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Dor de areia molhada

Statue (15th century) of The Pieta. Blessed Virgin Mary holding Jesus Christ body after his Deposition from the Cross

Talvez seja tarde para um resgate do primeiro de agosto, mas o artigo Pietà de areia, de 2012, não merece ser adiado para o próximo ano.

Música para acordar com os anjos

Hoje, às 2 horas da madrugada, descobri a canção “I Hold You”, do projeto CLAN, e mergulhei abraçado num sono tranquilo. Entendo acordar também com ela.

CLAN – I Hold You. Seelie, 2017

Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.

Noiva Lunar

Margaux Sauvé, fundadora, compositora e vocalista da banda franco-canadiana Ghostly Kisses, parece-me caracterizar-se como uma figura noturna. Pela aparência (sombria, sóbria, recatada e recolhida), pelo próprio nome da banda (inspirado num poema de  William Faulkner) e pelo conteúdo das suas canções (os álbuns de estúdio intitulam-se: Ghostly Kisses, 2019; Heaven, Wait, 2022; e Darkroom, 2024).

Não vou colocar, como costumo, uma amostra de canções, mas uma performance com duração de 20 minutos; a melhor seleção e a melhor interpretação que encontrei. Inicia com uma versão deliciosa da canção clássica francesa “J’ai demandé à la lune” e despede-se com uma admirável “Empty Note”. Pelo meio, “The city holds my heart”, “Don’t know why” e “Call my name”.

Ghostly Kissses – Live at Le Grand Salon, Quebec City, 2021

Bate Bate Coração

O peito do Tendências do Imaginário insiste em palpitar como uma centelha que “arde sem se ver”.

O primeiro transplante do coração com êxito em seres humanos foi realizado pelo cirurgião Christiaan Barnard em dezembro de 1967 na África do Sul. A notícia correu mundo e obteve um impacto impressionante. O seu livro Uma Vida (tradução de One Life, 1969), traduzido pela editora Livros do Brasil em 1970, foi uma das minhas primeiras leituras no domínio da ciência.

Imagem: Christiaan Barnard (1968)

No anúncio “Beats”, a fundação canadiana Heart & Stroke alerta para a importância decisiva da doação de órgãos, neste caso o coração.

Anunciante: Heart & Stroke Foundation. Título: Beats / Fund more breakthroughs. Agência: Sid Lee. Direção: Sam Cadman. Canadá, outubro 2025

O CORAÇÃO QUE BATE NESTE PEITO — Luiz Guimarães Júnior

O coração que bate neste peito
E que bate por ti unicamente,
O coração, outrora independente,
Hoje humilde, cativo e satisfeito;

Quando eu cair, enfim, morto e desfeito,
Quando a hora soar lugubremente
Do repouso final — tranquilo e crente
Irá sonhar no derradeiro leito.

E quando um dia fores comovida
— Branca visão que entre os sepulcros erra —
Visitar minha fúnebre guarida,

O coração, que toda em si te encerra,
Sentindo-te chegar, mulher querida,
Palpitará de amor dentro da terra.

(Luiz Guimarães Júnior, Sonetos e Rimas, Rio de Janeiro, 1880)

Cansado da Espada

Não a conseguimos agarrar: a felicidade tem asas (Damócles)

Não estou só “cansado da América”, mas da espada, em geral. Rufus Wainwright (Ruz), nascido em 1973 em Nova Iorque e residente no Canadá, é compositor e compositor brilhante com uma voz única. No entanto, “apesar de um crescente grupo de fãs e da grande aclamação da crítica, Ruz alcançou somente um pequeno sucesso comercial”.

Imagem: Thomas Couture. Damócles. 1866

Rufus Wainwright – Going to a Town. Release the Stars, 2007
Rufus Wainwright – Sword of Damocles. Sword of Damocles, 2018
Rufus Wainwright – Hallelujah. Shrek, 2001

Português no 45º World Amateur Go Championship no Canadá

O Fernando parte hoje para Vancouver (Canadá). Vai representar Portugal no 45º World Amateur Go Championship que se realiza de 16 a 23 de maio de 2025. Já o tinha feito no campeonato de 2016 na Coreia do Sul. Que tenha uma boa experiência!
No artigo ” Este português vai representar Portugal num Campeonato Mundial… e quase ninguém sabe“, da GEEKINOUT, Jorge Loureiro entrevista Fernando Gonçalves. Carregar na imagem ao lado para aceder ao artigo.

Distâncias e proximidades

John Ferreira, amigo de adolescência, aficionado da guitarra e do piano, transformou o meu quarto e do Álvaro numa espécie de estúdio improvisado onde instalou uma coluna de som de cerca de um metro quadrado, encomendada à Sonolar. Entretanto, parti para França e ele para o Canadá, onde prosseguiu carreira como compositor, intérprete e produtor musical.

