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Os ventos uivam

Recua-se 13 anos, relê-se um artigo e constata-se que os ventos continuam a soprar do mesmo lado. Por desventura, cada vez mais fétidos.

inDISCIPLINA ERÓTICA. Sexo explícito no século XVI

O Tendências do Imaginário é um poço sem fundo. Convém descer agarrado a uma corda presa na superfície.

Seguem os artigos Profilaxia daLuxúria (Para maiores de 18 anos) e Jogo à portuguesa, ambos colocados no dia 1 de agosto de 2014.

Loucura e insensatez numa nau sem destino

Satire des noceurs débauchés. Ca. 1505-15. Musée du Louvre

Eu já tenho um pé na cova,
Mas permaneço louco até o fim.
(Sebastian Brant, La nef des fous, 1494)

O artigo Michel Foucault e a Nave dos Loucos, colocado em 29 de julho de 2014, propõe uma mera junção de excertos, extensos, do livro História da Loucura na Idade Clássica (1ª edição, Folie et Déraison, 1961), de Michel Foucault. O seu primeiro livro publicado e, porventura, o meu preferido. O meu contributo resume-se à seleção dos excertos e à ilustração com as gravuras.

À medida do cliente

A Distinção – Uma Crítica Social da Faculdade do Juízo (em francês: La distinction. Critique sociale du jugement) é um estudo sociológico de Pierre Bourdieu publicado em 1979, sobre a cultura e os gostos em França, resultado de uma investigação empírica promovida entre 1963 e 1968. / Em 1998, a Associação Internacional de Sociologia nomeou-o como um dos dez livros de sociologia mais importantes do século vinte (https://en.wikipedia.org/wiki/Distinction_(book))

Bernard Chatelat “especializou-se a partir de 1972 no estudo das tendências das evoluções sociais dos estilos de vida privados e profissionais / Copromotor, com a equipa do CCa, de estudos de Prospetivas e Socio Estilos de Vida, cuja metodologia publicou. Este método apresenta a originalidade de reunir num mesmo inquérito quantitativo um conjunto de cerca de 3000 variáveis psicológicas e comportamentais sobre a vida privada, os valores e convicções, a sociedade e a política, os lazeres e os centros de interesse, a cultura e os médias, os consumos; um processamento estatístico de estruturação dos dados permite revelar uma tipologia de Socio-Estilos de Vida. A repetição destes inquéritos, de 1972 a 2010, tornou possível identificar e ponderar “Socio-Trends” (https://fr.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cathelat)

Velas

Os artigos A ingenuidade e a sátira (20.07.2015) e Velas 820.07.2016) são distintos. O primeiro contém cartoons, o segundo, um vídeo. Só têm em comum a palavra “vela”, no título ou no nome do artista (David Vela). Mas merecem ambos que os acendam.

Diagonalização do Poder

Padrãodo Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Leste. Por Walrasiad

Le rire est une bouée de sauvetage / O riso é uma bóia de salvação (Michel Serrault)
Le rire libère l’homme de la peur / O riso liberta o homem do medo (Dario Fo)

O artigo Hierarquias na horizontal, colocado no Tendências do Imaginário no dia 14 de julho de 2018 inspira-se no maneirismo seiscentista. Como diriam os medievais francófonos, é uma drôlerie (gracejo), um sintoma, talvez, de quem tem muito tempo no presente e pouco pela frente.

Padrão dos Descobrimentos com identificação das figuras. Lado Oeste

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Michel Sardou – Le France. Michel Sardou, 1976

Demasiado potentes, prepotentes e impotentes

Quino e Mafalda

Que desenharia Quino (1932-2020) se estivesse vivo? Não lhe faltariam exemplares de potentes, prepotentes e impotentes em que se inspirar. Nada sofisticados nem discretos. A minha geração foi das mais “empoderadas” ao longo da vida; foi, também, daquelas cuja esperança mais inchou e desinchou.

