O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 3
Com estas três parcerias de 2024, concluo este devaneio domingueiro acompanhado pela voz de Ekaterina. Desejo uma boa semana de trabalho, que, segundo alguns entendidos, o trabalho configura uma potencialidade do ser humano. Mudando de assunto, que este oferece-se resvaladiço, porventura mais consensual, a minha bisavó não se cansava de repetir: se perseguires o belo, talvez encontres o prazer!
Na canção e no vídeo “Stand Still”, vocacionada para uma conexão com a natureza, ela é o vento e ele a árvore.
Ekaterina Shelehova & Thom’Art Raidho – Stand Still. Stand Still, 2024
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 2
A primeira é a preferida do Fernando; a segunda, minha; a terceira, não sei!
O Microchip e a Parabólica. Ekaterina Shelehova 1
À São, à Beatriz, à Minda,
à Paula e à Fátima,
estrelas deste deserto
Quando tudo é belo e sublime, a intérprete, a voz e a execução, convém sentir mais do que ser. Ekaterina Shelehova, canadiana, de origem russa, a viver em Itália, revelou-se durante o Got Talent de 2022 búlgaro. Desde então, de en-canto em en-canto, abraçou uma carreira de merecido, embora não ofuscante, sucesso.
Sur-preso por uma promessa incomensurável de prazer, que fazer? Tornar-se, como diria Pascal, infinitamente pequeno e infinitamente grande, microchip e parabólica, para sentir concentrado, intensamente, e aberto, extensamente. Depois, agradecer e partilhar alegre e humildemente.
Proponho-me dedicar três artigos a Ekaterina: o primeiro realça a qualidade da voz e da interpretação; o segundo retém algumas canções preferidas; o terceiro contempla parcerias.
Friend of a Friend. A estranha beleza da vida

Ainda vai a tempo de dedicar cinco dedos de música ao orgulho do mês. Com a compositora e cantora contralto Michelle Gurevich, nascida em Toronto, no Canadá, filha de imigrantes russos judeus. Partilha com Rodrigo Leão a canção Friend of a Friend (A Estranha Beleza da Vida, 2021).
Imagem: Parmigianino. Autorretrato em espelho convexo.1523-1524
Um passarão numa gaiolinha

Troco, naturalmente, dicas. Uma amiga perguntou-me, hoje, se conhecia Patrick Watson, o intérprete e a banda, do Canadá, em particular as músicas “Je te laisserai des mots” (2010) e “The great escape” (2006). Tomara conhecimento através da filha [uma geração que aprende com a seguinte]. Claro, até está no Tendências. Mesmo assim, verifiquei. Nada… Mas nos marcadores, sobravam cinco canções para, como é hábito, colocar três. Esqueci-me! Acontece com tanta frequência que nem sequer relevo. Explica, por exemplo, por que, em doze anos e 3 896 artigos, os Coldplay só aparecem uma única vez, por sinal, à boleia do Claude Debussy (https://tendimag.com/2021/04/18/arabescos/). Mas nunca é tarde para reparar. Seguem as outras três canções: “Lighthouse”, “Here Comes The River” e “Big Bird in a Small Cage”. Acresce “Can’t Stop Staring At The Sun,” pela originalidade sonora, pela qualidade da coreografia e por ser um bom exemplo de vídeo musical surrealizado.
Neil Young. Old Man

Mais música, outro “dinossauro”: Neil Young. Resulta estimulante vê-lo a interpretar “Ohio”, com 73 anos, no concerto Farm Aid de 2018. Não menos impressionante a performance a solo, sem qualquer acompanhamento, oito anos antes, no Farm Aid de 2010. Para concluir, um recuo a 1971: “Old man”, ao vivo na BBC, com 26 anos.
Harmonium: Histórias sem palavras | Como um tolo

Tenho uma memória instantânea de grilo ou, se se preferir, de galinha. Em contrapartida, não me queixo da memória que apelido subterrânea, arqueológica. Os fantasmas do mais recôndito purgatório do passado acodem-me à consciência como pirilampos, emergindo sem convite nem cerimónia.
Acaba de acontecer com os Harmonium, um grupo francófono do Québec (Canadá), criado em 1972 e ativo até 1978. Publicaram três álbuns de estúdio: Harmonium (1974); Si on avait besoin d’une cinquième saison (1975); e L’Heptade (1976). O rock progressivo dos Harmonium aproxima-os de bandas tais como os Camel ou os Renaissance, mas com muito menos reconhecimento. À semelhança de outras bandas, reuniram-se cerca de quarenta anos depois, já mais amadurecidos, para reeditar álbuns e tocar em concertos ao vivo. Seguem: 1) um pequeno excerto do concerto sinfónico Harmonium Symphonique, publicado em 2021; 2) a interpretação integral ao vivo, em 2017, da música Histoires sans paroles (original de 1975); e 3) a canção Comme un fou, remasterizada, do álbum L’Heptade (1976).
Muito poucos conhecerão a música dos Harmonium. Passados tantos anos, reconheço-me nela. Acredito que nos identificamos menos pelo que comungamos e mais pelo que nos distingue.
Demolidor

Este sábado recuperei da estante o álbum Kaputt, dos Destroyer, um grupo canadiano, discreto, ativo desde 1995. Publicou 13 álbuns, a revisitar ou descobrir. Uma das suas principais caraterísticas é, porventura, a sua originalidade assentar num nada de incaraterístico, de uniformidade.

Idiossincráticos, os Destroyer saltam de estilo de disco para disco e de faixa para faixa. Lembram, entre outros, James Taylor, Serge Gainsbourg ou Devendra Banhart. Em alguns casos, pode-se falar de intertextualidade. Nas canções Sky’s Grey e Bay of Pigs, dos álbuns Ken (2017) e Kapput (2011), ecoa, por exemplo, a sombra de Roger Waters.
Dia da Terra

O ser humano é imprevisível. Logo programado. Há dias para tudo: Educação, Leguminosas, Rádio, Discriminação O, Vida Selvagem, Mulher, Felicidade, Meteorologia, Saúde, Voo Espacial, Jovens Mulheres nas TIC, Jazz, Atum, Abelha, Sem Tabaco, Pais, Bicicleta, Trabalho Infantil, Viúvas, Juventude…
A humanidade entrega-se a surtos intermitentes de sensibilização. Agora a Felicidade, ora as Leguminosas, ora a Abelha, ora a Bicicleta. Uma extensa agenda do espírito. No dia 22 de abril, comemora-se o dia da Terra. Seguem dois anúncios.








