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Furacão ou Furacadela

Quando voltar a casar, quero ir para o altar com esta música do Neil Young: Like a hurricane. Nem mais, nem menos. Acordei prazenteiro. Por acréscimo, o Francisco, da banda Onysus, concertou a aparelhagem Hi-Fi favorita (enquanto não mandar reparar o amplificador da Pioneer com 4 colunas adquirida em Andorra há 40 anos). Lá vai uma do Neil Young, lá vão duas, lá vão três dos Onysus!

Neil Young – Like A Hurricane (Unplugged 1993). Original: American Stars ‘n Bars, 1977
Onysus – Special Stranger. Dyosun: Between Two Worlds. 2018. Vídeo oficial
Onysus – Bloody Tears. Dyosun: Between Two Worlds. 2018
Onysus – Blind Men. Dyosun: Between Two Words. 2018

Salmos

As tradições prestam-se à reinvenção. Na música, ensaiam-se, por exemplo, novos instrumentos e arranjos. O resultado é mais ou menos bom consoante a obra. Os salmos da banda israelita MIQEDEM, residente em Telavive, não desmerecem. E, convenha-se, mais vale salmos que bombas.

MIQEDEM – Psalm 23 (Adonai Ro’i). Vol II. 2018. Live in Studio. Colocado no YouTube em 2019
MIQEDEM – Eskera [Psalm 77]. Eshkona. 2023. Vídeo oficial

As asas, a águia e a galinha

A águia voa alto; mas corta-lhes as asas e ficará uma galinha grande (provérbio cigano)

Nunca tivemos tantas capacidades e nos sentimos tão tolhidos. Palas e mais palas, metas e mais metas! A puxar lesmas com GPS, sem horizontes, nem descaminhos. Solta-te e levanta os pés do chão! Que não te aparem as asas. Sai do aviário, deambula, aventura-te em labirintos! E, por uma vez, não repitas yes, fala a tua própria língua. Prega aos peixes, mas não te pregues na cruz! Abre-te aos outros, povos e culturas, cores e sons. Delicia-te com os Barcelona Gipsy Klezmer/Balkan Orchestra.

Jean-Michel Folon, Folon for Amnesty International, 1977

Barcelona Gipsy balKan Orchestra – Lule Lule. Europe Closes the Border (Original Motion Picture Soundtrack). 2016
Barcelona Gipsy Klezmer Orchestra/Nihan Devecioğlu – Yagmur Yagar. Balkan Reunion. 2015
Barcelona Gipsy balKan Orchestra/Bora Dugić – Običan Balkanski Dan. Live at Teatre Grec- 2017
Barcelona Gipsy balKan Orchestra – Marijo deli bela kumrijo. Nova Era. 2020

Filhos da Mãe: Les Enfoirés

“Les gens qui rêvent font des révolutions” (Les Enfoirés)

No bar do Instituto de Ciências Sociais, apenas os três funcionários. Com as memórias sentadas à minha volta, apetece-me sentir a nortada no rosto e a generosidade ao alcance dos dedos. Despeço-me rumo a Moledo. Caminho, pasmo e janto sardinhas com alface, tomates e pimentos colhidos na horta do Sr. João. No restaurante, apenas se ouve o zumbido da televisão que, como uma mosca, revolve o mesmo lixo: a comissão de inquérito para lamentar. Em casa, carrego baterias, as baterias da fé. Com os “filhos da mãe” (Les Enfoirés; motherfuckers).

Exemplo raro de generosidade, Les Enfoirés (http://www.enfoires.fr) é um coletivo de artistas criado em 1985 por Coluche com o objetivo de contribuir para a sua principal iniciativa de solidariedade: Les Restos du Coeur. Seguem quatro canções. Uma sequência com trinta interpretações dos Enfoirés está disponível no seguinte endereço: https://www.youtube.com/watch?v=XcmG2RZYxDs.

Coluche, por Catherine Wernette

Didier Barbelivien & Olympe & Stanislas / Les Enfoirés. Elle était si jolie (cover de Alain Barrière, 1963). 2014
Celine Dion & Maurane / Les Enfoirés. Quand on a que l’amour (cover de Jacques Brel, 1956). 1996
Les Enfoirés. Ta Main (cover de Grégoire, Toi+Moi, 2008). 2010
Les Enfoirés. Rêvons. 2023 Enfoirés un jours, toujours. 2023

Desorientação

Os contrapoderes andam agitados, incisivos e imaginativos. Das pulgas fazem elefantes. Com a arte da comichão e do coçar.

Distinguem-se várias propensões, umas, por exemplo, apostadas na correção e no resgate, outras na transgressão e na renovação. Para onde oscilamos? Coexistindo, algumas tendência podem dominar as demais. A dominação torna-se hegemónica quando os dominados adotam a linguagem dos dominantes. Em que estado estamos? Enfim, poderão os contrapoderes aspirar à hegemonia?

Convido, a despropósito, ao confronto de algumas músicas de duas bandas britânicas com registos divergentes: energia, senão entusiasmo, dos Orchestral Manoeuvres In The Dark, dos anos 1980, e apelo, senão súplica, dos London Grammar, dos anos 2010.

