A imigração das cegonhas

Pelos vistos, as cegonhas também imigram cada vez mais para Portugal. Para bem acordar depois da sesta, nada melhor que um anúncio do Xavier Mairesse.
Qual foi o contributo da imigração para a natalidade em Portugal?
Dito pelo ChatGPT:
ChatGPT
A imigração tem desempenhado um papel crucial para a natalidade em Portugal nas últimas décadas, ajudando a mitigar a queda da taxa de natalidade que o país vem enfrentando há anos. O país tem uma das mais baixas taxas de fertilidade da Europa, o que resulta num envelhecimento acelerado da população e num declínio demográfico. A imigração ajuda a atenuar este cenário em diversos aspetos:
- Rejuvenescimento da população
Os imigrantes tendem a ser mais jovens do que a população portuguesa, o que tem ajudado a rejuvenescê-la. Como resultado, muitos imigrantes estão em idade fértil e têm contribuído diretamente para o aumento do número de nascimentos no país. Embora a fertilidade das mulheres imigrantes tenda a convergir com as médias nacionais ao longo do tempo, num primeiro momento, a taxa de natalidade entre os imigrantes é geralmente mais alta. - Aumento da população ativa
A presença de imigrantes jovens ajuda a manter a população em idade ativa, o que é crucial para a sustentabilidade do sistema de segurança social, especialmente num contexto de população envelhecida. Essa faixa etária contribui não apenas para o aumento da natalidade, mas também para a estabilidade do mercado de trabalho. - Fecundidade mais alta entre os imigrantes
Os imigrantes que chegam a Portugal, especialmente vindos de países como o Brasil, Cabo Verde, Angola e outros países africanos, têm historicamente taxas de fecundidade mais elevadas do que as de famílias portuguesas. Isso tem um impacto direto no número de nascimentos no país. Dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) revelam que uma proporção significativa dos nascimentos em Portugal nos últimos anos é atribuída a mães estrangeiras. - Dinamização das regiões despovoadas
Em muitas regiões do interior de Portugal, onde a população envelhece mais rapidamente e o despovoamento é um problema grave, a chegada de imigrantes tem trazido novas famílias e revitalizado comunidades. Nestas zonas, os imigrantes podem ser a principal fonte de novos nascimentos e de dinamismo social. - Políticas de imigração e sua ligação à natalidade
Nos últimos anos, Portugal adotou políticas de imigração mais abertas, favorecendo a entrada de trabalhadores estrangeiros e estudantes internacionais. Estas políticas, além de preencherem lacunas no mercado de trabalho, têm como efeito secundário a melhoria do panorama demográfico e a promoção da natalidade. - Estudos e números
Segundo dados do INE, em 2021, cerca de 12% dos nascimentos em Portugal foram de mães estrangeiras, uma percentagem que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Este crescimento reflete a importância crescente da imigração para a natalidade e o crescimento demográfico do país. Em alguns anos, mais de 25% dos novos nascimentos na Área Metropolitana de Lisboa já foram atribuídos a imigrantes ou descendentes de imigrantes. - Casamento e formação de famílias
Os imigrantes muitas vezes formam novas famílias em Portugal, casando-se com cidadãos portugueses ou com outros imigrantes. Isso contribui para a diversidade cultural e demográfica, ao mesmo tempo que apoia os números da natalidade.
Conclusão
Em resumo, a imigração tem um papel fundamental para contrabalançar o declínio da natalidade em Portugal, através do aumento dos nascimentos, rejuvenescimento da população e mitigação do envelhecimento demográfico. Embora a imigração não seja a solução única para o problema da baixa natalidade, sem ela o declínio populacional seria ainda mais acentuado.
(https://chatgpt.com/?temporary-chat=true; consultado 05.10.2024 às 17:44)
Cortejo Histórico de Melgaço 2024. Introdução
A convite da Câmara de Melgaço, participei na organização do Cortejo Histórico de 2024. O anterior, de 2023, cumpriu e prometeu. Importava prosseguir, introduzindo alguma distinção e inovação. Um desafio aliciante, tanto mais que as colaborações com o município de Melgaço resultaram geralmente compensadoras e reconhecidas. Regra na minha terra, exceção fora.


