Mastectomia do Amor

Após a publicação do artigo Mastectomia da Liberdade, retomo a visualização do documentário The 25 Most Famous Paintings in the History of the World (2025). Aguarda-me um eclipse semelhante. No quadro “O nascimento de Vénus”, do Sandro Botticelli, a deusa do amor surge igualmente despeitada. O amor, tal como a liberdade, também é submetido a “mastectomia”.

Justificam-se alguns apontamentos sobre o modo como funciona este tipo de “censura”:
a) As plataformas recorrem principalmente à Inteligência Artificial (IA) para detetar e analisar os conteúdos;
b) A IA tem a capacidade de “aprender”, desenvolvendo capacidades e apurando o desempenho;
c) Em alguns casos, eventualmente mais duvidosos, a IA pode ser complementada pela “revisão manual” (feita por pessoas);
d) Os conteúdos são rejeitados por inconveniência (pornografia, ódio…) ou violação de direitos de autor;
e) As plataformas não alteram os conteúdos; removem o conjunto, restringem o seu uso ou, em situações extremas, suspendem a conta do utilizador proponente;
f) As plataformas explicam, ou dispõe-se a explicar, os motivos que justificam a decisão;
g) Se o utilizador eliminar ou alterar os conteúdos “críticos”, rejeitados, o vídeo poderá ser aceite; o processo implica, portanto, alguma forma de autocensura;
h) É possível contestar as decisões tomadas pelas plataformas; os argumentos apresentados pelo utilizador são frequentemente aceites.
Mastectomia à Liberdade

Parece que estamos a viver uma nova contra reforma. No documentário The 25 Most Famous Paintings in the History of the World (2025), estranha-se a figura da liberdade desmamada. Nem a arte escapa à censura! Automática, com algoritmos em vez de revisores. O cigarro foi substituído pela palhinha, os seios, apagados, seguir-se-á o riso, congelado ou amarelo?

Sem deus nem soberano

Com os anos, vêm rugas, taras e entorses. Prefiro os promotores (de preferência, discretos) aos defensores (em particular, ostensivos) de causas e direitos. Hipermediatizados, em todo o lado e nenhum, cativa-nos a empatia remota, e a solidariedade retórica. Dedicada a Louis Blanqui, a canção Ni dieu ni maître, de Léo Ferré, ilustra tangencialmente estas impertinentes impressões. Seguem as versões de 1965 e 1973.
| Ni dieu ni maître Léo Ferré | Nem deus nem mestre Léo Ferré |
| La cigarette sans cravate Qu’on fume à l’aube démocrate Et le remords des cous-de-jatte Avec la peur qui tend la patte Le ministère de ce prêtre Et la pitié à la fenêtre Et le client qui n’a peut-être Ni dieu ni maître Le fardeau blême qu’on emballe Comme un paquet vers les étoiles Qui tombent froides sur la dalle Et cette rose sans pétales Cet avocat à la serviette Cette aube qui met la voilette Pour des larmes qui n’ont peut-être Ni dieu ni maître Ces bois que l’on dit de justice Et qui poussent dans les supplices Et pour meubler le sacrifice Avec le sapin de service Cette procédure qui guette Ceux que la société rejette Sous prétexte qu’ils n’ont peut-être Ni dieu ni maître Cette parole d’Évangile Qui fait plier les imbéciles Et qui met dans l’horreur civile De la noblesse et puis du style Ce cri qui n’a pas la rosette Cette parole de prophète Je la revendique et vous souhaite Ni dieu ni maître Ni dieu ni maître (Pas vrai, mec?) | O cigarro sem gravata Que se fuma na alvorada democrata E o remorso dos amputados Com o medo a estender a pata O ministério do padre E a piedade na janela E o cliente que talvez não tenha Nem deus, nem mestre O fardo pálido que é embrulhado Como um pacote para as estrelas Que caem frias sobre a laje E esta rosa sem pétalas Este advogado com pasta Essa alvorada que coloca o véu Por lágrimas que talvez não tenham Nem deus, nem mestre Estes bosques ditos de justiça E que crescem nos suplícios E para mobilar o sacrifício Com o pinheiro de plantão Este procedimento que espreita Aqueles que a sociedade rejeita Pretextando que talvez não tenham Nem deus, nem mestre Esta a palavra de Evangelho Que consegue dobrar os imbecis E que infunde no horror civil Nobreza e, também, estilo Este grito que não tem roseta Esta palavra de profeta Reivindico-a e desejo-vos Nem deus, nem mestre Nem deus, nem mestre (Não é verdade, pá?) |
Salvem as crianças!
Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!… (Augusto Gil. Balada da Neve. Luar de Janeiro, 1909)

