016
De pequenino se torce o destino, 14.10.2018
A geração +, 14.10.2018

Entre a Vida e a Morte. O Galo

O Galo e a morte. A arte de morrer, 13.10.2017

Oração às avessas. Vida de esqueleto II

Em 2017, sentia a morte rondar-me. Os três anos seguintes foram de aproximação paulatina, mas iniludível. Em vez de a esconjurar, optei por me familiarizar com ela. Vida de esqueleto II. O espelho, como muitos outros textos que escrevi nesse período, nasceu desse exercício. Volvidos nove anos, leio-o hoje como uma espécie de oração às avessas.

Imagem: William Cheselden. Esqueleto rezando. 1733

Vida de esqueleto II. O espelho, 30.09.2017

Soturnos e noturnos

The Chateau of Neuchatel at dusk, with Jura mountains beyond (1866) by John Ruskin
Um corpo que se perde, 21.09.2012
Suicídio, 20.09.2019
Noturnos, 15.06.2021

Entre mundos. Mortos interativos

Maria Magdalen Langhans faleceu durante o parto. O seu filho recém-nascido faleceu alguns dias depois. Obra do escultor Johann August Nahl, 1775. Igreja paroquial de Hindelbank, perto de Berna

A cabeça na almofada e o corpo na jangada. A cama é um rio. Água, duas águas, águas turvas, águas mil. O mesmo, o outro, os outros a nadar no mesmo. Metecos (…) Todos somos metecos. Vogamos, dentro e fora, em águas incertas. (Entre duas águas , 20.09.2020)

Mortos interativos

Vamos brincar aos pensadores com imagens do inferno

“O que perturba a mente dos homens não são os eventos, mas os seus julgamentos sobre os eventos. Por exemplo, a morte não é nada horrível ou então Sócrates a teria considerado como tal. Não, a única coisa horrível sobre ela está no julgamento dos homens de que ela é horrível.”
(Epicteto, Manual: 5)

Imagem: Marten de Vos. Juízo Final. 1570. Detalhe

A ressurreição da imagem: Marten de Vos, 19.09.2017

Virgo Lactans

Workshop of Joos van Cleve – Virgo Lactans, ca. 1520–1530
Senhora do Leite, 18.09.2015

A velha grávida e o riso da morte

O artigo O riso da velha grávida (revisto), colocado em 29 de janeiro de 2023, não surgiu por geração espontânea. Uma primeira versão homónima remonta ao do dia 13 de março de 2016. um intervalo de reincubação de quase sete anos. E ainda não está fechado. Hoje, volvidos três anos, introduzir-lhe-ia bastantes alterações. Mas assinei-o, e continuo a identificar-me com ele.

Imagem: Terracota com Baubo sentada num porco. British Museum.

O riso da velha grávida evidencia alguns defeitos e virtudes de uma forma de pensamento e de um estilo de escrita. Não são uniformes, nem lineares: adotam o desvio e a fragmentação como roteiro e arquitetura. Atardam-se nos detalhes e nas margens para aceder ao todo e ao núcleo. Como os vitrais, convocam uma variedade de pedaços não transparentes que aspriram a configurar-se juntos proporcionando uma nova luz. Pelo meio, esquecem a arte de ir direito ao assunto, de procurar sem se perder e de argumentar sem complicar. Empenham-se em seduzir o interlocutor, mas não ao ponto de lhe facilitar a recepção, um risco de preguiça mental e anestesia criativa.

Ontem, 31 de agosto, os artigos incidiram sobre a música e a publicidade. Hoje, será questão de imagens e pensamentos.

O riso da mulher grávida (revisto). 29.01.2023
A princela noiva e a velha grávida. 01.09.2022