Calma e Tranquilidade
Há vários dias que me encontro atolado num cúmulo de burocracia com abuso do cidadão. Para quê? Para pedir alguma regalia? Nem por isso, apenas para colaborar generosamente com uma instituição pública. Em suma, a crónica salvaguarda do aparelho e das aparências face a eventuais “escrutínios”.
Quanto se menospreza o cidadão, que, aliás, insatisfeito, pede mais! Papagueamos a democracia que descuidamos. Não se pede a um membro de um governo que, como político, decida bem e promova boas iniciativas, mas, em contrapartida, que não tenha ponta por onde se lhe pegue, a qualquer pretexto. Desde sempre, nem sombra de “ilegalidade”, “informalidade”, “irregularidade” ou ” suspeita”. Só falta exigir “santidade”, aos governantes e aos governados. Às declarações de registo criminal e de compromisso, anexe-se o upload com uma declaração de fé. Portugal e os Portugueses não precisam de vangloriar-se de tamanho zelo burocrático. Já é sobejamente reconhecido no estrangeiro.

Importa temperar este estado de alma com música apropriada. Talvez alguns mantras hipnóticos, em pequenas doses. Aprecio o trio Deva Premal (alemã; voz e teclas), Miten (indiano, voz e guitarra) e Manose (Nepalês, flauta). O que é preciso é “calma e tranquilidade”, nome da canção, com letra em português, que coloco em primeiro lugar. Acrescento “Aad Guray” e “Gayatri Mantra”.
Deva Premal (Nuremberga, Alemanha; 1970) é uma cantora reputada pela sua música espiritual e meditativa do tipo New Age, que envolve mantras ancestrais numa atmosfera contemporânea. / Deva é parceira de vida e de música de Miten, que conheceu no Ashram de Osho em Pune, na Índia, em 1990. Juntos, compõem músicas e realizam concertos à volta do mundo./ Deva recebeu formação musical clássica, mas cresceu cantando mantras em sua casa na Alemanha — um lar imerso na espiritualidade oriental. Seus álbuns têm liderado as paradas de New Age em todo o mundo desde o lançamento de The Essence, que inclui o Mantra Gayatri. A sua gravadora, Prabhu Music, já vendeu mais de 900.000 cópias. (Wikipedia, em espanhol, 03.08.2026).
Descorar

La Mélancolie
C’est un’ rue barrée
C’est c’qu’on peut pas dire
C’est dix ans d’purée
Dans un souvenir
C’est ce qu’on voudrait
Sans devoir choisir
La mélancolie
C’est un chat perdu
Qu’on croit retrouvé
C’est un chien de plus
Dans le mond’ qu’on sait
C’est un nom de rue
Où l’on va jamais
La mélancolie
(Léo Ferré)
A Melancolia
É uma rua bloqueada
É aquilo que não pode ser dito
São dez anos de massagem
Envoltos numa recordação
É aquilo que desejaríamos
Sem ter de escolher
A melancolia
É um gato perdido
Que se acredita ter reencontrado
É mais um cachorro
No mundo que se sabe
É um nome de rua
Onde nunca se vai
A Melancolia
(Tradução livre)
Males do Mundo

No Tendências do Imaginário, existem, na década de 2010, nove artigos de 16 de julho com interesse: Apelo (2012); Idolatria (2012); Chove na natalidade (2014); Sisifite (2015); Havemos de ir a Viana (2016); Sociedade de choque (2017); Umbilicados, narcisistas e egoístas (2018); e Simplesmente só (2019).
Pensei publicar hoje dois “pacotes”: 1) Miopia umbilical, com os artigos Umbilicados, narcisistas e egoistas(2018), a que acrescentava Avatar Narcisista (10.12.2017) e Nota de rodapé (26.11.2016); 2) Solidões, com os artigos Simplesmente só (2019), a que acrescentava A solidão como companheira (19.11.2016) e Aspirar a solidão (21.02.2021).
Desisto do pacote Solidões. Fica para o ano. Substituo-o por outro pacote, Males do mundo, com os artigos Apelo (16.07.2012) e Sociedade de choque (16.07.2017). Não só porque condiz mais com a “miopia umbilical”. mas, sobretudo, porque ao procurar uma versão com melhor resolução da sequência de abertura, com direção da NoBrain, do filme Huit, só o encontrei na minha própria página do YouTube. Precise-se que o filme Huit teve a participação de oito realizadores, entre os quais Jane Campion, Gus Van Sant e Wim Wenders. Nestas circunstâncias, descarreguei a referida sequência de abertura, salvaguardando-a em triplicado: no disco duro, na página do YouTube e no Tendências.
Segue o pacote Males do Mundo com dois artigos, Apelo (2012) e Sociedade de Choque, com dois vídeos veras impressionantes: “Huit“ (2009) e “Article 13 – L’horreur ne prend jamais de vacances” (2017).
Diagonalização do Poder

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)
O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

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Sonho envenenado

No artigo Ama-te a ti mesmo como nunca te amaste, de 13 de julho de 2017, continuo a escrever com língua bífida, como a das serpentes.
Para o ler, convém usar luvas e óculos de proteção como os dos serralheiros e metalúrgicos; para perceber, aventurar-se nas entrelinhas; para apreciar, dispensar encostos.
Imagem:
Hieronymus Bosch ou discípulo – Cristo carregando a cruz. Detalhe. Entre 1510 e 1535. Museu de Belas Artes de Gante
Macacos me mordam! Surpresas e sustos
Ao Daniel N.

São amoras, senhor/a, amoras! Maduras e negras, prontas a ser devoradas, com picadas e nódoas nos dedos. Não paro de recuperar e gravar vídeos. Fabulosos, por sinal! Por esta altura, em julho de 2013, andava, provavelmente, virado do avesso. Torrado em Braga à espera de Moledo, a escrita resultava retorcida e afiada, carregada de cinismo e ironias sarcásticas.
Imagem: Frida Kahlo – Autorretrato con Changuito,Frida, 1945. MuseoDolores Olmedo,
Mas, senhor/a, se o texto é silvestre, os vídeos contemplados nos artigos seguintes são uma maravilha: um amor de amoras. A pedir por mais. Se emagrecer… e Anomalia foram colocados no mesmo dia, 13 de julho de 2013; Apanhados, esquecido, no dia 11 de julho de 2015.