Acaba de publicar uma nova canção, Desired Fruit From Paradise, que, excetuando a letra, foi exclusivamente trabalhada por ele. Pertencem-lhe a composição, o arranjo, a generalidade da instrumentação e as vozes. Por uma vez, as guitarras elétricas cederam às acústicas. O resultado é uma melodia bem cadenciada e muito jovial, que cruza os dois lados do Atlântico. Com uma frescura, omnipresente no vídeo, a canção é dedicada a uma esposa. As mulheres são quem mais inspira poemas e canções. Creio, aliás. que não existe um equivalente masculino para a palavra musa. [Carregar na imagem seguinte para aceder ao videoclip].

Desired Fruit From Paradise. Composed and performed by John Ferreira. Lyrics and Video by Arie Levit. Toronto. Posted 31/12/2024

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Tinha conversa agendada para antes da Semana Santa. Adiada para o dia 26 de abril (no Mosteiro de Tibães), ganhei uma folga que vou aproveitar para me divertir com inutilidades.

Com uma “velocidade de cruzeiro” que ultrapassa as quatro centenas diárias, as visualizações do Tendências do Imaginário dos últimos quatro dias, de 11 a 14 de março, proporcionam o seguinte gráfico confinado aos dez primeiros países.

Em português, o blogue “pesca” quase só em águas “latinas”, mormente lusófonas. O Brasil contribui com quase metade e Portugal perto de um terço. O desempenho do México é ocasional, completamente anómalo.

Na distribuição por cidades (e vilas), intriga a posição, não esporádica, de Carnaxide. Resulta tentador esboçar uma “análise ecológica”, que consiste em sondar a relação entre variáveis não diretamente mas mediante a respetiva distribuição no espaço. Com 25911 habitantes no censo de 2011, um sétimo de Braga, o que terá Carnaxide de especial? Porventura, a SIC. Surpreendo-me a conjeturar que o Tendências do Imaginário talvez interesse mais aos meios de comunicação social do que às universidades.

Enfim, de Braga e Guimarães provêm, respetivamente, 13 e 10 visualizações. “Santos da casa não fazem milagres” ou, mais prosaicamente, a proximidade satura ou, paradoxalmente, distancia? De qualquer modo, são valores pouco abonatórios.

Sôfregos e insensatos

Three great forces rule the world: stupidity, fear and greed  /Três grandes coisas governam o mundo: a estupidez, o medo e a ganância (Albert Einstein)

Uma pesquisa no Tendências do Imaginário a partir da palavra “amamentação” conduziu-me ao artigo Born to be wild, de 2013. Um vídeo perdera a fonte e a resolução de outro deixava a desejar. Entendi recauchutá-lo. Acrescentei a canção The Pusher, dos Steppenwolf, que, tal como Born to be wild, integra a banda sonora do filme Easy Rider. Creio que mais que selvagens ou traficantes, tornámo-nos uns sôfregos insensatos.

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BORN TO BE WILD (Revisão do artigo de 6 de janeiro de 2013)

Steppenwolf. Born to be wild – A retrospective -1966-1990. 1991. Capa

Born to be wild. As árvores, naturalmente! Crescem na vertical e morrem de pé. Nós crescemos domesticados e com uma coluna vertebral muito flexível. Começámos logo na primeira amamentação a beber cultura. Para ser selvagem, é preciso renascer sem cordão umbilical. As feras que compunham o público deste tipo de música, podemos observá-las no concerto dos Focus, em 1973. Filho às cavalitas, cabelos l’orealizados, o futuro entalado nas calças e camisolinhas justas, curtas e sem mangas. Uma selvajaria muito mimosa!

Born to be wild, de 1968, foi o maior sucesso da banda canadiana Steppenwolf. Readquiriu notoriedade com o filme Easy Rider (1969). Este concerto é de 1969.

Steppenwolf – Born To Be Wild. Single, 1968. Ao vivo em 1969

Hocus Pocus, de 1971, foi o maior sucesso da banda alemã Focus. Este concerto é de 1972. A qualidade do vídeo não é a melhor, mas o conteúdo compensa.

Focus – Hocus Pocus. Moving Waves, 1970. (Live At Pinkpop Festival 1972
Steppenwolf – The Pusher (cover de Hoyt Axton, 1963). Single, 1967

Filhos da Vida

ROM – Immortal

Se fosse imortal, inventaria a morte para ter o prazer de viver (Jean Richepin. La Chanson des Gueux, 1876)

Nada em nós é eterno. Filhos da vida, herdamos a morte. Qual é a nossa pegada? Vale a pena atardar-se neste anúncio de seis minutos. Acelerado e excessivo em referências históricas, “Immortal” representa mais uma dádiva do Royal Ontario Museum. Por (des)ventura, demasiado generosa face à atenção que nos prestamos a dispensar.

Anunciante: Royal Ontario Museum. Título: Immortal. Agência: Broken Heart Love Affair/ Toronto. Produção: Scouts Honour/Toronto & Moonlighting Films/Cape Town. Canadá, maio 2023. Conquistou 4 prémios Clio 2023.