A ciência, a bicicleta, a cigarra e a formiga
“Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”(Albert Einstein).
Como foi possível, em menos de uma geração, a ciência tornar-se tão pavloviana? Do lado canino, naturalmente. Balizas, estímulos, recompensas… A distribuição avassala a produção e a autonomia desfaz-se sem eufemismos. Pacotes financeiros, candidaturas, prémios, encontros, intercâmbios, publicações, burocracia, cargos, missões, júris, peritagens, deslocações…. E a investigação? A investigação é a folle du logis. Sobra para quem começa ou se demora na base. A actual divisão do trabalho científico presta-se a estas proezas. Uns investigam e os outros fazem ciência. Uma questão de autoridade. A este propósito, vale a pena consultar os apontamentos de Robert K. Merton sobre a oposição entre “locais” e “cosmopolitas” (Social Theory and Social Action,1949). Se calhar, a fábula da cigarra e da formiga carece revisão. Nos centros de investigação e no ensino superior, quem pedala melhor? A cigarra ou a formiga?
Este anúncio macedónio é uma espécie de catequese da ciência mitigada com religião : o jovem Einstein rebate a argumentação do professor com recurso à ciência e em nome da religião.
Anunciante: Ministry of Education and Science of the Republic of Macedonia. Título: Religion. Does god exist? Macedónia, 2008.
2 responses to “A ciência, a bicicleta, a cigarra e a formiga”
Trackbacks / Pingbacks
- - Setembro 15, 2024


Bem visto.O movimento será necessário em permanência, resta a dúvida, do ritmo e da época.