“Há mais de 100 anos, em 1919, uma mulher chamada Eglantyne Jebb [1876-1928] fundou a Save the Children em resposta ao sofrimento que as crianças enfrentavam como resultado da Primeira Guerra Mundial. / Eglantyne Jebb mudou o curso da história quando declarou que todas as meninas e meninos deveriam ter direitos. Esta ideia, avançada para o seu tempo, desencadeou um movimento global para tornar o mundo um lugar melhor para as crianças. Eglantyne apresentou a primeira Declaração Universal dos Direitos da Criança na Liga das Nações, documento que serviu de base para a criação da Convenção sobre os Direitos da Criança.”
Despertei com o anúncio “Fer” da Saven the Children, do México. Extenso e lento (dura mais de 6 minutos), algo enigmático (desconhece-se, até ao final, o motivo), nem sempre lógico (por que se deixa crescer tanto o cabelo?), faz todo o sentido: ” Desde el embarazo infantil hasta el feminicidio, las niñas viven con miedo en lugar de tener la libertad para crecer y desarrollarse plenamente”.
Sensibilidade à mudança

Será que as diversas formas de capital, designadamente o capital financeiro, estão mais atentas às mudanças sociais do que os governos? Nada a estranhar.
O anúncio “Gamer Loan”, do Banco del Pacífico, pela agência ParadaisDDB Ecuador, recebeu o Gran Effie da edição dos Effie Awards Latin America, bem como um Leão de Ouro no Cannes Lions Festival of International Creativity, ambos de 2024.
A imigração das cegonhas

Pelos vistos, as cegonhas também imigram cada vez mais para Portugal. Para bem acordar depois da sesta, nada melhor que um anúncio do Xavier Mairesse.
Qual foi o contributo da imigração para a natalidade em Portugal?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
A imigração tem desempenhado um papel crucial para a natalidade em Portugal nas últimas décadas, ajudando a mitigar a queda da taxa de natalidade que o país vem enfrentando há anos. O país tem uma das mais baixas taxas de fertilidade da Europa, o que resulta num envelhecimento acelerado da população e num declínio demográfico. A imigração ajuda a atenuar este cenário em diversos aspetos:
- Rejuvenescimento da população
Os imigrantes tendem a ser mais jovens do que a população portuguesa, o que tem ajudado a rejuvenescê-la. Como resultado, muitos imigrantes estão em idade fértil e têm contribuído diretamente para o aumento do número de nascimentos no país. Embora a fertilidade das mulheres imigrantes tenda a convergir com as médias nacionais ao longo do tempo, num primeiro momento, a taxa de natalidade entre os imigrantes é geralmente mais alta. - Aumento da população ativa
A presença de imigrantes jovens ajuda a manter a população em idade ativa, o que é crucial para a sustentabilidade do sistema de segurança social, especialmente num contexto de população envelhecida. Essa faixa etária contribui não apenas para o aumento da natalidade, mas também para a estabilidade do mercado de trabalho. - Fecundidade mais alta entre os imigrantes
Os imigrantes que chegam a Portugal, especialmente vindos de países como o Brasil, Cabo Verde, Angola e outros países africanos, têm historicamente taxas de fecundidade mais elevadas do que as de famílias portuguesas. Isso tem um impacto direto no número de nascimentos no país. Dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) revelam que uma proporção significativa dos nascimentos em Portugal nos últimos anos é atribuída a mães estrangeiras. - Dinamização das regiões despovoadas
Em muitas regiões do interior de Portugal, onde a população envelhece mais rapidamente e o despovoamento é um problema grave, a chegada de imigrantes tem trazido novas famílias e revitalizado comunidades. Nestas zonas, os imigrantes podem ser a principal fonte de novos nascimentos e de dinamismo social. - Políticas de imigração e sua ligação à natalidade
Nos últimos anos, Portugal adotou políticas de imigração mais abertas, favorecendo a entrada de trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais. Estas políticas, além de preencherem lacunas no mercado de trabalho, têm como efeito secundário a melhoria do panorama demográfico e a promoção da natalidade. - Estudos e números
Segundo dados do INE, em 2021, cerca de 12% dos nascimentos em Portugal foram de mães estrangeiras, uma percentagem que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Este crescimento reflete a importância crescente da imigração para a natalidade e o crescimento demográfico do país. Em alguns anos, mais de 25% dos novos nascimentos na Área Metropolitana de Lisboa já foram atribuídos a imigrantes ou descendentes de imigrantes. - Casamento e formação de famílias
Os imigrantes muitas vezes formam novas famílias em Portugal, casando-se com cidadãos portugueses ou com outros imigrantes. Isso contribui para a diversidade cultural e demográfica, ao mesmo tempo que apoia os números da natalidade.
Conclusão
Em resumo, a imigração tem um papel fundamental para contrabalançar o declínio da natalidade em Portugal, através do aumento dos nascimentos, rejuvenescimento da população e mitigação do envelhecimento demográfico. Embora a imigração não seja a solução única para o problema da baixa natalidade, sem ela o declínio populacional seria ainda mais acentuado.
(https://chatgpt.com/?temporary-chat=true; consultado 05.10.2024 às 17:44)



















