O trabalho de conceção do modelo do cortejo foi compartilhado com o pessoal da área da cultura do município, nomeadamente o Abel Marques, a Diva Amaral e a Patrícia Domingues. Uma equipa habituada a trabalhar em conjunto. Tem acontecido com os Serões dos Medos, está a acontecer com o próximo Boletim Cultural.
“Na primeira edição do Cortejo Histórico, em 2023, foi apresentada uma visão macro, com uma viagem no tempo de milhares de anos (Recorde-se que o Cortejo Histórico retratou uma espécie de friso cronológico, uma linha temporal da ocupação humana do território, sendo selecionadas cinco épocas que deixaram marcas históricas e que representam as raízes culturais do concelho – O Paleolítico, a Idade do Bronze, a Antiguidade Clássica – Romanização, a Idade Medieval e a Idade Contemporânea.)”
Na primeira edição do Cortejo histórico, o objetivo consistiu, portanto, em encenar épocas da história humana com um rico património local. Proporcionou uma experiência deveras útil para o seguinte.
A primeira e principal inovação assentou numa mudança de perspetiva e numa deslocação de foco: menos História em Melgaço e mais História de Melgaço. Não apostar tanto em ilustrar ou exemplificar realidades gerais à escala local, mas recuperar e divulgar histórias e lendas caraterísticas do próprio concelho, pertencentes à sua memória coletiva, algumas vividas e ou transmitidas pelas gerações precedentes. Em suma, motivos e assuntos em que os melgacenses se reconhecem e com os quais se identificam. Por exemplo, em vez da “Idade Média”, tão marcante em Melgaço, as lendas da Senhora da Orada ou da Inês Negra, ambas exclusivas do concelho. Esta nova fórmula apresentava-se como mais propícia ao envolvimento e à criatividade dos participantes.

Encontrado o conceito e o modelo, impunham-se dois pré-requisitos: cada tema devia comportar uma ligação com uma ou várias freguesias; todas as freguesias deviam ser contempladas. Nestas condições, foram retidos sete temas, distribuídos da seguinte forma pelas juntas de freguesia:
- Visita da Rainha D. Filipa de Lencastre ao Convento de Fiães em 1837; tema proposto e realizado pela própria freguesia de Fiães;
- Lenda da Senhora da Orada; pelas União das Freguesias da Vila e Roussas. pela União das Freguesias de Chaviães e Paços e pela freguesia de Cristóval;
- Tomás das Quingostas; pela freguesia de São Paio;
- A Revolução da Maria da Fonte; pelas freguesias de Penso e Alvaredo;
- Termas do Peso no início do século XX; pela freguesia de Paderne e pela União de Freguesias de Prado e Remoães;
- Castrejas com mulas de carga; pela União de Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro;
- Casamento nos anos setenta; pela União de Freguesias de Parada do Monte e Cubalhão e pelas freguesias de Cousso e Gave.

A realização dos temas coube às juntas de freguesia. Na prática, foram elas que, em pouco tempo, fizeram o cortejo, eventualmente em parceria com instituições, associações ou grupos locais. Acrescentaram ideias, exploraram soluções, mobilizaram recursos humanos e materiais. Com entrega e mestria, sempre com o acompanhamento e o apoio da Câmara Municipal. A festa é, antes de mais, de quem a faz!
A composição e a dinâmica do Cortejo impressionam pela proximidade e pelo convívio entre os participantes de todas as idades, pela interação, genuína e cordial, entre gerações. Sobressai, contudo, o protagonismo dos mais velhos.
Na atualidade, os mais velhos, com ou sem a bênção dos governantes centrais e regionais, oferecem-se como uma das riquezas do concelho de Melgaço.