Imagem: René Magritte. Reprodução proíbida. 1937

Orchestral Manoeuvres In The Dark. Electricity. Orchestral Manoeuvres in the Dark. 1980
Orchestral Manoeuvres In The Dark. Enola Gay. Organisation. 1980
London Grammar. Nightcall. If You Wait. 2013
London Grammar. Hey Now. If You Wait. 2013

A Arte do Ruído na Viragem do Milénio

Para ensinar algo às pessoas, convém misturar o que elas conhecem com o que elas ignoram (Pablo Picasso)

Qualquer ruído escutado durante muito tempo torna-se uma voz (Victor Hugo)

The Art of Noise. Born On A Sunday. The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Live And Reconstructed / 1999

A procura da primeira música matinal encalhou no álbum The seduction of Claude Debussy (1999), o quinto e último dos Art of Noise. Música eletrónica com declamação e ópera à mistura. Por que não? Aspiração e inspiração à solta. Trata-se de um álbum com uma sonoridade diferente dos precedentes Who’s Afraid of the Art of Noise? (1984), In Visible Silence (1986), In No Sense? Nonsense! (1987) e Below the Waste (1989). Conceptual, mistura trechos do compositor impressionista francês com bateria, baixo, ópera, hip hop, jazz, récitas, ruídos digitalizados e a voz da alta mezzo-soprano Sally Bradshaw.

The Art of Noise. Il pleure (At The Turn Of The Century). The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Faixa 1

Vanguardistas, os Art of Noise constituíram um grupo britânico de synth-pop que foi fundado em 1983 pelo engenheiro/produtor Gary Langan e pelo programador JJ Jeczalik, acompanhados pela teclista/arranjadora Anne Dudley, pelo produtor Trevor Horn e pelo jornalista de música Paulo Morley. Foram pioneiros no uso intensivo e criativo do Fairlight, instrumento musical eletrónico de origem australiana que permite o processamento computadorizado e a interpretação de amostras de sons através de um teclado semelhante ao de um piano (o vídeo com a canção Born On A Sunday ilustra, de algum modo, este procedimento). “Beat Box”, “Moments in Love”, “It’s All About Me”, “Close (to the Edit)” e os covers “Video Killed the Radio Star”, “Peter Gunn” e “Kiss” conquistaram os primeiros lugares nas tabelas de vendas. Várias composições integram filmes tais como O Diário de Bridget Jones, Os Anjos de Charlie: Potência Máxima ou A Minha Madrasta É Um Extraterrestre.

The Art of Noise. The Art of Noise. On being blue. The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Faixa 4
The Art of Noise. The holy egoism of genius. The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Faixa 8
The Art of Noise. Approximate Mood Swing No:2. The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Faixa 11
The Art of Noise. Born on a Sunday. The Seduction Of Claude Debussy. 1999. Live on Talk Music, March 24th 2000. “Faixa” 2

Reincidências

Tenho hesitado em colocar algumas músicas do álbum homónimo dos Deep Purple (1969). Menos célebre que os seguintes Deep Purple in Rock (1970) ou Machine Head (1972), não desmerece. Com trejeitos de rock sinfónico, aproxima-se da sonoridade, então corrente, de bandas como os Moody Blues ou os Pink Floyd. Algumas faixas surpreendem.

Os Deep Purple marcaram os anos setenta. Como não me movem as circunstâncias, nem encaro a idade ou a história como aperfeiçoamento, os anos setenta não possuem, à partida, nem menos nem mais valor que os 2020. Uma vez embarcado na máquina do tempo, tanto me seduzem progressos como regressos. Não me importo, portanto, de reincidir. Hoje, proporcionou-se começar o dia com a canção “Lalena” dos Deep Purple (um cover do original de Donovan).

Deep Purple. Lalena. Deep Purple. 1969
Deep Purple. April. Deep Purple. 1969
Deep Purple. Blind. Deep Purple. 1969

Tempo para tudo

Ter todo o tempo do mundo pode ser bom!

Rui Veloso. Todo o tempo do mundo. Avenidas. 1998

Ter tempo para tudo talvez não seja pior! Até para tentar tempos alheios. Se os Slow Show lembram Roger Waters, os Elbow lembram Peter Gabriel.

Elbow. Starlings. The Seldom Seen Kid. 2008
Elbow. Grounds for Divorce. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017
Elbow. One Day Like This. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017

Rendimentos marginais. The Slow Show

A virtude da errância, de errar perdidamente, reside em poder acertar no imprevisto, acrescentar, por ventura, um pouco de prazer ao prazer. Os Slow Show lembram-me, com ou sem razão, Roger Waters.

The Slow Show. Low (with Hallé Youth Choir). Lust and Learn. 2019
The Slow Show. Dresden. White Water. 2015. Live at Hallé St. Peter’s, Manchester, 2014
The Slow Show. Break Today. Dream Darling. 2016. Live at Haldern Pop Festival, 2015
The Slow Show. Rare Bird. STILL LIFE. 2022
The Slow Show. Blinking. STILL LIFE. 2022

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (início da homenagem)

Vários amigos não puderam assistir à homenagem no 29 de Novembro. Gostariam de ter uma ideia. Colocaremos, sucessivamente, alguns momentos. Por agora, seguem dois vídeos com o Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. O primeiro com as danças do início e o segundo, impressionante pela resistência e leveza, da segunda parte, a final. Melgaço é um território envelhecido que veio perdendo população. Não obstante é um território vivo onde as diferentes gerações se empenham em dar o braço. Melgaço tem muitos embaixadores. O Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço destaca-se como um deles.

Homenagem ao Prof. Albertino Gonçalves. Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço (1ª parte) e receção pela direção do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, 29.11.2022

Carregar na imagem seguinte para aceder ao vídeo.

Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço. Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa. 29 de novembro de 2022. Fonte: Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Melgaço.