Novo livro sobre André Soares para público infantojuvenil

Na próxima quinta ocorre o lançamento do novo livro de Eduardo Pires de Oliveira. Nada de extraordinário. O Eduardo não para de escrever e publicar textos. Mas, desta vez, resulta diferente. Dedicado à vida e à obra de André Soares e destinado a um público infantojuvenil, o autor assume o o desafio de propiciar uma leitura acessível, “amigável”. Admito aguardar com bastante curiosidade a apresentação para descobrir a solução adotada. Tenho, portanto, encontro marcado às 11 horas do dia 7 de novembro no Auditório Braga Simões da Escola André Soares.

Desenhar vidas / Animar Edward Hopper

Gragnano, Villa rustica in Località Carmiano, Villa A. Room 9, in proprietà de Luca, Pompeii, 1st century BC

A memória não descansa. Tudo me lembra alguma coisa.

Uma amiga de Melgaço partilhou este belo vídeo, com música de fundo de Vangelis: La Petite Fille de la Mer. O Tendências do Imaginário já contempla o vídeo oficial desta música (https://tendimag.com/2022/06/30/top-of-the-pops-com-rugas-5-michel-colombier-vangelis-e-francis-lai/). Neste caso, “Maria” (2015) limitou-se a retomar a curta-metragem LILA (2014) de Carlos Lascano mantendo o vídeo e substituindo apenas a música. Esta “remistura” não desmerece os originais. Coloco os dois vídeos: a adaptação de “Maria” e o original de Carlos Lascano.

A curta-metragem LILA lembra-me [adoro co(r)tejar realidades distintas] os quadros de Edward Hopper: seres humanos entregues a si mesmos, isolados em ambientes amplos, delineados e despojados com uma luminosidade estranha. Só por magia ou milagre as personagens parecem suscetíveis de resgate, de ganhar vida. Algo semelhante carateriza as situações iniciais no vídeo do realizador e escritor argentino Carlos Lascano, animadas pelos desenhos, por vezes em stop-motion, esboçados por uma jovem, qual anjo ou cupido travesso, (re)anima, incutindo vida e amor às pessoas e seus contextos. Como que restaura, transfigura e subverte o universo melancólico, desolado e solitário de Hopper.

Vangelis. La Petit Fille de la Mer. Apocalypse des Animaux. 1973. Gravado para a banda sonora de uma série de documentários sobre o reino animal dirigida por Frédéric Rossif e apresentada na televisão francesa em 1970. Versão do vídeo colocada por “Maria”, em 19/06/2015
LILA. Curta-metragem de Carlos Lascano, com música de Sandy Lavallart. Argentina, 2014

Galeria com quadros de Edward Hopper

Rescaldo, Van Gogh e Quartier Latin

Alireza Karimi Moghadam

O monte de Santa Tecla esteve em chamas. Ainda paira algum fumo. Consola-me um pequeno filme de animação dedicado ao Van Gogh da autoria do iraniano Alireza Karimi Moghadam que o Eduardo Pires de Oliveira teve a inspiração de me enviar. Revejo-o, volto a fazê-lo, e, nesta esquina à beira Minho, deixo-me embalar pelas memórias dos anos de estudante.

Filme de animação dedicado a Van Gogh por Alireza Karimi Moghadam, 2022

Recordo professores como Louis-Vincent Thomas ou Raphael Pividal e colegas como o colombiano Marino Trancoso, jesuíta companheiro de ousadias (falecido, atribuíram o seu nome a um dos principais auditórios da Pontificia Universidad Javeriana, de Bogotá) ou o sérvio Duško Lopandić, em cuja casa, em Tuzla, me atardei uma semana (foi ministro adjunto do governo sérvio e embaixador da Sérvia em Portugal e Cabo Verde, de 2007 a 2011). No que me concerne, regressei à terrinha há mais de quarenta anos. Melgaço e Moledo valem o desvio!

Ce quartier qui résonne dans ma tête
Ce passé qui me sonne et me guette (…)
Les années, ça dépasse comme une ombre (…)
Je r’trouv’ plus rien, tell’ment c’est loin, l’Quartier latin

Este bairro que ecoa na minha cabeça
Este passado que me toca e me espreita (…)
Os anos (ultra)passam como uma sombra (…)
Já não reencontro nada, tão distante está o Quartier Latin.

Léo Ferré. Quartier Latin (1967)