Pode-se saltar o parágrafo a itálico. Trata-se apenas de um desabafo.
Prestes a terminar esta prosa sisuda, não resisto a desconversar. Melgaço consta entre os concelhos mais envelhecidos do País. Há apenas três décadas, as estruturas e organizações de apoio eram poucas e com reduzida cobertura territorial. A situação inverteu-se graças a uma política local avisada e sustentada que assumiu como prioridade a qualidade de vida dos mais velhos. Em poucos anos, os serviços dedicados aos idosos passaram de deficitários a excedentários. Hoje, as instituições, públicas, sociais ou privadas, acolhem muitos utentes proveniente de outros concelhos. Apraz-me ter participado, no início dos anos 2000, na implementação da rede social concelhia e na elaboração do primeiro diagnóstico social e sequente plano de desenvolvimento social que elegeram a população idosa como prioridade da ação social local. Mas nem tudo depende da vontade local. A decisão remonta frequentemente a outros patamres. Atente-se, por exemplo, na rede viária e nos cuidados de saúde. Sem atender ao desempenho do Centro de Saúde local, recordo que o hospital de Viana do Castelo está a 100 Km e a 90 minutos de distância. Sucede que a necessidade de cuidados de saúde aumenta com a idade.

Por seu turno, a autoestrada A28 termina em Cerveira e a A3 em Valença. O caminho de ferro rematou em Monção. Parece que os investimentos decisivos têm a sina de abortar antes de chegar a Melgaço. A notoriedade do Tomás das Quingostas, bandido social que se opôs ao governo de outrora, talvez não seja mero acaso.
07. Tomás das Quingostas. Fotografia: Ana Macedo
Mas deixemo-nos de lamentações que sabemos inconsequentes.
Dez dias antes do cortejo, admitia estar ansioso em relação ao Cortejo Histórico. Inquietava-me o resultado e a receção (https://tendimag.com/2024/07/30/metamorfoses-em-berco-de-pedra/). Confesso-me duplamente satisfeito. Com a entrega e o brio das freguesias e dos participantes e com a afluência e o entusiasmo do público, na tarde mais tórrida do ano.


Propomo-nos dedicar sete artigos ao Cortejo Histórico de 2024. Um por tema. Serão publicados à medida que a respetiva documentação for considerada suficiente, sem seguir necessariamente a ordem cronológica do Cortejo.
As fontes resumem-se principalmente a duas: os arquivos do Município e as imagens captadas por um casal amigo, a Ana Macedo e o Miguel Bandeira. O apelo a partilhas não resultou.


Enfim, que tenha conhecimento, a comunicação social, a dita cobertura mediática, não correspondeu, salvo duas exceções: o jornal Voz de Melgaço, com um excelente vídeo dedicado ao baile do casamento (https://www.facebook.com/jornalvozdemelgaco/videos/1023897019126966?locale=pt_PT), e a Rádio Vale do Minho, com uma trintena de fotografias tiradas antes do desfile iniciar (https://www.radiovaledominho.com/lendas-e-momentos-historicos-desfilaram-pelas-ruas-de-melgaco-veja-as-fotos/). Como nunca percebi quais eram os critérios dos órgãos de informação, não me pronuncio sobre este desinteresse.

Em algumas pesquisas e na redação de um ou outro texto, beneficiámos da colaboração do Válter Alves e do Américo Rodrigues.


A Ana Macedo, historiadora, é investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade / UM e, aposentada, professora na Academia Sénior de Braga. Tive a honra de orientar a sua tese de doutoramento em Estudos Culturais.
O Miguel Bandeira, geógrafo, é professor no Instituto de Educação da Universidade do Minho, investigador no Centro de Estudos Comunicação e Sociedade / UM e, atualmente, pró-reitor da Universidade do Minho.
Pegar na mão de uma criança

O trenó do Pai Natal, desta vez, atrasou-se. A prenda só chega na próxima semana. Pois seja! Mas em verdade vos digo que a idade pode ser uma bênção. Há estatutos e encantos pelos quais é necessário esperar.


