Archive | Publicidade RSS for this section

O Animal Político

Caricatura do Zé Povinho com o rei D. Luís a cavalo em cima dele e Mariano de Carvalho como agulheiro. Litografia de Rafael Bordalo Pinheiro, in António Maria, 9 de Setembro de 1880

A democracia é, por(des)ventura, o único regime político que se suicida. Os demais morrem contra a sua própria vontade.

Abstenção, 29.09.2018

O Novo País das Maravilhas

Al!ce, by MIMAGIE, 2026

Os artigos A Teia e Extensões do Homem, de 28 de setembro de 2014, desafiam-me, mas não me são estranhos. Consigo enxergá-los. Em contrapartida, a curta-metragem Al!ce não me é estranha, mas ultrapassa-me. Não logro alcançar as potencialidades de tantas artes e possibilidades. Não “alicia” ser arrastado por uma enxurrada de afluentes sem leito nem estuário antecipáveis. Tamanha maravilha confunde-me.

A Teia, 28.09.2014
Extensões do homem, 28.09.2014
Al!CE SHORT FILM by MIMAGIE, posted 16/09/2026. Produced by mimagie studio, with a screenplay by Daria Sherstobitova and directed by Miguel Ivanov

AL1ICE: Uma fábula cômica surreal sobre uma Alice moderna que ensaia inspirar um filme de IA para uma competição. Consoante a produção se desenrola, a linha entre a vida real, o processo de filmagem e o País das Maravilhas começa a dissolver-se. Estruturado como uma narrativa recursiva, a curta-metragem trata o País das Maravilhas não como uma adaptação, mas como um ciclo de retroalimentação cultural, onde a ficção do século XIX, a produção de imagens contemporânea e a mitologia do cinema começam a se influenciar mutuamente. Produzido pelo estúdio MIMAGIE, com roteiro de Daria Sherstobitova e direção de Miguel Ivanov, Al!CE foi originalmente desenvolvido para a competição Higgsfield. O trabalho combinou desenvolvimento de roteiro e argumento, seleção de elenco, figurino e design de locação, planeamento de storyboard, pré-visualização, geração de vídeo, edição, preparação de diálogos, música e design de som. O processo visual central começou com o texto. Rostos e figurinos gerados tornaram-se referências para composições cénicas; essas composições, por sua vez, guiaram a geração de vídeo. Ilustrações de Tenniel, em domínio público, serviram de inspiração para poses e arranjos selecionados. As imagens foram editadas e tiveram suas cores corrigidas no Photoshop antes de ser preparadas para o Seedance, enquanto as músicas foram desenvolvidas com o Suno. Todas as vozes foram criadas nos laboratórios elevel. Os locais foram construídos como ambientes gerados, com atenção à geografia, ângulos reversos e iluminação consistente. O tratamento guiou a atuação, o movimento da camara e a revisão ao longo de todo o processo.

Imagine Dragons – Mad World (Gary Jules cover). Evolve, 2017. 1Live Session. Posted 28.06.2017

Eles e elas. Involução

Hyundai. Upskirt. Holanda, Setembro 2012

As relações de género, como todas as relações, conhecem fases e oscilações. Várias figuras podem ser revisitadas no espaço e no tempo. No anúncio da Hiunday, o efeito Axe passa dos desodorizantes para os automóveis. A mulher, tendência Eva, é desejo e tentação a um passo do pecado. No anúncio da William Lawson’s, a mulher, tendência Maria, serva do lar vestida de noiva, é afastada por uma fratria masculina de bebedores de Whisky. Mudam-se os tempos, renovam-se as vontades.

A Mulher, o Homem, o Carro e a Bebida, 28.09.2012

Dividir para juntar

Dividir o ecrã, aproximar os contrários, 27.09.2020

Uma vida por viver

Angel. Brompton Cemetery, London, England, UK

No final da Idade Média, acreditava-se que, na hora da morte, os moribundos reviviam os momentos mais marcantes de suas vidas. Esta crença não desapareceu. O anúncio Una vida por ver, da Movistar, operadora de telemóveis ibero-americana, é distinto. Não se trata de uma “revisão do passado” mas de uma “visão do futuro”, da vida que a morte amputou. Não é um rewind nem um forward, mas um retrocesso do futuro para o presente. (A família, um valor tradicional, 27.09.2018)

A família, um valor tradicional, 27.09.2018

Gozar com coisas sérias

Peço desculpa por abusar do vosso tempo e da vossa atenção, mas existem dias em que me custa deixar alguns artigos a marinar até ao próximo ano. Por exemplo, os quatro seguintes.

Dei-me ao cuidade de recuperar os respetivos anúncios e gravar três deles. Podem não acreditar, mas representa algum trabalho. No caso de um deles, não hesitei um segundo. Conseguem adivinhar qual?

Caça Palavras, 26.09.2012
Gozar até morrer, 27.09.2013
A arte de escolher as cadeias, 27.09.2014
Banho a dois, 27.09.2015

Felicidade felina

Iluminura. The Bodley Bestiary (England, 1226–1250)

Os gatos são como a felicidade. Sabe-se quando se afastam, não se sabe quando voltam (Albertino Gonçalves, 2019)

Os gatos são como a felicidade, 27.09.2019

morvida

Para os antepassados, a morte e a vida são contrários. Mas contrários muito próximos. Tão próximos que se entrelaçam. Ao extremo de a vida ter morte e a morte ter vida. Esta sabedoria exprime-se em esculturas, pinturas, gravuras e rosários. Por exemplo, nos quadros e nos pingentes em que metade do ser humano é pele e carne e a outra metade, esqueleto.

Imagem: Giuseppe Arcimboldo, Alegoria da Vanitas. 1580

Vida de esqueleto I: A carne e o osso, 26.09.2017

008. Pronto para servir

007
007, 25.09.2015

O mesmo e o outro. Sujeitos e homjetos

M.C. Escher, Bond of Union, 1956, Courtesy Bruce Silverstein Gallery

De vez em quando, acontece-me inventar palavras. Na maioria dos casos, já alguém o tinha feito. Por exemplo, “ninguenização”, palavra freia já cunhada no Brasil. Homjeto não significa nada. Nem sequer virando o dicionário do avesso. Mas não dizendo nada, diz o que parece: um misto de homem e coisa. Com a devida sonoridade. Que conste, não existe na internet. Por enquanto, a aberração é minha. Para quê homjeto quando já se diz homem objeto? Porque a expressão “homem objeto” continua a cavar uma dicotomia e a dar primazia ao homem. Não interessa! Seja como for, andamos rodeados, pelo menos desde a Idade Média, de homjetos. (Homjetos, 23.09.2012)

Ternura virtual, 26.09.2011
Homjetos, 23.09.2012
Pinguinhas, 26.09.2014
Pela diferença, 24.09.2014