Archive | Política RSS for this section

Filis a cavalo de Aristóteles

Hans Burgkmair (1473–1531) - Aristotle and Phyllis. The Metropolitan Museum of Art

“Na lenda de Fílis e Aristóteles, o amor e o erotismo vencem o político e o sábio. A imagem de Fílis a montar Aristóteles, com trejeitos de sadomasoquismo, tornou-se célebre, em particular, na Idade Média e, sobretudo, no chamado Renascimento do Norte.”

Imagem: Hans Burgkmair (1473–1531) – Aristotle and Phyllis. The MET

O imaginário medieval é fantástico!

Morte, erotismo e política. Tendências do Imaginário, 21.08.2016

Pedidos de casamento

Isla de Aruba. Destino de lua de mel
Inversão de papéis. Tendências do Imaginário, 20.08.2018

Por uma Sociologia da Beleza

William Blake – A Noite da Alegria de Enitharmon, 1795. Tate Britain, London

Por que motivo não existe uma sociologia da beleza? A sociologia engloba tantas especialidades: o corpo, a moda, o lazer, o desporto, o quotidiano, a família, o género, a educação, a arte, a cultura, o poder, as desigualdades, o envelhecimento, a comunicação, as minorias… E não sobra um lugar para uma sociologia da beleza.
Sinto a falta de uma sociologia da beleza. Ajudaria a perceber, por exemplo, o anúncio “Encontro”, da empresa brasileira Marisa (…) Tanta beleza! Só beleza. Com preguiça mental, deduzo que aquela roupa exibida pelos modelos se destina a mulheres igualmente belas. Será que a beleza das modelos influencia a escolha das pessoas? Por toque de beleza? Um “não-sei-quê” que faz a diferença? Por magia? A beleza é dúctil como o ouro.

Um toque de beleza. Tendências do Imaginário, 16.08.2019

O Rei dos Parvos

Nunca subestimem o poder da estupidez humana (Robert Heilein).
São inúmeros os nomes atribuídos à sociedade contemporânea. Sociedade parva também cabe na lista. Somos uma SARL: Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. O anúncio brasileiro Be an asshole, da Sociedade dos amigos da Amazónia, é uma boa introdução à estupidez, à inércia e à dissipação humanas. (Estúpidos, 21.08.2017).

imagem: George Grosz – The Grey Man Dances, 1949

Estupidez global. Tendências do Imaginário, 14.08.2019
Georges Brassens – Le Roi (des Cons). Fernande, 1972

A Mãe, o Sol e a Lua

A Virgem Maria costuma ser associada ao sol, à lua e às estrelas, nomeadamente nas imagens como Virgem do Apocalipse e Virgem da Lua Crescente. Na imagem da Virgem da Humildade de Fra Paolo Serafini da Modena, o redondo no canto inferior esquerdo parece representar um eclipse.

Há dias, no 9 de agosto, foi o dia dos pais no Brasil. “Só não são todos dias da mãe porque alguém se lembrou de decretar um dia especial. A relação com a mãe desdobra-se numa tensão entre união e separação, em que vibram as cordas tangíveis do coração: sensação, sentimento e emoção. Com a emigração e com a guerra colonial, exacerbou-se esta tensão. Multiplicaram-se os poemas e as canções. Poemas e canções que faziam chorar, perto e longe. Há pessoas que ainda agora se comovem ao ouvir estas músicas.”

A Mãe e a Guerra. Tendências do Imaginário, 12.08.2018

Humor britânico com vinho do porto e cigarro

Cockburn’s. Quinta dos Canais. Rio Douro

Vícios e tentações que não nos largam… E os muros que resistem!

Brincar com coisas sérias

Andy Cap. Em Portugal, Zé do Boné. Figura criada pelo inglês Reggie Smyth nos anos 1950

Aqui jaz o Zé Fumega. Uma morte, milhentas causas! Um desperdício de pregos para um único caixão. Cruzes, canhoto!

