Uma perdição!
À Minda

Ano após ano, reuni centenas de imagens de livros de oração medievais. Constituem um dos principais repositórios fantásticos da humanidade. Não foi fácil seleccioná-las. Quanto às músicas, ainda foi mais complicado: destacaram-se duas cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, interpretadas pelo Clemencic Consort. A meu ver, a música é a parte mais preciosa do vídeo.
Há treze anos, no dia 23 de agosto de 2013, coloquei o vídeo “Imagens de Salvação”, com iluminuras e músicas medievais. Uma montagem que me deixou duplamente satisfeito: pelo resultado e pelo prazer. Mais palavras para quê?
Jovens para sempre

A representação social das “idades da vida” muda substantivamente consoante os períodos históricos. A imagem da velhice conheceu, assim, altos e baixos. Desde há poucas décadas, assiste-se, por vários motivos, à sua “revalorização” e “revitalização, senão “rejuvenescimento”.
Observa-se o fenómeno em vários domínios, nomeadamente a publicidade, por exemplo nos anúncios “Unlimited Youth”, de 2016, no artigo A Juventude não tem idade, e “Years of Magic”, de 2018, no artigo A segunda juventude: os super avós. Em alguns casos, frisa-se a hipérbole, quase o delírio, como no anúncio “Aidez-nous à sauver des vies”, de 2017, no artigo A Super Avó, que lembra, precisamente, a série Super Gran, dos anos oitenta.
Oremos! Religião, Desporto e Jornalismo

O artigo A Cruz (17.08.2016) ilustra o caldo que a publicidade consegue cozinhar com a religião, o desporto e o jornalismo. Uma vez que convoca a oração, e Marcel Mauss, acrescento o artigo Resistência e impotência (28.11.2018).
Acontece o Tendências do Imaginário, uma espécie de diário, entreabrir frestas por onde se insinuam estados de alma (e de corpo). Afigura-se-me ser o caso do artigo Resistência e impotência, escrito num período de crise pessoal. Importa recordar o passado, principalmente quando não passou.
Dar à luz na “idade das trevas”

Em 16 de agosto de 2015, publiquei o artigo O parto na Idade Média. Volvidos dois anos, em 2017, recoloquei-o revisto. Um bom exemplo de como uma revisão pode tornar-se recriação.
O novo artigo, O parto na Idade Média (revisto), é, até hoje, o segundo mais consultado do Tendências do Imaginário: desde 3 de setembro de 2017, soma 15615 visualizações (a primeira versão: 3985; as duas: 19600). Recoloco-o a pensar em quem possa ter interesse em ver ou, eventualmente, rever com outros olhos.
Atenção às partes!

O dia 3 de agosto foi fértil em artigos dignos de resgate. Empacoto três com anúncios e assuntos cativantes.

O anúncio “Protect yourself”, no artigo Pós-falocracia (2013), justifica dúvidas: é da Durex ou de uma seguradora? A favor dos preservativos ou contra filhos?
“Bike & Bier – Belgium 2014”, em A Parte e o Corpo (2014), substitui a proteção das partes pela sua divisão, com humor belga ou brasileiro.
“Religion. Does God exist?”, em A ciência, a bicicleta, a cigarra e a formiga (2015), coloca um mestre, com certezas, em apuros perante um aluno, com convicções. Aproveito para retomar algumas impertinências.
Einstein com 5 anos, ca. 1884
Publicidade de Salvação



Durante os jogos olímpicos, o mundial de futebol ou o superbowl, a humanidade entra em efervescência coletiva. A publicidade encarece e exorbita, com hipérboles, alegorias e molho identitário.
O anúncio “Sports unites all”, para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, oferece-se como exemplo. No início, era Ronaldinho Gaúcho, o génio da bola não identificado [No início era o verbo, o deus absconditus (deus oculto)]. No fim, o golo, a revelação, a salvação e a comunhão.
Perante anúncios extraordinários, dignos de criteriosa análise, acontece-me desconversar. Um defeito, mas a desconversar, vou-me entendendo.
A Bomba e a Cruz


Aproxima-se o dia da Crucificação. Vivemos tempos de muita religião e pouca religiosidade em que a espada [ou a bomba] ameaça obliterar a cruz rumo a uma nova idade da pedra. Oremos cantando!
I am the day, soon to be born
I am the light before the morning
I am the night that will be dawn
I am the end and the beginning
I am the Alpha and Omega
The night and day, the first and last
A Ausência de Deus

Em Cabeceiras de Basto, sexta feira, dia 13, falei muito, talvez demasiado, do diabo, pelos vistos uma espécie de “Absens Deus”. Hoje, lembrei-me deste anúncio. Coloquei-o no Tendências do Imaginário em agosto de 2015 com o seguinte comentário: “Este anúncio macedónio é uma espécie de catequese da ciência mitigada com religião: o jovem Einstein rebate a argumentação do professor com recurso à ciência e em nome da religião” (https://tendimag.com/2015/08/03/a-ciencia-a-bicicleta-a-cigarra-e-a-formiga/). Retomo-o como um lembrete esfíngico.
Impuro



Não sou religioso, pelo menos na aceção corrente da palavra. Não significa que não seja crente. Acredito em tanta coisa tão pouco óbvia. Prezo, aliás, a fé e quem a possui, em particular aqueles que, perante um deus que não se manifesta nem é demonstrável pela razão (o “Deus Oculto” de Blaise Pascal), apostam e vivem apostados na sua verdade e existência..
Imagens: Capela Imaculada. Seminário de Nossa Senhora da Conceição. Braga
Sinto a falta desse sentimento inspirador de obras cuja aura demando e deixo ressoar dentro de mim. Estou convencido que não há vocação mais honesta do que abrir-se ao outro e relativizar-se a si mesmo.
Hórus e Nut

Estou a escrever coisas sérias sobre realidades pesadas. Quase mais números do que letras. Entretanto, o prazer joga às escondidas.
Aproveito os intervalos para espairecer. Sento-me num tapete voador. Na Galiza, colho uma música no ninho de uma meiga. Inspiro-me e parto para o Antigo Egipto ao encontro do olho do deus Hórus na escuridão da deusa Nut.
Imagem: Nut, deusa egípcia do céu no túmulo de Ramsés VI