Seguem duas interpretações da canção Prendre Un Enfant, de Yves Duteil: em 2021, com 72 anos; e, em 1979, com 30.
Prendre Un Enfant (Yves Duteil)
Prendre un enfant par la main
Pour l’emmener vers demain
Pour lui donner la confiance en son pas
Prendre un enfant pour un roiPrendre un enfant dans ses bras
Et pour la première fois
Sécher ses larmes en étouffant de joie
Prendre un enfant dans ses brasPrendre un enfant par le cœur
Pour soulager ses malheurs
Tout doucement, sans parler, sans pudeur
Prendre un enfant sur son cœurPrendre un enfant dans ses bras
Mais pour la première fois
Verser des larmes en étouffant sa joie
Prendre un enfant contre soiPrendre un enfant par la main
Et lui chanter des refrains
Pour qu’il s’endorme à la tombée du jour
Prendre un enfant par l’amourPrendre un enfant comme il vient
Et consoler ses chagrins
Vivre sa vie des années, puis soudain
Prendre un enfant par la mainEn regardant tout au bout du chemin
Prendre un enfant pour le sien
Caducidade: a contagem das folhas

“Mover-se como uma folha morta caída da árvore que o vento leva, sem se saber se é o vento que nos leva ou se somos nós que transportamos o vento…” (Michel Jourdan). As folhas despedem-se dos ramos que bradam aos céus, para visitar a terra e as raízes de onde beberam a seiva. As folhas soltam-se avulsas, discretas e anónimas. Mas certos dias, fetichistas, teimamos em contá-las. São dias especiais comemorativos da caducidade. Pois contemos mas por ordem decrescente. Ousemos adolescentar perdidamente, bolinar contra o vento como as caravelas.
Encantados pelas folhas suspensas nas águas cristalinas de M.C. Escher (Three Worlds, 1955), resgatemos três vultos clássicos da floresta musical: Nat King Cole (Autumn Leaves; Unforgettable; e Smile), Emilio Cao (Cain as Follas) e Yves Montand (Les Feuilles Mortes, a versão original, francesa, de Autumn Leaves).
O tempo que falta


Je l’aime tant, le temps qui reste… (Serge Reggiani, Le temps qui reste, 2002)
Je n’ ai pas peur de la route / Faudra voir, faut qu’on y goûte (Noir Désir, Le vent nous portera, des Visages, des Figures, 2001)
Quarenta alunos da Academia Sénior de Braga deslocaram-se a Melgaço a semana passada. Visitaram o Espaço Memória e Fronteira, o Solar do Alvarinho, as Termas, a Torre de Menagem e o Museu do Cinema. Tive o prazer de fazer de guia. Foi um bom momento. Como se diz, um momento bem passado. Sobra ainda o tempo que falta. Para viver, naturalmente!
Amor de filho

Dispõe de seis minutos para comover o coração e expor a consciência? Promovida por uma cadeia de distribuição tailandesa, C.P. Group, esta curta metragem sobre o cuidado dedicado a uma mãe vítima de Alzheimer talvez configure uma boa oportunidade.
Recordação dos Reis

Este anúncio escapou-me no Natal de 2020. Voltou a escapar em 2021. Ia também escapar em 2022. Mas os Reis resgataram-no. Era uma pena!
Baralhar palavras

O anúncio holandês “Husky Frida”, da Dutch State Lotery, além de divertido, é invertido, “pega-lhe pelo avesso”: “não esperes que a sorte te sorria”, “não te fies na lotaria”. É, em suma, dinvertido, para bricolar letras ao jeito de François Rabelais, que inventou palavras tais como autómato, indígena ou agelasta (aquele que nunca ri, que não sabe rir).
François Rabelais (1494-1553)




