As Cidades na Idade da Inteligência
Depois da Idade das Trevas e da Idade das Luzes, chegou a Idade da Inteligência, a uma velocidade que já não é a do caracol. Recuei mais de dez anos para rever o artigo Cidades Inteligentes (14.06.2014). Recoloco-o, restaurando o anúncio desaparecido e acrescentando dois também da mesma série da IBM.

Smart cities, creative industries and entrepreneurship, they seem to be the musketeers of her majesty Europe. Nos logotipos e nas representações de cidades inteligentes, a lâmpada sobressai como motivo central. Multiplicam-se como gafanhotos as imagens a louvar as cidades inteligentes. Escasseiam, porém, as imagens dedicadas aos cidadãos inteligentes.

A figura do caracol lâmpada, ao jeito dos híbridos medievais, assevera-se aliciante: SSS – Slow Smart Snail. O passo de caracol presta-se à observação e à memória. Melhor que hoje só anteontem; e anteontem não existiu. Até as novas palavras se dão ares de superioridade: cidades inteligentes, indústrias criativas, empreendedorismo. Não resultam da evolução da língua. São criadas em laboratório. Cheiram a provetas, pipetas e bicos de bunsen.
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Os vídeos estão numa ordem interessante!
Primeiro, uma ideia criativa, simples mas que oferece pequenas grandes comodidades; um banco onde descansar ou esperar, uma rampa nas escadas, um abrigo para o mau tempo.
Depois entra o planeamento a uma maior escala; planeia-se, criam-se interações, mas parece-me uma mudança mais ao nível estético, para impressionar.
Finalmente, as pessoas já não entram na história; são as cidades, como organismos vivos e autónomos, mais rapidez, mais dinheiro, mais informação.
Esta é a cadência dos vídeos, uma escolha pouco aleatória, atendendo às datas.
Crescente ou decrescente? Seria preciso uma rampa para entender a velocidade, um banco onde absorver o choque, um abrigo para a devastação de algo valioso, inominável. Um telhado, ainda aue curvo, não será suficiente. (Almerinda Van Der Giezen, 14.06.2026).
