Bate Bate Coração

O peito do Tendências do Imaginário insiste em palpitar como uma centelha que “arde sem se ver”.

O primeiro transplante do coração com êxito em seres humanos foi realizado pelo cirurgião Christiaan Barnard em dezembro de 1967 na África do Sul. A notícia correu mundo e obteve um impacto impressionante. O seu livro Uma Vida (tradução de One Life, 1969), traduzido pela editora Livros do Brasil em 1970, foi uma das minhas primeiras leituras no domínio da ciência.

Imagem: Christiaan Barnard (1968)

No anúncio “Beats”, a fundação canadiana Heart & Stroke alerta para a importância decisiva da doação de órgãos, neste caso o coração.

Anunciante: Heart & Stroke Foundation. Título: Beats / Fund more breakthroughs. Agência: Sid Lee. Direção: Sam Cadman. Canadá, outubro 2025

O CORAÇÃO QUE BATE NESTE PEITO — Luiz Guimarães Júnior

O coração que bate neste peito
E que bate por ti unicamente,
O coração, outrora independente,
Hoje humilde, cativo e satisfeito;

Quando eu cair, enfim, morto e desfeito,
Quando a hora soar lugubremente
Do repouso final — tranquilo e crente
Irá sonhar no derradeiro leito.

E quando um dia fores comovida
— Branca visão que entre os sepulcros erra —
Visitar minha fúnebre guarida,

O coração, que toda em si te encerra,
Sentindo-te chegar, mulher querida,
Palpitará de amor dentro da terra.

(Luiz Guimarães Júnior, Sonetos e Rimas, Rio de Janeiro, 1880)

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