Calma e Tranquilidade

Há vários dias que me encontro atolado num cúmulo de burocracia com abuso do cidadão. Para quê? Para pedir alguma regalia? Nem por isso, apenas para colaborar generosamente com uma instituição pública. Em suma, a crónica salvaguarda do aparelho e das aparências face a eventuais “escrutínios”.

Quanto se menospreza o cidadão, que, aliás, insatisfeito, pede mais! Papagueamos a democracia que descuidamos. Não se pede a um membro de um governo que, como político, decida bem e promova boas iniciativas, mas, em contrapartida, que não tenha ponta por onde se lhe pegue, a qualquer pretexto. Desde sempre, nem sombra de “ilegalidade”, “informalidade”, “irregularidade” ou ” suspeita”. Só falta exigir “santidade”, aos governantes e aos governados. Às declarações de registo criminal e de compromisso, anexe-se o upload com uma declaração de fé. Portugal e os Portugueses não precisam de vangloriar-se de tamanho zelo burocrático. Já é sobejamente reconhecido no estrangeiro.

Importa temperar este estado de alma com música apropriada. Talvez alguns mantras hipnóticos, em pequenas doses. Aprecio o trio Deva Premal (alemã; voz e teclas), Miten (indiano, voz e guitarra) e Manose (Nepalês, flauta). O que é preciso é “calma e tranquilidade”, nome da canção, com letra em português, que coloco em primeiro lugar. Acrescento “Aad Guray” e “Gayatri Mantra”.

Deva Premal (Nuremberga, Alemanha; 1970) é uma cantora reputada pela sua música espiritual e meditativa do tipo New Age, que envolve mantras ancestrais numa atmosfera contemporânea. / Deva é parceira de vida e de música de Miten, que conheceu no Ashram de Osho em Pune, na Índia, em 1990. Juntos, compõem músicas e realizam concertos à volta do mundo./ Deva recebeu formação musical clássica, mas cresceu cantando mantras em sua casa na Alemanha — um lar imerso na espiritualidade oriental. Seus álbuns têm liderado as paradas de New Age em todo o mundo desde o lançamento de The Essence, que inclui o Mantra Gayatri. A sua gravadora, Prabhu Music, já vendeu mais de 900.000 cópias. (Wikipedia, em espanhol, 03.08.2026).

Deva Premal & Miten (com Manose) – Calma e Tranquilidade. Soul in Wonder. 2007. Do CD/DVD “In Concert”, 2009
Deva Premal & Miten (com Manose) – Aad Guray.  CD/DVD “In Concert”, 2009
Deva Premal & Miten (com Manose) – Gayatri Mantra. Satsang: A Meditation. 2002. Do CD/DVD “In Concert”, 2009

Ilusionismo e controlo

Ilustração: Joelle L., in The Camera Panopticon (https://ar.al/notes/the-camera-panopticon/, acedido em 25.07.2026)

Os artigos Jogo viciado e Pós-modernidade vitoriana abordam temas recorrentes no Tendências do Imaginário: o ilusionismo social e a vigilância disciplinar.

O primeiro, algo extenso e denso, incide sobre a eufemização da dominação e das desigualdades sociais. O segundo, mais leve e breve, ilustra a censura pública. Viral, conhecido ou ignorado, o anúncio “Alexandria Morgan run strapless”, da Tom Tom, foi proibido de aparecer na TV. Por uma qualquer conveniência. Não interessa aqui qual. Todas as censuras se justificam para quem as promove e visam poupar danos aos vulneáveis, que nem sequer se dão conta de semelhante zelo. Não recordo, na história da humanidade, de tamanha abrangência, concentração e eficiência de meios de controlo e censura. Tão pouco, tanta exposição e acomodação por parte dos visados. Talvez nos tempos de maior obsessão com o diabo e suas extensões.

Sexídio e calças de ganga

Pablo PIcasso – Figuras à beira mar (O beijo). 1931, Museu Picasso de Paris

São apenas palavras à solta, desatinadas, escritas no mesmo dia, 19 de julho, há uma dúzia de anos, em 2014, junto à praia, com o mar pasmado.