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Brincar com coisas sérias

Andy Cap. Em Portugal, Zé do Boné. Figura criada pelo inglês Reggie Smyth nos anos 1950

Aqui jaz o Zé Fumega. Uma morte, milhentas causas! Um desperdício de pregos para um único caixão. Cruzes, canhoto!

Calma e Tranquilidade

Há vários dias que me encontro atolado num cúmulo de burocracia com abuso do cidadão. Para quê? Para pedir alguma regalia? Nem por isso, apenas para colaborar generosamente com uma instituição pública. Em suma, a crónica salvaguarda do aparelho e das aparências face a eventuais “escrutínios”.

Quanto se menospreza o cidadão, que, aliás, insatisfeito, pede mais! Papagueamos a democracia que descuidamos. Não se pede a um membro de um governo que, como político, decida bem e promova boas iniciativas, mas, em contrapartida, que não tenha ponta por onde se lhe pegue, a qualquer pretexto. Desde sempre, nem sombra de “ilegalidade”, “informalidade”, “irregularidade” ou ” suspeita”. Só falta exigir “santidade”, aos governantes e aos governados. Às declarações de registo criminal e de compromisso, anexe-se o upload com uma declaração de fé. Portugal e os Portugueses não precisam de vangloriar-se de tamanho zelo burocrático. Já é sobejamente reconhecido no estrangeiro.

Importa temperar este estado de alma com música apropriada. Talvez alguns mantras hipnóticos, em pequenas doses. Aprecio o trio Deva Premal (alemã; voz e teclas), Miten (indiano, voz e guitarra) e Manose (Nepalês, flauta). O que é preciso é “calma e tranquilidade”, nome da canção, com letra em português, que coloco em primeiro lugar. Acrescento “Aad Guray” e “Gayatri Mantra”.

Deva Premal (Nuremberga, Alemanha; 1970) é uma cantora reputada pela sua música espiritual e meditativa do tipo New Age, que envolve mantras ancestrais numa atmosfera contemporânea. / Deva é parceira de vida e de música de Miten, que conheceu no Ashram de Osho em Pune, na Índia, em 1990. Juntos, compõem músicas e realizam concertos à volta do mundo./ Deva recebeu formação musical clássica, mas cresceu cantando mantras em sua casa na Alemanha — um lar imerso na espiritualidade oriental. Seus álbuns têm liderado as paradas de New Age em todo o mundo desde o lançamento de The Essence, que inclui o Mantra Gayatri. A sua gravadora, Prabhu Music, já vendeu mais de 900.000 cópias. (Wikipedia, em espanhol, 03.08.2026).

Deva Premal & Miten (com Manose) – Calma e Tranquilidade. Soul in Wonder. 2007. Do CD/DVD “In Concert”, 2009
Deva Premal & Miten (com Manose) – Aad Guray.  CD/DVD “In Concert”, 2009
Deva Premal & Miten (com Manose) – Gayatri Mantra. Satsang: A Meditation. 2002. Do CD/DVD “In Concert”, 2009

Coração e cabeça

Sejam quais forem as cores com que pintemos o mundo, assim como os estômagos com que o digerimos, convém não esqucer de aconchegar o coração (artigo É sempre dia de ser filho, 02.08.2017) e exercitar as células cinzentas (artigo Modernidades, 02.08.2018).

Descorar

Edvard Munch – Melancolia. Presumivelmente 1892. Museu Nacional de Arte. Oslo

La Mélancolie

C’est un’ rue barrée
C’est c’qu’on peut pas dire
C’est dix ans d’purée
Dans un souvenir
C’est ce qu’on voudrait
Sans devoir choisir
La mélancolie

C’est un chat perdu
Qu’on croit retrouvé
C’est un chien de plus
Dans le mond’ qu’on sait
C’est un nom de rue
Où l’on va jamais
La mélancolie
(Léo Ferré)

A Melancolia

É uma rua bloqueada
É aquilo que não pode ser dito
São dez anos de massagem
Envoltos numa recordação
É aquilo que desejaríamos
Sem ter de escolher
A melancolia

É um gato perdido
Que se acredita ter reencontrado
É mais um cachorro
No mundo que se sabe
É um nome de rua
Onde nunca se vai
A Melancolia
(Tradução livre)

Ilusionismo e controlo

Ilustração: Joelle L., in The Camera Panopticon (https://ar.al/notes/the-camera-panopticon/, acedido em 25.07.2026)

Os artigos Jogo viciado e Pós-modernidade vitoriana abordam temas recorrentes no Tendências do Imaginário: o ilusionismo social e a vigilância disciplinar.

O primeiro, algo extenso e denso, incide sobre a eufemização da dominação e das desigualdades sociais. O segundo, mais leve e breve, ilustra a censura pública. Viral, conhecido ou ignorado, o anúncio “Alexandria Morgan run strapless”, da Tom Tom, foi proibido de aparecer na TV. Por uma qualquer conveniência. Não interessa aqui qual. Todas as censuras se justificam para quem as promove e visam poupar danos aos vulneáveis, que nem sequer se dão conta de semelhante zelo. Não recordo, na história da humanidade, de tamanha abrangência, concentração e eficiência de meios de controlo e censura. Tão pouco, tanta exposição e acomodação por parte dos visados. Talvez nos tempos de maior obsessão com o diabo e suas extensões.

Males do Mundo

Supertramp – Crisis? What Crisis? 1975

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).

Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).

Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.

Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976

Sonho envenenado

No artigo Ama-te a ti mesmo como nunca te amaste, de 13 de julho de 2017, continuo a escrever com língua bífida, como a das serpentes.

Para o ler, convém usar luvas e óculos de proteção como os dos serralheiros e metalúrgicos; para perceber, aventurar-se nas entrelinhas; para apreciar, dispensar encostos.

Imagem:
Hieronymus Bosch ou discípulo – Cristo carregando a cruz. Detalhe. Entre 1510 e 1535. Museu de Belas Artes de Gante

Macacos me mordam! Surpresas e sustos

Ao Daniel N.

São amoras, senhor/a, amoras! Maduras e negras, prontas a ser devoradas, com picadas e nódoas nos dedos. Não paro de recuperar e gravar vídeos. Fabulosos, por sinal! Por esta altura, em julho de 2013, andava, provavelmente, virado do avesso. Torrado em Braga à espera de Moledo, a escrita resultava retorcida e afiada, carregada de cinismo e ironias sarcásticas.

Imagem: Frida Kahlo – Autorretrato con Changuito,Frida, 1945. MuseoDolores Olmedo,

Mas, senhor/a, se o texto é silvestre, os vídeos contemplados nos artigos seguintes são uma maravilha: um amor de amoras. A pedir por mais. Se emagrecer… e Anomalia foram colocados no mesmo dia, 13 de julho de 2013; Apanhados, esquecido, no dia 11 de julho de 2015.

Transcendência do humano

Felix Nussbaum – Prisioneiro, 1940

Convém não esquecer.