A Beleza do Perfume

Admiro os anúncios a perfumes. Um mar de dificuldades. Através do monitor, vemos e ouvimos. Não apalpamos, degustamos ou cheiramos. Não obstante, sentimo-nos tocados. Reagimos aos vídeos e à música com o corpo. Mas o perfume, não o vemos, nem o ouvimos, nem o tocamos. A comunicação do cheiro é complicada, tanto mais que o cheiro é pessoal, irredutível à agregação colectiva.
O anúncio japonês “All Beautiful Things Come From Nature” (2017), pelo Dvein, para a Shiseido, é lindo, lindo, lindo! “Lindo de morrer”!
Agonístico

Ocidentalização do oriente ou ocidente orientalizado? Ou um oriente, animada e delirantemente, bel(ic)o?
A canção “Let’s just crash” (2nd Opening Theme of TV Anime GACHIAKUTA), de Mori Calliope estreou ontem, dia 3 de novembro de 2025.
Um mimo filial, espécie de vacina contra a fossilização do espírito.
A união faz a resistência

Perante inclemências tão intempestivas e adversas, estar juntos protege-nos! Um anúncio extraordinário como este só vindo de longe, do Japão. Obrigado Almerinda Van Der Giezen, pela inesperada viagem no espaço e no tempo.
O Canto das Crianças do Inferno
Para acompanhar os filhos, os pais ganham em aprender com eles

Quando aquilo que deveria estar longe está perto e o que deveria a estar perto está longe, dá vontade de mudar de lugar, de se deslocar para outras coordenadas espaciotemporais, mesmo que seja esporadicamente. Demandar, por exemplo, o rock japonês do início dos anos setenta ou os cânticos da Grécia Antiga de há dois milénios. Comecemos pelo rock progressivo e psicadélico japonês.
O Fernando mostrou-me uma pérola rara. “É a tua cara! A música e a letra.” Adoro quando me surpreendem adivinhando os meus gostos.
Quando era jovem, acompanhava artistas estrangeiros no rock, mas depois de ouvi-los novamente depois de muitos anos, descobri que artistas e bandas japonesas como J.A. Caesar, Jax e Happy End, que enveredam por um gênero um pouco diferente, alcançam muito mais profundidade e um nível mais alto do que as bandas britânicas e americanas da mesma época. (Comentário no YouTube: @blueearth5000).
J. A. Seazer (…), às vezes ortografado Julious Arnest Cesar ou Julious Arnest Caesar, batizado Terahara Takaaki (寺原 孝明?), é um músico e compositor de bandas sonoras japonês nascido a 6 de outubro de 1948. Alcançou alguma popularidade entre os estudantes japoneses nos anos sessenta e colaborou com o realizador Shuji Terayama (…) Adquiriu notoriedade com a composição da banda sonora da adaptação animada do manga de Suehiro Maruo, Mr. Araxhi’s Amazing Freak ShoW (Wikipedia, 16.06.2025).
Retive quatro vídeos. O primeiro, “When Everybody’s Going to Die” [Quando todos estiverem a morrer], foi o que o Fernando me deu a conhecer [coloco a letra no fim”. Pertence a um EP lançado em 1970, que inclui a canção do segundo vídeo: “Hanging Tree” [árvore da forca]. Segue a canção “Wasan” do álbum Kokkyou Junreika, de 1973. Estas músicas namoram o rock progressivo e psicadélico. O quarto vídeo contempla sete músicas da banda sonora do filme Den-en ni shisu (Pastoral: To Die in the Country), realizado por Shuji Terayama em 1974. Embora todas sejam notáveis, deste conjunto destaco as duas últimas canções: “Hymn of Praise” (12:53) e “Everyone Suddenly Disappears” (17:08). Já que se fez tão rara viagem, vale a pena atardar-se.
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Quando todos estiverem a morrer
(When Everybody’s Going to Die)
Quando todos estiverem a morrer,
cantarei um hino de amorQuando todos estiverem a morrer,
alguém cantará uma canção de embalarOs pássaros negros que se aglomeram nas árvores mortas
Gritarão na escuridãoQuando todos estiverem a morrer,
Gritarão na escuridãoQuando todos estiverem a morrer,
ouço a voz de uma mãeQuando todos estiverem a morrer,
há risos e chorosDas profundezas de uma garrafa enegrecida,
A voz das crianças do inferno a cantarQuando todos estiverem a morrer,
A voz das crianças do inferno a cantarQuando todos estiverem a morrer,
quando todos estiverem a morrer(J. A. Seazer, 1970)
Futurando

Nem mota nem automóvel: a nova invenção da Kawasaki assume-se como um cavalo-robô capaz de levar os aventureiros aos pontos mais inacessíveis do planeta. / O Corleo Concept, que mais parece saído dum filme de ficção científica, foi concebido para realçar as qualidades fun to ride definidas pela insígnia nipónica para as suas motocicletas. / Os movimentos do piloto estão sob contínua monitorização numa união perfeita entre homem e máquina; basta-lhe controlar as transferências de peso para manter a melhor postura em andamento. / A alimentar o “bicho” está um motor de 150 cm3 a hidrogénio, com a electricidade gerada a alimentar as unidades de propulsão montadas em cada uma das quatro pernas. / Soma-se um painel de instrumentos com o nível de combustível, a posição do centro de gravidade e a rota de percurso preferencial; e à noite o sistema projecta marcadores no trilho para indicar o caminho a seguir. / Apresentada na Expo 2025 que está a realizar-se na cidade japonesa de Osaca, não será para já que a Corleo Concept subirá à linha de montagem para a produção em série. (Aquela Máquina. Drive-in. Kawasaki Corleo Concept leva-o a cavalo onde mais ninguém consegue. 15-04-2025).
De lamentar que o lançamento esteja previsto, como muitas outras metas, para 2050. Seria um consolo e uma expiação fazer a última viagem sobre quatro pernas robóticas. Quem sabe! O tempo anda acelerado. Ainda é capaz de se ultrapassar.
Uma Pitada de Mitsune

Não é por ser generoso que um pensamento é mais interessante, nem por ser desagradável, menos válido (AG)
De castigo em Braga (só para aprender), desforro-me a procurar e escutar excentricidades. Segue, para os nipófilos mais rebuscados, o formidável concerto dos Mitsune, em Rennes, em dezembro de 2024.
Mitsune é uma banda japonesa de folk fusion sediada em Berlim, com membros provenientes do Japão, Austrália, Alemanha e Grécia. O seu som mistura folk tradicional japonês com música psicadélica, cinematográfica e ritualística, acrescentando ao folclore moderno uma mentalidade punk (…) Os seus espetáculos ao vivo estão carregados de energia bruta, com visuais decadentes e uma pitada de humor (https://www.mitsune.de/).
Origami mágico

Ontem, tive um momento de glória. Consegui a façanha de mostrar ao Fernando um vídeo japonês que ele ainda não conhecia. E adorou! Uma lança em África. Sinto uma ponta de orgulho. Convenha-se que o vídeo Origami, realizado pelo jovem japonês Kei Kanamori, é fantástico. Curto, com menos de três minutos, nele cabe um vendaval de arte e sonhos.
Cativa-me a palavra origami. Há quase vinte anos, ilustrei uma conversa em Viana do Castelo com uma compilação de anúncios publicitários batizada Origami Mágico (ver Lição Imaterial: https://tendimag.com/2020/03/13/licao-imaterial/).
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É realmente belíssimo, veloz, imaginativo, ritmado, e pensar que tudo cabe numa folha de papel. A palavra origami também me fascina, e o origami em si mesmo ainda mais. Sem perder uma única dobra, tudo é possível neste imaginário. E remontando às vertigens do barroco e às suas dobraduras, diria que o origami representa a precisa vertigem do efémero. Tudo se resume à mudança e à capacidade de se reinventar. Dispersa-se com o vento, consome-se no fogo e dissolve-se na água. É um ritual da alma e celebra o espírito na sua magia de renovação. Sem amarras. Preces e oferendas, dobras infinitas. (Almerinda Van Der Giezen, 25.03.2023)



